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Fábrica do Samba recebe mutirão da vacina contra a Covid-19

Os profissionais que trabalham na Fábrica do Samba I receberam a vacina contra a Covid-19. O mutirão atendeu os trabalhadores que ainda não haviam tomado a 2ª dose da imunização e os que já estavam elegíveis para tomar a dose de reforço. Cerca de 40 trabalhadores da administração do complexo e dos barracões das sete escolas de samba que estão na Fábrica do Samba completaram ou reforçaram sua imunização contra a covid-19.

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Foto: Divulgação/Liga-SP

Nos próximos dias, o mutirão da vacina contra a Covid-19 chega à Fábrica do Samba II, em Santana, para atender os profissionais das agremiações dos grupos de Acesso e Acesso II.

A pouco mais de dois meses para os desfiles das escolas de samba de São Paulo, toda preparação foi repensada para ser executada com segurança, para trabalhadores e componentes. Os trabalhos, nos barracões e nas quadras, são feitos com distanciamento social e uso obrigatório de máscara cobrindo nariz e boca. Nos eventos e ensaios, a apresentação do Passaporte de Vacina é exigida na entrada.

Carnaval SP 2022

Os desfiles das escolas de samba de São Paulo acontecem nos dias 25, 26, 27 e 28 de feveiro, e no dia 5 de março, no Sambódromo do Anhembi.

Galeria de fotos: semifinal do concurso de Rainha e Princesas do Carnaval 2022

Vídeo com as candidatas classificadas para final

Mangueira faz feijoada e ensaio em dose dupla de samba

Sábado é dia de dose dupla na Estação Primeira de Mangueira. O Palácio do Samba, que tem a alegria em seu DNA, abrirá suas portas para dois de seus melhores eventos. Tem opção para quem gosta de uma boa feijoada e samba de qualidade, e para quem curte mesmo é um bom samba-enredo, com direito a casal de mestre-sala e porta-bandeira, segmentos da escola e presença da rainha Evelyn Bastos. E o melhor, as duas festas juntas.

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Foto: Thiago Mattos/Divulgação Mangueira

A edição de dezembro da tradicional feijoada nota 10 da Verde e Rosa, inicia às 13h. No comando desta festa incrível um super show do Marquinhos Sensação. A abertura será por conta dos grupos Art Júnior e Samba Faz Bem, com participação especial do Chacal do Sax.

Emendando a alegria, logo em seguida começa o ensaio show da Mangueira. Quando entram em cena a Bateria da Mangueira “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”, sob o comando do Mestre Wesley Assumpção; presença dos intérpretes oficiais, comandados pela voz principal de Marquinhos Art Samba; baianas, passistas, velha guarda, o bailado campeão do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan e Débora, defendendo e empunhando o pavilhão verde e rosa da Mangueira; nossa ala da comunidade, o canto forte da Estação Primeira soltando a voz com garra e emoção, e claro, ela, a rainha Evelyn Bastos, sempre um show à parte, esbanjando beleza e muito samba no pé. A festa vai até as vinte e três horas, direto e sem parar.

Inicialmente seriam dois eventos separados, porém a direção da escola preferiu estender o clima da feijoada e acrescentar o clima de ensaio à festa, com muito samba-enredo.

SERVIÇO
Feijoada Verde e Rosa com Marquinhos Sensação e ensaio show
Data: 11 de dezembro de 2021
Local: Palácio do Samba
Endereço: Rua Visconde de Niterói, 1072 – Mangueira
Horário: 13h às 23h
– Ingresso pista – R$50,00 (sem feijoada)
– Mesa para 4 pessoas – R$250,00 (04 ingressos e 04 feijoadas)
– Camarote lateral – R$1.000,00 (10 entradas e 10 feijoadas)
– Camarote VIP (individual) com feijoada e open bar – R$300,00 (Cervejas Petra, Cacildis e Itaipava Premium. Água, refrigerante e drinks com álcool)
O evento acontecerá no dia 11 de dezembro, das 13h às 23h e a feijoada será servida das 13h às 16h.
IMPORTANTE: – É obrigatório o uso de máscara e apresentar o comprovante de vacinação.

Botafogo Samba Clube realiza ensaio geral neste sábado no Estádio Nilton Santos

A Botafogo Samba Clube realiza neste sábado, 11, o seu primeiro ensaio geral para o Carnaval 2022. Com o enredo “João Saldanha: um apaixonado pela verdade caminhando em tempos de ilusão”, a escola do torcedor alvinegro reunirá os seus segmentos na área externa do Setor Oeste do Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro, a partir das 15h.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação

A rainha de bateria Fernanda Maia, a porta-bandeira Layne Ribeiro e o mestre de bateria Wallan Amaral serão apresentados oficialmente para os componentes e torcedores da BSC. Os carnavalescos Marcelo Adnet e Ricardo Hessez também estarão no evento, que acontecerá antes do jogo entre Túlio Maravilha e Loco Abreu, no 1º Natal da Estrela Solitária.

Em 2022, a Botafogo Samba Clube será a 9ª escola a se apresentar na segunda-feira, 28 de fevereiro, pela Série Prata, na Intendente Magalhães. Duas escolas irão subir para a Série Ouro, na Marquês de Sapucaí, sendo uma de cada dia.

Serviço

1º Ensaio Geral – Botafogo Samba Clube
Data: 11 de dezembro
Horário de início: 15h
Entrada franca
Local: Área externa do Setor Oeste do Estádio Nilton Santos
Endereço: Rua José dos Reis, S/N, Engenho de Dentro

LIGA-RJ apresenta live com festa de lançamento do CD com os sambas-enredo da Série Ouro

A LIGA-RJ, que organiza os desfiles das escolas de samba da Série Ouro, na sexta-feira e sábado de carnaval, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, fez história com a festa inédita de lançamento dos sambas-enredo para o Carnaval 2022, no último sábado, na Cidade do Samba. E, agora, anuncia a live completa do evento em seu canal no YouTube.

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Quem não conseguiu ir à festa e para aqueles que querem reviver toda a emoção dos 15 mini desfiles, a LIGA-RJ irá disponibilizar a festa na íntegra, neste domingo, 12, a partir das 14h. Para assistir acesse: https://www.youtube.com/c/LigaRJTV

O vídeo traz a captação do áudio original e as apresentações de Em Cima da Hora, Inocentes de Belford Roxo, Unidos da Ponte, Acadêmicos de Vigário Geral, Unidos de Bangu, Império Serrano, Acadêmicos do Sossego, Acadêmicos de Santa Cruz, Império da Tijuca, Acadêmicos do Cubango, Lins Imperial, União da Ilha, Estácio de Sá, Unidos do Porto da Pedra e Unidos de Padre Miguel.

Unidade dos Bombeiros está instalada na Cidade do Samba e inauguração é na segunda-feira

A inauguração do destacamento do Corpo de Bombeiros – instalado provisoriamente em contêineres na Cidade do Samba, adaptados segundo as instruções fornecidas pelo Comando Geral da Corporação, com capacidade para abrigar 10 soldados e espaço para estacionamento de viaturas, acontece na próxima segunda-feira.

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Foto: Divulgação/Liesa

Os bombeiros permanecerão naquele espaço durante o período de construção do prédio definitivo, com alojamentos e demais instalações.

“É motivo de grande alegria e tranquilidade para todos nós, pois, a partir de agora, teremos uma unidade dos Bombeiros funcionando dia e noite no complexo de produção de alegorias e fantasias do Carnaval Carioca”, comentou o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro.

Mauro Cordeiro: ‘Paulo, nosso professor’

Se a historiografia oficial não confere o devido valor e reconhecimento a lideranças populares, cabe a nós disputarmos o rumo da produção da memória e louvar os nossos heróis. Enquanto os livros escolares seguem prestando reverência a colonos, bandeirantes, militares e escravocratas, silenciam sobre o papel de personagens comuns na construção do país. O samba brasileiro, neste sentido, é um universo repleto de grandes figuras, de feitos vultuosos que permanecem na memória coletiva embora não constem nos livros. Esta coluna é sobre a genialidade de um dos maiores intelectuais deste país: Paulo Benjamin de Oliveira, o nosso professor.

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Foto: Reprodução

Quando nasceu, naquele 18 de junho de 1901, os frutos da abolição tardia e incompleta, então recém conquistada, constituíam barreiras (quase) intransponíveis. Não houve qualquer política de acesso à terra, de educação, formação ou qualquer garantia das mínimas condições de subsistência para a negritude brasileira. Também vivenciamos um período em que efetivamente havia uma política pública de embranquecimento do país: quer seja pelo incentivo a vinda de imigrantes, quer seja pelo abandono e exclusão da massa de libertos e seus descendentes.

Se depois da abolição veio a liberdade, junto a esta vieram categorizações, classificações e construções sociais sobre a negritude que se transformaram em obstáculos materiais para o desenvolvimento dos libertos, para sua integração na sociedade de classes como mão de obra assalariada e até da manutenção das suas vidas. Este era o Brasil daquela virada de século.

Paulo nasceu em uma família negra e pobre de uma cidade que queria se transformar. Aos moldes de Paris, o Rio de Janeiro almejava uma remodelação urbanística que a inserisse na lógica da “modernidade”. Na prática, este processo empurrou as camadas populares, de ampla maioria negra, para os subúrbios e favelas através das reformas de Pereira Passos. Assim ocorreu com a família Oliveira, que migrou da região central da cidade para o subúrbio de Oswaldo Cruz.

Filho de pai não reconhecido, tinha dois irmãos. Sua mãe, Dona Joana, teve que enfrentar todas as dificuldades e desafios de ser uma mulher negra, separada, com filhos para criar e sustentar no Brasil de 1900. Paulo começou a trabalhar cedo para ajudar no orçamento familiar, de trampo em trampo, até se estabilizar na profissão de lustrador. Assim como seus irmãos, estudou pouco, tendo feito apenas o primário. Antes de migrar com a família para região de Oswaldo Cruz, nasceu e cresceu no bairro da Saúde, circulando na região da Pequena África onde teve contato com todos aqueles bambas da primeira geração do samba carioca: Donga, Ciata, Pixinguinha…

Na década de 1920 se estabelece para Oswaldo Cruz e é justamente neste local que vai construir-se como um baluarte da cultura popular brasileira. Paulo passa a frequentar as rodas de samba e o candomblé de Esther Maria Rodrigues, a Dona Esther, liderança de uma estrutura comunitária que tecia as relações do bairro. Este era um espaço de efervescência cultural que reunia políticos e sambistas de outras localidades, sendo um espaço privilegiado de contato, central na vida daquele bairro até então rural onde moravam operários que, através do trem, iam trabalhar no centro da cidade. Junto a sambistas como Caetano e Rufino, Paulo funda o bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz, que depois se transforma no Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz, precursor da gloriosa Portela.

Paulo foi o líder de uma construção específica: das escolas de samba como forma de disputa por melhores condições de vida aos negros da cidade. Através da arte buscou dialogar, se relacionar com outras camadas sociais pelas brechas e frestas de um projeto nacional em curso. Para Paulo, escolas de samba eram formas de as comunidades negras mostrarem que podiam fazer parte da modernidade que aquela sociedade pretendia construir. Independente da sua educação formal, se constituiu em uma grande liderança do seu tempo pela sua inteligência, articulação e criatividade.

Esta liderança era exercida interna e externamente: ao mesmo tempo que liderava a Portela, ajudando a construir um modelo de escola de samba e de desfile, Paulo frequentava redações de jornais e os círculos da intelectualidade carioca construindo pontes e combatendo a velha ideia do carnaval popular como espaço de brigas e violência que servia para ampliar a marginalização dos sambistas. Isto é o papel de um intelectual orgânico.

Escola de samba, para Paulo, é uma expressão política, e, inegavelmente, a tese de Paulo foi vitoriosa: o carnaval das escolas de samba contribuiu para alterar as visões da negritude no Brasil. Se o racismo permanece, também é verdade que a cultura produzida por negros e negras deixou de ser caso de polícia e passou a ser entendida como símbolo nacional, em um processo ambíguo, mediado e negociado. Com todas as contradições que este processo de mediações e negociações implica, é importante compreender que, dentro daquele contexto, foi uma grande vitória possível apenas pela capacidade intelectual e a habilidade política de figuras como Paulo Benjamin de Oliveira.

Na minha perspectiva, o samba se configurou historicamente como uma forma de sociabilidade e expressão negra, mas também como uma forma de estabelecer diálogo; ou seja, foi também através do samba que esta população negra historicamente marginalizada e perseguida buscou a sua integração na sociedade.

Dizer isto, de forma alguma, pressupõe que os desafios da negritude brasileira estão solucionados; longe disso. O Brasil é um país absolutamente desigual e essa desigualdade é profundamente marcada por uma brutal associação entre classe e raça. Ainda assim, é preciso pensar que só o fato desses corpos negros e negras ainda existirem é um ato de resistência daqueles que insistiram não apenas em sobreviver, mas também em preservar os seus valores, a sua memória, cultuar sua ancestralidade e expressar suas visões de mundo. As expressões da negritude brasileira persistem como forma de valorização histórica de manutenção de hábitos, crenças, pensamentos e práticas que se perpetuaram através da oralidade e da força dos coletivos. Isto só foi possível graças a genialidade e a ação de sambistas, intelectuais negros que souberam construir para preservar, negociar para existir. Gênios como Paulo da Portela, nosso professor.

  • Mauro Cordeiro: Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 e TT: @maurocordeirojr

Ouça! Grande Rio faz gravação especial de seu samba-enredo para o Carnaval 2022

Compositores: Gustavo Clarão, Thiago Meiners, Arlindinho, Igor Leal, J.R. Fragga e Cláudio Mattos
Intérprete: Evandro Malandro

BOA NOITE, MOÇA; BOA NOITE, MOÇO…
AQUI NA TERRA É O NOSSO TEMPLO DE FÉ
“FALA, MAJETÉ!”
FAÍSCA DA CABAÇA DE IGBÁ
NA GIRA… BOMBOGIRA, ALUVAIÁ!
NUM MAR DE DENDÊ… CABOCLO, ANDARILHO, MENSAGEIRO
DAS MÃOS QUE RISCAM PEMBA NO TERREIRO
RENASCE PALMARES, ZUMBI AGBÁ!
EXU! O IFÁ NAS ENTRELINHAS DOS ODUS
PRECEITOS, FUNDAMENTOS, OLOBÉ
PREPARA O PADÊ PRO MEU AXÉ

EXU CAVEIRA, SETE SAIAS, CATACUMBA
É NO TOQUE DA MACUMBA, SARAVÁ, ALAFIÁ!
SEU ZÉ, MALANDRO DA ENCRUZILHADA
PADILHA DA SAIA RODADA… Ê MOJUBÁ!

SOU CAPA PRETA, TIRIRI, SOU TRANCA RUA
AMEI O SOL, AMEI A LUA, MARABÔ, ALAFIÁ!
EU SOU DO CARTEADO E DA QUEBRADA
SOU DO FOGO E GARGALHADA… Ê MOJUBÁ!

Ô LUAR, Ô LUAR… CATIÇO REINANDO NA SEGUNDA-FEIRA
Ô LUAR… DOBRA O SURDO DE TERCEIRA
PRA SAUDAR OS GUARDIÕES DA FAVELA
EU SOU DA LIRA E MEU BLOCO É SENTINELA
LAROYÊ, LAROYÊ, LAROYÊ!
É POESIA NA ESCOLA E NO SERTÃO
A VOZ DO POVO, PROFETA DAS RUAS
TANTAS ESTAMIRAS DESSE CHÃO
LAROYÊ, LAROYÊ, LAROYÊ!
AS SETE CHAVES VÊM ABRIR MEU CAMINHAR
À MEIA-NOITE OU NO SOL DO ALVORECER… PRA CONFIRMAR

ADAKÊ EXU, EXU Ê ODARÁ!
Ê BARA Ô, ELEGBARÁ!
LÁ NA ENCRUZA, A ESPERANÇA ACENDEU
FIRMEI O PONTO, GRANDE RIO SOU EU!

ADAKÊ EXU, EXU Ê ODARÁ!
Ê BARA Ô, ELEGBARÁ!
LÁ NA ENCRUZA, ONDE A FLOR NASCEU RAIZ,
EU LEVO FÉ NESSE POVO QUE DIZ

Portela recebe o Tuiuti no ensaio desta sexta-feira

Está chegando mais um fim de semana com muito samba! Nesta edição do Sextou Portela, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira recebe o Paraíso do Tuiuti em seu ensaio show. A festa começa às 22h. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos na bilheteria da agremiação, de segunda a sexta, das 10h às 18h, ou pelo site www.ingressocerto.com.br. Informações: (21) 3217-1604.

O público pode esperar sambas que marcaram época na Portela, além de grandes obras do Tuiuti, entre elas, a de 2018. O evento contará ainda com o show completo da Majestade do Samba com a presença das baianas, Velha Guarda, passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, apresentação da Tabajara do Samba, no comando de Mestre Nilo e outros segmentos. Além é claro, da apresentação do samba da Portela para o Carnaval 2022, quando levará para a Avenida o enredo “Igi Osè Baobá”, desenvolvido por Renato Lage e Márcia Lage, que retrata a simbologia e a história dos baobás. Já o Tuiuti, vai apresentar o enredo KA RÍBA TÍ YE – “Que nossos caminhos se abram”.

O Sextou Portela será realizado respeitando todos os protocolos sanitários de segurança estabelecidos pela Prefeitura do Rio. Será necessário comprovar a vacinação para participar do evento. A comprovação poderá ser feita através do certificado de vacinação digital – disponível no aplicativo ConecteSUS -, pela caderneta de vacinação ou ainda pelo comprovante de vacinação, seguindo o calendário oficial do município, disponível em: https://coronavirus.rio/comprovacao/31196/.

Serviço:

Sextou Portela
Atrações: Tuiuti e Elenco Show da Portela
Data: Sexta-feira, 10 de dezembro
Horário: a partir das 22h
Local: Quadra da Portela (Rua Clara Nunes 81, Madureira)
Ingressos
Ingresso Individual Antecipado– R$ 15,00
Ingresso Individual na Hora – R$ 20,00
Mesas – R$ 100,00
Camarotes Superior – R$ 600
Camarotes Inferior – R$ 400

Samba didático: Com o Waranã da Tijuca e com as bênçãos dos Erês, o bem sempre vai vencer

Desde 2016 sem voltar no sábado das campeãs, e sem brigar de verdade pelo título desde aquele ano, a Tijuca vai apostar na energia do guaraná para contagiar a Sapucaí e adoçar um pouco a avaliação dos jurados e voltar a estar entre as melhores do carnaval carioca.

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Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo

“Waranã – a resistência vermelha” foi desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos que chega à Tijuca para o carnaval 2022. O enredo pretende apresentar a lenda do guaraná, trazendo a disputa entre o bem e o mal, sintetizada na cultura Mawé entre o embate de Tupana, as forças do bem, e Yurupari, a energia do mal. Conflito que atravessa o tempo e ressurge nos dias atuais, com Yurupari aterrorizando a vida nativa através de colonizadores, caçadores, garimpeiros, madeireiros ilegais, grileiros de terra e etc.. Esta é também uma mensagem que a Unidos da Tijuca pretende deixar com o enredo, a resistência pela preservação da natureza, da vida indígena e seus costumes. Trazendo a certeza de que o espírito do amor é muito maior que o ódio semeado por Yurupari, como é citado na sinopse do enredo.

A Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. O samba é de autoria de Eduardo Medrado, Anderson Benson e Kleber Rodrigues. O compositor Eduardo Medrado explicou um pouco sobre a oposição entre o bem e o mal do enredo que é bastante explorada também pela obra.

“A gente tentou aproveitar bastante essa tensão entre o bem e o mal que está presente na sinopse do Jack (Vasconcelos, carnavalesco). Essa tensão é representada na lenda indígena entre o equilíbrio de Tupana, criador das coisas boas, e Yurupari, que representa as forças do mal. E isso é muito atual, porque a gente vive em uma sociedade bastante polarizada, enfim, e também sempre que se tem uma expectativa muito aguçada de melhoria das condições de vida, sob que perspectivas forem essas, sempre há um aumento da expectativa de que o bem vai vencer o mal. E acho que esse é o recado positivo do enredo”, esclarece o compositor.

O site CARNAVALESCO, dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático”, conversou com o compositor Eduardo Medrado que explicou um pouco mais sobre os significados e as representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da Unidos da Tijuca para o carnaval de 2022.

ALTO CÉU /DE TUPANA E YURUPARI / DUAS FORÇAS QUE VÃO FLUIR/ A ENERGIA DE MONÃ / QUE EQUILIBRA O BEM E O MAL

“Esse segmento apresenta Tupana e Yurupari, duas forças que representam a tensão, na lenda indígena, entre o bem e o mal. Tupana, o criador das coisas boas, e Yurupari, que representaria as forças do mal. Essas duas forças que o equilíbrio, a convivência entre elas, na verdade, rege o equilíbrio cósmico. Tudo isso, a energia de Monã, Monã seria o Deus supremo, criador de todas as coisas. Essa tensão entre o bem e o mal está presente em toda a sinopse”.

UM LUGAR ONDE AS PEDRAS PODIAM FALAR/ONDE IRMÃOS DESFRUTAVAM/A BELEZA SINGULAR/ANHYÃ, BELA E HABILIDOSA/MAS A COBRA ARDILOSA USA A FLOR PRA LHE TOCAR

“Aí, a gente está falando sobre de Nusokén, essa floresta, esse ambiente paradisíaco, onde, inclusive, as pedras podiam falar, onde viviam três irmãos, dois homens e uma mulher, essa mulher é a Anhyã, que a gente fala em seguida ao dizer ‘bela e habilidosa’. A Anhyã era a protagonista desse ambiente, era amada por todos os animais, ela era habilidosa porque ela dominava as artes medicinais daquela floresta. Isso causava grande inveja nos dois irmãos. Na verdade, uma cobra se enamora de Anhyã e usa de um ardil, atrai Anhyã de um perfume de uma flor e quando Anhyã se aproxima de uma flor para cheirá-la, a cobra toca no pé e engravida Anhyã. Esse fato, gera grande revolta nos dois irmãos, ela é expulsa de Nusokén e acaba concebendo Kahu’ê distante do paraíso.

E NASCE KAHU’Ê O CURUMIM/DE OLHOS ALEGRES SEMPRE ASSIM
PRESENÇA TÃO BREVE/A INGENUIDADE SUCUMBE À MALDADE

“Essa questão dos olhos de Kahu’ê é importante porque mais à frente a gente vai ver que um dos olhos do curumim é que vem dar origem segundo a lenda do bom guaraná. Kahu’ê morre, é assinado por mando de seus tios. Então, Kahu’ê come um fruto, a castanha de uma castanheira sagrada e esse fruto, era proibido, e Yurupari, forças do mal, são invocadas pelos dois tios e travestido de uma serpente Yurupari mata Kahu’ê. A gente resolve atenuando a questão da morte dele, a gente cita presença tão breve, de forma indireta, mais leve, e depois ” a ingenuidade sucumbe a maldade”. A ingenuidade em comer a castanha sagrada, em ir a terras proibidas”.

RENASCE KAHU’Ê O CURUMIM/ SEUS OLHOS ALEGRES NÃO TÊM FIM
POIS O BEM É MAIOR, VAI REEXISTIR

“A gente queria positivar e que o refrão não fosse marcado pela perda. Por isso a gente volta no “renasce Kahu’ê”. Pois o bem é maior, vai reexistir. De fato, segundo a lenda, Kahu’ê morre, há uma grande comoção, e seus olhos são enterrados e de seu olho direito, nasce o verdadeiro guaraná. E de suas entranhas, surge o povo Maué, que vem a ser chamado de povo do guaraná”.

VIDA LIGEIRA, PASSAGEIRA / PLANTADA NO SOLO DA PURA EMOÇÃO

“Na segunda do samba a gente fala um pouco mais sobre a reexistência de Kahu’ê. Vida ligeira, passageira, que é a própria vida do curumim, mas também é a nossa. Traz uma atualidade a esse samba, até por esse momento de pandemia teve momentos de reflexão bastante agudas sobre a vida”.

DE PELE VERMELHA, OS FRUTOS DE UMA NAÇÃO

“Aqui tem uma duplicidade de interpretação. De pele vermelha, o próprio fruto do guaraná, tem a sua coloração vermelha e os peles vermelhas, povo originários Maués”.

VIDA INOCENTE, VIRA SEMENTE /E AO SOM DE UMA AVE A CANTAR/ FLORESCE IMPONENTE O POVO DO GUARANÁ

“De fato, a sinopse descreve que o ressurgimento do Kahu’ê, como primeiro membro do povo Mawé, se dá ao som de uma ave cantando a sua mais bela melodia”.

E SE A COBIÇA E O FOGO CHEGAREM NA ALDEIA/DEIXA A FORÇA MAWÉ RESSURGIR/E SORRIR QUANDO O SOL RELUZIR/NESSE DIA ELES VÃO TEMER/E O AMOR VAI VENCER

“A gente procura valorizar ao final do nosso samba a atualidade da defesa dos povos originários do Brasil. Esses povos que recebem ataques desde sempre, mas que nesse momento em especial vivem uma série de contratempos, e a sociedade brasileira, e aqui, o Carnaval, a escola se posicionando a favor desses povos. Quem se mantém íntegro, quando o dia renasce, é porque tem a força, tem o poder da resistência. O mal vai temer e o amor vai vencer. A gente termina sintetizando e usando o termo amor, uma palavra que representa na nossa cultura, tudo que é bom, toda a positividade, e notar que é um fecho alinhado com a sinopse, pois isso é sempre deixado claro, que o amor vai vencer”.

ERÊ, ESSA MATA É SUA/ERÊ, VEM PROVAR DOCE MEL/WARANÃ DA TIJUCA/VEM BRINCAR NO BOREL

“A gente faz a referência aos Erês, a gente achou importante tocar nos Erês, oportuno porque são esses espíritos infantis que gostam de tomar guaraná nos rituais, enfim aqui a gente valoriza os Erês, afirma que a mata é deles e faz uma brincadeira com a referência a nossa escola e ao Borel”.