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Barroca Zona Sul faz ensaio técnico marcado pela boa sintonia entre samba e bateria

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Por Lucas Sampaio, Gustavo Mattos, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Barroca Zona Sul realizou no último sábado seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. A criatividade da bateria associada ao bom desempenho da ala musical foi o principal destaque do treinamento, encerrado após 58 minutos. A Faculdade do Samba será a sétima escola a desfilar no dia 14 de fevereiro pelo Grupo Especial com o enredo “Oro Mi Maió OXUM”, assinado pelo carnavalesco Pedro Alexandre Magoo.

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O ensaio da Barroca pode ser considerado positivo num conceito geral. Nem impecável demais para dar motivos à escola de ficar confortável em demasia, nem ruim para fazer suas lideranças ficarem preocupadas com o desempenho da escola para o encerramento dos desfiles da sexta de Carnaval. As irregularidades observadas são plenamente ajustáveis, e há tempo para deixar tudo devidamente alinhado para a grande homenagem à Oxum, a Senhora dos Rios e das Cachoeiras. A grande presença de componentes entre as alas logo no primeiro dia de Anhembi é sinal de que disposição para defender o pavilhão Verde e Rosa não faltará para a comunidade do Jabaquara.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente ensaiada pelo coreógrafo Chris Brasil contará com um elemento alegórico alto, com três níveis de altura acessíveis por escadas. O quesito evoluiu no ensaio com uma coreografia dividida em dois atos delimitados pelas passagens do samba. É possível observar uma personagem principal representando Oxum. No segundo ato, é possível ver que, na base da alegoria, uma espécie de gaveta ampla é aberta de onde sai um tecido e os componentes o manipulam fazendo um efeito que lembra água.

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Com o tripé ainda descaracterizado, é difícil afirmar a representação proposta pelo quesito. Mas os movimentos demonstraram estar bem executados, e se enquadrar adequadamente nos critérios de julgamento, podem garantir não apenas uma bela abertura para a Faculdade do Samba como também as desejadas notas do quesito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal da Barroca Zona Sul teve o forte vento que fazia ao longo do ensaio como duro adversário. Estreando na dupla como principais guardiões do pavilhão Verde e Rosa, Clay mostrou boa desenvoltura e coordenação na dança com Lenita, que encarou o desafio climático com bravura. Ambos aparentam estar em um estágio avançado de preparação, e podem chegar afiados para buscarem a nota máxima no desfile oficial.

“Depois de um ano afastado, pensei em realmente descansar um pouco, viver o carnaval de outra forma, me divertir também. Acho que todo mundo precisa desse momento, mas o coração falou mais alto. Voltar para casa, para a minha família, para perto da minha irmã, do meu pai e da minha mãe, é totalmente diferente; não tem como dizer não. Hoje saio dessa pista com a sensação de que 95% do que estamos preparando para o desfile já foi entregue, e isso é muito importante para nós. Mostra que estamos no caminho certo. Quando falamos desses 95%, é exatamente porque estamos trabalhando em cima do regulamento. O que o jurado precisa ver é a nossa base de estudo. Não vamos apresentar nada mirabolante, mas o necessário para buscar os 40 pontos para a nossa escola. Esse enredo é muito especial para o Barroca, para a diretoria e para nós. Sou do candomblé, iniciado em Oxum, e poder contar a história dessa santa, da qual tanta gente do samba é devota, é algo primordial. Depois do que vivemos no ano passado, o Barroca tem tudo para entrar na pista e brigar para voltar ao desfile das campeãs ou, quem sabe, conquistar uma estrela para a nossa freguesia”, disse o mestre-sala.

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“Começamos a dançar juntos em 2014, aqui no chão do Barroca. Assumimos um pavilhão juntos dentro dessa agremiação, e retornar agora tem um significado enorme. Como ele disse, somos irmãos de religião, de vida e de alma, e aprendemos muito um com o outro ao longo do tempo. Quando nos separamos, foi por motivos pessoais meus, relacionados ao trabalho, mas sempre dizíamos que um dia daria certo, sem apressar o tempo. Estar aqui hoje, dançando novamente com ele, é a realização de um sonho nosso. Também é o sonho da nossa mãe, Roseli, que era nossa apresentadora e faleceu no começo deste ano. Foram 14 anos desfilando com ela, e este é o primeiro ano em que pisamos na pista sem a presença dela. Defender o pavilhão da escola do coração é um privilégio, e hoje nós temos esse privilégio. Todo ensaio e toda prática fazem parte de um processo contínuo de evolução. A dança é um fio condutor, e, se a gente parar de estudar e acreditar que está tudo bom, não evolui. Hoje entregamos 95% do que queremos levar para a pista, mas até o desfile esse número precisa virar 200%. Vamos trabalhar todos os dias para isso. Ainda assim, saímos muito contentes com o resultado. Vamos batalhar para um grande carnaval. Esse enredo também é muito especial na representação católica: Nossa Senhora Aparecida é um símbolo forte, e o presidente da escola é muito devoto, assim como a família dele. É um samba especial para nós e para a escola. Pedimos que Oxum abençoe esse desfile, que seja um desfile de ouro, lindo, e que ilumine toda essa pista”, completou a porta-bandeira.

HARMONIA

A Barroca Zona Sul tem o privilégio de ter uma sequência impressionante de excelentes sambas nos últimos anos, e um dos principais efeitos disso está no crescimento gradual da disposição de sua comunidade de defendê-los na Avenida. Mas, talvez pela ainda ausência do sistema de som do Sambódromo em operação, quanto mais distantes da bateria e da ala musical, mais o vigor do canto ia enfraquecendo, a ponto de ocorrer um notável atravessamento no canto na última ala enquanto passava pelos primeiros módulos. Ainda há tempo de corrigir esses detalhes para chegar com o quesito afiado para o desfile.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“Conseguimos um bom desempenho, com bom canto nas alas. Obviamente, ainda temos coisas a melhorar. Temos essa semana de ensaios e, já amanhã (domingo), teremos mais um ensaio para recuperar e nos organizar melhor para a próxima semana. Gostei muito do canto da escola, a Barroca cantou bem, e acredito que o principal ajuste seja no andamento: precisamos alinhar melhor o andamento com a bateria para termos uma constância padrão no desfile. Para o desfile, podem ter certeza: estamos esperando o melhor desfile da história da Barroca Zona Sul”, afirmou Dodô Ananias.

“No conceito geral, é a mesma coisa que o Dodo falou: são alguns ajustes para que, na próxima semana, no dia 24, a gente venha e faça um ensaio melhor do que este, chegando no nosso grande objetivo, que é a Barroca gabaritar em tudo. O que pode melhorar está mais relacionado ao andamento da escola e um pouco da evolução. Não sei se foi por conta da chuva, mas sei que ainda podemos fazer mais. Para o desfile, a expectativa é de um grande espetáculo: a Barroca está com garra, com gana de chegar às campeãs e, se Deus quiser, conquistar o nosso tão sonhado título da Barroca Zona Sul”, assegurou Rafael Tinguinha.

EVOLUÇÃO

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Em termos de cronometragem a Barroca aparenta não ter muito com o que se preocupar. O fim do treinamento após 58 minutos mostra que a escola tem ampla margem para corrigir algumas inconsistências observadas na Avenida, em especial no espaçamento entre alas e destaques que virão entre as alegorias. O segundo ensaio técnico será uma boa oportunidade para ajustar o andamento para o grande dia do carnaval.

SAMBA-ENREDO

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Rafael Tinguinha chegou para formar a dupla de intérpretes com Dodô Ananias, e a dupla demonstrou boa sintonia na condução do bem-visto samba da Barroca Zona Sul. A letra é mais simples e cadenciada em relação a obra do ano anterior, o que facilita o cantar da ala musical e ajuda na compreensão por parte dos componentes da escola. A depender da parte vocal dos cantores, o quesito não terá problemas no dia do desfile oficial.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha Juju Salimeni brilhou à frente da bateria “Tudo Nosso” com uma fantasia repleta de lírios, as flores usadas em rituais para homenagear Oxum que é citada no samba da Barroca. A presença de Juju engrandeceu o belo andamento imprimido pelo mestre Fernando Negão a seus comandados, que garantiu o enriquecimento do samba da escola com bossas criativas dentro da proposta do enredo.

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Mesmo sob dilúvio, Águia de Ouro mantém forte canto no Anhembi

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira

Alguns dizem que é para lavar a alma, outros afirmam que atrapalha demais. Fato é que a tempestade que caiu durante o ensaio técnico do Águia de Ouro, no último sábado, no Sambódromo do Anhembi, não foi para qualquer um. Foi daquelas chuvas que comprometem qualquer quesito. Ainda assim, mesmo diante das adversidades, há pontos positivos a serem elencados.

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Como de costume, o canto da comunidade da Pompeia se fez presente, assim como o ótimo desempenho do casal Alex Malbec e Monalisa Bueno, sobretudo a atuação da porta-bandeira na última cabine, que foi de encher os olhos. Também merece destaque a apresentação dos intérpretes Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto, que mostraram o entrosamento construído ao longo de muitos anos. Vale ressaltar, porém, que o verdadeiro dilúvio prejudicou bastante a comissão de frente, que, em determinado momento, precisou interromper sua apresentação sobre o elemento alegórico. A expectativa agora é que o Águia de Ouro tenha um ensaio mais seco no dia 31 de janeiro.

A escola da Pompeia levará para a avenida o enredo Mokum Amsterdã: O voo da Águia à cidade libertária, assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada, sendo a segunda a desfilar no sábado de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Robson Bernardino, realizou toda a sua encenação sobre um elemento alegórico de grande altura. A equipe do CARNAVALESCO apurou que o tripé representa um barco, no qual os componentes interpretam personagens do Brasil e dos Países Baixos, exaltando a união entre os dois povos.

O forte temporal que atingiu o ensaio também impactou diretamente a apresentação da comissão. Os bailarinos encenavam algo alegre e divertido, trocando de posições e interagindo entre si, mas, em determinado momento, a intensidade da chuva fez com que interrompessem a coreografia. Passaram a bater palmas e interagir com o público, retornando à encenação completa apenas posteriormente. Para uma análise mais precisa da proposta da comissão de frente, será necessário um próximo ensaio sem chuva ou com clima mais ameno.

Entretanto, vale destacar a altura do elemento alegórico. Para quem está na pista, a visualização da coreografia fica prejudicada. No desfile oficial, a terceira cabine será posicionada no nível da pista, o que exige atenção da escola para possíveis ajustes.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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É evidente que a tempestade afetou o desempenho do casal Alex Malbec e Monalisa Bueno. No início, ambos priorizaram a técnica e os movimentos obrigatórios. Porém, após a chuva diminuir, a apresentação ganhou outro ritmo. A impressão era de que a pista estava seca, principalmente para a porta-bandeira, que realizou giros rápidos e apresentou uma coreografia precisa e elegante.

Ao final da apresentação, o casal mostrou o pavilhão ao público e recebeu muitos aplausos, um reconhecimento justo diante das circunstâncias adversas. A ressalva fica pelo fato de esse desempenho mais solto ter ocorrido apenas na última cabine.

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Monalisa Bueno falou sobre o entrosamento com Alex Malbec e as expectativas para o desfile. “Está sendo gratificante ter o Alex ao meu lado, um cara muito parceiro. A gente tem se dado muito bem porque falamos a mesma língua, que é a da dança. Isso é muito importante em uma parceria, ter alguém que realmente fecha com você. Por conta disso, nossa expectativa é conseguir executar tudo o que temos trabalhado nesses dois meses e arrasar na avenida”, comentou a porta-bandeira.

O mestre-sala também elogiou a parceira e destacou o empenho de ambos. “Eu e a Monalisa temos uma compatibilidade de interesses, o que facilita o trabalho. Os dois têm vontade de ensaiar e são muito dedicados. Existe um grande respeito entre nós. Nos cobramos bastante porque queremos concluir esse trabalho com êxito”, completou.

HARMONIA

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O canto da comunidade da Pompeia é sempre um dos grandes destaques do Águia de Ouro. Se há um quesito em que a escola costuma apresentar alto nível, este é a Harmonia. Todas as alas cantaram bastante, apesar do desgaste provocado pela forte chuva. Caso o temporal não tivesse ocorrido, é possível que o rendimento fosse ainda maior.

Mesmo assim, o som dos componentes foi bem ouvido no Anhembi. Destaque para os versos “Nos festivais pra celebrar / Com o rei daqui e o rei de lá / E de mãos dadas bebemorar”, que já conduzem para um refrão de cabeça extremamente contagiante, um verdadeiro chiclete. Basta ouvir o samba duas ou três vezes para memorizar facilmente.

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“Para a gente, graças a Deus, a chuva veio para lavar a alma. Que bom que choveu hoje. A gente espera que, no próximo ensaio, no dia 31, não chova, e que no dia do desfile também não. Mesmo assim, o ensaio foi muito bom. Quando você pega a escola com chuva, consegue ver toda a sua dimensão. O canto veio muito forte, a bateria com uma pegada muito boa, e a escola inteira cantou mesmo sem o som ligado. No dia 31, com o som, a comunidade vai cantar com ainda mais força. A gente vem mantendo surpresas no carnaval há muitos anos e, em 2026, elas são ainda maiores. No Carnaval de 2025, reinamos e acabamos perdendo em detalhes, especialmente na evolução. Agora é fazer o dever de casa, corrigir o que precisa ser corrigido e seguir em frente. É o feijão com arroz bem temperado”, afirmou o intérprete Serginho do Porto.

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EVOLUÇÃO

Em razão da chuva intensa, os componentes do Águia de Ouro evoluíram de forma mais lenta. Não foi possível perceber uma movimentação mais ousada ou uma empolgação intensa por parte dos desfilantes. Ainda assim, algumas alas demonstraram mais animação do que outras, alternando o rendimento ao longo dos setores.

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Dessa forma, não foi possível identificar claramente a proposta de evolução da escola, se mais solta entre as fileiras ou priorizando a progressão em linha reta, característica já conhecida da agremiação. Um destaque ficou para o verso “Com o rei daqui e o rei de lá”, no final da segunda parte do samba, quando os componentes movimentam os braços para a esquerda e para a direita.

Também chamou atenção a presença de adereços de mão, que criaram um belo contraste visual na pista, especialmente nesse trecho citado. O samba permite uma leitura mais leve e brincante, com cara de carnaval, algo que era esperado neste ensaio, mas que acabou comprometido pela forte chuva.

SAMBA-ENREDO

Os intérpretes Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto, mais entrosados do que nunca, realizaram um ensaio seguro. A dupla empolgou o público e demonstrou equilíbrio, sem que um interferisse no desempenho do outro. Foram poucos cacos, deixando o samba fluir naturalmente e, quando aconteceram, ficaram bem distribuídos, respeitando o espaço de cada intérprete.

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Destaca-se também o entrosamento com o recém-chegado mestre Moleza. Ambos trabalharam por muitos anos ao lado do mestre Juca e agora têm a missão de se adaptar a um novo comandante da Batucada da Pompeia.

Analisando a obra, percebe-se que se trata de um samba de fácil assimilação e confortável para o componente cantar. A composição oferece bons respiros entre os versos, favorecendo um canto mais fluido e consistente.

OUTROS DESTAQUES

A “Batucada da Pompeia”, liderada pelo estreante mestre Moleza, deu sustentação satisfatória ao samba. Destaque para a bossa em ritmo de reggae, localizada nos versos finais da segunda parte.

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Moleza exaltou o andamento da bateria e o desempenho dos ritmistas. “A chuva veio para lavar. É assim que acreditamos espiritualmente. Ela vem para tirar o que não estava tão bom, seja das pessoas, seja do ambiente. Mesmo assim, com um samba-enredo muito alegre e debaixo de muita chuva, a bateria conseguiu cumprir seu papel: sustentar o samba durante toda a avenida”, afirmou.

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O mestre também elogiou sua diretoria e destacou o êxito na execução das quatro bossas previstas. Segundo ele, a chuva não atrapalhou o desempenho. “Conseguimos executar todas as bossas planejadas. Foi mais do que um treino, foi um grande jogo. Costumamos dizer que é uma pré-temporada, um momento de adaptação. Nos preparamos para vir aqui e executar tudo o que planejamos. Saímos felizes com o resultado. Temos uma diretoria experiente, com muitos carnavais, o que nos permite nos adaptar a qualquer clima e, mesmo com chuva, realizar um grande ensaio”, declarou.

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Rosas de Ouro mostra força de campeã, empolga no ensaio e aponta alto rumo ao bicampeonato

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Por Gustavo Mattos e Will Ferreira

A Rosas de Ouro voltou a ocupar a pista com autoridade e clima de decisão. Atual campeã do Carnaval de São Paulo, a escola realizou mais um ensaio consistente, reforçando que entra em 2026 com estrutura, organização e ambição claras de buscar o bicampeonato. Com canto intenso, evolução fluida e identidade bem definida, a agremiação deixou evidente que o título não foi um ponto fora da curva, mas resultado de um projeto sólido.

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Levando para a rua o enredo “Escrito nas Estrelas”, desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo, a escola apresentou um ensaio envolvente do início ao fim, encerrando o treino em 54 minutos e 38 segundos, contados a partir do primeiro verso do samba de 2026. A Rosas de Ouro será a 5ª escola a desfilar na sexta-feira pelo Grupo Especial, e o próximo encontro com a comunidade acontece no sábado, dia 31 de janeiro, às 21h40. Em 2026, a escola levará para o Anhembi o enredo “Escrito nas Estrelas”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo. A Roseira será a quinta a desfilar na sexta-feira.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Arthur Rozas, apresentou uma proposta visual e coreográfica diretamente conectada ao conceito central do enredo. Utilizando um tripé cenográfico, estruturado como um carrossel, o grupo construiu uma narrativa simbólica potente. No topo da estrutura, um globo cenográfico tornava-se elemento-chave da apresentação, abrindo-se em momentos estratégicos da coreografia para revelar um casal que surgia de dentro da alegoria, criando impacto visual e surpresa ao público.

A concepção remete aos ciganos ligados à astrologia e à leitura do destino, traduzindo o tema “Escrito nas Estrelas” por meio de uma estética mística e ritualística. As vestimentas, compostas por túnicas de tecidos brilhantes, cores intensas e cortes fluidos, reforçaram o imaginário cigano, tradicionalmente associado à espiritualidade, à interpretação dos astros e à conexão entre céu e terra.

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Coreograficamente, os movimentos eram amplos e circulares, dialogando com o formato do carrossel e simbolizando o movimento dos planetas e constelações. Em determinados momentos, os integrantes se posicionavam ao redor do tripé, marcando o espaço cênico e valorizando a centralidade do elemento, enquanto o casal revelado pelo globo executava passos de ligação entre o destino humano e o cosmos. A leitura visual se manteve clara, com boa ocupação da pista e compreensão imediata da proposta apresentada.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Uilian Cesário e Isabel Casagrande apresentou um ensaio marcado por entrosamento, sincronia e domínio técnico. Desde os primeiros movimentos, ficou evidente a conexão entre mestre-sala e porta-bandeira, com olhares constantes, conduções bem definidas e leitura precisa do ritmo do samba.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Isabel trabalhou a bandeira com leveza e controle, realizando giros amplos e bem distribuídos, sempre respeitando o tempo musical e mantendo o pavilhão protegido. Uilian acompanhou com conduções seguras, variações coreográficas bem encaixadas e posicionamento correto em relação à porta-bandeira, evitando ângulos desfavoráveis e mantendo o foco constante nela.

O casal dialogou com o samba-enredo em movimentos específicos, alternando deslocamentos suaves com momentos de maior intensidade coreográfica, sempre em sintonia com as marcações musicais. Não foram observados episódios de bandeira enrolada, perda de contato visual ou falhas de comunicação corporal, o que reforça a consistência do trabalho apresentado no ensaio.

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“Acho que chuva e carnaval não combinam, para começar. O chão também não ajudou. Na chuva, a gente acaba forçando mais o corpo, parece que tem dez pessoas nas nossas costas. Isso acaba sendo uma adaptação para quando colocarmos a fantasia, que também é pesada. Mesmo assim, fluiu. Alcançamos a nossa expectativa por ser o primeiro ensaio. É claro que vamos ensaiar muito mais e que o próximo será melhor, mas fluiu. A nossa análise mais detalhada vem depois, quando assistimos a tudo. Somos muito perfeccionistas e sempre vamos achar que dá para melhorar, porque queremos que fique perfeito. Por enquanto, ainda não é nota dez, mas o objetivo é chegar muito perto disso. A gente coloca muito amor no que faz, sempre com muita responsabilidade. A entrega vai ser total. Acho que vai ser lindo. Estamos rumo ao bicampeonato, se Deus quiser”, disse a porta-bandeira.

“Foi um ótimo ensaio. A gente já estava se preparando para a chuva e, mesmo escorregando um pouco, o sapato estava com antiderrapante. Viemos de coração aberto, tentando encaixar a coreografia com o andamento da escola e também com as novas cabines de jurados. O resultado foi, com certeza, muito positivo. Naturalmente, assistindo aos vídeos e aos conteúdos, vamos identificar alguns pontos de melhoria. Ainda bem que temos tempo para fazer esses ajustes de detalhe, mas o coração está tranquilo. O trabalho está sendo feito ao longo do ano inteiro, e estamos totalmente entregues. A fantasia está linda e existe muita dedicação envolvida. Ela já está pronta; não dá para dar spoiler, mas posso dizer que está como uma joia. Combina com esse momento que estamos vivendo, com essa entrega e essa felicidade”, completou o mestre-sala.

HARMONIA

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A harmonia foi um dos pontos mais consistentes do ensaio, mesmo sob condições adversas. Carlos Jr., à frente do carro de som, conduziu o samba com potência vocal, clareza na emissão e excelente interação com a comunidade. A leitura do samba foi precisa, com variações de intensidade que ajudaram a sustentar o canto ao longo de toda a escola.

Mesmo debaixo de chuva, as alas responderam de forma exemplar. O canto se manteve alto, contínuo e distribuído de maneira uniforme pelos setores. Não houve alas apagadas ou dispersas. Pelo contrário, chamou atenção o envolvimento coletivo, com componentes pulando, cantando e demonstrando alegria genuína em desfilar.

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Destaque especial para a Ala Inclusão Social, que desfilou cantando com intensidade e entusiasmo, traduzindo o espírito do Carnaval como espaço de celebração, pertencimento e felicidade. O alinhamento entre intérprete, carro de som e comunidade garantiu regularidade no canto do início ao fim do ensaio, sem quedas perceptíveis de rendimento.

EVOLUÇÃO

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A evolução apresentou um desenho fluido e bem administrado. A escola avançou de forma organizada, com alas conscientes do espaço e boa leitura da pista. O deslocamento ocorreu sem atropelos, com componentes atentos às correções quando necessário.

Foram observadas alas que ajustaram o andamento para evitar espaçamentos excessivos, com movimentos naturais de recomposição, demonstrando maturidade do conjunto. Não houve comprometimento da leitura visual da escola, e os deslocamentos mantiveram coerência com o ritmo imposto pela bateria e pelo carro de som.

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As alas desfilaram com leveza, muitas delas sem rigidez excessiva de fileiras, valorizando o samba no pé e a espontaneidade — característica cada vez mais rara e que merece destaque. Também houve alas coreografadas, que executaram movimentos sincronizados sem prejudicar o andamento da escola.

SAMBA

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A campeã do Carnaval 2025, Rosas de Ouro, levará para o Anhembi em 2026 o enredo “Escrito nas Estrelas”, que conduz o público por uma jornada pelo universo, utilizando a astrologia como instrumento de conhecimento, espiritualidade e reflexão sobre a existência humana.

O samba-enredo apresentou rendimento crescente ao longo do ensaio, com excelente sustentação melódica e resposta clara da comunidade. O refrão principal encontrou forte adesão popular, sendo cantado em volume elevado e com boa projeção coletiva.

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Carlos Jr. teve papel fundamental nesse desempenho, conduzindo a obra com interpretação segura, chamando o canto em momentos estratégicos e mantendo a energia do carro de som alinhada ao andamento da bateria. A interação entre intérprete e alas favoreceu a leitura correta da letra, sem registros significativos de inversões ou trechos cantados fora do padrão.

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A obra, assinada pelos compositores Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Lucas Donato, Salgado Luz, Fabian Juarez, Fábio Gonçalves, Cabide, Biel e Wagner Forte, demonstrou força narrativa e fácil assimilação, elementos essenciais para sustentar o desfile competitivo que a Rosas projeta para o carnaval.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada por mestre Rafa, apresentou identidade própria e controle absoluto do andamento do início ao fim do ensaio. Mesmo sob chuva intensa, os ritmistas seguiram tocando com entrega, demonstrando prazer em desfilar e forte conexão com a obra musical. As bossas foram bem distribuídas, com destaque para a conversa de surdos, mantendo a assinatura característica do trabalho de Rafael Oliveira.

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“Avaliei agora há pouco que o ensaio da bateria foi morno. Você comentou que a bateria passou cantando, o que é muito bacana, e o carro de som da Roseira foi nota dez. Mas a bateria ainda estava morna. Instrumentos pesados, a tensão da chuva e outros fatores acabam influenciando. Não foi uma avaliação de erro, não teve nada grave, mas achei um ensaio morno. Isso também é muito típico do nosso primeiro ensaio. Depois do ensaio técnico, a gente entra no pós-ensaio, analisa detalhes, faz cobranças. Eu mesmo começo a ver as coisas com um olhar mais crítico, e isso faz parte; é o padrão do nosso primeiro ensaio de bateria. No ano passado foi assim também — na verdade, já faz cerca de 12 anos que acontece desse jeito. Sempre o primeiro ensaio é assim. Este ano, inclusive, cheguei muito em cima da hora, não peguei o clima nem acompanhei toda a preparação, mas a bateria é ousada e firme no que faz. O que faltou foi um pouco mais de emoção”, explicou mestre Rafa.

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Ana Beatriz Godói esteve à frente da bateria com presença marcante. Interagiu com os ritmistas, cantou o samba, dialogou com o público e realizou coreografias em momentos específicos, valorizando o conjunto. A vestimenta utilizada no ensaio contribuiu para o destaque visual, reforçando o protagonismo da rainha na apresentação.

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A Rosas de Ouro deixou claro que o Carnaval de 2026 será disputado em alto nível. Com um ensaio consistente, técnico e envolvente, a atual campeã reafirma seu favoritismo e mostra que está preparada para escrever mais um capítulo vitorioso em sua história, desta vez buscando o bicampeonato, como quem já conhece o caminho das estrelas.

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Vibração da bateria e da comunidade elevam astral do ensaio técnico da Tom Maior

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Por Lucas Sampaio, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira

A Tom Maior realizou no último sábado seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. O forte canto e a ousadia da bateria deram o tom do bom treinamento realizado pela comunidade do Sumaré, encerrado após 58 minutos na Avenida. A Vermelho e Amarelo será a sexta escola a desfilar no dia 15 de fevereiro pelo Grupo Especial, com o enredo “Chico Xavier. Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba”, assinado pelo carnavalesco Flávio Campello.

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Quando se trata de ensaio técnico, a Tom Maior há alguns bons anos impressiona pela capacidade de sua comunidade de se comprometer com a missão da escola. O contingente é sempre massivo, e a coordenação consegue trabalhar com o melhor material possível. O que se viu no Anhembi foi, mais uma vez, uma agremiação disposta a mostrar seu valor. Resultado de carnavais anteriores à parte, quando o Sumaré pisa na Avenida, as chances de o público sair contente com o que viu são altas. Em seu retorno ao Grupo Especial, a Tom Maior mostrou força nos quesitos que treinou e deixou claro que não tem a menor intenção de que seja apenas uma breve passagem pela elite da folia paulistana.

COMISSÃO DE FRENTE

Os Seres de Luz são a representação dos componentes da comissão de frente desenvolvida pelo coreógrafo Gandhi Tabosa. A coreografia, que se passa ao longo de uma única passagem do samba, se destaca pela ternura e leveza associáveis à doutrina espírita. É uma dança objetiva, fácil de acompanhar, com duração bem ensaiada, que abre os caminhos do desfile da Tom Maior para celebrar a cidade que acolheu Chico Xavier.

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É preciso observar que, apesar de uma alegoria que servirá de palco para a coreografia do quesito estar presente no ensaio, ela não foi utilizada em nenhum momento pelos dançarinos, que evoluíram o tempo todo no chão.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Ruhanan Lucas e Ana Paula Sgarbi formam uma longeva parceria que vem desde antes mesmo de chegarem à Tom Maior, e a sintonia do casal já é bem conhecida. Mais uma vez, a dupla teve uma grande atuação nas posições da pista em que foi observada, sendo, assim, um dos destaques positivos da escola neste ensaio.

“A energia estava lá em cima. Tivemos um pouquinho de dificuldade nas cabines, mas acho que tudo o que a gente vem trabalhando foi bem executado. As expectativas são as melhores; estamos trabalhando há bastante tempo, então a expectativa é o caneco”, disse a porta-bandeira.

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“A cabine nova deu uma assustada. Foi colocada há pouco tempo e houve uma discussão nesses dias sobre onde ela ficaria. A gente estranhou um pouco, mas nada que atrapalhasse se fosse o dia de hoje. A Tom Maior quer inaugurar um bicampeonato e o acesso ao Especial. Se Deus quiser, com todos os orixás e o Chico, que vai estar nessa pista, tenho certeza de que ele vai psicografar essa carta, e vai ter um final feliz. Perdi meu pai no ano passado, então é um samba que mexe com o nosso emocional. Acho que esse samba cresce na pista, e a Tom Maior vai vir com emoção”, completou o mestre-sala.

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HARMONIA

Principal destaque do primeiro ensaio técnico da Tom Maior, a harmonia da escola foi um vigoroso coral do início ao fim. Todos os componentes pareciam em êxtase e clamavam com vigor o samba, com impressionante destaque para a última ala, a Ala das Crianças, cujos pequenos desfilantes não apenas sabiam cantar o samba corretamente como o faziam com a mesma energia e disposição das primeiras alas. Se havia alguma dúvida a respeito da capacidade do samba da Tom Maior resultar em uma grande apresentação na Avenida, essa dúvida certamente foi sanada.

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“É uma emoção enorme estar aqui na Tom Maior, ainda mais com um enredo que fala de Uberaba pelos olhos de Chico Xavier, um cara do bem, da palavra e da paz. A emoção está à flor da pele porque a escola me abraçou em um momento muito difícil, com a perda do nosso intérprete oficial, Gilsinho. Ele continua sendo o cantor da escola; a gente só está fazendo o coral aqui na Terra, porque lá de cima ele está cantando e guiando a gente. A recepção da comunidade foi linda, o povo de São Paulo me recebeu muito bem, e eu estou amando estar aqui. Mesmo não conseguindo ver tudo porque estou cantando, o grande destaque é a comunidade e a bateria. A Tom 30, comandada pelo mestre Carlão, com 29 anos de história, é uma das baterias mais tradicionais de São Paulo, e a comunidade canta sem parar, não para um segundo. Sempre dá para melhorar; até cinco minutos antes do desfile a gente ainda ajusta alguma coisa, isso faz parte do carnaval. A Tom Maior vai vir para emocionar a avenida: é um samba que toca no coração, com uma melodia que envolve, e tenho certeza de que vai emocionar quem estiver na arquibancada e também quem assistir de casa, podendo ser um dos maiores carnavais da história da Tom Maior”, disse o intérprete Leozinho Nunes.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Uma evolução, no geral, bem correta da Tom Maior ao longo dos 58 minutos em que esteve na Passarela do Samba. O ritmo foi leve e não houve aceleração em nenhum momento observado, mas a escola aparentou parar de evoluir em dois momentos fora do esperado recuo da bateria. Pode ser um ponto a melhorar para o próximo ensaio técnico.

SAMBA-ENREDO

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Havia dúvidas sobre como seria o desempenho do samba da Tom Maior pelo fato de ser defendido pelo intérprete Leozinho Nunes, que não foi o responsável por dar voz na faixa do álbum oficial, gravada por Bruno Ribas, e também pelo fato de o público já ter conhecido anteriormente a obra na voz de Gilsinho, que faleceu pouco depois da publicação, pela agremiação, da versão cantada por ele. Mas a Ala Musical “É Tudo Nosso!” teve uma excelente atuação, e o cantor do “som do bem” estreou no Anhembi em grande estilo. O samba ganhou corpo também com a ajuda do bom ritmo empregado pela bateria, contribuindo para que a Tom Maior cumprisse seus objetivos.

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OUTROS DESTAQUES

É preciso fazer um destaque especial para o alto astral de um homem conhecido por ser discreto. Comandando os ritmistas da bateria “Tom 30” há quase trinta carnavais, mestre Carlão ousou nas bossas e, quando apostou em apagões para ouvir sua comunidade cantar, só faltou ir para os braços do povo. Ao lado do mestre, a rainha Pâmella Gomes e a madrinha Andréia Gomes não apenas brilharam como também compartilharam do alto astral de toda a bateria da Tom Maior.

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“Isso é resultado de muito trabalho do nosso departamento de harmonia, sob o comando da diretora Erika Ferreira. A escola está cantando, e fico muito feliz porque os componentes estão fazendo exatamente o que vêm realizando nos ensaios de quadra e de rua. O ponto forte da nossa escola é o canto. A alegria, a sustentação e a técnica são fruto do trabalho que a gente vem desenvolvendo há vários anos e, hoje, graças a Deus, nos comportamos bem; a bateria também se comportou bem. Agora é continuar o trabalho: ainda faltam três semanas, e a gente vai para cima. O Chico Xavier é uma das personalidades mais conhecidas do Brasil e merece essa homenagem. Se as pessoas puderem participar e torcer por causa dele, para nós vai ser muito bom. É exatamente isso que precisamos: fazer uma grande homenagem a ele”, afirmou o presidente e mestre, Carlão, comandante da “Tom 30”.

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Para marcar história! Canto se sobressai e Gaviões da Fiel realiza seu melhor ensaio técnico dos últimos anos

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira

Aparentemente, qualquer risco de chuva resolveu dar uma trégua para os Gaviões da Fiel. Em uma tarde marcada por chuva e com seis escolas ensaiando neste sábado, a agremiação do Bom Retiro foi contemplada com um treino totalmente ao ar livre. Este foi o primeiro ensaio técnico dos alvinegros, que já deram mostras claras de que vão brigar pelo título. A tão sonhada quinta estrela pode, sim, virar realidade.

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O que se viu na pista foi arrebatador. Sem exageros, o melhor ensaio dos Gaviões da Fiel dos últimos tempos. O grande destaque ficou por conta do canto da comunidade: todas as alas animadas, cantando a plenos pulmões, demonstrando garra, força e conseguindo trazer a arquibancada para dentro da pista.

Os demais quesitos também apresentaram alto nível: comissão de frente criativa, evolução solta e bem trabalhada, casal de mestre-sala e porta-bandeira esbanjando elegância e um samba-enredo que rendeu à altura de sua letra, considerada uma das melhores da temporada. Um ensaio para a comunidade do Bom Retiro se orgulhar. Agora, resta observar se a escola manterá o mesmo nível no próximo técnico, marcado para o dia 24/01, exatamente daqui a uma semana.

Os Gaviões da Fiel levarão para o Anhembi o enredo Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã, sendo a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval, com assinatura dos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Helena Figueira, a comissão de frente dos Gaviões da Fiel apresentou uma encenação complexa e totalmente alinhada ao enredo. Os bailarinos, vestidos em tons de marrom e com estética indígena, executaram uma performance em torno de um objeto semelhante a um caldeirão, de onde saía fumaça, referência à yakoana, substância utilizada pelos xamãs Yanomami para se comunicarem com os espíritos xapiris. Esses espíritos conduzem a narrativa do enredo e do samba da escola.

A leitura foi clara, sustentada por uma dança envolvente. Os bailarinos cumpriram bem a missão de apresentar a escola, saudando o público com formações bem desenhadas, ocupando a pista de forma organizada, ora juntos, ora separados.

Ainda dentro da comissão de frente, três pilares foram carregados, cujo significado não pôde ser identificado por estarem cobertos com plástico, mas tudo indica que fazem parte de algum elemento cenográfico que trará contraste visual ao desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Em meio à forte chuva que caiu na cidade de São Paulo durante a tarde e a noite, o casal Wagner Lima e Carolline Barbosa teve sorte: foram os únicos a encontrar a pista completamente seca. Com isso, puderam desempenhar seu trabalho com excelência, esbanjando elegância e cumprindo todos os requisitos do quesito: sorriso constante, sincronia nos giros, olhares bem marcados e perfeita adequação à coreografia do samba.

Carolline Barbosa, cria da escola, demonstra evolução a cada ano, ao lado do experiente Wagner Lima, que há muitos anos defende o pavilhão alvinegro. Destaque também para o figurino: ambos vestindo trajes claros e com o rosto pintado, compondo uma indumentária criativa, na busca pela tão desejada nota máxima, os 40 pontos.

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“Quando a gente fala de dança, a gente fala também de perfeição. Sempre existem detalhes para ajustar: um movimento mais calmo, outro mais rápido, a abertura do pavilhão, pequenos tempos que a gente ainda quer lapidar. Mas o projeto que a gente pensou conseguiu ser colocado na pista hoje. Por ser o primeiro ensaio técnico, foi muito positivo. Acho que é trabalhar ainda mais algumas aberturas para os jurados, aquele tempinho de respirar, acalmar e apresentar melhor. São detalhes quase imperceptíveis para quem assiste, mas para a gente fazem diferença. Pelo que a gente está vendo no barracão e na quadra, o público pode esperar uma Gaviões grandiosa. Sempre empolgante, sempre impactante. Este ano vem com mais cores, mais fantasias, carros alegóricos maiores. A escola está com muita vontade de buscar essa estrela”, comentou o mestre-sala.

“Foi o nosso primeiro contato com a pista e com as marcações das cabines de jurados, que esse ano mudaram um pouco. A gente veio calmo, tranquilo, e conseguiu executar a coreografia do jeito que ela foi pensada no papel. A coreografia já nasceu adaptada para a pista, porque cada jurado está em um ponto diferente. Então existem pequenas adaptações, mas o saldo desse primeiro ensaio é muito positivo. É o primeiro ensaio, é natural esse ajuste fino. A gente vai se corrigindo, lapidando, encontrando pequenas coisas para mostrar ainda mais. Mesmo assim, saímos muito felizes com esse primeiro ensaio. Uma escola forte, cantando unida, com garra, com cor, com brilho e com dança. Da nossa parte, na dança, é levar alegria para quem estiver assistindo, apresentar uma dança bonita e enaltecer ainda mais a tradição da dança de mestre-sala e porta-bandeira”, completou a porta-bandeira.

HARMONIA

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Uma verdadeira virada de chave aconteceu nos Gaviões da Fiel. O canto da escola está extremamente forte e contagiante, a ponto de influenciar diretamente a arquibancada. Se no Carnaval 2025 a comunidade teve dificuldades com o samba “Irin Ajó Emi Ojisé”, desta vez a Fiel assimilou rapidamente a letra da trilha sonora de 2026 e cantou como um verdadeiro rolo compressor.

É natural que, nos momentos finais do ensaio, a intensidade diminua em função do desgaste físico, mas o fato é que o quesito Harmonia foi o destaque do treino. O refrão de cabeça merece menção especial: curto, explosivo e com uma construção melódica ascendente, utilizando palavras oxítonas e proparoxítonas que favorecem a entonação e o aumento da energia. Exemplos: Yandê, aponta, direções, gaviões.

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“Senti um clima muito bom. A gente está fazendo o combinado, passando com a escola grande e o povo cantando o samba. Agora é só complementar no dia oficial, com as fantasias e as alegorias A expectativa é a melhor possível. No ano passado, a gente bateu na trave. Se não fosse a nota do samba-enredo, com a qual eu não concordo, a gente já teria sido campeão. Este ano, a gente veio para confirmar: vamos brigar pelo título. Está todo mundo fechado com o samba, a escola inteira e a torcida também”, afirmou o intérprete Ernesto Teixeira.

EVOLUÇÃO

Os componentes desfilaram de forma leve e solta, sem o tradicional militarismo de fileiras retas. Orientados pelo trabalho da harmonia, os desfilantes dançaram, se movimentaram de um lado para o outro e fizeram coreografias em diversos trechos do samba.

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No verso “Flecha que aponta”, todos simulavam o movimento de arco e flecha com o braço estendido para o lado esquerdo. No refrão do meio, os braços eram abertos e movimentados para a direita e a esquerda. Já no trecho “Xawara levanta o sonho e mata, padece / Mas eu sou a voz que conhece o segredo das nossas raízes”, a comunidade balançava o corpo de um lado para o outro, criando um belo efeito visual com os adereços de mão. Por fim, em “É hora de reflorestar o pensamento”, os braços eram erguidos para, logo em seguida, explodir no refrão de cabeça.

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Uma verdadeira aula de evolução. Criativa, dinâmica e bem alinhada com o samba.

SAMBA-ENREDO

Interpretado por Ernesto Teixeira, o samba dos Gaviões da Fiel, mantendo a pegada apresentada no ensaio, tem tudo para se tornar o melhor da escola em muitos anos, algo que não se via há uma década ou mais. A força do canto da comunidade e a resposta da arquibancada reforçam essa impressão.

Destaque para os efeitos sonoros novamente utilizados no carro de som, sob comando do diretor musical Rafa do Cavaco, responsável pelas introduções, arranjos de cordas e orientações ao intérprete. Um verdadeiro craque desde que assumiu a ala musical da escola, mantendo também a excelência de entrosamento com a bateria “Ritmão”.

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Ernesto Teixeira se mostrou confiante, só aguardando o dia oficial para sacramentar o bom desfile. “Senti um clima muito bom. A gente está fazendo o combinado, passando com a escola grande e o povo cantando o samba. Agora é só complementar no dia oficial, com as fantasias e as alegorias”, diz o intérprete.

Seguindo a linha na busca pelo título, o cantor bateu na tecla sobre a nota errada do quesito samba-enredo, mas diz que a briga pela taça está de pé. “A expectativa é a melhor possível. No ano passado, a gente bateu na trave. Se não fosse a nota do samba-enredo, com a qual eu não concordo, a gente já teria sido campeão. Este ano, a gente veio para confirmar: vamos brigar pelo título. Está todo mundo fechado com o samba, a escola inteira e a torcida também”, afirma.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Ritimão” segue priorizando técnica e sustentação do samba. O mestre Ciro opta por um desfile mais linear, com menos bossas, executadas apenas quando o regulamento exige. Merece destaque a paradinha realizada em frente à arquibancada monumental durante o refrão do meio: surdos marcando, comunidade, arquibancada e ritmistas cantando em uma só voz.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

“A gente curtiu muito o ensaio. A bateria aproveitou, o clima estava bom. Foi um ensaio gostoso de fazer, a galera estava à vontade, com energia boa. No geral, a sensação foi muito positiva. “Claro que sempre existem detalhes para acertar. É aquele discurso que se repete todo ano, porque sempre dá para melhorar. Às vezes é uma resposta de bossa, uma atenção maior em algum detalhe, principalmente na sincronia com o carro de som. Esses ajustes precisam ser feitos e vão ser trabalhados. Tenho certeza de que, até o próximo ensaio, isso já vai estar resolvido. “A ousadia fica por conta das bossas. Tem umas bossas bem legais que a gente está preparando. É ir para cima e fazer acontecer. “O ano passado foi uma demonstração de que a Gaviões voltou a brigar pelo título. Este ano a escola vem muito forte. A energia está boa, o barracão está maravilhoso, o povo está esperançoso. É isso que a gente precisa”, explicou mestre Ciro ao CARNAVALESCO.

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A presença de Sabrina Sato como rainha de bateria é um espetáculo à parte. Por onde passa, atrai multidões. Sempre sorridente, interagindo com o público, mandando beijos e exibindo muito samba no pé, mais uma vez levou o Anhembi ao delírio.

Opinião! Ensaios técnico de sábado no Anhembi

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Em último ensaio do ano na Mirandela, Beija-Flor passa como rolo-compressor na busca pelo bicampeonato

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Por Matheus Morais e Marielli Patrocínio

A Beija-Flor de Nilópolis realizou seu último ensaio de rua na tradicional Mirandela neste sábado. Com sua força característica de rolo-compressor, a comunidade nilopolitana demonstrou muita garra e um forte canto enquanto era guiada por Nino e Jéssica Martin, em uma noite muito forte de ambos os intérpretes da Azul e Branca. Claudinho e Selminha Sorriso também passaram muito bem na Mirandela, enquanto a bateria Soberana deu um show sob o comando dos mestres Plínio e Rodney. Atual campeã do carnaval, a Beija-Flor será a segunda escola a entrar na Avenida na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Bembé”, sobre o Bembé do Mercado, o maior candomblé de rua do mundo, que ocorre em Santo Amaro, na Bahia.

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COMISSÃO DE FRENTE

Comandada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, a comissão trouxe a coreografia que vem marcando os ensaios na Mirandela, com destaque para a figura feminina como centro em que se desenvolve toda a história contada pela comissão de frente, e que é representada pela única mulher entre os quinze integrantes, enquanto os demais bailarinos vêm com uma coreografia com movimentos mais focados nos braços, que, no início, lembram bastante ondas, partindo depois para movimentos mais diretos e ágeis, que demarcam bem o espaço da comissão, ocupando bem a pista. Os integrantes demonstraram bastante sincronia durante os movimentos da dança, mostrando um bom domínio da coreografia que vem sendo trabalhada.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Claudinho e Selminha Sorriso realizaram um ensaio muito bom e bastante potente neste sábado. Ambos demonstraram uma dança bem tradicional, com giros e saltos bem executados pelo casal, assim como os momentos de cortejo e de interação mais próxima entre Claudinho e Selminha, além de trazer muita leveza durante o bailado apresentado, sem deixar de lado os momentos de mais força da coreografia por conta do samba, reforçando a segurança deles com a coreografia que vem sendo apresentada e aprimorada ao longo dos ensaios de rua.

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Fotos: Matheus Morais e Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

SAMBA E HARMONIA

Foi com muita garra a performance de Nino e Jéssica Martin neste sábado, comandando o carro de som da Beija-Flor ao pisar pela última vez na Mirandela nesta temporada. Ambos demonstraram muita sincronia entre si e com o carro de som da escola, seguindo com muita disposição e segurança com o hino de 2026 da Deusa da Passarela até o final do treino. A comunidade também soltou a voz, cantando o samba a plenos pulmões durante todo o momento em que esteve na rua, assumindo mais uma vez a obra em sua totalidade, com destaque para os refrões que o samba traz, que ecoaram na voz dos integrantes da agremiação.

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“Está tudo dentro do planejado. Conversamos muito, a equipe de harmonia, e procuramos introduzir aquilo que a gente quer no desfile, relativamente. A gente tem muita preocupação de chegar ao ápice antes da hora. Por isso, a gente vai introduzindo o que a gente quer no desfile conforme a gente vai evoluindo em canto, evolução, espontaneidade, tudo aquilo que a gente precisa fazer. Hoje você deve ter percebido que a gente entrou em mais uma etapa do desfile: a gente não começa o desfile na hora em que canta o samba; a gente começa o desfile na hora em que os atabaques abrem o xirê. É uma forma de abrir nossos caminhos, pedindo a todos os orixás, pedindo às Yabás que abram nosso caminho. Vamos ter agora um desfile em Copacabana, que eu acho que é só para poder presentear o povo, sem técnica nesse desfile, porque ali tem muita gente apaixonada pela escola que vai entrar no meio dos desfilantes. O trabalho está indo em um progresso planejado muito positivo. Eu estou muito feliz. Acho que a comunidade hoje demonstrou o amor e o carinho que eles possuem pela escola, mas eu ainda tenho a preocupação de crescer gradativamente. Temos mais dois ensaios”, explicou o diretor de carnaval, Marquinho Marino.

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EVOLUÇÃO

A Mirandela foi tomada pela força da comunidade nilopolitana, que mais uma vez desfilou forte no chão da Baixada. Mantendo sua alcunha de rolo-compressor, os foliões da Beija-Flor vieram com grande energia, empolgação e alegria, passando firme e tranquilamente pela Mirandela, sem deixar de lado a garra neste último ensaio. As alas passaram com bastante animação, cantando bem o samba e fazendo coreografias livres, exceto as alas coreografadas, que mostraram bem sua própria dança para o povo, também sem deixar o ritmo ao redor da evolução cair em nenhum momento.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Soberana” cruzou a Mirandela com muita força e espiritualidade marcante. Os atabaques se destacaram nos momentos de bossa, bem demarcados por esses instrumentos, além de outras bossas realizadas por Plínio e Rodney, mestres dos ritmistas de Nilópolis. A rainha Lorena Raíssa esbanjou muita alegria e simpatia ao passar pela rua, reinando à frente dos ritmistas nilopolitanos.

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“A gente está sempre procurando perfeição, sempre. Eu sempre vou achar que pode ser melhor e realmente pode ser melhor. É trabalhar. Fizemos um grande ensaio, graças a Deus, mais uma vez, a cada um a gente vai, até culminar no dia do desfile. Lá, vai ser o ápice, e, mais uma vez, vai ser perfeito, e a gente conseguir a nota máxima para ganhar esse carnaval”, disse mestre Rodney.

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Salgueiro alia técnica e emoção em ensaio de altíssimo nível na Mirandela

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Por Marielli Patrocínio e Matheus Morais

A Avenida Mirandela, em Nilópolis, foi tomada por emoção, ancestralidade e samba de alto padrão na noite do último sábado. Convidado para o Encontro de Quilombos, ao lado da Beija-Flor, o Salgueiro realizou um ensaio que superou a ideia de preparação técnica e se consolidou como um verdadeiro manifesto cultural. Com canto potente, grande presença de componentes e quesitos bem definidos, a escola apresentou o seu enredo para o Carnaval 2026, “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, do bacalhau e do pirata da perna-de-pau”, em homenagem à genialidade de Rosa Magalhães, com maestria em solo nilopolitano.

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Fotos: Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

Desde a chegada à Mirandela, o clima era de reverência e união. Para os mestres da bateria Furiosa, pisar naquele chão tem um significado que vai além do ensaio. “Chegar aqui e pisar nesse solo sagrado de Nilópolis é muito importante para a comunidade do samba. Mostra que o samba é unido, que as escolas são amigas e que a gente se fortalece nesses encontros”, destacou o mestre Gustavo, ressaltando a importância de ocupar aquele espaço simbólico.

O diretor de carnaval, Wilsinho Alves, destacou a importância histórica do encontro e o estágio atual da escola. “Esse encontro é necessário. O quilombo da Baixada encontrar a escola que deu protagonismo ao negro no carnaval é muito significativo. É ancestralidade, é samba”, afirmou.

COMISSÃO DE FRENTE

Assinada pelo coreógrafo Paulo Pinna, a comissão de frente do Salgueiro apresentou um trabalho de alto nível técnico e simbólico, alinhado com a homenagem à mente criadora de Rosa Magalhães. Composta por 20 integrantes, a comissão surgiu com figurinos de bobo da corte, figura historicamente ligada à inteligência afiada, ao humor crítico e à ironia, elementos que dialogam diretamente com a personalidade da homenageada.

O corpo dos bailarinos veio em preto e branco, criando uma base gráfica forte, enquanto as cabeças em tons de rosa, com detalhes em strass e brilho, chamaram atenção. A escolha da cor pode remeter, coincidentemente ou de forma consciente, à mente brilhante de Rosa, sua imaginação viva e inquieta. As luvas em rosa mais vívido reforçaram essa leitura, evocando simbolicamente as mãos da carnavalesca, tantas vezes “postas à massa”, conduzindo carnavais memoráveis com vivacidade, humor peculiar e aquele tom inconfundível de ironia e deboche inteligente.

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A execução foi marcada por boa estrutura e dinamismo. O grupo se reorganiza constantemente ao longo do samba, apresentando diferentes desenhos coreográficos, como, por exemplo, fila em V, fila horizontal, além de saltos, giros precisos e gestos festivos com as mãos, sempre com clareza de leitura e controle de espaço. A apresentação foi concebida no modelo para cabine espelhada, novidade prevista para o Carnaval 2026, o que reforça a atualização estética do trabalho.

O grande ápice veio no trecho “Ô lê-lê, eis a flor dos amanhãs” da segunda passada do samba. Nesse momento, nove integrantes, posicionados um passo atrás, executam giros rápidos e “caem” simbolicamente sobre os figurinos, revelando o pavilhão de uma agremiação em que Rosa foi carnavalesca e fez acontecer a festa. Simultaneamente, os bailarinos da linha de frente deixam cair sobre seus figurinos, um a um, as letras que formam o nome “SALGUEIRO”. Um instante de forte carga emocional e impacto visual, que arrebatou o público e consolidou a comissão como um dos trabalhos mais impactantes do ensaio, em nível altíssimo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Com figurinos em tom de rosa elegante, Sidclei e Marcella realizaram uma apresentação impecável. A sintonia entre os dois impressiona pela precisão dos giros, leveza dos movimentos e um bailado contínuo que dava a sensação de flutuação. A porta-bandeira, em especial, parecia deslizar pela Mirandela, conduzindo o pavilhão com extrema elegância.

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Os giros da porta-bandeira mantiveram regularidade de eixo, velocidade controlada e excelente distribuição do espaço, sem perda de forma ou altura da bandeira. O mestre-sala, sempre bem posicionado, protegeu o pavilhão com movimentos limpos, sem cruzamentos indevidos, mantendo distância adequada e evitando qualquer bloqueio visual.

Houve progressão clara nos giros, entradas e saídas bem resolvidas e total respeito ao regulamento do quesito, com o casal se mantendo sempre voltado um para o outro, sem quebras de foco ou desencontros. O conjunto apresentou fluidez, elegância e precisão técnica, reforçando a maturidade e a segurança de uma dupla plenamente preparada para o desfile oficial.

EVOLUÇÃO

A escola evoluiu com andamento consistente, ocupando bem todo o espaço da avenida. O que se viu foi uma comunidade que brincou do início ao fim, com todas as alas pulsando entusiasmo. Muito movimento, muita animação e um tom festivo que reforça a identidade salgueirense.

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A evolução do Salgueiro foi marcada por fluidez e inteligência coletiva. A escola apresentou um andamento confortável, sem variações bruscas de ritmo, permitindo que os componentes brincassem o carnaval sem comprometer o desenho do conjunto.

O aproveitamento do espaço da Mirandela foi de alas bem distribuídas, ocupação lateral eficiente e ausência de buracos ou compressões excessivas. Não se observaram correrias nem lentidão, e a escola caminhou com naturalidade, sustentada por um samba que favorece a progressão contínua.

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Mais do que organização, o que se destacou foi o espírito de festa e animação. Todas as alas, sem exceção, evoluíam com alegria genuína, muito movimento corporal e interação constante entre componentes. A sensação era de uma escola viva, pulsante, que evoluiu brincando, exatamente como pede o DNA salgueirense.

A escola chegou numerosa em Nilópolis, com cerca de duas mil pessoas, mobilizando ônibus e componentes que fizeram questão de viver o ensaio como um momento especial. “A gente levou muito a sério esse ensaio por tudo que representa a Mirandela”, destacou Wilsinho, diretor de carnaval, ressaltando o peso simbólico do local e da troca entre as comunidades.

HARMONIA

O canto foi um dos grandes destaques da noite. Forte, potente e bem distribuído, manteve coerência com o andamento do samba do início ao fim. O trecho “que tititi é esse pelo mundo a me levar, naveguei sem sair do lugar” ganhou um brilho especial, pois a comunidade cantava sorrindo, de forma leve e brincalhona, traduzindo um estado coletivo de felicidade genuína.

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Segundo Wilsinho, o Salgueiro vive um momento de crescimento contínuo. “A cada semana a gente sente que foi o melhor ensaio. Isso mostra que estamos numa curva ascendente e que o samba com a comunidade vai chegar no máximo de rendimento no carnaval.”

SAMBA

O samba apresentou rendimento crescente ao longo do ensaio, acompanhando o avanço da escola pela avenida. Trata-se de uma obra de fácil assimilação, com refrões fortes e um pré-refrão que cria expectativa emocional, favorecendo o canto coletivo. O trabalho do carro de som foi fundamental para essa evolução. À medida que o Salgueiro tomava conta da Mirandela, o samba ganhava corpo, volume e emoção, criando uma espécie de espiral crescente de energia.

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O grande momento técnico e sensível veio no solo de violino no pré-refrão, executado por Mateus Soares. O instrumento trouxe uma camada de sofisticação rara, com um diálogo direto com a música clássica, evocando a formação intelectual e a elegância estética de Rosa Magalhães. Foi um instante singelo, delicado e profundamente emocionante, que tocou os componentes antes da explosão popular que se seguiu.

Para o mestre Guilherme, o ensaio na Mirandela funcionou como um verdadeiro teste técnico. “Apesar de ser um evento festivo, para gente é um ensaio de verdade. É repetição, é execução. Ensaiar aqui, com cabine espelhada, ajuda muito na resistência e no ajuste fino. Fizemos mais um bom ensaio”, avaliou.

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No aspecto técnico, a bateria “Furiosa” apresentou um trabalho consistente, mesmo sem estar com sua formação completa. Mestre Gustavo explicou que o grupo vive um momento decisivo na preparação para o desfile de 2026, impulsionado por uma virada recente no processo de ensaios.

“O ensaio de quinta-feira foi fundamental, foi quando tudo saiu cravado. As bossas já estão assimiladas, a galera está focada, unida e querendo buscar mais uma vez os 40 pontos para ajudar o Salgueiro a conquistar o título tão sonhado”, ressaltou.

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Na Mirandela, cerca de 70% dos ritmistas estavam presentes, já que parte da bateria permaneceu na quadra para cumprir a programação do samba. Ainda assim, o desempenho manteve alto nível de entrega e precisão, sustentando o andamento da escola e dialogando com o crescimento do samba ao longo do percurso.

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“Quem veio representou muito bem. A bateria está unida, comprometida e isso é essencial para o nosso trabalho e para a escola”, afirmou mestre Gustavo.

Sobre o samba, o diretor Wilsinho Alves reforçou a confiança no rendimento da obra e na resposta da comunidade ao longo da temporada. “O samba vai chegar no máximo de rendimento no carnaval. Ele é fácil, tem dois refrões fortes, um pré-refrão que funciona muito bem. Tenho certeza de que o Salgueiro vai finalizar o carnaval muito bem, e aquele arrastão promete”.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria Viviane Araujo não esteve presente à frente da bateria no Encontro de Quilombos, muito provavelmente por conta da agenda na quadra da escola no mesmo dia, mas a agremiação contou com a presença de musas como a atriz Bruna Griphao e a cantora MC Rebecca, que abrilhantaram o ensaio.

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Com comunidade em voz alta, Mocidade vive noite de afirmação rumo ao Carnaval 2026

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Por Maria Estela Costa e Carolina Freitas

O penúltimo ensaio de rua da Mocidade Independente de Padre Miguel, realizado no último, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi marcado pela excelente performance no canto e também pela confiança dos componentes, expressa em diversos momentos, como na interação com o público. No Carnaval 2026, a escola levará à Sapucaí o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, que celebra a vida e o legado da cantora brasileira Rita Lee. A homenageada, além de ter músicas atemporais, era reconhecida por sua personalidade autêntica e pelas causas que defendia, entre elas a liberdade de expressão, a comunidade LGBTQIAPN+ e os direitos das mulheres.

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“Fizemos um excelente ensaio, conseguimos executar tudo o que foi planejado. Foi um ensaio maravilhoso, a comunidade cantando muito, evoluindo muito. A comunidade veio em peso. A gente está muito, muito, muito feliz com o que realizamos hoje. […] Claro que sempre existem alguns ajustes, mas estamos no caminho certo e, a cada ensaio, crescemos mais. Uma energia maravilhosa aqui, e a comunidade Independente está muito feliz mesmo”, disse Sandro Menezes, diretor geral de harmonia.

COMISSÃO DE FRENTE

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Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Marcelo Misailidis, chegou com capas pretas, semelhantes às de super-heróis, utilizadas para auxiliar nos movimentos da coreografia. Apesar da ausência de uma estrutura que simulasse o tripé do desfile, os dançarinos demonstraram conexão com a vida da homenageada e muita sincronia entre si. Todos os passos exigiam atenção, especialmente o momento em que se cobrem com a capa, já que qualquer erro de tempo poderia comprometer a progressão da dança. No entanto, isso não aconteceu: todos estavam bem ensaiados e atentos a cada detalhe.

HARMONIA

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A potência do canto foi o grande protagonista da noite. Todos os componentes cantaram de ponta a ponta, fazendo com que o samba em homenagem a Rita Lee vibrasse na Avenida Ministro Ary Franco. A sintonia nas alas, porém, não se restringiu ao canto: ela também se manifestou na alegria transmitida pelos desfilantes, que contagiaram o público, estimulando a participação e a interação. O trabalho conjunto da ala musical e da bateria foi um grande aliado para que o samba se expandisse e fosse um sucesso no ensaio.

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“O samba começou miudinho, com muita dúvida, mas furamos a bolha mais uma vez. É um dos sambas mais cantados, um samba popular, de fácil entendimento, com um linguajar ‘rita-lee-zado’, fazendo com que a nossa comunidade cante cada vez mais. Quando se fala em comunidade, é preciso olhar para Padre Miguel, para a Zona Oeste, porque aqui tem uma comunidade muito forte, unida e que quer vencer. Eu disse para essa comunidade: o que eu puder fazer, o que eu puder me doar de coração, corpo e alma, eu vou fazer. Então, canto muito forte, evolução em sintonia, canto alinhado com o carro de som. Só tenho a agradecer a Deus por me proporcionar, junto com meu irmão de direção, Sandro Menezes, eu na direção de carnaval junto com Marcelo Plácido, esse prazer de poder liderar uma comunidade apaixonada”, afirmou Wallace Capoeira, diretor de carnaval.

EVOLUÇÃO

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As alas estavam completas e bem posicionadas. Houve a preocupação comum com o alinhamento das fileiras, mas nada que comprometesse o empenho dos desfilantes em entregar um bom ensaio ao público de Bangu. A maior parte das alas apresentou algum tipo de adereço. A ala 3, por exemplo, utilizou pompons confeccionados em TNT nas cores branca e verde; já a ala 9 levou boias do tipo espaguete, geralmente usadas em piscinas, mas que, no contexto do ensaio, faziam referência ao adereço da fantasia final.

Também houve alas coreografadas. Na ala 2, os integrantes usaram saias longas brancas, no estilo das utilizadas na dança do carimbó. Os passos eram simples e exploravam bastante o movimento da barra da saia. Já na ala 20, os componentes utilizaram leques como adereço, com uma coreografia fácil de assimilar, mas que exigia atenção, sobretudo pelo uso do som do leque sincronizado com a bateria.

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SAMBA

O samba é de fácil assimilação, principalmente pelas referências claras às canções de Rita Lee. A forma como a agremiação conseguiu unir os estilos musicais da homenageada, MPB e rock, ao samba é um dos grandes destaques da obra. Ao ouvir a bateria e a voz dos intérpretes, é possível perceber a presença desses elementos, ainda que de forma sutil, evidenciando a preocupação em manter a essência da cantora.

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O mestre Dudu, que comanda a bateria “Não Existe Mais Quente”, comentou: “Sabemos que cada semana que passa é uma semana a menos. Agora é a reta final. […] Estou muito contente, muito feliz. A cada dia que passa, a bateria está mais centrada. Eu fiz uma junção de bossas pensando no jurado. Trabalho muito em cima da melodia do samba, para facilitar o entendimento do jurado. […] Trabalhei demais, porque quando falo de Rita Lee, falo de musicalidade. Estudei muito, passei a ouvir Rita Lee intensamente. Muitas músicas dela me deram nuances e ideias, como a quadradinha que colocamos no samba. Quem curte Rita Lee vai entender o que estou falando: tudo em cima da melodia, sempre buscando um fácil entendimento para o jurado e a reinvenção constante da Mocidade”.

OUTROS DESTAQUES

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Fotos: Carolina Freitas e Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, não participou do ensaio. Em seu lugar, o segundo casal, Diego Moreira e Isabella Moura, ocupou o espaço na simulação dos jurados, apresentando-se com vigor na defesa do pavilhão. A rainha de bateria também não marcou presença, mas as musas estiveram no ensaio, interagindo com a comunidade e demonstrando respeito e admiração. Entre elas, Gaby Mendes, Mayara do Nascimento e Mylla Ribeiro.

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Sobre as expectativas e os últimos ajustes, os diretores comentaram: “Estamos muito bem nos quesitos harmonia, evolução, casal e bateria. O barracão está a todo vapor! Temos certeza de que ajustaremos esses detalhes para chegar com tudo aos ensaios técnicos, nos dias 30 e 6. A Mocidade está pronta para ir à avenida ensaiar na Sapucaí, e tenho certeza de que vai ser maravilhoso”, disse Sandro Menezes.

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“Vai dar tudo certo. Amanhã é dia de reunião, a coordenação senta para avaliar, assistir aos vídeos e corrigir o que for necessário. Como sempre digo, nunca estou satisfeito, quero mais. Só vou estar satisfeito na Quarta-Feira de Cinzas, após a abertura dos envelopes. Até o dia do desfile, você vai ver a gente ajustando detalhes, sempre em busca do melhor desempenho para a Mocidade”, concluiu Wallace Capoeira.

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Com festa, estrelas e confiança, União de Maricá mostra por que sonha alto em 2026

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A União de Maricá realizou, na noite do último sábado, na Cidade do Samba, a segunda edição do evento Maricá Faz a Festa. Além de uma grande performance dos principais segmentos da escola, a celebração contou com apresentações especiais dos artistas Arlindinho e Marquinhos Sensação, além das coirmãs Estácio de Sá e Mangueira. O CARNAVALESCO esteve presente e conversou com integrantes da agremiação sobre o encontro promovido e a preparação da escola para o grande dia do desfile. De início, o presidente da União de Maricá, Matheus Santos, destacou a importância de sediar a festa em um território tão simbólico para o samba.

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Foto: Ney Junior/Divulgação União de Maricá

“Depois do primeiro Maricá Faz a Festa, no Baródromo, trouxemos hoje esse evento para a Cidade do Samba, esse solo sagrado e templo do sambista, o que nos deixa muito felizes. É uma audácia sair da nossa cidade e fazer um evento aqui, mas sinto que Maricá precisava se fazer presente na Cidade do Samba. A cidade hoje está comprometida diretamente com a cultura, graças ao engajamento do nosso prefeito e presidente de honra. Aproveito o espaço para agradecer também ao presidente da Liesa e a todas as co-irmãs que nos liberaram para fazer esse encontro. Isso é muito importante para a gente”, disse o gestor.

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Foto: Ney Junior/Divulgação União de Maricá

Para o diretor de harmonia, Mauro Amorim, a relevância do encontro está justamente na conexão da escola fluminense com a metrópole carioca, berço do samba.

“Quase 100% da escola é de Maricá, de forma que é importante vir para o Rio de Janeiro e se fortalecer no meio do Carnaval, mostrando que Maricá é terra de samba e tem conteúdo para oferecer ao mundo do Carnaval também”, declarou Mauro.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

É o que também pensa o mestre Paulinho Steves, à frente da bateria “Maricadência”. “O Maricá Faz a Festa é um evento que traz toda a energia da União de Maricá para aproximar a escola dos cariocas e sensibilizar os apaixonados por samba e carnaval de que temos, sim, uma comunidade e que vamos, de degrau em degrau, buscando o nosso espaço nesse mundo”, expressou Paulinho.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

Além da busca por reconhecimento, Zé Paulo Sierra, intérprete de longa data que estreia este ano na agremiação, destacou que o episódio serve como aprendizado e crescimento para a escola fundada em 2015.

“A União de Maricá está se consolidando e se descobrindo como uma grande escola. Ela está amadurecendo, recebendo outras escolas centenárias e grandes artistas. Isso faz o fundamento de uma escola. É o início de uma história, que tem apenas 10 anos de idade e três anos na Série Ouro, mas o trabalho realizado é muito profissional, muito sério e busca inserir a escola no circuito do samba do Rio de Janeiro”, disse Zé Paulo.

Apesar da pouca idade, a União de Maricá se mostra uma das favoritas à ascensão ao Grupo Especial, apoiando-se, para isso, em uma equipe experiente e calejada, com destaque para o premiado carnavalesco Leandro Vieira e em uma rotina intensa de ensaios, como apontou Zé Paulo.

“Maricá começou seus ensaios no início de outubro. A escola já fez sete ensaios de rua e temos mais três pela frente, além do ensaio técnico. É uma quantidade de ensaios muito bacana, especialmente para a Série Ouro. Se a gente contar os ensaios de quadra e outros eventos, a gente trabalhou muito esse samba”, defendeu o intérprete.

Paulinho Steves também se mostrou confiante no trabalho de seu segmento. “A gente consegue fazer bons ensaios de rua. A bateria tem uma boa interação com a comunidade e o carro de som. Chegamos cada vez mais perto do nosso objetivo, que é atingir o máximo de aproveitamento no dia do desfile”, disse o mestre.

Uma das mais admiradas de sua geração, a rainha de bateria, Rayane Dumont, não escondeu a parcialidade ao analisar a reta final da escola.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“Eu, que sou nascida e criada em Maricá, sendo da comunidade, se for dar uma nota para o nosso desempenho nesse pré-carnaval, sempre vou dar 10, porque a gente sabe de toda a nossa determinação, do nosso esforço, de toda a luta para fazer um belíssimo carnaval. Todo ano a gente vem evoluindo, melhorando, vendo aquilo em que está errando e no que pode melhorar. Até por isso, a expectativa para o ensaio técnico na Sapucaí é a melhor possível”, ponderou.

Perseguindo o padrão de qualidade exibido em trabalhos anteriores, o diretor de harmonia, Mauro Amorim, por sua vez, não fugiu das cobranças à comunidade.

“Fico muito feliz com o que temos mostrado, mas também estou ciente de que ainda há muito trabalho pela frente. Somos uma escola que entra na avenida ciente do seu papel e do sonho que tem para construir. A gente espera que o nosso trabalho continue em uma crescente para realizar na avenida o que o público está esperando. Não adianta fazer um ótimo pré-carnaval e não conseguir entregar isso na avenida. A gente está trabalhando e vai trabalhar muito para entregar um belo Carnaval”, garantiu o profissional.

Apesar de uma preparação e de um histórico de desfiles de alto nível, a incerteza, é verdade, sempre paira no ar, consistindo no grande trunfo da competição — e no pior pesadelo de seus competidores.

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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“É claro que, no dia do desfile, existe uma mágica. Você pode fazer um baita ensaio técnico e um desfile mediano, ou um ensaio técnico mediano e um desfile fora da curva. Por isso, é necessário focar muito no desfile e não se desesperar com o que deu muito certo no ensaio ou com algo que deu errado, mantendo, claro, o que deu certo e corrigindo o que vem dando errado. Ontem, por exemplo, no nosso ensaio de rua, a gente evoluiu e amadureceu muito para o desfile. O segredo é manter esse foco e chegar bem, tranquilo no dia do desfile. É claro que há nervosismo e ansiedade, mas é trabalhar bem o psicológico para que a gente possa realizar no desfile o que a gente fez no nosso melhor ensaio”, comentou Zé Paulo.

Mais imagens da festa

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Foto: Ney Junior/Divulgação União de Maricá
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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO
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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO
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Foto: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO