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Unidos de Padre Miguel anuncia enredo sobre o encontro sagrado entre Iemanjá e Oxum para o Carnaval 2027

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A Unidos de Padre Miguel já tem caminho traçado para o Carnaval 2027. O Boi Vermelho da Vila Vintém levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Yèyé Omó Ejá – A Coroação das Rainhas das Águas”, uma viagem poética e espiritual inspirada livremente em Itans sagrados de Iemanjá.

Antes de ser estrada, o mundo foi correnteza.

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É a partir dessa força ancestral das águas que a Unidos constrói sua narrativa para o próximo desfile. Desenvolvido pelos carnavalescos Allan Barbosa e Ricardo Hessez, o enredo mergulha na grandeza de Iemanjá, senhora do mar e da liberdade, que segue seu curso porque sua essência não aceita contenção. Em sua travessia, encontra Oxum, a força doce dos rios, correnteza de ouro e mel que abre caminhos até alcançar a imensidão salgada.

Com forte carga simbólica e espiritual, a Unidos de Padre Miguel propõe um desfile sobre origem, destino, ancestralidade e força feminina. Um canto para as águas que movem a vida, lavam os caminhos e unem mundos.

Em 2027, o Boi Vermelho será a quarta escola a se apresentar na Marquês de Sapucaí, no sábado , dia 06 de fevereiro, em busca do título e o retorno ao Grupo Especial.

‘Kalunguisados’: Porto da Pedra aposta em enredo afro e mira volta ao Grupo Especial

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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A Porto da Pedra deu o pontapé inicial rumo ao Carnaval 2027 em grande estilo. No último sábado, durante sua tradicional feijoada, o “Tigre” de São Gonçalo apresentou oficialmente o enredo “Porto Kalunga”. O evento, marcado pela alegria e pelo clima de união, contou com a presença ilustre das escolas convidadas Cubango, União de Maricá e União da Ilha do Governador, que embalaram o público no ritmo da confraternização carnavalesca. Desenvolvido pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini, com o apoio das enredistas Thainá Santos e Beatriz Chaves, o tema mergulha na histórica missão artística realizada em Angola no fim da década de 1970. O projeto original, conhecido como “Projeto Kalunga”, levou nomes gigantescos da música brasileira, como Martinho da Vila, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Djavan e Chico Buarque, para uma imersão cultural em solo africano logo após a independência do país lusófono. A proposta da escola é celebrar essa travessia que transformou a identidade da MPB e reafirmou os laços ancestrais entre as duas nações.

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A voz dos criadores: ‘Estamos kalunguisados’

Após o anúncio oficial, os carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini detalharam a concepção do projeto e a expectativa para o desfile em entrevista exclusiva:

“As expectativas são as melhores possíveis, porque era uma vontade nossa fazer um enredo afro, era uma vontade da escola. Ao mesmo tempo, nós queríamos um afro um pouco fora do convencional e queríamos também trazer a vontade da escola. Quando nós sentamos com a agremiação, o tema afro era um desejo comum, então trouxemos o Porto Kalunga. Trouxemos essas palavras que, na verdade, na logomarca, apresentam símbolos e signos que tocam o torcedor: o tigre africanizado, com a palavra Porto. Nós fazemos essa brincadeira com as palavras Porto e Kalunga, porque o nome do projeto era Projeto Kalunga, desta comitiva de artistas brasileiros que foi para Angola”, declarou Alex Carvalho.

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“A palavra Porto tem relação com partida, com o ir e vir, que foi um ir até a África para se encontrar com a mãe África. E a palavra Kalunga também tem relação com a passagem da morte à vida, a travessia. Então nós trouxemos essas duas palavras e fizemos essa brincadeira. Enfim, a comunidade está muito feliz, é um enredo com o qual o pessoal está animado, a expectativa é de um bom samba também, então estamos muito felizes e animados”, complementou o artista.

Caio Cidrini seguiu a mesma linha de entusiasmo, destacando a contemporaneidade da proposta: “Se eu pudesse acrescentar uma expectativa, seria a de um samba bom, porque é um enredo contemporâneo, trata de ancestralidade e, ao mesmo tempo, de muita música popular brasileira. Trata de Angola, do Rio de Janeiro e do Brasil. Tenho uma expectativa de receber sambas muito interessantes. Nós recebemos muitos abraços hoje aqui na quadra e temos recebido elogios das pessoas nas redes sociais. A identidade visual é boa, com o tigre gigantesco na logo, que é o símbolo maior aqui de São Gonçalo, africanizado, decorado e adereçado com as cores das bandeiras dos dois países”, afirmou.

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Cidrini revelou ainda a curiosa origem da ideia: “Eu encontrei esse enredo em uma aula de mestrado na UERJ. Eu cursei História da Arte na UERJ e sou orientando do Leonardo Bora. Estava lá o que passou no Museu de Arte do Rio e era um trecho de documentário de cerca de 40 segundos. Coloquei o fone, vi o trecho e anotei no bloco. Falei para o Alex que tínhamos um enredo ali. Nós já estávamos com essa expectativa de fazer alguma coisa afro. E, quando chegamos à Porto da Pedra, encontramos essa demanda e convidamos a Bia e a Thainá para trabalhar conosco, que são escritoras incríveis, mulheres pretas que também possuem pertencimento ao tema. Falei: pessoal, estamos ‘kalunguisados’, tem que ser este enredo”, detalhou.

A força do tema convenceu rapidamente a diretoria, conforme explicou Alex Carvalho: “Nós apresentamos mais duas propostas para a escola, além do Porto Kalunga. Dissemos ao presidente que havia outras opções, mas que queríamos esta. Ele perguntou se daria um bom samba. Respondemos que seria difícil não dar um bom samba, pois estamos falando de 60 artistas da MPB que foram para Angola: Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Djavan e Martinho da Vila, entre outros. Eu acredito que é necessário muito esforço para fazer um samba ruim com esse tema. A história é muito encantadora e contemporânea, aconteceu em 1980 e temos muitos artistas vivos ainda. Então nós embarcamos e estamos ‘kalunguisados’”, ressaltou.

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Ao final, Caio Cidrini se emocionou ao falar do impacto humano da missão: “O que existe de depoimento na internet, de documentário ou de falas de artistas é muito emocionante. Todo mundo voltou de lá transformado. Dona Ivone falava que chorava quando viu o mar. Dorival Caymmi foi visitar Lobito e disse que aquilo parecia Salvador inteira. Martinho virou embaixador de Angola. Não tem como não ser tocado por essa viagem. Eu espero que a Porto da Pedra viaje e se transforme também neste enredo”, finalizou.

A bateria e a harmonia: otimismo no pavilhão

Responsável pelo ritmo da escola, mestre Pablo também compartilhou sua visão sobre o ciclo que se inicia: “A expectativa é a melhor possível, estou otimista. A Porto da Pedra este ano montou um timaço. Já estamos trabalhando bastante, com muito pé no chão e bastante humildade. Como haverá duas vagas para o Grupo Especial, uma precisa vir para São Gonçalo, precisa vir para o Tigre. Nós estamos trabalhando muito. O enredo está sendo lançado agora, mas o trabalho já está sendo feito com o carnavalesco há algum tempo. Tive várias conversas com ele. O presidente não está medindo esforços para colocar a Porto da Pedra no lugar que ela realmente merece”, declarou o mestre.

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Sobre a sonoridade que o enredo “Porto Kalunga” permite, Pablo adiantou: “É um enredo rico. Angola e os artistas que saíram daqui para lá voltaram cheios de inspiração e ricos em conhecimento, beberam daquela fonte. Fazer um samba ruim com esse enredo, com esse leque de oportunidades, seria difícil. É um tema tremendo. Podem esperar uma bateria ousada, com mistura de ritmos africanos e ritmos nossos, com aquela pitada de ousadia do Mestre Pablo. Podem esperar uma Porto da Pedra com uma bateria Ritmo Feroz cada vez mais forte”, afirmou.

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Ele ainda destacou a parceria artística para sua apresentação: “O mestre Pablo sempre prepara novidades. Já conversei com os carnavalescos que pretendo sentar com eles para pensarmos juntos na minha vestimenta. Quero aproveitar e deixar um abraço forte para o meu maquiador, meu amigo de sempre, Jorge Abreu, que todo ano é responsável pelas minhas caracterizações. Ele também participará desta reunião, pois tem ideias, compra o barulho e é o artista que está envolvido diretamente comigo. Juntando as minhas ideias, as do carnavalesco e as do Jorge Abreu, é impossível não dar certo”, garantiu.

O casal e a missão da nota máxima

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rodrigo França e Joyce Santos, também celebrou a temática inédita na história recente da agremiação:

“Eu fiquei muito surpresa, pois a Porto da Pedra não tem o costume de trazer enredo afro. Porém, foi uma inovação: carnavalescos novos, sentimentos novos e almas novas. Acredito que o trabalho será muito bem feito e vamos surpreender na Avenida mais um ano. Depois de alguns anos com o Mauro, agora estamos com novos carnavalescos. Não esperem pouco da Porto da Pedra, pois nós vamos mostrar o nosso valor”, declarou a porta-bandeira.

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Joyce prosseguiu sobre o clima da escola: “O ciclo de 2027 começou com o pé direito: uma feijoada, três coirmãs, anúncio do enredo e o projeto da escola dançando com muita emoção. Acredito que a Porto da Pedra virá inovando, será um ano emocionante e de várias novidades. Eu já estreei antes, mas me sinto estreando novamente com um enredo diferente e acredito que a escola vai mostrar como o Tigre ruge na avenida”, afirmou.

Rodrigo compartilhou do mesmo sentimento de confiança: “É um enredo riquíssimo. Quando anunciaram, eu imaginei várias coisas, mas vou aguardar a sinopse para saber exatamente sobre o que vamos falar. Não temos esse costume com temas afro, mas com certeza será muito bem desenvolvido. Mais um ano a Porto da Pedra dará um show e, se Deus quiser, traremos a nota máxima para a escola”, disse o mestre-sala.

Ele finalizou destacando sua trajetória na agremiação: “Eu sou muito tranquilo quanto ao carnaval, estou na Porto da Pedra há 21 anos, com certeza será um ano sereno. Vou tirar de letra, modéstia à parte, e a nota quarenta virá, se Deus quiser”, declarou.

A palavra do presidente: rumo à vitória

O presidente Fabrício Montibelo encerrou os depoimentos reforçando o compromisso com o acesso ao Grupo Especial: “Esse enredo foi escolhido após os carnavalescos nos apresentarem três propostas. Nós discutimos as opções e esta foi a que mais nos agradou. O enredo é forte, muito forte, e espero que venha um samba excelente, porque nós vamos para a avenida este ano para disputar o título”, afirmou o mandatário.

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Montibelo foi direto em relação às metas da agremiação: “Este ano a Porto da Pedra vem para brigar. Aquele sétimo lugar anterior não foi satisfatório para nós. A Porto da Pedra não é lugar de sétimo lugar, nós sempre estivemos nas primeiras posições e este ano viremos para disputar. Uma daquelas vagas no Grupo Especial será nossa”, declarou.

Sobre como será a disputa dos sambas, o presidente informou: “No dia 25 de maio teremos uma reunião com os nossos compositores na quadra. Vamos apresentar os prazos e tirar todas as dúvidas para iniciarmos as eliminatórias do samba entre julho e agosto”, finalizou.

A Unidos do Porto da Pedra já tem data marcada para a leitura oficial da sinopse: será no dia 8 de junho, na quadra da agremiação.

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‘Nau Catarineta’, fé e fantasia nordestina: Mocidade Alegre aposta em epopeia armorial para buscar o bi em 2027

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Foto: Divulgação/Mocidade Alegre

A atual campeã do Grupo Especial de São Paulo, a Mocidade Alegre, revelou oficialmente o enredo que levará ao Sambódromo do Anhembi no Carnaval 2027. Com o título “Sete Anos de Mar, Sete Léguas de Encanto: A Nau que venceu o Diabo sob a benção do sagrado manto”, a escola apostará, pela primeira vez em sua história, no imaginário da cultura nordestina para construir uma narrativa marcada por fantasia, religiosidade e elementos da estética armorial.

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Desenvolvido pelo carnavalesco Caio Araújo e pelo enredista Leonardo Antan, o tema mergulha no universo da lendária “Nau Catarineta”, romance popular de origem ibérica que atravessou gerações até se consolidar como uma das mais importantes manifestações da cultura oral brasileira.

A história narra a trajetória de uma embarcação que teria permanecido à deriva por sete anos e um dia, enfrentando tempestades, fome e tentações demoníacas durante a travessia. Sob a proteção do sagrado manto e da intervenção divina, a tripulação supera as adversidades em uma jornada que simboliza resistência, fé e esperança.

A narrativa ganhou diferentes registros ao longo da história por intelectuais como Luís da Câmara Cascudo, Mário de Andrade e Ariano Suassuna, este último referência máxima do movimento armorial, que terá o centenário celebrado em 2027.

Para Mário de Andrade, que documentou a “Nau Catarineta” em suas missões folclóricas, tema que inspirou a Mocidade Alegre no Carnaval 2024, a lenda representa o confronto entre a bondade humana e as tentações, funcionando também como instrumento de preservação da memória popular e da identidade cultural brasileira.

A escola também promete valorizar as manifestações populares que mantêm viva a tradição da “Nau Catarineta” em diferentes regiões do Nordeste, como os grupos de fandango, marujada e chegança presentes em cidades como Cabedelo e Canguaretama.

Segundo os autores do enredo, a proposta será apresentar um Nordeste distante de caricaturas e estereótipos, exaltando um sertão contemporâneo, mágico e festivo.

“A Mocidade Alegre é uma escola com uma forte identidade, então é sempre uma grande missão escolher um enredo à sua altura. Encontramos nessa história da ‘Nau Catarineta’ uma série de elementos que são caros à agremiação, como o aspecto místico e lúdico, além de um emocional religioso. Queremos mostrar um sertão alegre e atual, sem estereótipos, que se reinventa através da festa”, afirmaram Caio Araújo e Leonardo Antan.

Após conquistar o título do Grupo Especial em 2026, a Mocidade Alegre agora aposta em uma viagem épica entre o sagrado e o popular para tentar escrever mais um capítulo vitorioso de sua história no Carnaval paulistano.

Acadêmicos do Salgueiro celebra o Dia das Mães com festa e distribuição de presentes

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Foto: Samantha Millan/Acadêmicos do Salgueiro

O Salgueiro promoveu uma grande celebração em homenagem ao Dia das Mães no tradicional Morro do Salgueiro, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Em parceria com a Associação de Moradores da comunidade, a escola de samba realizou uma ação marcada pela presença da Bateria Furiosa, distribuição de presentes, muito samba, confraternização e carinho para as mães salgueirenses.

A entrega dos presentes foi conduzida por Tia Glorinha, presidente da Ala das Baianas do Salgueiro, figura tradicional e querida da agremiação. As mães receberam diversos itens como liquidificadores, panelas de pressão, batedeiras, perfumes, bolsas, lençóis e outros presentes preparados especialmente para a ocasião.

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Para o presidente da escola, André Vaz, ações como essa reforçam o papel social e afetivo da agremiação junto ao morro. “O Salgueiro nasceu aqui e mantém suas raízes vivas através da comunidade. Celebrar o Dia das Mães no Morro do Salgueiro é uma forma de retribuir todo o carinho, a força e a história dessas mulheres que ajudam a construir a nossa escola diariamente. Mais do que entregar presentes, é sobre estar presente, valorizar e fortalecer esses laços familiares e comunitários”, destacou o presidente.

A iniciativa reforça a conexão histórica entre agremiação e o Morro do Salgueiro, evidenciando o compromisso da escola não apenas com o carnaval, mas também com ações sociais e comunitárias ao longo do ano.

União de Maricá chega à Cidade do Samba e inicia preparação para estreia no Grupo Especial

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Foto: Diego Mendes/União de Maricá

A União de Maricá está oficialmente de casa nova. Na madrugada da última sexta-feira, a escola realizou a mudança para a Cidade do Samba, onde passará a desenvolver o Carnaval 2027, ano em que fará sua estreia no Grupo Especial. A agremiação deixou o espaço que utilizou nas últimas três temporadas, localizado na Avenida Brasil, em São Cristóvão.

Logo após a conquista do título da Série Ouro, a escola deu início ao planejamento para o próximo desfile. No antigo barracão, foram desmontadas todas as alegorias do último carnaval e construídas as bases dos chassis que serão utilizados na estreia na elite. Com isso, a União de Maricá já chegou à Cidade do Samba com o cronograma adiantado, aguardando apenas a entrega do projeto do carnavalesco Edson Pereira para iniciar a montagem do desfile de 2027.

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Mauro Amorim, diretor de carnaval e harmonia, celebrou o momento histórico vivido pela escola e destacou o significado da chegada à Cidade do Samba.

“Estamos iniciando a realização de um grande sonho. De agora em diante, é Maricá na Cidade do Samba. Estamos deixando a nossa antiga casa rumo a um novo espaço, que queremos transformar em um lugar definitivo para a nossa história. Estamos trabalhando muito para isso”, afirmou Mauro.

Antes mesmo da ocupação oficial, a escola já vinha promovendo uma série de intervenções no novo barracão, incluindo uma ampla reforma estrutural do espaço. As obras estão em fase final para que, em breve, toda a estrutura administrativa e de criação da agremiação seja transferida definitivamente para o local.

Em 2027, a União de Maricá será a primeira escola a desfilar pelo Grupo Especial, no dia 7 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.

Vai-Vai transforma amizade, candomblé e arte em enredo para o Carnaval 2027

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

O Vai-Vai realizou o evento de lançamento de seu enredo para o Carnaval 2027. Em um encontro na Casa Sincopada, localizada no bairro da Bela Vista, reduto tradicional da agremiação, a escola apresentou o tema “Os Três Obás de Xangô”, que homenageia os amigos Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. Por meio das religiões de matriz africana, os três exaltaram com força a identidade da Bahia em suas obras, seja na literatura, na música ou nas artes plásticas. A proposta partiu da diretoria e é assinada pela dupla de carnavalescos Alexandre Louzada e Victor Santos. Louzada retorna ao Bixiga para sua terceira passagem pela escola e será o padrinho de Victor, que estreia no cargo. Em conversa com o CARNAVALESCO, a dupla detalhou o desenvolvimento do enredo para 2027.

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Ajuda valiosa para a construção do enredo

Alexandre Louzada contou que a ideia ganhou força a partir de uma conversa virtual com Paloma Amado, filha de Jorge Amado. “Em um bate-papo pela internet com ela, surgiu o que considero a melhor definição para esse enredo: uma celebração da amizade. São três irmãos, não apenas unidos pela mesma religiosidade, mas que viveram como se fossem gêmeos, caminhando juntos e difundindo sua arte e o candomblé por meio dela. Acima de tudo, Os Três Obás de Xangô celebram uma amizade fraterna que contribuiu para a difusão da religiosidade, da tolerância religiosa e da própria Bahia, projetando sua cultura para o mundo e ampliando seu reconhecimento internacional”, afirmou.

Victor detalhou a narrativa que a escola levará para o Anhembi, destacando a ligação com o Carnaval de 1988, quando o Vai-Vai homenageou Jorge Amado e conquistou o título. “Nosso desfile parte dessa amizade. Jorge Amado tem uma frase muito bonita, que abre a narração do documentário com Lázaro Ramos: ‘A amizade é o sal da vida’. A partir dessa ideia, abordamos três figuras que receberam o título honorífico de Obás de Xangô. Existem outros, já que são doze e o cargo é rotativo, mas focamos nesses três pela relação entre eles. Como mencionamos no encontro com Paloma Amado, parece que são irmãos que se reencontraram nesta vida e traduziram o cotidiano da Bahia para o mundo. Eles transformam o que é simples em algo sofisticado, consumido globalmente na música, na literatura e nas artes visuais. O desfile percorre esse caminho: começa no fundamento de Xangô na Bahia, passa pelo desenvolvimento artístico dos três e culmina no reencontro com o Vai-Vai, especialmente no caso de Jorge Amado, que já foi enredo da escola. Retomamos esse vínculo histórico e propomos um novo olhar, inspirado em ‘País do Carnaval’, criando um desfile a partir dessa amizade, desse legado cultural e desses três grandes nomes da cultura brasileira”, explicou.

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Sonho e realidade se encontram no Vai-Vai

Victor revelou que chegou a sonhar com o tema antes mesmo de integrar o projeto. “É curioso contar isso. Em outubro do ano passado, assisti ao trailer do filme, dormi e sonhei com esse enredo no Vai-Vai. Na época, ainda trabalhava no barracão dos Gaviões. Depois da eleição e do carnaval, eu e Louzada já havíamos comentado sobre trabalhar juntos. Quando o Vai-Vai entrou em contato com ele, o enredo já estava definido. Em uma conversa comigo, veio a confirmação de que o tema era esse. Foi algo que me conquistou imediatamente”, contou.

Ciclo de uma obra e admiração pelos homenageados

Victor também ressaltou a importância do diálogo com as famílias e a liberação dos direitos autorais. “Tudo acabou se encaixando muito bem. Conseguimos contato com as famílias, que autorizaram o uso de imagem e das obras. Também fomos até a produtora do filme, que deu sua anuência. Assim, o desfile do Vai-Vai se torna a etapa final do projeto ‘Três Obás de Xangô’. Primeiro vem o filme, depois uma exposição prevista para agosto ou setembro e, por fim, o desfile, que encerra esse ciclo”, disse.

Alexandre Louzada destacou a admiração pelo trabalho dos homenageados e elogiou o parceiro. “Victor é um estudioso de Jorge Amado. Eu sempre fui admirador de Dorival Caymmi e Carybé, artistas que retrataram a vida cotidiana da Bahia com autenticidade. Para quem conhece o povo baiano, fica claro que não se trata de ficção, mas de um retrato fiel. Embora eles já tenham partido, seus personagens seguem vivos nos bares, botequins, cabarés, feiras, mercados e no mar. É impossível não se encantar com um enredo assim, ainda mais pela contribuição que pode oferecer em um mundo onde a convivência tem se tornado mais difícil. A arte deles traduz as religiões de matriz africana de forma acessível, respeitosa e profunda. A escola de samba tem um papel fundamental nisso, pois é uma das formas mais eficazes de contar histórias ao público. Nossa contribuição, assim como a do Vai-Vai, tem grande relevância para o povo brasileiro”, declarou.

Victor também elogiou o empenho da diretoria e destacou o andamento do projeto. “Já temos setores de fantasias definidos, carros alegóricos desenhados e a estrutura do desfile organizada. A direção de carnaval e a de harmonia já trabalham em conjunto. Isso reflete minha experiência na função, já que é difícil separar completamente os processos. A diretoria está muito engajada, até mais do que cobramos de nós mesmos, porque todos querem um carnaval grandioso. Desenvolver esse projeto com esse nível de apoio é muito positivo. Estamos em maio, o barracão já está em atividade e a produção das fantasias começou. Embora o enredo esteja sendo lançado agora, ele já vem sendo desenvolvido há mais de um mês e está bem encaminhado”, concluiu.

Em Cima da Hora mergulha na ancestralidade feminina com enredo sobre Luzia Pinta

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A escola de Cavalcanti segue para mais um ano sob as bênçãos ancestrais femininas. Para 2027, a escola levará para a avenida o enredo “Luzia Pinta – Da Calunga Grande aos Calundus da Cura”, de Cahê Rodrigues e Rodrigo Almeida. O enredo aborda a história de Luzia Pinta, uma africana escravizada no Brasil que carrega uma trajetória marcada por perseguições e acusações de feitiçaria. A escola apresentou a nova equipe e o tema para o próximo carnaval em evento na Barra da Tijuca.

O enredo segue uma linha conceitual similar ao enredo “Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras”, de 2026, em que exaltaram as pombagiras como forças femininas ancestrais, de resistência e identidade. A escola projeta ampliar esse olhar, reafirmando o compromisso com o protagonismo feminino e gerando reflexão sobre seus legados na cultura brasileira contemporânea. Rodrigo Almeida, carnavalesco, afirma que a “energia espiritual feminina” coincide com o momento atual da escola.

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“Acho que a escola gostou muito. A energia feminina, a energia espiritual ancestral, é uma coisa que a escola trouxe para ela, é uma coisa que só fortifica a ideia dessa reconstrução, dessa ascensão da escola. Acho que essa energia feminina se adaptou bem à escola. A gente não pode esquecer que Pomba Gira é uma coisa que roda, que gira, é uma entidade que… Tem um ditado africano que diz: ‘Exu matou um pássaro com a pedra que jogou ontem’. Pomba Gira veio para abrir os caminhos para Luzia Pinta e, com certeza, a Luzia Pinta agora vai ser um sucesso na avenida”, afirmou.

O enredo cumpre a missão do carnaval de levar para a avenida histórias de diversas pessoas simbolizadas em uma só. Para Cahê, Luzia reflete histórias de amigas e líderes religiosas que passaram por sua vida: mulheres negras, corajosas, que lutam para exercer sua religiosidade sem amarras.

“Hoje existem muitas mulheres que podem exercer a sua prática religiosa com liberdade e segurança, mesmo sabendo dos preconceitos que as religiões de matriz africana enfrentam no Brasil. Mas a escola de samba está aí para isso: reforçar essa narrativa do quanto é importante exaltar essas mulheres. E a Luzia Pinta traz justamente essa saga, essa força dessas mulheres que a gente vai conduzir lindamente através do desfile da Em Cima da Hora”, declarou.

Dentre tantas histórias que Luzia reflete, Cahê destaca uma em especial, que parte de uma memória afetiva: Dona Janete, esposa de Chiquinho, dono da tradicional loja Babado da Folia e ex-diretor de carnaval da Mocidade. Dona Janete foi responsável por auxiliar e cuidar da mãe do carnavalesco em um momento espiritual delicado.

“Hoje minha mãe é convertida, segue a vida religiosa dela, mas naquele momento em que a gente precisou desse acolhimento, Dona Janete abriu as portas do terreiro dela, em Campo Grande, e recebeu minha mãe com muito carinho. Ali eu pude presenciar o amor que ela colocava dentro da prática dela. Aquilo fez toda a diferença para a minha vida, porque eu não tinha muito conhecimento sobre a religião e, a partir das práticas daquela mulher, tudo fez sentido para mim. Eu pude entender o amor que ela tinha em cuidar de pessoas. Quando eu leio sobre Luzia Pinta e quando a gente pesquisa sobre Luzia Pinta, eu lembro dessa mulher, porque era exatamente isso. Ela é uma dessas Luzias Pintas espalhadas pelo mundo”, relatou.

Cahê Rodrigues retorna ao carnaval carioca, somando sua experiência à de Rodrigo, que atua na escola desde 2024. O trabalho no barracão ainda não começou, mas, desde já, a dupla exalta a sintonia e a forma orgânica como a parceria tem sido construída.

“A gente se uniu para fazer um projeto. Não existe uma fantasia do Cahê ou uma alegoria do Rodrigo. É tudo junto. A gente rabisca junto, cria junto, tem ideias loucas juntos. Ele quer me matar porque eu ligo para ele de madrugada, ele me liga de manhã e a gente fica bolando: ‘o que você acha disso, daquilo?’. Não existe divisão. É uma coisa que flui. É realmente um rio fluindo em direção a isso”, explicou Rodrigo.

“A gente ganha esses presentes na vida, e Rodrigo, nesse meu retorno para o carnaval do Rio, em que eu precisava desse acolhimento, desse abraço, eu recebo esse presente de um cara com um coração gigante. Eu posso chamar de ‘menino’, porque eu sou mais velho do que ele, e digo que me emociona ouvir que eu fui inspiração para ele, isso é muito especial para mim. Eu estou muito feliz com a parceria, a gente, de verdade, tem uma troca muito saudável, a gente se fala quase todo dia, quase toda hora. A gente não está no barracão ainda, fica em casa trabalhando, faz chamada de vídeo, a gente se entope de mensagens e de referências o tempo todo. Parece que eu estou me reencontrando no carnaval, dentro desse processo criativo. Está sendo muito especial”, disse Cahê.

Além da chegada de Cahê, a escola também recebeu, para o Carnaval 2027, o intérprete Igor Vianna, que cantará junto ao parceiro Igor Pitta; o coreógrafo da comissão de frente, Patrick Carvalho; o diretor de carnaval, Wallace Capoeira; o diretor de harmonia, Marcelo Varanda; além da nova rainha de bateria, a cantora Lexa. O carnavalesco Rodrigo Ameida projeta um carnaval ainda maior do que o de 2026.

“Um grande carnaval. Já temos um grande enredo, temos certeza de que virá um grande samba e quem viu a Em Cima da Hora no passado pode aguardar coisa maior, pode aguardar uma escola disputando o título, querendo o Grupo Especial. É uma escola de tradição, uma escola que tem a sua bandeira, tem a sua história, podem aguardar uma grande Em Cima da Hora, um grande trabalho, não só dos carnavalescos, mas de toda a equipe que está na escola”, declarou.

Aprendizes do Salgueiro promove programação especial no Mês das Mães com foco em cuidado, autoestima e saúde feminina

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Foto: Divulgação/Aprendizes do Salgueiro

O mês de maio será marcado por acolhimento, troca de experiências e valorização da mulher na quadra dos Aprendizes do Salgueiro. Com uma programação especial dedicada ao Mês das Mães, a escola mirim promoverá uma série de encontros gratuitos voltados à autoestima, saúde e cuidado feminino.

As atividades começam no dia 11 de maio, às 18h, com o workshop “Trato e finalização de cabelo crespo”, ministrado por Andréia Desiderio. Durante a ação, também serão realizadas inscrições para o curso de corte de cabelo.

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A programação segue no dia 18 de maio com uma roda de conversa sobre climatério, trazendo informações e acolhimento sobre uma fase ainda pouco debatida entre as mulheres. Já no dia 25 de maio, o tema será “O cuidado de quem cuida”, promovendo reflexões sobre saúde mental, autocuidado e sobrecarga materna.

Encerrando o calendário especial, no dia 30 de maio, será realizado um coffee break com palestra sobre saúde e bem-estar, conduzida pelas doutoras Silvia Eurides e Gabrielle de Carvalho.

Para Mara Rosa, presidente dos Aprendizes do Salgueiro, a iniciativa reforça o compromisso social da agremiação com as mulheres da comunidade.

“Pensamos em uma programação que acolhe, informa e fortalece as mães e mulheres que fazem parte da nossa comunidade. O Aprendizes do Salgueiro é também um espaço de cuidado, escuta e transformação social. Queremos que cada participante se sinta valorizada e amparada”, destaca a presidente.

As atividades serão abertas ao público e acontecerão na Vila Olímpica do Salgueiro, localizada na Rua Silva Teles, 104, no Andaraí, reunindo profissionais e convidados para promover conhecimento, bem-estar e integração comunitária ao longo do Mês das Mães.

Rio Carnaval lança clipes oficiais dos sambas-enredos ao vivo das escolas de samba no carnaval de 2026

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A Rio Carnaval disponibiliza nesta sexta-feira os clipes oficiais ao vivo dos sambas-enredo das escolas de samba para o Carnaval 2026. Ao todo, serão lançados 12 vídeos inéditos no canal oficial da marca no YouTube, em uma programação especial ao longo do dia, com publicações de hora em hora. A primeira escola a ter o clipe divulgado é a Viradouro, campeã do Carnaval 2026.

Produzidos com tecnologia de ponta, os clipes chegam ao público com qualidade de imagem de até 4K, áudio com alta definição e legendas sincronizadas, permitindo que os fãs acompanhem as letras dos sambas de forma completa e imersiva.

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Todo o conteúdo ficará disponível no canal oficial da Rio Carnaval no YouTube, que já ultrapassa a marca de 150 mil inscritos e se consolida como uma das principais plataformas digitais de valorização e difusão da competição do carnaval carioca.

Para o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David, o projeto reforça o compromisso da entidade com a preservação da memória e a valorização do maior espetáculo da Terra.

“Os sambas-enredo fazem parte da história afetiva e cultural carioca. Produzir esses clipes com a melhor qualidade possível é uma forma de registrar esse patrimônio para os apaixonados pelo carnaval no Brasil e no mundo, além de aproximar ainda mais o público das escolas de samba e de toda a emoção que envolve cada desfile”, afirma.

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Alex Carvalho e Caio Cidrini trazem narrativa ancestral da MPB para a Porto da Pedra em 2027

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Foto: Divulgação/Porto da Pedra

A escola de São Gonçalo levará para a Sapucaí o enredo “Porto Calunga”, de Alex Carvalho e Caio Cidrini, com pesquisa de Thainá Santos e Beatriz Chaves. O tema trata da expedição popularmente conhecida como ‘Projeto Kalunga’, em que uma série de artistas da MPB foi convidada para se apresentar em Angola durante 12 dias, passando por Luanda, Benguela e Lobito, em meio à Guerra Civil Angolana.

Cerca de sessenta artistas brasileiros, Dorival Caymmi, Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Martinho da Vila, Clara Nunes, Elba Ramalho, além de compositores, percussionistas, pessoas do teatro e da fotografia, participaram da expedição, que os carnavalescos consideram um ‘movimento artístico’, e retornaram de Angola com suas vidas e visões artísticas impactadas pela experiência.

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Os frutos dessa expedição foram grandes sucessos que os artistas trouxeram na bagagem, como a canção “Morena de Angola”, composta por Chico Buarque. Martinho da Vila gravou “Velha Chica”, do compositor angolano Waldemar Bastos. O álbum “Seduzir” (1981), de Djavan, também nasce sob influência dos momentos em Angola, além dos clássicos “Nvula Ieza Kia/Humbiumbi” e “Luanda”. E o carnavalesco Caio revela que os relatos do projeto são o ponto mais tocante da pesquisa do enredo, o que expõe o sentimento genuíno de artistas que encararam as memórias de seus antepassados e tiveram a oportunidade de retornar ao território ancestral levando arte.

“O que eu acho mais encantador, potente e forte são os depoimentos desses artistas que foram lá. Existem vários trechinhos em alguns documentários. Tem um documentário da Clara Nunes em que ela fala um pouco sobre Angola. A Alcione não foi em 1980, mas ela vai em 1981 e 1982 para lá também. Há trechinhos em que aparecem Dona Ivone Lara, Dorival Caymmi e Djavan. Tem trecho dele em programa da TV Cultura falando sobre isso e sobre como eles falam de forma genuína, apaixonada e transformada. Dorival vai para uma ilha em Luanda e se emociona porque lembra a Bahia dele. Djavan diz que só se encontra pleno artisticamente, com a identidade musical dele, quando pisa lá. E ele volta, compõe ‘Humbiumbi’, que é um pássaro angolano, e dá esse nome à música. Martinho vira praticamente o embaixador, ele ama Angola, faz kizomba, escreve tantos livros sobre Angola… Dona Ivone fala que, quando vê o mar da África, se arrepia e tenta não chorar”, contou.

Em busca de uma recolocação no Grupo Especial, a direção da escola já desejava um enredo afro. E Caio conta que o desejo coincidiu com a ideia que nasceu ao frequentar uma aula do mestrado na UERJ, sendo logo aceita pela agremiação.

“Teve uma aula na exposição do Museu de Arte do Rio que tinha um framezinho de 30 segundos de um documentário alemão sobre o Projeto Calunga. E, quando a gente viu isso, até fomos depois juntos, eu, Alex e as enredistas, para ver, falamos: ‘Pô, esse negócio dá um carnaval, né?’. E começamos a trocar ideias, e o Alex disse: ‘Cara, estou calunguizado’”, compartilhou.

A Porto da Pedra conta com um time de peso para trazer “Porto Calunga” à vida. Além de Alex e Caio, Thainá Santos e Bia Chaves integram a equipe como enredistas. Thainá Santos, escritora e ativista negra, já era amiga de Alex, que fez ilustrações para seus livros. Beatriz Chaves é uma enredista premiada, com Estandarte de Ouro de 2024 por “Um Defeito de Cor”, na Portela.

“É a primeira vez que a gente trabalha com enredistas. Acho que, por várias questões, por rede de relacionamento e, às vezes, por recurso financeiro também. Mas a gente chegou à Porto da Pedra nesse momento, numa escola que a gente sabe que já tinha uma estrutura de enredista também. O Mauro Quintaes tinha, o próprio Diego Araújo. É uma escola que está acostumada a ter enredista. A gente agora está trabalhando em outras equipes de criação. Trabalhamos com o Lucas no Especial e com Alexandre Louzada na UPM; com o Antônio, no passado, na Grande Rio; agora com o Edson, lá na Maricá. Na UPM era o Clark e o Vitor; o Jader Moraes na Grande Rio; agora o Mauro Cordeiro na Maricá. A gente vai entendendo o papel. É importante você ter um pesquisador, ter outros olhares sobre o mesmo tema”, contou Caio.

Ainda em estágios iniciais de pesquisa do enredo, o casamento vem dando certo, com o trabalho em equipe e colaborativo sendo um dos pontos fortes da dupla.

“Ninguém faz nada sozinho, a gente aprende isso. O carnaval não se constrói sozinho, nada na vida, na verdade. E a gente tem essa filosofia mesmo de somar com pessoas que querem estar ali somando, como a gente tem essa vontade. Está sendo uma troca, uma experiência maravilhosa estar com elas nessa nova casa, que é a Porto da Pedra”, refletiu Alex.

A dupla de carnavalescos começou a parceria na escola mirim Pimpolhos da Grande Rio, como voluntários. Atuaram na Chatuba de Mesquita, escola do último grupo do Carnaval carioca, onde montaram um carnaval sem recursos. Passaram pela Série Prata, onde conheceram Lucas Milato e se tornaram assistentes dele. Assim, também colaboraram com Alexandre Louzada ao chegarem à Série Ouro. Assinam a primeira escola na Sapucaí na Vigário Geral, coincidindo com a assistência criativa a outras escolas do Grupo Especial. A Porto da Pedra vem para dar o peso e a importância de representar uma cidade inteira na Sapucaí.

“Representar uma cidade é um peso grande. A gente sabe da história da Porto da Pedra. É uma escola que passou muito tempo no Especial, uma escola de comunidade, que representa uma cidade. A nossa intenção é levá-la de volta para o lugar em que sempre esteve e merece estar, que é o Grupo Especial. E o convite foi tranquilo. A gente já tinha saído da Vigário, estávamos abertos a propostas. Quando o Fábio Montebello ligou para a gente e perguntou se tínhamos interesse, claro que tínhamos. Sentamos para conversar e tudo foi muito natural. Acho que a gente está no lugar certo, na hora certa, com as parcerias certas, para fazer o melhor carnaval possível”, disse Caio.