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Sinopse do enredo da Mocidade para o Carnaval 2023

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Enredo: “TERRA DE MEU CÉU, ESTRELAS DE MEU CHÃO”

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Estas são as origens da Terra de meu Céu:

Deus, nosso Pai, foi o princípio. Firmou sua Criatura ao pó de argila. Soprou sobre Ela o fôlego da vida – a imagem e semelhança sublime do Criador. Plantou um jardim no Agreste e pôs ali os homens que tinha moldado. Fez brotar da terra vergéis repletos de mandacarus e xiquexiques – a força de Sua criação. Riscou no Barreto as primeiras margens do Rio Ipojuca, a fim de regar a vida das aves e dos animais do Campo. Pôs os astros no celeste firmamento, tomou o homem e o pôs para o lavrar e o guardar. Mas não foram as mãos de Deus; foram as de meu pai, Mestre de todos os discípulos deste vilarejo: Vitalino Pereira dos Santos do Alto do Moura – O Deus do Barro (Ref. Música, Petrúcio Amorim, Caruaru-PE).

Jericos galopam pela manhã repletos de saquinhos de massapés, a matéria-prima do nosso Senhor. Galhas de mamoeiros enfeitam as calçadas do povoado. O tauá descansa ao eterno, refém da inspiração divina. Fornalhas incessantes, tal qual o cardeá da luta matuta. Resiste o estuque, paredes guardam o âmbito majestoso do barro. Aporta a saudade e, nas capelinhas, o testemunho de Padim Ciço, à memória de Deus-Pai. Valei-me, pelo sempre! Peço-lhe que interceda por mais um dia de criação (Cenas revogadas pelo Livro Arte do barro e olhar da arte, por Pierre Verger – 1947).

Tabuinhas se preenchem da vida lá de fora. Sacadas narram a rota da roça. Imagine moldar a imagem da Criatura sem seu fiel escudeiro? Os boizinhos de tantas pelejas pelo sacolejar das loiçarias e alambiques, acompanhantes da luta destes meus irmãos. Irmãos que resistem à labuta de terras distantes e exalam o cheiro verde vindo dos canaviais – afã promovido pela branquinha, a companheira deste ofício. Feiras são salpicadas pelo colorido das frutas agrestinas. Animais fazem algazarra nas cestarias das quitandeiras. Milharais congregam pela quebra. Mãos afagam o algodão. Casas farinham um aferrado trabalho matriarcal. Prados de girassóis se voltam às cenas deste meu Alto – visões que inspiram gredas e amenizam o suor da lida.

Histórias modeladas no escapismo e cerimoniadas pelo Bispo Mané-Pãozeiro. Caçadores viram peões na busca por gatos-maracajás; lançam tarrafas aos doces riachos. Águas de reis e rainhas do Cangaço – seres híbridos mimetizados pela lenda das sereias. Cavalgam caracóis enamorados pelos rochedos que os margeiam. Torres observam o universo mítico de asnos armoriais. Monstros gráficos não espantam a sorte dos arvoredos. Quimeras lendárias reinventam a arte; peças configuram a vida como um grande jogo de xadrez no meio do meu Sertão.

Portinhas dos casarios são pertencidas à imagem dos três santos juninos. Santidades cúmplices do ciclo da vida apadrinham as fases vividas pelo sertanejo. Nascimentos guiados pela estrela-guia e amparados por presépios encantados. Procissões erguem santinhas vestidas de chitas que abençoam, com juras de amor, o atravessar da cidade. Preces de novenas espantam a agrura de toda tentação do deserto. Altares protegidos por faces angelicais das divindades. Mãos recriam imagens protetoras do barro-sacro de cada dia.

Brincantes figuram o Auto deste meu Mundaréu: cânticos entoados pelo repente dos Bacamarteiros; destino mambembe riscado pelas espadas dos Capitães do Reisado; flechas de caboclos erguem-se aos Jaraguás do Cavalo-Marinho; realeza segue ao passo dos Vassalos do Maracatu-Rural; Bandinhas de Pífanos bumbam fitas e flores para um Boi-Teimoso; Papangus reverenciam nossos astros; Mazurcas giram saias rodadas, como os sonhos que embalam um carrossel em verde e branco.

E em tudo que sonhar, olhe para o Alto!¹
Estas são as origens das Estrelas de meu Chão.

Severino Pereira dos Santos Vitalino, discípulo do Deus do Barro.
P.S.: Este é o inventário do país que queremos ser – surgido de uma prosa particular em um dia com o filho do Deus Vitalino. E de outros proseares com os discípulos dos Mestres Zé Caboclo, Manuel Eudócio, Manoel Galdino e Luiz Antônio. Legado figurado das grandes estrelas do Alto do Moura e que servem de sublime inspiração aos repentistas de Padre Miguel!

Autoria, Enredo, Pesquisa e Texto: Marcus Ferreira, Carnavalesco. Agosto de 2022.

Agradecimentos Especiais: Ângela Mascelani e Lucas Van de Beuque
Curadoria Museu Casa do Pontal. Emanuella Vitalino e família. Serginho Brayner – a enciclopédia Caruaruense. Mestra Therezinha Gonzaga – Cidadã Patrimônio Vivo de Caruaru.
Revisão Textual: Henrique Pessoa.
Nota: ¹Frase da Mestra das Estrelas, Therezinha Gonzaga.
Vocabulário Matuto do Agreste:
Agrestina – Que vem do Agreste Pernambucano;
Barreto – Lugar de barro abundante;
Bacamarteiros – Grupo folclórico de repentistas;
Boi-Teimoso – Mesmo que boi-bumbá; Tira-Teima;
Cardeá – Queima nas fornalhas;
Galhas – Ramalhetes dos arvoredos;
Jericos – Mulinhas, jegues, cavalinhos de vida simples;
Jaraguás – Brincantes dos folguedos do Cavalo-Marinho;
Loiçarias – Utilitários domésticos de barro;
Mané-Pãozeiro – Figura popular do Alto do Moura – principal personagem da
obra de Mestre Galdino;
Marmeleiro – Ou Marmeleiro-do-Mato, árvore do Agreste utilizada para a
queima nas fornalhas;
Prados – Ou Campos;
Tauá – Tom alaranjado da cerâmica;
Tabuinhas – Prateleira de madeira que apoia a arte figurativa para apreciação;
Vergéis – Mesmo que pomares.

Ouça o samba-enredo da Portela na versão oficial para o Carnaval 2023

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Compositores: Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Edmar Jr, Bira e Marcelāo
Intérprete: Gilsinho

Prazer novamente encontrar vocês
Ali pelas bandas de Oswaldo Cruz
Nosso mundo azul ganha vez
E aquela missão nos conduz
Eu, Rufino e Caetano
No linho, no pano, pescoço ocupado…
Vencemos mesmo marginalizados
No bailar, uma porta bandeira
A nobreza desfila humildade…
Natal nos guiou, deu Águia!
A Majestade…

“Abre a roda”, “malandro, que o samba chegou”
Andei na “Lapa”, também já “subi o Pelô”
“Macunaíma” falou: nas “maravilhas do mar”
‘A brisa me levou”
Eis um “Brasil de glórias” que incandeia
A “vaidade” é um “conto de areia”
Eu vim me apresentar:
“Deixa a Portela passar!”

“Lendas e mistérios” de um amor
Casa onde mora a profecia
Clara como a luz de um esplendor
Cem anos da mais bela poesia
Vivam esse sonho genuíno
De fazer valer nosso legado
Vejo um futuro mais lindo
Nas mãos de quem sabe o valor do passado
Ser Portela é tanto mais
Que nem cabe explicação
Basta ouvir os Baluartes
Pra chorar de emoção

Cavaco e viola… A velha linhagem
A benção Monarco pra essa homenagem
O céu de Madureira é mais bonito
Te amo, Portela, além do infinito!

Jorge Silveira sobre retorno para São Clemente: ‘É uma máquina que eu sei fazer funcionar’

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De volta ao Rio de Janeiro após um tempo apenas fazendo carnaval em São Paulo, período estendido pela pandemia, Jorge Silveira retorna ao cenário carioca da folia e especialmente à escola em que recebeu grandes elogios pelo trabalho produzido em três anos de São Clemente. Se as colocações não refletiam a qualidade do trabalho, o melhor foi o décimo lugar de ” O conto do vigário”, em 2020, Jorge produzirá o desfile da escola, agora em um novo momento em que agremiação está no Grupo de Acesso depois de mais de 10 anos seguidos de Especial.

jorge silveira
Foto: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

“É um momento novo, a São Clemente em uma nova condição, agora no Grupo de Acesso, é uma outra realidade. Mas é a boa e velha São Clemente de sempre. Eu tenho dito que é um brinquedo que eu já brinquei, é uma máquina que eu sei fazer funcionar. Eu me sinto em casa literalmente, foram três anos trabalhando na escola, conheço todos os funcionários e toda a equipe. Foi uma conversa muito boa com o Renato (presidente) para que a gente pudesse acertar os ponteiros e determinar o projeto para 2023. É uma escola que eu já operei, e já tive a experiência de trabalhar no Grupo de Acesso, já estive no Grupo de Acesso e já fiz a São Clemente, então é uma realidade que misturando essas duas coisas eu já estou acostumado. O objetivo é trazer a escola de volta para a sua identidade, um carnaval engraçado, satírico, irreverente, divertido, mas com o compromisso da competição para que a gente possa buscar esse lugar no Grupo Especial de volta”, explica o carnavalesco.

E para Jorge Silveira, o que não pode faltar nos desfiles da São Clemente é a irreverência característica da escola. O carnavalesco quer resgatar essa qualidade ainda de uma forma mais carioca.

“Eu gosto muito de fazer o trabalho servindo a característica do pavilhão, e essa é a característica da São Clemente. Acho que toda vez que ela tenta fugir disso, ela não se dá bem. Ela tem que entender que o lugar dela é esse. Se o carnaval do Rio de Janeiro fosse um jornal, a São Clemente seria aquela charge que vem na capa, fazendo a crítica das coisas. Eu entendi isso desde sempre e procuro sempre direcionar para isso. Podem esperar um carnaval leve, divertido, mas crítico, irreverente, com um toque de humor muito forte e sobretudo, acho que de todos os carnavais que eu já trabalhei na São Clemente, esse será com certeza o mais carioca de todos, com um traço muito forte de Rio de Janeiro na linguagem”.

O enredo “O achamento do velho mundo” pretende trazer a visão do descobrimento do Brasil sobre uma ótica invertida, através do olhar dos povos nativos do país que a partir da narrativa de Jorge seriam os descobridores. O carnavalesco explica um pouco de onde partiu a ideia para a história ser levada para a Avenida.

“Eu tinha uma ideia embrionária disso no carnaval virtual anos atrás e agora, eu adaptei, tornei ele maior para o padrão do carnaval da São Clemente. E trouxe ele para a praia de Botafogo. O nosso carnaval começa partindo da praia de Botafogo, então tudo isso é pensado para ter uma linguagem carioca, para a linguagem da São Clemente. Logo que eu apresentei o tema ao Renato, ele gostou da ideia. Praia é uma coisa que tem a ver com a história da escola. Futebol de areia, futebol de praia, então a gente parte daí para poder brincar o nosso carnaval”, aposta Jorge Silveira.

Trabalho com planejamento

Agora na Mocidade Alegre também, Jorge explica como consegue se desdobrar para produzir o carnaval do Rio e o de São Paulo ao mesmo tempo.

“É tranquilo, o carnaval é planejamento e equipe. A gente trabalhando com equipe e tudo organizado com antecedência, é tranquilo de fazer. Eu tenho uma boa recordação da última vez que eu dividi carnaval. Em 2017 eu fui vice campeão no Rio e em São Paulo. Eu gosto dessa brincadeira de dividir, não vejo problema, as duas escolas entendem e respeitam esse processo de trabalho, estou feliz”, finaliza Jorge.

Com o enredo ” O achamento do Velho Mundo”, a São Clemente vai encerrar a primeira noite de desfiles da Série Ouro em 2023.

União de Jacarepaguá anuncia novo diretor de musas e musos

A União de Jacarepaguá investe no quadro de musas e musos contratando Wallace Azevedo como diretor das beldades para o Carnaval 2023. Após quatro anos afastado, Azevedo aceita o convite e retorna a agremiação.

diretor musas
Foto: Divulgação

Além de passar na avenida como muso da Unidos de Bangu e Acadêmicos do Cubango, Wallace já teve passagens como coordenador de passistas por algumas escolas de samba como: São Clemente, Unidos da ponte, Alegria da Zona Sul, Unidos de Vila Kennedy, e também na Verde e Branca de Campinho em 2017 e 2018.

“A sensação de estar de volta é uma coisa inexplicável! Estive em 2017 e 2018 na escola e sempre tive um carinho muito grande pela família União. Está sendo um mix de sensação, felicidade e emoção ao mesmo tempo. Estou voltando para somar forças e mostrar um grande trabalho com a nossa diretoria para 2023”, declara Azevedo.

Lins Imperial terá musa australiana no seu próximo desfile

Gringa cheia de gingado e samba no pé já não é novidade, mas na Lins Imperial, elas não são mais coadjuvantes. Após o sucesso das musas internacionais no desfile da Lins Imperial em 2022, a verde e rosa do Lins, que anunciou recentemente a sua nova rainha de bateria francesa, terá a australiana Emilia Sepulcri como musa no próximo carnaval.

musa lins
Foto: Divulgação

Emília sempre foi fã de música latina e começou a dançar salsa. A partir daí, passou as aulas para o ritmo de samba, se apaixonou pelo gingado das passistas e pelo som da bateria e nunca mais parou. Para a nova musa da Lins Imperial a forma física, agilidade e a graça das musas e passistas cariocas são inspiração.

“Estou animada e privilegiada por fazer parte da Lins Imperial. Além de estar muito ansiosa para conhecer a sua comunidade, as pessoas envolvidas e melhorar meu conhecimento da cultura do carnaval e alcançar crescimento no meu samba”, avisa a musa.

A verde e rosa do Lins continuará investindo no seu elenco para o próximo carnaval. A escola será a segunda agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval pela Série Ouro, da Liga-RJ.

Alex de Souza tira-dúvidas sobre o enredo do Império Serrano na quarta

O Império Serrano realiza na quarta-feira o primeiro encontro de tira-dúvidas do enredo “Lugares de Arlindo”. A partir das 19h, na quadra da escola, em Madureira, o carnavalesco Alex de Souza vai conversar com os compositores para esclarecer todas as questões relativas ao tema que será apresentado na Sapucaí. Segundo o artista, a expectativa é que venha uma grande obra.

Foto: Emerson Pereira/Império Serrano

“Como sempre falo, homenagear o Arlindo Cruz é um grande desafio. Para garantir um bom desfile, o trunfo está em um grande samba. Por isso, nas próximas duas quartas, estarei à disposição das parcerias que queiram tirar dúvidas. Estamos certos que teremos excelentes obras, como de costume, e vamos nos superar para 2023. O Império e Arlindo merecem”, afirma o carnavalesco.

Além da próxima quarta-feira, Alex de Souza vai se reunir com os poetas imperianos no dia 10, na semana seguinte. Os sambas concorrentes deverão ser entregues no dia 18 de agosto, uma quinta-feira, na quadra da escola.

Campeão da Série Ouro neste ano, o Império Serrano vem dando andamento ao projeto do enredo “Lugares de Arlindo”. A escola de samba de Madureira vai abrir os desfiles do Grupo Especial, em 19 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.

Após bater recorde de audiência em 2022, Liga-RJ projeta transmissão para todo o país

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A Liga-RJ, que comanda os desfiles da Série Ouro, na sexta e sábado de carnaval, na Marquês de Sapucaí, trabalha para levar a transmissão dos espetáculos para todo o país. Até 2022, a transmissão era da TV Globo. Porém, nos bastidores, embora nada esteja 100% fechado, a informação seja que os desfiles de São Paulo serão exibidos para o Rio de Janeiro, no lugar do acesso carioca.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Vale lembrar que as transmissões dos desfiles do Grupo de Acesso do Rio de Janeiro já foram feitas na Band e no SBT. Ambas emissoras estariam interessadas na volta das apresentações das agremiações. A Liga-RJ apenas informa que está negociando a transmissão dos desfiles de 2023, sem citar em qual emissora de televisão.

O Carnaval 2022 da Série Ouro, realizado em abril, deu para TV Globo uma audiência histórica. Foram 11,5 pontos de média e picos de 25,1 pontos para o Rio de Janeiro.

Confira a sinopse da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2023

Enredo: ‘É ONDA QUE VAI… É ONDA QUE VEM… SEREI A BAÍA DE TODOS OS SANTOS A SE MIRAR NO SAMBA DA MINHA TERRA’

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Capítulo 1

Do Mar

Sou Kirimurê, o grande mar interior do povo Tupinambá. Nasci de uma ave encantada decaída do céu. Contavam os indígenas antigos que seu coração abriu a terra quando tocou o chão, foi preenchido com o mar do Atlântico e suas alvas asas bordaram de areia meu contorno. Sou a mãe cujos filhos são peixes, de águas mornas e mansas onde as baleias cantam.

Capítulo 2

Da Terra

Sou a boca de mar do primeiro de novembro de Gaspar de Lemos, a Capitania de Francisco Pereira Coutinho e dos franceses que vinham até mim, atrás do meu pau-brasil e humaitás.

Vi a comitiva de Tomé de Souza, que D. João III mandou para fundar a primeira capital, desembarcar na praia do porto da Barra. Construíram fortes, trouxeram a cruz, escravizados e cana-de-açúcar. Fui cobiçada pela Companhia das Índias Ocidentais, invadida pelos holandeses.

Mas a terra que banho é barril dobrado; é de luta.

O som de minhas ondas ecoa nos gritos das revoltas, levantes, e pela independência no dois de julho, pois a luta pela liberdade também tem um perfume de maresia.

Capítulo 3

Dos Santos

Sou de todos os santos e axés. Marés barrocas me fizeram África do lado de cá. Na minha beira floresceram igrejas e candomblés. A magia que sopro pelos ares ao meu redor balança as medidas do Bonfim, levanta a saia das baianas, desfralda os estandartes das procissões, faz dançar as folhas das gameleiras de Nosso Senhor da Vera Cruz que fazem levantar os que já se foram, assanha a brasa da fogueira junina de Xangô que ilumina Santo Antônio na novena, mistura o toque dos sinos com os agogôs, espalha a vibração dos atabaques e do Iorubá falado na missa. Pelas minhas águas que a Gratidão do Povo desfila levando Bom Jesus dos Navegantes em triunfo e devoção.

Meu axé deseja que Deus lhe abençoe.

Capítulo 4

Do Povo

Sou a fartura que faz as redes do povo do mar pesarem em alegria. De mim vem o sustento de pescadores, marisqueiras, catadores de pinaúna, de siri-boia, papa-fumo, chumbinho, salambi, peguari, rala coco. Meu balanço ensinou o Marinheiro Só a nadar nos versos cantados na capoeira dos estivadores e no ritmo das Marujadas e Cheganças.

Meu vento infla as velas dos saveiros que me cruzam a superfície em um vai e vem bailarino, me fazem de rua e palco. Levam o pescado, dendê, farinha, cestos de cana-brava, caxixis de barro, rendas de bilro, frutas, folhas, para a feira de São Joaquim e o Mercado Modelo. De lá, aliás, ainda vejo Maria de São Pedro e Camafeu de Oxóssi refletirem em meu espelho d’água a me admirar. Exalo meu encantamento quando se abre uma garrafa de cachaça de folhas e no cheiro das comidas nos tabuleiros, tachos, alguidares, panelas e nas cabeças das Paparutas a rodar e dançar.

Capítulo 5

Do Reino

Sou o reino de Aioká que guarda tesouros e segredos nas profundezas aquáticas. Naufragados descansam em sua eternidade, casas dos habitantes marinhos que enriquecem a arquitetura viva das profundezas. Tenho ouro negro em meu recôncavo, que traz em sua essência a lembrança de um reino extinto há milhares de anos.

Estou na beleza enigmática que envolve a Ilha do Medo e na misteriosa água da Fonte da Bica que, juram, a água fina faz velha virar menina.

Sou a soberana da Amazônia Azul, a mais bela de toda a costa brasileira.

Minha natureza reina absoluta na exuberância da ilha que os frades nomeiam, onde meu azul envolve o verde da mata atlântica num espetáculo de preservação e respeito.

Sou o encontro de duas rainhas. O mar salgado de Iemanjá recebe as águas doces de Oxum quando os rios Paraguaçu, Subaé e Jaguaripe desaguam em mim.

Capítulo 6

Da Festa

Sou navegante da alegria, da festa. Por isso chame, chame, chame gente que eu benzo o banho de cheiro dos foliões, os blocos de caboclinhos, blocos afros e os Afoxés. Chame gente que é massa sentir os sorrisos felizes por trás das máscaras do carnaval dos mascarados, dos caretas e se alegrar com o arrasta povo do Forró do Jegue. Ó paí, que o embalo da Festa D’Ajuda já anunciou que a capela deu sinal, quem quiser sambar apareça!

Chame gente para tomar um sorvete na Ribeira, se esbaldar no samba de roda da segunda-feira gorda e sambar com a Barquinha de Bom Jesus dos Pobres.

Comemoro e reverencio a vida em cada pôr do sol no farol, com a esperança de que algum dia a paz vencerá a guerra e viver será só festejar.

Texto: Jack Vasconcelos
Ilustração: Antônio Vieira

Viradouro recebe jornalista importante na luta pela inclusão de negros e indígenas

A jornalista e escritora Luana Genót, fundadora e diretora-executiva do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), que apoia empresas e organizações no desenvolvimento de ações afirmativas para a inclusão de negros e indígenas, esteve no barracão da Unidos do Viradouro, na Cidade do Samba.

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Foto: Divulgação/Viradouro

A convite do presidente Marcelinho Calil e de Erika Januza, rainha de bateria da escola, Genót conheceu o projeto do desfile da vermelho e branco para 2023.

O carnavalesco Tarcísio Zanon mostrou os desenhos das alegorias e fantasias que vão ilustrar o enredo “Rosa Maria Egipcíaca”, africana que foi escravizada, prostituta, beata, primeira mulher negra a escrever um livro no país, e que viveu no Rio de Janeiro e em Minas Gerais no século 18.

Os diretores de carnaval Alex Fab e Dudu Falcão também recepcionaram a escritora, que estava acompanhada pela também jornalista Tatyane Amparo e por Tom Mendes, diretor-financeiro do (ID_BR).

Beija-Flor inicia recadastramento da comunidade nesta quinta

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Quer passar novamente pela Sapucaí com a “Deusa do Passarela”? Nesta quinta-feira, a Beija-Flor dá início ao recadastramento da comunidade. Os componentes que desfilaram no último Carnaval, em alas ou carros alegóricos, devem comparecer à quadra da escola (Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025, Nilópolis), entre 19h e 22h, munidos de cópia da identidade, CPF, comprovante de residência, além de duas fotos 3×4.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

As inscrições, gratuitas, dão direito aos foliões de seguirem desfilando na agremiação. Para garantir a fantasia, é imprescindível a presença nos ensaios de quadra e de rua.

Atual vice-campeã do Carnaval, a Beija-Flor busca seu 15º título com o enredo “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da Independência”. A escola será a 5ª a desfilar na segunda-feira, 20 de fevereiro, pelo Grupo Especial.