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Viradouro pisa na Amaral Peixoto com ‘cara e pressão’ de Avenida e deixa claro que está focada no título

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Por Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti

No último domingo, a Unidos do Viradouro pisou na Avenida Amaral Peixoto para mais um ensaio de rua, em Niterói, visando ao desfile oficial. Faltando pouco menos de um mês para a apresentação na Marquês de Sapucaí, a escola realiza os ajustes finais, lapida os quesitos e fortalece o que já tem de alto nível. O último ensaio mostrou uma agremiação com apetite de avenida, pisando como um furacão na pista para um treino que teve clima de jogo oficial, tamanha a energia exibida pelos componentes numa largada de rasgar o chão. A vontade foi tamanha que, em determinado momento, a vermelho e branco acelerou o passo, assentando o ritmo com o passar do ensaio, mas sem perder a forte pegada. Além do ensaio quente, o grande destaque foi a apresentação do casal Julinho e Rute, sempre unindo entrosamento impecável, técnica e energia. A Viradouro buscará seu quarto título do Grupo Especial com uma homenagem dentro do seu quintal, falando de mestre Ciça, com o enredo “Pra cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. A agremiação será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval.

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Fotos: Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho e Rute são a exemplificação máxima da definição de casal que se comunica com o olhar. Dançando juntos desde 2008, eles já conhecem todas as características, forma de dançar e gestual, e encaixam tudo isso numa apresentação com uma sintonia fina impressionante. A dança leva uma pitada de elementos coreográficos inspirados na letra do samba, mas o grosso da série é mais tradicional. O início da apresentação já contou com rodopios com alto nível de execução por parte de Julinho, entre eles um giro com apenas o pé esquerdo no chão, enquanto Rute realizava seus giros em progressão com a precisão característica.

Aliás, impressionou a quantidade de giros executados por Rute na primeira parte da série, todos com muita elegância, controle do corpo e bandeira firme. Na segunda passada do samba, o casal executou uma dança com elementos de balé, seguida de uma sequência de giros terminada em sentidos diferentes e elementos de dança de terreiros, como o xirê, no trecho “reza perfeita pra me completar, feiticeiro das evocações, atabaque mandou me chamar, pra macumba jogar poeira”.

Depois, uma sequência de giros soltos em torno do próprio eixo levantou o público com a energia com que os gestos foram executados. A condução de Julinho na parte final do samba foi extremamente elegante, antecedendo a finalização da série com mais giros em progressão no refrão de cabeça, todos executados com imensa precisão. Uma apresentação limpa, com coreografias pertinentes e postura corporal perfeita.

HARMONIA E SAMBA

A arrancada da Viradouro em seu ensaio mostrou do que essa comunidade é capaz, um canto que simplesmente já entrou explodindo a Amaral Peixoto com tamanha intensidade. Foi uma largada de desfile oficial, com os componentes louvando um homenageado que faz parte da mesma família, o que acrescenta forte componente emocional ao canto da escola. A primeira ala é a ala das crianças, o que poderia representar um risco ao canto logo na abertura do desfile, mas a garotada deu um banho, entoando o samba inteiro e servindo de exemplo para as alas que vinham em sequência.

O canto seguiu muito forte na totalidade da escola, com praticamente nenhum componente destoando ou mostrando dificuldade para acompanhar o samba no gogó. Os momentos em que a bateria parava no trecho “sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você” proporcionaram um clímax no canto e na comunicação com o público que assistiu ao ensaio e veio junto com a agremiação, alcançando o êxtase no refrão de cabeça.

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Wander Pires e seus apoios do carro de som mostram total domínio do samba, explorando as boas variações melódicas que a obra possui. O trecho “reza perfeita pra me completar, feiticeiro das evocações…”, que possui um canto mais corrido, está muito mais fluido, sem atropelos. O refrão de cabeça é de uma comunicação que ultrapassa a pista de ensaio e alcança o público, potencializando uma obra que está na prateleira de cima do Grupo Especial em 2026.

EVOLUÇÃO

Como um furacão presente na letra do samba, a Viradouro evoluiu na pista nos primeiros minutos mastigando e saboreando o asfalto da Amaral Peixoto, com os componentes dando uma aula de preenchimento de pista e movimentação solta, escola brincando na avenida. Só que esse ritmo acelerado fez a vermelho e branco apressar o passo em demasia e imprimir uma correria por alguns minutos, com alas passando muito rapidamente. Com a aproximação da bateria no segundo recuo, o ritmo da escola assentou e a evolução foi mais constante, seguindo com muita energia e leveza por parte dos componentes. A lateralidade e o uso de todo o corpo foram um grande mérito dos desfilantes, dando volume e fazendo a passagem da escola ser pulsante o tempo todo. Como de costume, os minutos finais do ensaio da Viradouro foram de comemoração e reverência ao mestre Ciça.

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O diretor executivo da agremiação, Marcelinho Calil, falou sobre a temporada de ensaios. “O balanço é o melhor possível, a escola já tem na Amaral Peixoto a sua casa, o processo tem cada etapa a ser cumprida, seu período de amadurecimento. A gente chega em janeiro praticamente pronto, na minha concepção, com o nível de exigência que a gente está acostumado. Tecnicamente, a escola está em um altíssimo nível, aproveitando um enredo e um samba que nos proporcionam um fator de emoção muito forte; a escola está vibrando e feliz por ser Viradouro e cantar uma homenagem em vida a um dos maiores mestres de bateria da história do carnaval. O ensaio hoje foi espetacular, estamos vindo muito redondos nos últimos ensaios, o que se tem a ajustar é em um campo mínimo. Conseguimos trazer na Amaral Peixoto um número de componentes muito parecido com o da Sapucaí, e essa avenida tem uma configuração muito parecida com a Marquês de Sapucaí, de forma que a escola consegue desenvolver quase na sua plenitude o que acontece no desfile. Fazendo um grande ensaio aqui, como tem feito e como foi hoje, a Viradouro consegue ficar pronta para fazer o carnaval do nível que a gente está acostumado e buscar mais um título”, declarou.

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OUTROS DESTAQUES

Ciça é o centro das atenções. O homenageado se mantém compenetrado durante todo o ensaio, mas, no final, o Caveira é só sorrisos. A bateria da Viradouro se mostra encaminhada para o desfile oficial sob a batuta do mestre e do enredo.

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A escola veio com um grande time de passistas, uma ala com alguns passos ensaiados e outra ala com samba solto, ambas cantando muito o samba da agremiação de Niterói.
A comissão de frente, comandada por Rodrigo Negri e Priscilla Mota, não esteve presente no ensaio, deixando a cabeça da escola para o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Esquadrão de Caxias! Casal em alto nível e samba em crescimento marcam ensaio consistente da Grande Rio

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Por Marcos Marinho e Júnior Azevedo

A Acadêmicos do Grande Rio realizou, na noite do último domingo, mais um ensaio de rua em Duque de Caxias, confirmando um estágio avançado de maturidade em segmentos centrais do desfile. Com casal de mestre-sala e porta-bandeira em apresentação vigorosa e precisa, samba cada vez mais assimilado pela comunidade, bateria segura e consciente e uma evolução marcada pela beleza das alas coreografadas, a escola apresentou um treino que reforça confiança e leitura coletiva da obra. Na reta final de preparação para o carnaval, a Tricolor de Caxias demonstrou entendimento crescente do enredo “A Nação do Mangue”, assinado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, projetando um desfile consistente para a Sapucaí, onde será a terceira escola a se apresentar na terça-feira de carnaval.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

É sempre impactante ver Daniel Werneck e Taciana Couto em cena. Há, desde a entrada, uma sensação de vigor e inteira disponibilidade corporal que sustenta a apresentação do casal. O que se destaca é o dinamismo da dança, construído a partir de uma combinação muito bem resolvida entre coreografia e fundamentos tradicionais do bailado de mestre-sala e porta-bandeira.

Os giros surgem com rapidez e precisão, e Taciana se afirma como uma porta-bandeira extremamente ágil, com finalizações limpas, bem desenhadas e “chegadas” no tempo exato do movimento. Há um rigor técnico evidente, mas nunca rígido: o vigor físico se traduz em fluidez, e não em tensão.

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Fotos: Marcos Marinho e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

No trecho inicial, marcado por uma dança mais tradicional do casal, chama atenção a forma como Daniel conduz o cortejo, abrindo espaço com rapidez e clareza para que Taciana desenvolva seus giros com segurança e leveza. Esse momento estabelece uma base sólida, de leitura imediata, para o que vem depois.

Em outros pontos da apresentação, a coreografia incorpora movimentos que dialogam com a simbologia da orixá Nanã, integrando referências da dança ritual ao vocabulário do mestre-sala e porta-bandeira. Essa fusão é feita com inteligência e respeito à tradição, sem descaracterizar o bailado, mas ampliando seu repertório expressivo.

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O resultado é uma apresentação dinâmica, coesa e visualmente muito bonita, que equilibra técnica, vigor e comunicação simbólica, reafirmando a maturidade e a força cênica do casal.

SAMBA E HARMONIA

Evandro Malandro se afirma como um intérprete de inteligência cênica rara. Querido pela comunidade e plenamente conectado ao público, ele conduz o samba com uma performance cativante, que não se limita à execução vocal, mas atua diretamente na mobilização da escola. Seu canto convida, chama para perto, envolve componentes e espectadores, criando uma atmosfera de participação coletiva.

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Ao lado da equipe de som e da bateria comandada pelo mestre Fafá, Evandro é peça central para a manutenção do rendimento do samba da Grande Rio. Há um cuidado evidente com a sustentação da obra ao longo do percurso, ainda que se trate de um samba que exige mais constância do que explosão.

Do ponto de vista da harmonia, é possível perceber uma evolução clara na resposta da comunidade à medida que a temporada avança. A escola canta mais e canta mais forte, especialmente no trecho “Freire ensina um país analfabeto que não aprendeu o manifesto da consciência social”, entoado com vigor pelos componentes e acompanhado, inclusive, pelo público presente na Avenida 25 de Agosto. Trata-se de um momento em que o samba encontra ressonância direta na voz da escola.

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O trecho “Ponta de lança e daruê / Dobra o gonguê, a revolução já começou”, do refrão principal, também apresenta sinais evidentes de maior assimilação. Se em ensaios anteriores ainda surgia de forma mais tímida, agora já se percebe uma confiança maior do componente em cantar o trecho de cabeça, com entrega e segurança. É um indicativo de amadurecimento da obra dentro da comunidade.

Ainda assim, o samba da Grande Rio apresenta uma característica particular que impacta diretamente sua condução: não se trata de um samba explosivo. Sua lógica não é a da crescente rumo a um clímax, mas a da permanência. Assim como o próprio mangue que inspira o enredo, um território de avanço difícil, de ritmo próprio, em que o caminhar exige adaptação, o samba pede constância, atenção e sustentação contínua.

Esse desenho impõe um grau de dificuldade elevado. Manter a intensidade sem um ponto explícito de explosão é um desafio, e a comunidade, em grande medida, consegue cumprir essa exigência. Ao longo do ensaio, no entanto, nota-se uma leve oscilação: o rendimento perde um pouco de força conforme a escola avança, recupera-se parcialmente mais adiante e volta a se afirmar nos momentos finais.

EVOLUÇÃO

A evolução da Grande Rio se apresenta, de modo geral, marcada pela constância. No primeiro setor, tudo transcorre de forma bem coordenada, com avanço tranquilo, ordenado e sem sobressaltos. A escola se desloca com segurança, mantendo fluxo e leitura clara do conjunto.

À medida que o olhar se desloca da bateria para trás, a dinâmica da evolução passa a exigir uma leitura mais atenta. Não se trata exatamente de um quadro problemático, mas de um processo que se torna mais denso, mais exigente em termos de organização e fluidez. Ainda assim, o canto se sustenta e a escola segue avançando, mantendo a estrutura do desfile em movimento.

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Um ponto alto da evolução está na liberdade progressiva dos componentes, que aos poucos soltam mais o corpo e ocupam a pista com maior espontaneidade. Nesse contexto, as alas coreografadas da Grande Rio merecem destaque: são alas visualmente bonitas, que introduzem dinamismo e enriquecem a leitura da evolução, funcionando como respiros ao longo do percurso.

A região da bateria, no entanto, concentra um dos principais desafios do ensaio. A presença da rainha de bateria, Virgina Fonseca, acompanhada por um número elevado de seguranças, interfere diretamente na fluidez da evolução durante o treino de rua, criando zonas de contenção e impactando o deslocamento natural da escola. Trata-se de um fator circunstancial, mas que, ainda assim, produz efeitos visíveis no rendimento do conjunto.

Mesmo assim, percebe-se que o componente vem se soltando gradualmente. Há margem clara para que a Grande Rio permita ainda mais liberdade ao corpo coletivo, favorecendo uma evolução mais solta, mais viva e mais confiante. É nesse espaço de liberação que a escola pode encontrar um ganho decisivo para transformar o ensaio em um desfile plenamente competitivo na Sapucaí.

OUTROS DESTAQUES

Entre os pontos altos do ensaio, merece registro especial a bateria comandada pelo mestre Fafá. Com execução precisa e condução segura, a bateria apresentou um rendimento correto do início ao fim, sustentando o samba com clareza rítmica e regularidade, qualidades fundamentais para uma obra que exige constância mais do que explosão. A solidez da bateria funciona como eixo de sustentação para o canto da escola e para a leitura geral do desfile.

No fim do ensaio, mestre Fafá avaliou o treino de forma positiva, destacando a forte resposta da comunidade nesta reta final de preparação. Segundo ele, mais do que a música, “a Nação do Mangue já está na rua”, percepção reforçada pelo ensaio cheio, pelo canto consistente da escola e por uma bateria que ele definiu como madura e consciente do próprio papel. “A gente trabalhou, trabalha e está trabalhando muito para recuperar os pontos perdidos, sempre com humildade, sabedoria e respeitando o manual do julgador. A expectativa é fazer, na semana que vem, o último ensaio de rua de forma positiva, como uma celebração, e chegar aos ensaios técnicos com maturidade para voltar a disputar a nota 10 e brigar lá em cima com a pontuação máxima”, afirmou o mestre.

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O ensaio também contou com a presença da rainha de bateria Virginia Fonseca, que acompanhou de perto o trabalho do segmento, atraindo atenção do público e reforçando a visibilidade do momento. Gabriel David, presidente da Liesa, também esteve presente no ensaio da Grande Rio. Ele acompanhou a atividade ao lado do intérprete Evandro Malandro e gravou seu quadro de entrevistas.

OPINIÃO DO DIRETOR

Após o ensaio, o diretor de carnaval, Thiago Monteiro, avaliou de forma muito positiva o rendimento da escola nesta reta final de preparação. Segundo ele, o momento confirma um processo de amadurecimento gradual e consistente da Grande Rio.

“Cada dia que vai chegando mais perto do Carnaval, a escola vai ficando mais pronta, mais preparada para aquilo que ela vai enfrentar no dia 17 de fevereiro. Hoje eu estou muito feliz. A escola respondeu muito bem: as alas, a bateria, o carro de som, enfim, a organização como um todo”, afirmou, destacando a resposta da comunidade como um dos pontos centrais do ensaio.

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Ao comentar especificamente o rendimento do samba, Thiago reforçou a leitura estratégica adotada pela escola ao longo da temporada. Para ele, o crescimento da obra faz parte de um planejamento consciente. “O nosso samba vai esquentando, vai crescendo a cada etapa da preparação. Quando chega na avenida, ele estoura. E esse é o momento certo de estourar. Não adianta queimar a largada”, explicou. Demonstrando confiança no processo, o dirigente projetou um desfile de forte impacto: “A escola está consciente de onde quer chegar. No dia 17, vocês vão ver uma Sapucaí dominada pelo mangue”.

Apesar da avaliação positiva, o diretor fez questão de adotar um discurso exigente em relação aos ajustes finais. “Nós não estamos prontos ainda em nada. Agora é a sintonia fina”, disse, citando todos os setores da escola. Para Thiago, o bom desempenho não basta quando se pensa em título. “Não adianta passar bem. O bom não ganha. O que ganha é o ótimo. O que ganha é o ‘uau’. O que ganha é a surpresa”, concluiu.

Niterói explora clamor popular do enredo e realiza ensaio de excelente canto

Por Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti

A Acadêmicos de Niterói realizou, no último domingo, mais um ensaio de rua na Avenida Amaral Peixoto, seguindo a preparação para o desfile oficial que será realizado daqui a um mês. Estreando no Grupo Especial, a escola tem a complicada missão de tentar permanecer na elite do carnaval e, para alcançar tal feito, tem se preparado com bastante afinco, apresentando uma melhora constante semana após semana.

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Desempenho apoiado em seu samba, que segue tendo muito rendimento e potencializando o canto da azul e branco, que entoou a obra com força nas alturas durante todo o treino. Um samba de apelo popular e assimilação fácil, comprovando suas credenciais dentro dos ensaios da agremiação e esquentando os componentes para uma dura disputa. No geral, o ensaio foi redondo, apesar de algumas ausências, como a do intérprete Emerson Dias e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Emanuel e Thainara. A Niterói abrirá o desfile do Grupo Especial no domingo de carnaval, homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins.

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Fotos: Luiz Gustavo e Gabriel Radicetti/CARNAVALSCO

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, comandada por Handerson Big e Marlon Cruz, apresentou uma coreografia marcada pelo dinamismo e passos rápidos, com muito uso dos braços e poucas trocas de posições entre os bailarinos. Na segunda parte do samba, os componentes ampliaram o uso do espaço para a apresentação e realizaram uma coreografia com uma característica mais aguerrida, com gestos de punho erguido e pedidos de palmas. Vale destacar o canto forte durante a apresentação no ponto de simulação de cabine de jurados. Uma coreografia de passagem desempenhada com qualidade.

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EVOLUÇÃO

Niterói é mais uma escola que tem trabalhado a questão de uma evolução mais solta, mais livre, com movimentos por toda a pista, uso da lateralidade e trocas de posições entre os componentes, atendendo à exigência da espontaneidade, que foi oficializada como subquesito de evolução no julgamento do Grupo Especial em 2026. Algumas alas ainda passaram mais fechadas em sua evolução padrão, com linhas fixas, mas é clara a tentativa de diversas alas de soltar mais o componente, e isso foi alcançado com êxito em parte da escola. Enredo e samba populares facilitam uma evolução mais empolgada, e a azul e branco está conseguindo explorar essas valências. Um belo ensaio da agremiação no quesito, além de ter mantido um ritmo constante em sua passagem na pista, sem abertura de espaços ou aceleração em demasia.

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HARMONIA E SAMBA

O canto foi o grande destaque do ensaio da Acadêmicos de Niterói. Certamente, parte significativa das pessoas que irão desfilar na escola tem identificação e predileção pelo homenageado do enredo, o que ajuda a proporcionar um canto mais visceral e emocional. A harmonia já iniciou com um ponto de partida alto por conta do samba, e a crescente é visível: foram pouquíssimas alas em que o canto apresentou inconsistência.

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Na maior parte das alas, o que se ouviu foi um canto vigoroso em todos os pontos do samba, sobretudo nos momentos em que há uma subida de tom, como no trecho “A prazo, à vista é, tem filho de pobre virando doutor, comida na mesa do trabalhador”, em que o canto ecoa ainda mais forte. O refrão principal, inspirado em um jingle de campanha de Lula, é a identificação absoluta do enredo e crava o ápice de desempenho no quesito, com todos em uma só voz.

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Sem Emerson Dias, Diego Nicolau comandou o samba no microfone principal e manteve o rendimento do samba, principalmente na primeira metade do ensaio. Na parte final, o desempenho foi mais morno, sem a interpretação animada e aguerrida de Emerson, mas o carro de som segurou com correção. O refrão principal suscita discussões sobre a inspiração em um jingle de campanha, mas é inegável a força que o trecho possui. A primeira parte, mais poética, tem se mostrado bastante funcional e passada com força. O trecho “por ironia, treze noites, treze dias, me guiou Santa Luzia, São José alumiou” possui uma melodia muito agradável e dá uma quebra interessante na meiúca do samba.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria, comandada por Branco Ribeiro, passou com um desempenho redondo e contribuiu para o bom rendimento do samba no ensaio. Branco falou sobre o trabalho faltando um mês para o desfile oficial.

“Vem sendo uma temporada de ensaios muito boa. Conseguimos aproveitar bastante o tempo que tivemos para poder construir nossa identidade e, ao mesmo tempo, fazer as construções em cima do samba. Nosso maior acerto foi definir isso tudo cedo, o que nos deu tempo de amadurecer todas as ideias e entender o que a gente poderia levar ou não. Agora estamos trabalhando em cima de detalhes, correções e direcionamentos dentro dos segmentos individuais. Construímos o nosso conjunto de bossas pensando na facilidade da execução. Como sabemos que muito dificilmente iremos conseguir ganhar tempo e criar um entrosamento de 20 anos como muitas baterias têm no grupo, cientes do nosso material humano, mesmo sendo uma galera muito boa, optamos por jogar dentro do que o samba pede, dentro da sua linha melódica, para não correr nenhum tipo de risco, tendo em função o nosso objetivo principal, que é a permanência da escola. Por uma questão de segurança, regulamento e para favorecer a escola, optamos por jogar dentro de um nível técnico de conforto”, afirmou.

A ala de passistas mostrou bastante samba no pé e sorriso no rosto, sendo um destaque da noite. A rainha de bateria, Vanessa Rangeli, se fez presente e se mostrou à vontade no posto, com algumas coreografias durante as bossas da bateria.

O primeiro casal, Emanuel e Thainara, não esteve presente no ensaio, tendo o posto na cabeça da escola ocupado pelo segundo casal, Weslley Cherry e Mariana Azevedo.

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Equilibrada, Estrela do Terceiro Milênio faz ensaio técnico maduro e forte no Anhembi

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Por Will Ferreira, Ana Carla Dias e Letícia Sansão

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A Estrela do Terceiro Milênio pisou pela primeira vez no Anhembi, em virtude do ciclo do Carnaval 2026, no último domingo. Quinta escola a desfilar no sábado de Carnaval, em noite de Grupo Especial na folia paulistana, a agremiação defende o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”, assinado pelo carnavalesco Murilo Lobo. Encerrando a passagem com 59 minutos no Sambódromo, a Coruja mostrou força no conjunto de quesitos. Sempre presente em todos os grandes eventos que envolvem escolas de samba, o CARNAVALESCO conta como foi o primeiro ensaio técnico da Estrela do Terceiro Milênio no Anhembi, no ciclo do Carnaval 2026.

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COMISSÃO DE FRENTE

Bicampeã do Estrela do Carnaval (prêmio organizado e concedido pelo CARNAVALESCO) nos anos de 2023 e 2025, a comissão de frente da Estrela do Terceiro Milênio, coreografada desde 2023 por Régis Santos, novamente chamou atenção. Para representar a vida de Paulo César Pinheiro, diversos personagens foram vistos: crianças, adultos, roupas coloridas e indumentárias com cromia mais fechada.

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Os grandes momentos, entretanto, aconteciam quando dinâmicas mais extremas surgiam. Em dado momento, por exemplo, apareciam dois capoeiristas que saíam do grande elemento alegórico, atividade muito presente no cancioneiro do homenageado. Em outro instante, uma porta-bandeira era notada, além de sambista, Paulo César Pinheiro também compôs sambas-enredo.

O segmento, mais uma vez, deixou todos curiosos para saber o que será apresentado no desfile, e, graças às premiações obtidas pela escola no quesito, identificar se a qualidade do trabalho novamente será de excelência também estará em pauta.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Quem começa a acompanhar o carnaval neste momento duvida que Arthur Santos e Waleska Gomes dancem juntos “apenas” desde 2024. Em mais uma ótima apresentação, o que mais chamou atenção foi a extrema sincronia entre os movimentos do mestre-sala e da porta-bandeira, entendendo, com sinais quase imperceptíveis (e com memória, é claro), o próximo movimento a ser feito, bem como o estado de espírito do parceiro.

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A coreografia, por sinal, também merece destaque: se ambos não se furtaram a girar no Sambódromo, Arthur e Waleska também capricharam na escolha de movimentos que vão além da dança a ser julgada pelo jurado, algo bastante desafiador ao homenagear um dos grandes compositores da história do Brasil, identificado com uma série de gêneros distintos.

HARMONIA

Desde quando começou a se tornar habitué dos grupos que desfilam no Anhembi, a Estrela do Terceiro Milênio é dona não apenas de uma comunidade que canta alto, como também de pessoas que saem do Extremo Sul de São Paulo e chegam à Zona Norte bastante receptivas às outras coirmãs, querendo desfrutar e falar de Carnaval. No Sambódromo, no último domingo, a força do Grajaú, novamente, se fez presente: com canto em elevado volume, a Coruja não dormiu, mais do que isso, acordou e sacudiu quem estava nas arquibancadas.

Há, por sinal, um conjunto de alas que merece ser destacado: quem estava entre os espaços destinados ao terceiro e ao quarto carros alegóricos teve um canto ainda mais forte que o dos demais desfilantes. Se o quesito não é motivo de preocupação imediata (e há anos é assim), é interessante notar como tal discrepância no canto será trabalhada pela escola. Quando o patamar é de excelência, a régua também sobe, seja na avaliação da imprensa, seja internamente.

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“Cada ano traz um enredo diferente, mas este é especialmente marcante, porque, além de intérprete, também sou compositor, o que cria uma identificação ainda maior ao cantar uma obra em homenagem a Paulo César Pinheiro, um dos poetas mais incríveis da nossa música. A expectativa está centrada na responsabilidade de contar a história de um grande artista. O samba dialoga diretamente com a identidade da nossa escola, que é de comunidade, de pé no chão, de povo bravo, e também com a força cultural da Zona Sul, marcada por movimentos como o Pagode da 27. Trazer um poeta de grandes sambas e obras para uma comunidade que tem tudo a ver com isso nos deixa muito felizes e reforça o quanto esse enredo combina com o Grajaú”, comentou o intérprete Darlan Alves.

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EVOLUÇÃO

O forte canto da escola também ajuda no quesito em questão. Como o staff da escola simplesmente não precisa pedir para que os componentes cantem, cada um deles, naturalmente, fica mais atento à organização do espaço entre si. Por sinal, é importante pontuar que, em relação às outras coirmãs, os harmonias da Estrela do Terceiro Milênio, ao menos no último domingo, estavam bastante leves.

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Com diversas pessoas observando cada passo dos desfilantes, como é possível imaginar, não foram identificados itens passíveis de despontuações no quesito neste ensaio técnico.

SAMBA

Desde quando o samba-enredo da Estrela do Terceiro Milênio para 2026 foi escolhido, a obra é bastante elogiada não apenas pela comunidade ou por torcedores da Coruja: a canção ganhou os ouvidos de quem acompanha o carnaval paulistano, não importa onde esteja.

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Tal canção, é óbvio, é música para os ouvidos de quem quer que seja. Some-se a isso a força do canto da Milênio e tem-se mais um quesito no qual nada pode ser despontuado. Vale destacar, também, a ótima noite de Grazzi Brasil e Darlan Alves, mais focados em executar o samba do que em tentar empolgar a comunidade, por mais que isso não seja necessário no Grajaú. Falando em sustentação, a “Pegada da Coruja”, bateria comandada pelo mestre Vitor Velloso, mais do que estar em ótima sintonia com a dupla de intérpretes, inovou: um naipe de berimbau foi criado dentro da bateria exclusivamente para o desfile.

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“Foi um ensaio de energia maravilhosa, especialmente na ala musical, com a bateria e as alas passando e cantando muito. O Grajaú mostrou mais uma vez ser um chão bonito, onde todo mundo canta junto, com garra e alegria, refletindo a força de uma escola que vem de longe, do fundão, mas cresce unida. A homenagem aos compositores traduz o que embala a vida e o Carnaval, e o nosso samba, dolente e cheio de garra, vem sendo cada vez mais assimilado. A expectativa está muito alta, porque a Milênio vem fazendo um trabalho bonito, crescendo a cada ano. Este já é meu quinto carnaval na escola, e sinto que ela evolui a cada temporada; apesar de jovem, segue em plena ascensão, o que me deixa ansiosa e confiante de que será um desfile muito lindo”, disse a intérprete Grazzi Brasil.

OUTROS DESTAQUES

A noite foi ainda mais especial para a comunidade e para a nova rainha da “Pegada da Coruja”, justamente por ser a primeira vez em que ela chegou ao Anhembi. Sávia David fez questão de interagir com o público e convidar a todos para exaltar os ritmistas. Ao lado dela, na corte da bateria, as princesas Geovanna Pyetra e Marcella Cavalcanti completaram o time com graciosidade e simpatia.

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“Mesmo com as dificuldades logísticas de uma escola distante como o Grajaú, estamos realizando um trabalho intenso e coletivo, com ensaios frequentes e muito empenho de todos os setores. O primeiro ensaio geral foi bastante positivo, ainda com ajustes a fazer, mas dentro de um contexto muito forte. A bateria trabalha para entregar um grande resultado junto com a escola inteira, que ensaia muito e é constantemente cobrada pela direção. A expectativa é clara: podem esperar uma Estrela do Terceiro Milênio muito dedicada, organizada e preparada para apresentar um excelente carnaval”, explicou o mestre Vitor Velloso.

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Dragões da Real canta forte, evolui solta e realiza ensaio técnico impactante

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Dragões da Real realizou na noite do último domingo seu primeiro ensaio técnico visando à preparação para o Carnaval 2026. O treino teve como destaques a parte musical e a evolução. Como sempre, o canto da comunidade esteve nas alturas. O carro de som, liderado por Renê Sobral, soube interpretar o samba indígena, e a bateria “Ritmo que Incendeia” conseguiu dar sustentação ao samba. Destaque também para a evolução solta que os componentes da Dragões da Real executam todos os anos. Um detalhe interessante foi a presença da torcida da escola, localizada no Setor B (Monumental), que levou várias bandeiras com mastros contendo a logomarca do enredo. Com as cores, criou-se um efeito visual interessante em meio ao público.

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O fato é que a Dragões da Real realizou um ensaio técnico de almanaque, em nível de elite, brigando pelas maiores posições. A escola é uma potência há muito tempo e se mostra cada vez mais determinada a levantar o caneco. A agremiação da Vila Anastácio será a terceira escola a desfilar na sexta-feira, com o enredo “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”, assinado pelo carnavalesco Jorge Freitas. A Dragões da Real faz seu segundo ensaio técnico no dia 1º de fevereiro.

COMISSÃO DE FRENTE

Comandada pelo coreógrafo Ricardo Negreiros, a comissão de frente da Dragões da Real simbolizou muito bem a força da mulher indígena. Destacou-se pela objetividade, sem muitos detalhes, diferentemente do que foi apresentado em anos anteriores. A maioria do elenco é feminina, com quatro homens e uma criança. A coreografia consistiu em colocar as mulheres encenando sobre o elemento alegórico, enquanto outros acontecimentos se desenrolavam no chão. Havia claramente uma personagem principal, realizando movimentos característicos da cultura indígena, além de expressões faciais marcantes.

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A responsabilidade de apresentar a escola e saudar o público ficou com os integrantes que estavam no elemento alegórico. A proposta de Ricardo Negreiros neste ensaio foi mostrar, de forma objetiva, quem são as Guerreiras Icamiabas. A garra e a força das personagens na dança foram executadas com êxito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Rubens de Castro e Janny Moreno realizou um ensaio seguro. Eles dançaram com a fantasia do Carnaval 2025, o que ajudou a abrilhantar o ensaio e também a dar o tom da próxima fantasia. A proposta envolveu giros no sentido horário e anti-horário, e a vestimenta serve para o controle de peso, como o uso de adereços de cabeça e apresentações em frente às cabines nessas condições.

Vale ressaltar o empenho da dupla na coreografia dentro do samba, além do cumprimento dos movimentos obrigatórios previstos no regulamento. É perceptível a felicidade do casal com o samba-enredo. O sorriso e a entrega nas movimentações, com referências aos passos indígenas, evidenciam esse sentimento. Trata-se de um casal que não aposta em movimentos excessivamente intensos nos giros, mas que trabalha com propriedade dentro das regras que o carnaval exige.

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Ainda dentro da dança, é válido destacar que Rubens de Castro e Janny Moreno formam o casal mais experiente, em termos de idade, do carnaval paulistano. O mestre-sala demonstra um jogo de pernas elegante, com samba no pé e riscado refinado, priorizando a arte do quesito. Janny Moreno, com seu sorriso marcante, acompanha o parceiro à altura.
Janny afirmou que o objetivo é sempre a nota 10, mas reconhece que há espaço para evolução.

“A nossa expectativa sempre é nota 10, mas sempre dá para melhorar. Esse foi o nosso primeiro ensaio com toda a comunidade. O próximo, no dia 1º de fevereiro, será melhor ainda”, disse.

Rubens contou que os ensaios anteriores ocorreram sob chuva e que este foi o primeiro com a pista em boas condições. Seguindo a linha da companheira, afirmou que ainda há pontos a ajustar. “Fizemos cinco ensaios na chuva, então a novidade veio neste, no seco. Pneu de chuva no seco. Entregamos tudo e testamos tudo, mas sempre tem algo a mais que queremos ajustar. Somos assim, sempre buscando um pouquinho mais”, declarou.

HARMONIA

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Avaliar o canto da Dragões da Real chega a ser chover no molhado. A escola possui uma das melhores harmonias do carnaval de São Paulo. O canto é potente e envolve componentes de alas, crianças e até as baianas. Diferentemente de 2025, quando o samba era mais emotivo, a obra atual é forte e foi concebida para ser cantada com garra. A comunidade comprou a ideia e mantém o sorriso no rosto. É impressionante notar o prazer que os componentes têm em desfilar e participar da agremiação da Vila Anastácio.

O refrão de cabeça e a segunda parte se destacam por elevar o tom do samba-enredo, e foi perceptível o aumento do canto dos componentes nesses trechos. As palavras Juremê e Juremá ecoam com força por serem oxítonas, o que contribui para o aumento da intensidade sonora. A frase “Corre sangue pelas veias”, presente na segunda parte do refrão de cabeça, tem a palavra “veias” prolongada, gerando ainda mais impacto.

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Outro ponto positivo foi a constância do canto da comunidade. É natural haver queda de rendimento vocal ao longo da pista, mas isso ocorreu de forma mínima. Esse fator é importante, já que a última cabine, localizada próxima à dispersão, é responsável pelo julgamento da harmonia e do samba-enredo. Manter o ritmo do canto até o fim é essencial.

Há, porém, um ponto de atenção. Em algumas bossas executadas pelo mestre Klemen Gioz, algumas alas tiveram dificuldade para retornar à mesma sintonia do carro de som. Isso pode ter ocorrido pelo fato de o Anhembi ainda não estar com o sistema de som completo em funcionamento. É algo que merece observação.

“Eu que agradeço pela cobertura, mais uma vez. Estou muito feliz, porque temos ensaiado bastante, e muitas coisas que treinamos na quadra e na rua, quando chegam aqui, algumas funcionam e outras não, já que o ambiente é diferente. Hoje, graças a Deus, tudo o que testamos funcionou. Isso me deixa muito feliz. Testamos coisas novas na parte musical, ajustes que já vínhamos trabalhando, e, quando chegamos aqui, decidimos colocar em prática para ver se daria certo, e deu certo. Praticamente 99,9% da parte musical, junto com a bateria, foi testada e aprovada neste ensaio. Estou muito satisfeito. A comunidade cantou muito, houve uma boa reverberação, e acredito que estamos no caminho certo. Cantar um samba indígena é um desafio que eu gosto bastante, porque procuro incorporar o enredo. Quando ele traz uma história tão bonita, com lendas e espiritualidade, eu me entrego completamente, estou adorando esse samba. Sem dúvida, o som com toda a estrutura montada é diferente, traz mais potência e permite que a gente se escute melhor, mas, como as arquibancadas não estão cheias, isso também influencia. O som do carro de som funcionou bem, havia algumas caixas que davam retorno para a pista, e isso ajudou. Claro que, quando tudo estiver funcionando plenamente, será muito melhor, é outra realidade”, disse o intérprete Renê Sobral.

EVOLUÇÃO

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É empolgante acompanhar a evolução da Dragões da Real. A forma como os componentes se movimentam de um lado para o outro, brincando de carnaval, representa a essência da folia. Trata-se de uma movimentação organizada, sem bagunça, com cuidado para evitar buracos e escapes entre as alas. A liberdade dos desfilantes transmite alegria, e isso é incentivado pelos próprios integrantes da harmonia. Não houve qualquer ocorrência de falhas entre as fileiras, divisões de escola ou buracos. Todo o quesito foi apresentado de maneira correta.

Outro destaque é o uso das camisetas das alas. Todas exibem o nome de seus respectivos grupos e utilizam cores diferentes, criando um visual interessante e uma sensação de desfile, como se fossem fantasias coloridas.

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SAMBA-ENREDO

O samba caiu como uma luva na voz do intérprete Renê Sobral, mesmo sendo o primeiro samba indígena que ele interpreta na carreira. O cantor é acompanhado por uma equipe experiente e de extrema qualidade, com nomes como Jorginho Soares, Helber Medeiros e a voz feminina de Mayara Costa. Destaque também para o entrosamento da ala musical com a bateria “Ritmo que Incendeia”, liderada pelo mestre Klemen.

Renê Sobral afirmou estar extremamente satisfeito com o ensaio, especialmente pelo sucesso dos arranjos testados. “Estou muito feliz, porque temos ensaiado bastante. Muitas coisas que treinamos na quadra e na rua, quando chegam aqui, às vezes funcionam e outras não, pois o ambiente é diferente. Hoje, graças a Deus, tudo o que testamos funcionou. Isso me deixa muito satisfeito. Praticamente 99,9% da parte musical, junto com a bateria, foi testada e aprovada neste ensaio. A comunidade cantou muito, houve boa reverberação, e acredito que estamos no caminho certo”, declarou.

É a primeira vez que o cantor interpreta um samba indígena, e ele se diz fascinado pela história. “Gosto bastante, porque procuro incorporar o enredo. Quando ele traz uma história tão bonita, com lendas e espiritualidade, eu me entrego completamente. Estou amando esse samba”, afirmou.

O intérprete também comentou sobre o sistema de som do Anhembi e minimizou a ausência da estrutura completa. Segundo ele, quando tudo estiver montado, a experiência será ainda melhor. “O som com toda a estrutura é diferente, traz mais potência e permite que a gente se escute melhor. Como as arquibancadas ainda não estão cheias, isso também influencia. O carro de som funcionou bem, havia algumas caixas de retorno para a pista, o que ajudou bastante. Quando tudo estiver funcionando plenamente, será outra realidade”, completou.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria “Ritmo que Incendeia”, comandada pelo mestre Klemen, apresentou um andamento satisfatório para o samba, com bossas bem executadas. Klemen avaliou o ensaio como positivo. “Quando a bateria entrou no recuo, vimos que a escola estava cantando e evoluindo bem. Tudo o que nos propusemos a fazer foi realizado. Como toda escola costuma dizer, é apenas o primeiro ensaio. No segundo, vamos ajustar alguns detalhes, mas, no geral, foi exatamente o que queríamos”, explicou.

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O músico elogiou o enredo e destacou o empenho da escola na busca pelo título. “Senti que a bateria assimilou bem a técnica e abraçou esse enredo, que é muito bom, talvez o melhor. A escola vem trabalhando muito, na quadra, no barracão e no ateliê. Nós, da bateria, ensaiamos toda semana e vamos dar mais de 100% para alcançar nosso maior objetivo”, finalizou.

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A corte de bateria esteve completa, com a rainha Karine Grum, a princesa Yohana Obyara e a musa Lexa. Destaque para uma alegoria localizada no primeiro setor, que explodia serpentinas para o delírio do público.

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Força portelense! Sem carro de som, comunidade da Portela solta a voz no ensaio de rua

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Por Maria Estela Costa e Matheus Morais

Faltando menos de um mês para o Carnaval 2026, a Portela realizou, neste domingo, seu penúltimo ensaio de rua na Estrada do Portela, em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro. Alas posicionadas, bateria aquecendo e esquenta rolando, a agremiação se deparou com um obstáculo: o carro de som não andava. Porém, por decisão do presidente Junior Escafura, a comunidade faria o ensaio mesmo assim, cantando sem o auxílio do carro de som. Assim, com atenção e potência na voz, conseguiram ultrapassar o obstáculo com vigor. Em 2026, a escola irá apostar no enredo “O Mistério do Príncipe do Bará: A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues, que homenageará o Príncipe Custódio, personagem importante para a negritude do Rio Grande do Sul e para o movimento negro nacional.

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“A Portela está trabalhando muito nesse pré-carnaval. A escola está feliz, está alegre, está com muita vontade de vencer, de fazer um grande Carnaval”, afirma Júnior Escafura, presidente da agremiação.

COMISSÃO DE FRENTE

Iniciando o ensaio, a comissão de frente, coreografada por Claudia Mota e Edifranc Alves, chegou com roupas confortáveis: todos estavam com a camisa oficial do enredo de 2026 e calça branca. A coreografia, conectada com os versos do samba, representava a resistência do povo negro e das religiões afro-brasileiras. Isso foi bem expresso no momento em que o samba diz “Portela, tu és o próprio trono de Zumbi”, quando os dançarinos se unem com o olhar direcionado para frente e cantam esse trecho com firmeza na voz, indicando pertencimento ao ocupar esse espaço.

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Em diversos momentos, os dançarinos atuavam em uma incorporação, em referência às giras realizadas nas religiões candomblé e umbanda. Um momento claro é quando a canção diz “Alupo, meu senhor, Alupô! Vai ter xirê no toque do tambor”, que é uma saudação ao orixá Bará, o senhor dos caminhos e encruzilhadas, e os dançarinos fazem essa simulação de incorporação. Além disso, um passo comum na dança é a roda, em que uma parte do grupo fica no meio fazendo movimentos com as mãos, enquanto os demais rodam em volta.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Marlon Lamar e Squel Jorgea defendeu o pavilhão com muita potência. Cantaram e dançaram em sintonia, sempre com o pavilhão erguido. Há um bom diálogo entre eles, que resultou em maior naturalidade nos passos e interação com o público. Durante a apresentação, Marlon fez o movimento de orbitar Squel, enquanto a porta-bandeira girava com o pavilhão erguido.

Outro momento que chamou atenção é quando o samba chega ao verso “Portela, tu és o próprio trono de Zumbi”, e o casal segura as mãos e roda junto, com o outro braço aberto, demonstrando respeito pela agremiação. No look, eles optaram por roupas confortáveis e casuais: Marlon com roupa social branca, camisa do enredo de 2026 e sapato social azul; e Squel com a camisa do enredo de 2026, saia branca e bota marrom-claro.

HARMONIA

O desempenho do samba foi a estrela da noite. Este domingo foi diferente dos demais. A comunidade sempre precisa cantar, justamente por ser um dos quesitos, mas, dessa vez, foi além disso: a agremiação precisava da ajuda dos componentes para que o ensaio fosse realizado da melhor maneira possível, e assim foi feito. A comunidade mostrou que sabe o samba de ponta a ponta, além de provar seu amor pela agremiação.

Até a chegada da curva na Estrada do Portela, os desfilantes estavam em sintonia, cantando o samba sem embolar e com potência. Após a curva, já perto do final, os diretores de harmonia tiveram maior dificuldade para evitar que o canto embolasse, pois estava cada vez mais distante do carro de som e as primeiras alas estavam mais afastadas da bateria.

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Para resolver a situação, os diretores pediam para a ala parar de cantar e seguiam de acordo com o canto da ala seguinte. Esse atraso entre as alas foi um problema esperado, já que não é comum ensaiar sem o auxílio crucial da ala musical para acompanhar o canto, além da curva, que deixa as alas mais distantes umas das outras. No entanto, mesmo após o encerramento do ensaio, o público, que a todo momento se pôs à disposição de ajudar a escola, permaneceu cantando o samba-enredo.

“A gente teve uma perspectiva de chuva, a gente veio. A gente teve um calor extremo, a gente veio. E hoje a gente teve uma condição técnica além da nossa vontade: uma falha que não é comum, mas ocorreu, uma falha técnica no carro de som. Primeiramente, o presidente Júnior Escafura já falou, e a gente tem que endossar e reforçar nossas desculpas à comunidade da Portela pela falha técnica. Mas os nossos parabéns à comunidade da Portela por ter mantido o canto diante de todas as impossibilidades de um terreno que tem subida, que tem curva, em que a gente não teve a melhor perspectiva de canto por essa razão, mas em que a harmonia trabalhou sem cessar dentro das alas, mudando sua configuração física para que pudesse cantar junto do componente, e esse componente respondeu a esse estímulo. Ou seja, parabéns à comunidade da Portela. Hoje podemos dizer que a comunidade da Portela fez o ensaio. O alicerce foi a bateria do mestre Vitinho e o alicerce da nossa harmonia, mas o mérito é da nossa comunidade, a quem, de novo, agradecemos e pedimos desculpas. Porém, evoluímos por entender que caminhamos em mais uma adversidade. O regulamento diz: a falha do som é uma coisa que pode acontecer, e a escola terá que seguir”, diz Schall, diretor de carnaval.

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EVOLUÇÃO

Apesar das dificuldades enfrentadas, as alas vieram alegres e bem posicionadas, seguindo um enfileiramento que exigia atenção, pois, nos momentos em que a escola prosseguia, havia certa velocidade; ou seja, se alguém se distraísse, poderia acabar ficando para trás e atrapalhando as outras fileiras.

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Apesar desse cuidado, os desfilantes seguiam confortáveis, cantando, dançando e interagindo com os espectadores. Havia também alas coreografadas: a ala 1, com giros para os lados, palmas em sincronia com a música e mãos elevadas saudando o orixá Bará; e a ala 10, em que os desfilantes seguravam um cabo de vassoura como adereço, incorporado à dança, que era simples, mas com muita referência às danças típicas das religiões afro-brasileiras. Os passos principais contavam com as duas mãos no cabo de vassoura; assim, movimentavam as mãos e o corpo de um lado para o outro, depois seguravam o cabo somente com uma mão e erguiam a outra para o céu, em sincronia com a música.

SAMBA

O samba foi muito bem recebido pela comunidade. Apesar das dificuldades enfrentadas devido à ausência do carro de som, os desfilantes cantaram a letra sem erros. O refrão é fácil de pegar; a repetição de palavras facilita o entendimento. Um ponto alto do samba, que faz toda a comunidade cantar — não só os desfilantes, como também o público que assistia — é o verso “Portela, tu és o próprio trono de Zumbi”. Isso porque há uma leveza, quase como uma declaração de amor, no momento em que se fala o nome da agremiação. Não é à toa que o verso foi destacado na coreografia da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, pois traz o sentimento de pertencimento.

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“O rendimento do samba está além das nossas expectativas. O samba está indo muito bem, é um samba que conta muito bem a história do nosso enredo e, além disso, é um samba com frases fortes, que chama a comunidade para cantar, para vibrar, e o resultado a gente está vendo. O samba da Portela está sendo considerado, em todas as enquetes, como um dos melhores do carnaval. Isso deixa a gente muito feliz e com uma responsabilidade ainda maior de fazer um grande carnaval”, diz Junior Escafura.

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OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Bianca Monteiro, esteve presente com um look todo trabalhado em pedrinhas azuis brilhantes e, na altura do quadril, franjas em degradê em tons de azul. Ela mostrou sua conexão com os portelenses e, em diversos momentos, parou de sambar para cumprimentá-los. Também protagonizou um momento fofo ao sambar ao lado de uma criança, mostrando que o samba atravessa gerações.

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Outra figura que marcou presença, registrando sua confirmação no desfile da agremiação, foi a atriz Cacau Protásio, que há dois dias afirmou, junto à escola, que participará do desfile de 2026. Ela vestia um vestido azul, com diversas lantejoulas da mesma cor na composição. A atriz foi bem recebida pela comunidade e se mostrou muito confortável ao interagir com eles.

Sobre os últimos ajustes, Schall comenta: “Hoje a gente teve a nossa comissão de frente e o casal, dentro de uma transição que vem sendo muito boa, com o trabalho do Edifranc e da Cláudia junto com a nossa equipe do casal, Marlon e Squel. É um trabalho que já está bem alinhado e que a gente dá continuidade, por exemplo, na Cidade do Samba. Evoluímos também nesse sentido, porque hoje tivemos a comissão. É boa a sinergia, entender o timing e também em relação às alas que estavam fazendo ensaios em separado e hoje se juntaram. Exemplo: não tivemos a condição técnica, mas o canto dessas alas está tão bom quanto o daquelas que vêm fazendo esse trabalho mais periódico aqui”.

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Fotos: Maria Estela Costa e Matheus Morais/CARNAVALESCO

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Enfeitiçada! Mangueira faz ensaio de rua com excelência e garra dos quesitos para o Carnaval 2026

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Por Guibsom Romão e Juliana Henrik

A Estação Primeira de Mangueira realizou, na noite do último domingo, seu ensaio de rua na Visconde de Niterói. Enfeitiçada pela magia amapaense, a Verde e Rosa apresentou um show na rua que cerca o seu morro. Com as grades lotadas de pessoas cantando seu samba, a Mangueira mostrou estar pronta para pisar na Sapucaí em 2026. Com uma espontaneidade pulsante em todas as alas e quesitos, a escola se mostra tranquila, feliz com seu samba e confiante no desempenho. Da comissão de frente, passando pelo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, bateria, intérprete e todas as alas, a garra e a excelência são visíveis.

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Este foi o primeiro ensaio de rua em que a Mangueira recebeu, em sua bateria, 15 caixeiros(as) de marabaixo vindos diretamente do Amapá, inclusive com a presença de uma neta do Mestre Sacaca, enredo da escola.

Sendo a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval, fechando o primeiro dia do Grupo Especial, a Mangueira levará para a Sapucaí o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, assinado pelo carnavalesco Sidney França.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Karina Dias e Lucas Maciel fez uma excelente abertura para o cortejo encantado que a Mangueira apresentou após a comissão. São oito componentes se apresentando o tempo todo: um pivô e seis ao lado, na retaguarda. A palavra que resume esse ensaio de rua é encanto; tudo o que foi apresentado tem uma encantaria por trás. A comissão não foge à regra.

Com uma apresentação de extremo vigor, os bailarinos vão do chão, ajoelhados, ao alto, com saltos lentos e artísticos, como se estivessem invocando um xamã encantado no centro da roda, na figura do pivô. A coreografia contém muita força e sintonia, mesmo quando os movimentos entre os componentes são diferentes, além do encantamento. Parece que engoliram o enredo e estão colocando tudo para fora com os passos e movimentos. Ao assistir, é visível que tudo ali é muito Mangueira.

A figura do pivô central é cercada por bailarinos que parecem protegê-lo, saudá-lo e apoiá-lo. No trecho “Sou gira, batuque e dançadeira”, todos os bailarinos giram em torno do pivô, que também gira, causando um efeito extremamente impactante.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Mais uma noite brilhante do casal furacão na Visconde de Niterói. Matheus Olivério e Cintya Santos, como sempre, esbanjaram sintonia, afeto e comprometimento com o pavilhão verde e rosa da Mangueira. O público que assiste à apresentação do casal não poupa gritos e aplausos durante a performance.

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Cintya se apresenta obstinada, passando a impressão de que sabe exatamente tudo o que precisa fazer ali, como se dançasse de olhos fechados aquela coreografia, tamanha a precisão de seus movimentos. Movimentos esses ligeiros e bem desenhados. Conduz o pavilhão com maestria.

Matheus corteja Cintya e toca no pavilhão com cuidado e domínio. Mesmo com uma coreografia ágil, ele mantém classe nos movimentos, e o zelo é notável. É um belo exemplo de profissional maduro, que não se afoba, não tenta ofuscar sua dama nem o pavilhão. O brio é próprio e traduzido na elegância de sua performance.

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Fotos: Guibsom Romão e Juliana Henrik/CARNAVALESCO

Em suma, a coreografia é eletrizante. Não há respiros ou pausas longas. A essência do casal estreante de 2023 permanece a mesma, mesmo com a chegada da experiente coreógrafa Ana Paula Lessa, que soube manter o furacão dos dois e lapidar ainda mais a dança tempestiva do casal.

SAMBA E HARMONIA

O departamento musical é um quesito à parte e merece todos os louros, pois tudo está sempre muito alinhado. O samba é conduzido com enorme afinco pelo intérprete Dowglas Diniz. A Mangueira do Amanhã produziu um belíssimo presente para a sua escola-mãe. Ele conduziu o samba com muita segurança e firmeza, e a obra, em sua voz, ganha pulsação, refletida diretamente no canto da escola.

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O samba é entoado pela comunidade com muito entusiasmo. Todas as alas cantam alto e com nuances. O trecho “Iyá, Benedita de Oliveira” faz uma boa abertura para o refrão principal e traz o público junto. O sussurro de “Sacaca” no trecho “Çai Erê, Babalaô, Mestre Sacaca” cria um entrelaçamento interessante no samba, gerando profundidade à obra e evidenciando o trabalho primoroso da ala musical da escola.

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No entanto, é preciso atenção ao canto da escola como um todo. No paradão, há uma quebra de expectativa quanto ao volume do canto. Seria proveitoso chegar à Sapucaí com esse momento executado com canto alto e uníssono, além de totalmente incorporado por cada componente, para não deixar nenhum quesito vulnerável.

EVOLUÇÃO

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A escola fluiu sem nenhum problema; tudo parecia muito bem calculado. Contudo, o mesmo fluxo da semana passada se repetiu nesta. O ensaio apresenta dois momentos distintos de ritmo de evolução. Antes da bateria entrar no recuo, a escola anda mais rápido pela Visconde de Niterói. Logo após a bateria entrar no recuo, o andamento se torna mais espaçado e contemplativo, o que, novamente, não deprecia em nada o ensaio nem a evolução da escola.

OPINIÃO DO DIRETOR

Dudu Azevedo, diretor de carnaval, analisou o ensaio da Verde e Rosa para o CARNAVALESCO.

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“A avaliação do ensaio indica que estamos no caminho certo. Continuamos a aprimorar significativamente a evolução da escola e estamos muito satisfeitos com o estágio atual. A comissão de frente já ensaia na Cidade do Samba com seus elementos, trazendo para a rua a vibração que observamos neles. É gratificante constatar o empenho demonstrado durante a semana. Posiciono-me no início do desfile, antes da passarela, permitindo que a escola desfile integralmente. Estamos apresentando uma performance temporal muito boa. Possuímos um cronograma estimado, considerando o tempo necessário para as alegorias, permitindo que a escola passe pela linha de início dentro do tempo previsto. A escola evolui na pista, e sempre reitero minha gratidão à Guanayra pela estrutura que nos oferece para ensaiar aos domingos, com uma pista nas dimensões da Sapucaí e com as marcações dos jurados. Isso é fundamental para que consigamos desfilar no tempo planejado”.

OUTROS DESTAQUES

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A abertura do samba contou com uma bossa dos marabaixos tocados pelos ritmistas do Amapá, que deram um tom florestal e encantado ao início do ensaio. O grupo ficará no Rio de Janeiro até depois do carnaval, participando do próximo e último ensaio de rua, dos dois ensaios técnicos e do desfile oficial.

Em alguns momentos do ensaio, as mulheres do xequerê da bateria formavam um círculo em volta da rainha de bateria, Evelyn Bastos, e se abaixavam para que ela performasse, parecendo um ritual feminino de encantamento à rainha.

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BALANÇO DOS MESTRES DE BATERIA

Com a bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim” afiada e alinhada para o desfile de 2026, os mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão fizeram um balanço do ensaio e contaram como foi a estreia dos amapaenses na bateria.

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“Para mim, o ensaio foi muito positivo, até porque a gente já vem numa pegada boa. Hoje, a gente estava com a maioria dos nossos ritmistas, e a galera conseguiu executar tudo com perfeita qualidade, tudo o que a gente pensou. Conseguimos colocar em prática hoje, até a própria coreografia da rainha, que é uma bossa que a gente aguardava muito. As coisas estão se encaixando, deu muito certo, o público reagiu bem ao que ouviu e a gente está bem feliz com o resultado de hoje”, disse Rodrigo Explosão.

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Questionado sobre como foi a entrada dos caixeiros(as) do Amapá na bateria, Taranta Neto respondeu: “Foi uma entrada tranquila. É uma galera que a gente já conhecia lá do Amapá. A gente esperou para trazê-los agora em janeiro, que é o período mais próximo do desfile e também quando há mais ensaios com a bateria, para eles pegarem essa sintonia com os ritmistas daqui. Mas foi bom, eles conseguiram assimilar bem as ideias. Agora é acertar o posicionamento, porque o resto eles já pegaram”, comentou o mestre.

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Com alma de campeã, Imperatriz transforma ensaio de rua em espetáculo

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Por Allan Duffes e Juliane Barbosa

A Imperatriz Leopoldinense realizou, no último domingo, mais um ensaio de rua, na caminhada rumo ao desfile no Carnaval 2026, onde tem motivos de sobra para pensar no topo da tabela. Dando a vida pelo canto da escola, Pitty de Menezes conduziu a comunidade para soltar a voz e fazer o samba-enredo ser ouvido de longe. Em mais uma exibição fantástica da dupla carro de som e bateria, a escola levou o público ao estado de êxtase no final do ensaio. O primeiro casal também merece grande destaque. Phelipe e Rafaela fizeram mais uma excelente apresentação, com a garra e a riqueza de detalhes que acostumaram o mundo do carnaval nos últimos anos. A Imperatriz será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, dia 15 de fevereiro, com uma homenagem ao artista Ney Matogrosso. O enredo “Camaleônico” é assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira.

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Fotos: Allan Duffes e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A cada domingo, parece que não é só um ensaio que acontece em Ramos. A questão é que a Imperatriz conseguiu uma forma de transformar a Euclides Faria no caminho para o sonho da décima estrela. Ala por ala, o jeito apaixonado do componente cantar o samba revela a entrega de cada um, em um cortejo de quesitos da mais alta categoria. Quando a Imperatriz passa, carrega o favoritismo junto com a história pesada de uma bandeira pronta para vencer de novo. E, acompanhando de perto tudo isso, a calçada estava cheia de gente que, com os olhos encantados pela técnica e pela carga emocional do ensaio, se esbaldou desde a impecável apresentação da comissão de frente.

Na avaliação do diretor de carnaval, André Bonatte, a Imperatriz está evoluindo a cada ensaio: “Daquilo que a gente vem fazer aqui, cada vez mais eu sinto que a escola está pronta para ir para a Avenida. Eu tenho repetido que cada semana é melhor do que a anterior, e eu acho que esse é o nosso papel. E eu não tenho dúvida de que, até o dia do desfile, a gente vai melhorar ainda mais”.

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COMISSÃO DE FRENTE

Liderada pelo agitado coreógrafo Patrick Carvalho, o grupo apresentou o número montado para a temporada de ensaios. Toda trabalhada no carão e nos trejeitos do homenageado, Ney Matogrosso, os componentes capricham na cena e entregam uma performance no melhor estilo do enredo. O grupo é formado por 13 homens e outro componente que faz a representação do artista. Este protagonista é revezado com outros dois, e cada um se apresenta em uma cabine, revelando uma possível troca de elenco no desfile, já que há um revezamento de “Neys” no ensaio.

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Os 14 componentes entram em cena batendo palmas, no verso “se joga na festa, esquece o amanhã”. Uma espécie de convite para o público curtir a boa apresentação que se iniciará. Em seguida, aguardam o samba entrar no refrão principal, formando um cone de componentes, onde o representante de Ney Matogrosso fica destacado à frente do grupo. A partir disso, o jogo de corpo toma conta da pista, com muito movimento, e o agitar dos braços dá volume à dança. Há também uma pegada de sensualidade em diversos momentos, como no verso “devoro pra ser devorado, não vejo pecado ao sul do equador”.

Vale destaque também para o trecho em que o samba canta “o sangue latino que vira, vira-vira lobisomem”. Aqui, o grupo forma um círculo, onde todos ficam agachados para uma performance solo do componente principal.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, entra no módulo logo após o refrão principal. Entram com giros da porta-bandeira, e o mestre-sala vai no cortejo, acompanhando sua parceira de frente para ela. Chegam ao módulo, e Rafaela já tem a coreografia para o verso “pássaro mulher” do samba. Ovacionados pelo público, o casal apresenta uma ótima dança, muito bem trabalhada coreograficamente por Ana Botafogo.

Eles dançam com vontade. Apesar de a coreografia pedir certa velocidade, Rafaela demonstra uma classe admirável. Seus giros caprichados a partir do trecho “eu sou um poema que afronta o sistema” são dignos de muitos elogios calorosos.

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Phelipe é incansável. No ensaio, ele canta, samba, pula com os componentes entre as alas, agita o bandeirão e cumpre muito bem o seu papel de dançar, enquanto incentiva as pessoas ao redor. Enquanto dá show com sua dança irreverente e encantadora, ele chama Patrick Carvalho pelo nome, cita algumas pessoas que vê ao redor e não perde a chance de bradar “vai, mamãe!” para a presidente Cátia Drumond antes de desfraldar a bandeira pela última vez. Ela gostou, e os jurados também teriam gostado se estivessem presentes.

Uma apresentação nota 10.

SAMBA-ENREDO

“Canto com alma de mulher / Arte que sabe o que quer”… trecho feito pelos compositores para gerar uma das bossas mais interessantes do Carnaval 2026. A obra assinada por Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antonio Crescente, Bernardo Nobre, Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna e Wilson Mineiro é um “desbunde”. Leve, dançante quando tem que ser e empolgante quando precisa levantar todo mundo. O samba da Imperatriz passa tranquilo e muito bem pelo desfile inteiro.

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“Foi maravilhoso o ensaio, estou muito feliz. Ensaio alegre, comunidade muito feliz, cantando demais. A escola está leve, preparada e pronta para conquistar o campeonato e a 10ª estrela. Digamos que tenha aquele 1% para lapidar nos ensaios técnicos, por ainda haver algumas coisinhas para ajustar, o que é normal. Mas estamos preparados para a guerra e para fazer bonito. O importante é a comunidade estar feliz”, festejou Pitty de Menezes após o ensaio.

Conduzido pelo carro de som, com o craque Pitty de Menezes no comando, e sob o toque da “Swing da Leopoldina”, com a regência do espetacular mestre Lolo, a obra não tem como desagradar. Um presente aos ouvidos, um charme para o público, uma certeza de que dará certo no desfile.

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“Pitty e Lolo são o que a gente chama de ‘Bebeto e Romário’. Um toca muito bem para o outro, então é uma parceria que vem dando certo nos últimos anos. Esse samba é um samba que a gente abraçou desde o primeiro momento em que a gente entendeu o quanto ele trazia de possibilidades rítmicas. Ele traz toda a musicalidade do Ney. Eu vi que a bateria fez desenhos maravilhosos, e o Pitty é essa potência. Eu não tenho dúvidas do quanto esse samba vai crescer na Avenida”, disse o diretor de carnaval, André Bonatte.

HARMONIA

Segue a aula de canto para escolas que precisam se inspirar. A Imperatriz é impressionante. Os componentes cantam forte o tempo inteiro, ala a ala. Eles pulam, dançam e reafirmam aquilo que o carnaval já sabe: a Imperatriz Leopoldinense está feliz. E a comunidade sabe que faz parte de um projeto que caminha para brigar muito forte pela apoteose na quarta-feira de cinzas.

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Ao longo do cortejo, tirando as baianas, não se identificaram componentes sem cantar forte o samba, tampouco queda no canto. Quando as alas passam pelo recuo da bateria e encontram a família Drumond, aí é que gritam ainda mais a letra do samba, e tudo fica melhor. Um show.

EVOLUÇÃO

A escola passa tranquila, pulsando, sem pressa e com um andamento muito bom. Também é preciso destacar a organização de uma escola em que as alas não se atropelam nem se embolam entre si. A entrada e a saída da bateria do recuo são feitas da forma mais calma e organizada possível. Os diretores de harmonia e de ala estão bem entrosados e sabem como trabalhar em prol do 10 em evolução. Buracos pelas alas? Nem pensar. Tudo ótimo em Ramos.

OUTROS DESTAQUES

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Da expressão séria ao derretimento ao ver sua comunidade dando um show, a presidente Cátia Drumond se joga na festa durante o ensaio. Ela se posiciona do lado oposto ao recuo da bateria. Ali, dança, brinca com os componentes, canta o samba e vê sua Imperatriz demonstrar toda a força que ela ajudou a resgatar. O vice-presidente João Drumond fica ao lado, recebendo abraços de muitos componentes que passam. A comunidade adora o momento e aproveita para mostrar que sabe cantar o samba e desfilar muito bem.

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“Em relação aos ensaios, a princípio temos feito um trabalho muito bacana, e tecnicamente a escola tem defendido seus quesitos da maneira que a gente espera. Lógico que é um trabalho progressivo, vai crescendo de degrau a degrau, semana a semana, e da mesma maneira é o samba. O samba, para mim, é a confirmação de uma decisão que foi feita lá atrás. É um samba de semana a semana, muito cantado e muito ouvido nas plataformas digitais. Então, eu acho que, de fato, a Imperatriz terá mais uma vez um dos grandes sambas do carnaval”, comentou João Drumond em entrevista ao CARNAVALESCO.

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No final do ensaio, os componentes e o público estavam em êxtase pela performance de gala da Imperatriz. Todos se misturaram à bateria para o ato final de festejar a grande apresentação da noite. Aos gritos de “a campeã voltou”, a comunidade colocou para fora um sentimento de que tudo pode dar certo. Este foi o penúltimo ensaio de rua da temporada 2026.

“Já é saudade! Porque a gente, quando pensa que na semana que vem é o nosso último encontro nessa rua, já vai se despedindo. Então, é um clima de saudade. Mas é muito bom ver esse abraço da comunidade com a escola e o abraço da escola com a comunidade. Essa troca final é de uma energia que a gente leva para a Avenida com uma responsabilidade até maior. A gente sabe o tamanho da comunidade que a gente representa”, concluiu André Bonatte, diretor de carnaval.

Dom Bosco de Itaquera mostra maturidade e se credencia à disputa no Acesso 1 de São Paulo

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Por Letícia Sansão e Will Ferreira

A Dom Bosco de Itaquera realizou, no último sábado, seu ensaio técnico no Anhembi e deixou sinais claros de uma leitura de enredo já bem alinhada. A escola apresentou o samba com intensidade, alas respondendo ao canto e uma comissão de frente que já aponta uma narrativa bem construída. Longe da imagem de escola apenas simpática ou inofensiva, a “Escola do Padre” vem em ascensão desde 2024, após um 2025 em que muitos a colocavam apenas na luta contra o rebaixamento. Para quem pensa que eles só rezam, a impressão deixada neste primeiro ensaio técnico é a de uma escola pronta para disputar em igualdade no Grupo de Acesso 1.

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Com o enredo “Mariama, Mãe de todas as Raças, de todas as Cores, Mãe de todos os Cantos da Terra”, assinado pelo carnavalesco Fábio Gouveia, o ensaio teve duração aproximada de 57 minutos, contados a partir do grito de guerra do intérprete Rodrigo Xará.

COMISSÃO DE FRENTE

Mesmo sem fantasia neste primeiro ensaio, a comissão de frente já apresentou uma coreografia totalmente conectada ao samba-enredo. A coreografia, assinada por Luana Poletti, dialoga diretamente com a narrativa proposta, apostando em movimentos compreensíveis para quem assiste.

Chamou atenção a marcação de um espaço central na pista, indicando o uso de um possível elemento alegórico. Em alguns momentos, as coreografias se concentravam nesse ponto demarcado, alternando ações no chão e nesse espaço, o que sugere uma coreografia em cima de um carro.

O destaque individual ficou por conta da encenação de Henri Araújo, que construiu uma movimentação potente, simulando estar acorrentado, em pedido de auxílio celestial, seguido da libertação das correntes. A leitura remete à história do escravo Zacarias, que teria fugido de uma fazenda acorrentado e teve suas correntes rompidas após pedir a intercessão de Maria. A encenação ajuda a costurar comissão, enredo e samba de forma fácil para o entendimento do público.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Leonardo Henrique e Mariana Vieira demonstrou entrosamento e domínio das movimentações obrigatórias. No entanto, o desempenho foi impactado pela condição climática que mais maltrata as escolas paulistas: o vento forte.

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Em um dos momentos, já em frente à arquibancada monumental, a bandeira acabou enrolando, consequência direta da ventania. São ajustes esperados para um primeiro ensaio técnico, especialmente em um cenário de clima instável, e que tendem a ser corrigidos nos próximos testes de pista.

HARMONIA

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

As alas se mantiveram animadas ao longo do percurso, com canto forte por parte dos componentes. O intérprete Rodrigo Xará teve papel central na condução da escola, chamando o público e sustentando a energia do samba do início ao fim; em nenhum momento o samba caiu.

Destaque para as alas posicionadas à frente e logo atrás do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Ambas apresentaram canto forte e movimentação solta, utilizando cabos de vassoura como elemento cênico da fantasia. Em alguns momentos, os integrantes fincavam o objeto no chão, criando uma imagem que remete a um cajado.

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EVOLUÇÃO

A escola avançou de forma organizada, sem registros de grandes embolamentos ou buracos evidentes. As alas desfilaram soltas, mesmo coreografadas, apostando em movimentação mais natural. O conjunto manteve fluidez durante todo o ensaio.

SAMBA

O samba é de autoria de Gui Cruz, Darlan Alves, Portuga, Imperial, Douglas Chocolate, Marcos Mala, Luciano Rosa, Gabriel, Reinaldo Marques e Willian Tadeu, e apresentou rendimento constante. Trata-se de uma obra de fácil entendimento, com letra que conduz bem o enredo e melodia que sustenta o canto nas alas e na arquibancada.

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O refrão teve resposta imediata do público e das alas, o que elevou o volume do canto. A bossa do refrão de cabeça, com retomada marcada pelo repique, foi de arrepiar. Destaque também para o encaixe perfeito entre a ala musical e a bateria, tanto nos momentos de bossa quanto nas partes mais lineares do samba. Os arranjos estão bem ajustados, e a bateria já mostra características bem definidas.

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OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Mayra Barbosa, interagiu com o público durante todo o ensaio, cantando o samba e demonstrando intimidade com a escola, da qual é cria. A presença ajudou a manter a energia da avenida, especialmente nos momentos finais.

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No panorama geral, a Dom Bosco de Itaquera apresentou um ensaio consistente e sai com saldo positivo. A agremiação retorna ao Anhembi no próximo ensaio técnico, marcado para sexta-feira, 30 de janeiro, às 21h30.

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Barroca Zona Sul faz ensaio técnico marcado pela boa sintonia entre samba e bateria

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Por Lucas Sampaio, Gustavo Mattos, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Barroca Zona Sul realizou no último sábado seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. A criatividade da bateria associada ao bom desempenho da ala musical foi o principal destaque do treinamento, encerrado após 58 minutos. A Faculdade do Samba será a sétima escola a desfilar no dia 14 de fevereiro pelo Grupo Especial com o enredo “Oro Mi Maió OXUM”, assinado pelo carnavalesco Pedro Alexandre Magoo.

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O ensaio da Barroca pode ser considerado positivo num conceito geral. Nem impecável demais para dar motivos à escola de ficar confortável em demasia, nem ruim para fazer suas lideranças ficarem preocupadas com o desempenho da escola para o encerramento dos desfiles da sexta de Carnaval. As irregularidades observadas são plenamente ajustáveis, e há tempo para deixar tudo devidamente alinhado para a grande homenagem à Oxum, a Senhora dos Rios e das Cachoeiras. A grande presença de componentes entre as alas logo no primeiro dia de Anhembi é sinal de que disposição para defender o pavilhão Verde e Rosa não faltará para a comunidade do Jabaquara.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente ensaiada pelo coreógrafo Chris Brasil contará com um elemento alegórico alto, com três níveis de altura acessíveis por escadas. O quesito evoluiu no ensaio com uma coreografia dividida em dois atos delimitados pelas passagens do samba. É possível observar uma personagem principal representando Oxum. No segundo ato, é possível ver que, na base da alegoria, uma espécie de gaveta ampla é aberta de onde sai um tecido e os componentes o manipulam fazendo um efeito que lembra água.

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Com o tripé ainda descaracterizado, é difícil afirmar a representação proposta pelo quesito. Mas os movimentos demonstraram estar bem executados, e se enquadrar adequadamente nos critérios de julgamento, podem garantir não apenas uma bela abertura para a Faculdade do Samba como também as desejadas notas do quesito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal da Barroca Zona Sul teve o forte vento que fazia ao longo do ensaio como duro adversário. Estreando na dupla como principais guardiões do pavilhão Verde e Rosa, Clay mostrou boa desenvoltura e coordenação na dança com Lenita, que encarou o desafio climático com bravura. Ambos aparentam estar em um estágio avançado de preparação, e podem chegar afiados para buscarem a nota máxima no desfile oficial.

“Depois de um ano afastado, pensei em realmente descansar um pouco, viver o carnaval de outra forma, me divertir também. Acho que todo mundo precisa desse momento, mas o coração falou mais alto. Voltar para casa, para a minha família, para perto da minha irmã, do meu pai e da minha mãe, é totalmente diferente; não tem como dizer não. Hoje saio dessa pista com a sensação de que 95% do que estamos preparando para o desfile já foi entregue, e isso é muito importante para nós. Mostra que estamos no caminho certo. Quando falamos desses 95%, é exatamente porque estamos trabalhando em cima do regulamento. O que o jurado precisa ver é a nossa base de estudo. Não vamos apresentar nada mirabolante, mas o necessário para buscar os 40 pontos para a nossa escola. Esse enredo é muito especial para o Barroca, para a diretoria e para nós. Sou do candomblé, iniciado em Oxum, e poder contar a história dessa santa, da qual tanta gente do samba é devota, é algo primordial. Depois do que vivemos no ano passado, o Barroca tem tudo para entrar na pista e brigar para voltar ao desfile das campeãs ou, quem sabe, conquistar uma estrela para a nossa freguesia”, disse o mestre-sala.

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“Começamos a dançar juntos em 2014, aqui no chão do Barroca. Assumimos um pavilhão juntos dentro dessa agremiação, e retornar agora tem um significado enorme. Como ele disse, somos irmãos de religião, de vida e de alma, e aprendemos muito um com o outro ao longo do tempo. Quando nos separamos, foi por motivos pessoais meus, relacionados ao trabalho, mas sempre dizíamos que um dia daria certo, sem apressar o tempo. Estar aqui hoje, dançando novamente com ele, é a realização de um sonho nosso. Também é o sonho da nossa mãe, Roseli, que era nossa apresentadora e faleceu no começo deste ano. Foram 14 anos desfilando com ela, e este é o primeiro ano em que pisamos na pista sem a presença dela. Defender o pavilhão da escola do coração é um privilégio, e hoje nós temos esse privilégio. Todo ensaio e toda prática fazem parte de um processo contínuo de evolução. A dança é um fio condutor, e, se a gente parar de estudar e acreditar que está tudo bom, não evolui. Hoje entregamos 95% do que queremos levar para a pista, mas até o desfile esse número precisa virar 200%. Vamos trabalhar todos os dias para isso. Ainda assim, saímos muito contentes com o resultado. Vamos batalhar para um grande carnaval. Esse enredo também é muito especial na representação católica: Nossa Senhora Aparecida é um símbolo forte, e o presidente da escola é muito devoto, assim como a família dele. É um samba especial para nós e para a escola. Pedimos que Oxum abençoe esse desfile, que seja um desfile de ouro, lindo, e que ilumine toda essa pista”, completou a porta-bandeira.

HARMONIA

A Barroca Zona Sul tem o privilégio de ter uma sequência impressionante de excelentes sambas nos últimos anos, e um dos principais efeitos disso está no crescimento gradual da disposição de sua comunidade de defendê-los na Avenida. Mas, talvez pela ainda ausência do sistema de som do Sambódromo em operação, quanto mais distantes da bateria e da ala musical, mais o vigor do canto ia enfraquecendo, a ponto de ocorrer um notável atravessamento no canto na última ala enquanto passava pelos primeiros módulos. Ainda há tempo de corrigir esses detalhes para chegar com o quesito afiado para o desfile.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“Conseguimos um bom desempenho, com bom canto nas alas. Obviamente, ainda temos coisas a melhorar. Temos essa semana de ensaios e, já amanhã (domingo), teremos mais um ensaio para recuperar e nos organizar melhor para a próxima semana. Gostei muito do canto da escola, a Barroca cantou bem, e acredito que o principal ajuste seja no andamento: precisamos alinhar melhor o andamento com a bateria para termos uma constância padrão no desfile. Para o desfile, podem ter certeza: estamos esperando o melhor desfile da história da Barroca Zona Sul”, afirmou Dodô Ananias.

“No conceito geral, é a mesma coisa que o Dodo falou: são alguns ajustes para que, na próxima semana, no dia 24, a gente venha e faça um ensaio melhor do que este, chegando no nosso grande objetivo, que é a Barroca gabaritar em tudo. O que pode melhorar está mais relacionado ao andamento da escola e um pouco da evolução. Não sei se foi por conta da chuva, mas sei que ainda podemos fazer mais. Para o desfile, a expectativa é de um grande espetáculo: a Barroca está com garra, com gana de chegar às campeãs e, se Deus quiser, conquistar o nosso tão sonhado título da Barroca Zona Sul”, assegurou Rafael Tinguinha.

EVOLUÇÃO

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Em termos de cronometragem a Barroca aparenta não ter muito com o que se preocupar. O fim do treinamento após 58 minutos mostra que a escola tem ampla margem para corrigir algumas inconsistências observadas na Avenida, em especial no espaçamento entre alas e destaques que virão entre as alegorias. O segundo ensaio técnico será uma boa oportunidade para ajustar o andamento para o grande dia do carnaval.

SAMBA-ENREDO

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Rafael Tinguinha chegou para formar a dupla de intérpretes com Dodô Ananias, e a dupla demonstrou boa sintonia na condução do bem-visto samba da Barroca Zona Sul. A letra é mais simples e cadenciada em relação a obra do ano anterior, o que facilita o cantar da ala musical e ajuda na compreensão por parte dos componentes da escola. A depender da parte vocal dos cantores, o quesito não terá problemas no dia do desfile oficial.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha Juju Salimeni brilhou à frente da bateria “Tudo Nosso” com uma fantasia repleta de lírios, as flores usadas em rituais para homenagear Oxum que é citada no samba da Barroca. A presença de Juju engrandeceu o belo andamento imprimido pelo mestre Fernando Negão a seus comandados, que garantiu o enriquecimento do samba da escola com bossas criativas dentro da proposta do enredo.

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