A Biblioteca Parque Estadual recebeu, na última sexta-feira, uma bonita homenagem à memória de Maria Augusta. Realizado nas dependências do Teatro Alcione Araújo, o seminário teve como abertura um vídeo com depoimentos de pessoas que conviveram com a carnavalesca, como Ricardo Cravo Albin. Em seguida, uma mesa debatedora dissecou a carreira e as inspirações da artista. O mediador foi o professor Felipe Ferreira, membro do júri do Estandarte de Ouro, organizado pelo jornal O Globo. Como convidados, participaram os jornalistas Flávia Oliveira e Marcelo de Mello, a professora Patrícia de Aquino e os carnavalescos Licia Lacerda e Eduardo Gonçalves.
Flávia Oliveira abriu a mesa lembrando a origem de Maria Augusta, nascida em Campos dos Goytacazes, seu aprendizado no mundo do carnaval com Fernando Pamplona e sua religiosidade, filha de Xangô e praticante do candomblé durante grande parte de sua vida. Flávia escreveu sobre Maria Augusta no livro “Pra tudo se acabar na quarta-feira”, que conta com artigos sobre 16 dos principais carnavalescos do país.
Marcelo de Mello pontuou sua admiração pelo trabalho da carnavalesca, principalmente após o desfile que ela realizou em 1977 na União da Ilha, com o inesquecível enredo “Domingo”, o cuidado que ela tinha com o uso das cores em seus carnavais e a convivência com a artista nos anos do Estandarte de Ouro. Licia Lacerda falou sobre a longa convivência das duas desde a Escola Nacional de Belas Artes, o primeiro trabalho juntas na equipe de criação do Salgueiro, em 1971, com o enredo “Festa para um rei negro”, que se sagrou campeão naquele ano, além de outros trabalhos, como nos primeiros anos na Tradição, e o brilho nos olhos que Augusta tinha quando estava no carnaval.
Patrícia de Aquino foi amiga de longa data de Maria Augusta e ressaltou a ancestralidade e espiritualidade da homenageada, como essa espiritualidade influenciava o trabalho da artista, e também falou sobre seu forte lado místico, que norteava as decisões que Augusta tomava na vida, como alguns enredos que surgiram após sonhos, além de sua vivência no candomblé e iniciação com Joãozinho da Gomeia e o ator Joaquim Motta.
O carnavalesco Eduardo Gonçalves relembrou a forte amizade com a artista, que chamava de madrinha, seu pioneirismo como carnavalesca mulher e iniciativas como catalogar suas criações em livros, inspirando a criação do livro Abre-Alas, hoje utilizado por todas as escolas. Ele também citou passagens de Maria Augusta como comentarista e amante do Carnaval, frequentando inúmeros ensaios e escolhas de samba.
A mesa durou cerca de duas horas e se encerrou com Selminha Sorriso lendo dois sambas que homenagearam a carnavalesca: Vila Santa Tereza 1996 e Arranco 2004.
Após uma série de diálogos com órgãos públicos e ouvindo o clamor do público que vive o carnaval, a Liesa alterou a forma de entrada nos ensaios técnicos do Grupo Especial e implementará um sistema que une a reserva digital à entrada presencial por fluxo. O objetivo central, segundo o presidente Gabriel David, é manter a segurança de todos os participantes, respeitando as normas das autoridades.
A partir de agora, o folião terá dois caminhos para acompanhar os ensaios na Passarela do Samba:
• Entrada garantida via QR Code: Quem já realizou o agendamento pelo aplicativo oficial (RIO CARNAVAL) tem sua gratuidade assegurada. Ao chegar ao setor, basta bipar o código nos sensores para entrar diretamente.
• Acesso direto pelas catracas: Para quem não possui o QR code, não será mais necessário retirar ingressos físicos na porta. O acesso será feito diretamente pelas catracas instaladas em todos os setores, permitindo que o público entre de forma mais orgânica enquanto houver disponibilidade de espaço.
Controle de Lotação e Segurança
O novo modelo preza pelo rigor técnico e pela integridade física dos espectadores. De acordo com Gabriel David, o controle será feito setor por setor.
1. Fechamento por setor: Assim que um setor atingir sua capacidade máxima, ele será temporariamente fechado.
2. Fluxo de substituição: Caso o Sambódromo atinja a lotação total em todos os setores, o acesso só será liberado mediante a saída de outros espectadores (sistema de “um sai, um entra”).
3. Diálogo com autoridades: O presidente reforçou que a medida respeita todas as pontuações e anotações feitas pelos órgãos de fiscalização.
Expectativa para a Avenida
Gabriel David destacou que a Liesa permanece atenta ao feedback de quem “ama e respira carnaval”. O dirigente demonstrou entusiasmo para o início dos trabalhos na avenida, afirmando estar ansioso para ver o que as agremiações prepararam para este ano
O programa Sem Censura entra no clima do Carnaval com uma série de entrevistas especiais no estúdio da TV Brasil durante três semanas, com atrações dedicadas à folia, a partir desta segunda, ao vivo, às 16h. A produção comandada por Cissa Guimarães recebe convidados para entrevistas temáticas sobre as 12 escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Os integrantes das agremiações apresentam e debatem os enredos que prometem marcar o desfile deste ano na Marquês de Sapucaí.
O estúdio da emissora pública se torna passarela para os foliões da Mangueira, Portela, Salgueiro, Beija-Flor, Grande Rio, Imperatriz Leopoldinense, Mocidade Independente de Padre Miguel, Vila Isabel, Viradouro, Paraíso do Tuiuti, Unidos da Tijuca e Acadêmicos de Niterói.
A roda de conversa traz para a bancada do programa vespertino representantes das agremiações para um bate-papo aprofundado com análise, contexto histórico e cultural. O jornalista e criador de conteúdo Muka participa como debatedor. A proposta do especial é celebrar a força, a criatividade e a diversidade do maior espetáculo da cultura popular brasileira.
Essa programação do canal reúne intérpretes, rainhas de bateria, passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, além de ritmistas da bateria das agremiações para performances ao vivo, no palco do Sem Censura, de segunda a quinta, às 16h. Já às sextas, a TV Brasil mostra os melhores momentos da semana.
A sequência traz personalidades da folia como o bamba Leandro Vieira, carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense; Macaco Branco, mestre de bateria da Vila Isabel, e os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, da agremiação Azul e Branca.
Outros convidados também já confirmaram participação: o dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus; o jornalista Fabio Fabato, especializado na cobertura do carnaval; o babalawò Ivanir dos Santos para falar sobre intolerância religiosa; e o artista plástico Vik Muniz.
Viradouro embala segunda
Com o enredo “Pra Cima, Ciça”, a Viradouro homenageia no seu desfile o célebre mestre de bateria da agremiação. O veterano participa do bate-papo no programa Sem Censura desta segunda, ao vivo, às 16h. Moacyr da Silva Pinto, o querido Mestre Ciça, completa 70 anos em 2026.
A apresentadora Cissa Guimarães também entrevista o carnavalesco da escola, Tarcísio Zanon, e a porta-bandeira Rute Alves. Os ritmistas da Vermelha e Branca agitam o programa que ainda conta com a presença do cardiologista Cláudio Domênico. O médico fala sobre a importância de cuidar bem do coração na maturidade.
Mocidade é atração de terça
A saudosa cantora e compositora Rita Lee pauta o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel. Para saudar o tributo à artista, o programa da TV Brasil nesta terça, ao vivo, às 16h, recebe Igor Vianna, intérprete da agremiação, e Marcelo Misailidis, coreógrafo da comissão de frente da escola, além de ritmistas.
Filho do lendário Ney Vianna, Igor traça um panorama da carreira e comenta a expectativa para estrear como intérprete oficial da Mocidade, posto que assumiu para ser a voz principal da Verde e Branca. Já o bailarino uruguaio radicado no Brasil antecipa curiosidades sobre a apresentação da comissão de frente.
O programa ainda traz a jornalista Bárbara Pereira, biógrafa da escola, para abordar uma pesquisa sobre mulheres no samba. O combate ao assédio no carnaval pauta uma campanha que é explicada por Joyce Trindade, secretária de Políticas e Promoção da Mulher e Cuidados da cidade do Rio de Janeiro.
Mangueira tem destaque na quarta
A Estação Primeira de Mangueira antecipa para o Sem Censura curiosidades sobre o enredo que exalta a Amazônia Negra a partir da trajetória de Mestre Sacaca. Os integrantes da escola transformam o cenário na alegria da Verde e Rosa nessa participação especial na quarta, ao vivo, às 16h, no canal público.
O bate-papo reúne a presidenta da escola, Guanayra Firmino; o compositor Tomaz Miranda; e o carnavalesco Sidnei França, que estreia nos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Cissa Guimarães ainda entrevista Mãe Celina de Xangô.
Unidos da Tijuca agita na quinta (29/1)
Com um tributo à escritora Carolina Maria de Jesus, o enredo da Unidos da Tijuca é o tema do Sem Censura desta quinta, ao vivo, às 16h, no estúdio da TV Brasil. A escola leva o Amarelo e Azul para colorir o programa.
A produção comandada por Cissa Guimarães recebe quatro convidados para conversar sobre o desfile da agremiação. Participam da conversa na bancada o carnavalesco Edson Pereira, o enredista Gabriel Mello, a porta-bandeira Lucinha Nobre e a jornalista Eliana Alves Cruz.
Sobre o programa
O Sem Censura faz parte da programação do canal público desde 1985, quando estreou no dia 1º de julho na então TVE/RJ, hoje TV Brasil, sob o comando de Tetê Muniz. O bate-papo criado por Fernando Barbosa Lima ficou mais conhecido com o rosto de jornalistas como Lúcia Leme e Leda Nagle na apresentação. Desde 2024, a atração voltou ao formato original com Cissa Guimarães na bancada.
A roda de conversa recebe artistas e profissionais de diversas áreas para discutir temas do momento que interessam à sociedade. O vespertino tem quadro fixo de debatedores que se revezam ao longo da semana. Em 2025, a premiada produção da TV Brasil completou quatro décadas no ar.
Último vencedor do Prêmio APCA de melhor programa de televisão e indicado novamente na atual edição, o Sem Censura conquistou, por duas vezes consecutivas, em 2024 e 2025, o reconhecimento com o Prêmio Melhores do Ano NaTelinha, na categoria Melhor Programa de Entrevistas.
A interatividade está presente no Sem Censura com a hashtag #semcensura nas redes sociais. O público também pode participar pelo WhatsApp (21) 99903-5329. A apresentadora da roda de conversa lê e comenta as mensagens, enquanto os convidados respondem às perguntas enviadas.
Com transmissão de segunda a quinta, ao vivo, às 16h, e edições especiais toda sexta-feira, sempre na mesma faixa, o programa é exibido simultaneamente na telinha, no app TV Brasil Play e no YouTube do canal. O conteúdo diário fica disponível em formato de podcast no Spotify. O Sem Censura ainda tem janela alternativa na programação TV Brasil mais tarde, no mesmo dia, às 23h30.
Serviço
Sem Censura – segunda a sexta, às 16h, na TV Brasil
Sem Censura (reprise) – segunda a sexta, às 23h30, na TV Brasil
Sem Censura – Spotify – https://open.spotify.com/show/09O9CTA1nHctKJ2AdII0JZ
A Unidos da Tijuca realizou, na última quinta-feira, mais um ensaio de rua na preparação para o Carnaval 2026, sendo o último da temporada na Geógrafo Milton Santos, também conhecida como Via D1, na Zona Portuária. A despedida do local foi em grande estilo, um ensaio que reforçou toda a força e o teor emocional de um dos melhores sambas da safra, cantado pelos componentes com extrema alegria e de forma uníssona, sobretudo o refrão de cabeça, que é entoado como um clamor de esperança por novos tempos para a azul e amarelo. A Tijuca respira ares de confiança e almeja realizar seu melhor desfile dos últimos anos, contando também com um casal cada vez mais entrosado, uma bateria consolidada e uma evolução organizada e vigorosa. Esses quesitos serão colocados à prova na segunda-feira de Carnaval, quando a agremiação será a terceira a desfilar, apresentando o enredo “Carolina Maria de Jesus”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.
Matheus e Lucinha realizaram uma apresentação muito aplaudida pelo público presente, com um bailado mais clássico, sem muitos elementos coreográficos decorrentes da letra do samba. Na primeira parte do samba, muitos giros leves por parte de Lucinha, seguidos por um gesto de reverência de Matheus e uma sequência de bailado livre no refrão central, com Matheus mostrando muita segurança em seus rodopios e ótima agilidade nos movimentos, enquanto Lucinha encaixou giros precisos em progressão, realizados com elegância e boa postura corporal.
Fotos: Juliane Barbosa e Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
A série no refrão central se encerrou com Matheus conduzindo Lucinha em um movimento muito bonito e difícil de quatro giros conectados pelas mãos. Na segunda parte, um pequeno momento de coreografia, quando Lucinha encosta a cabeça na bandeira como se fosse descansar no trecho “dos salões da burguesia aos barracos do Borel”, seguido de uma série de passos em que ambos utilizam bem o espaço da rua. Antes do refrão principal, o movimento de bandeirada, tão característico de Lucinha.
No refrão, um show de Matheus, com seu corpo esguio utilizando muito bem também os braços em seu bailado, tornando os movimentos mais elegantes. Uma apresentação muito bonita, que mostra um casal cada vez mais alinhado, em um ritmo semelhante e sincronizado de dança.
EVOLUÇÃO
A escola optou por uma evolução mais lenta, visando um treino maior de canto e de lateralidade das alas, trabalhando os braços, volume corporal dentro do espaço para um avançar na pista mais vistoso e empolgante. E foi o que se viu, com os componentes bem soltos nas alas, sem engessamento, mas mantendo uma organização nas suas fileiras. A Tijuca manteve essa evolução mais calma até o final do seu ensaio, e isso não arrefeceu a força dos componentes, que seguiram com bastante empolgação e tomando a rua para si. Poucas alas não evoluíram de forma mais solta; no geral, o resultado foi excelente.
HARMONIA E SAMBA
Falar que a Tijuca cantou o samba soa até pequeno diante do que foi apresentado pela sua comunidade, que entoou um clamor em alto volume, ouvido na Zona Portuária, em todas as alas, inclusive as mais distantes do carro de som. Impressionou o canto da agremiação já desde a largada, manteve-se durante a meiúca do ensaio e ganhou ainda mais força na reta final. A escola ficou mais tempo na pista para testar o canto; alas ficaram paradas em alguns momentos e nada diminuiu a empolgação dos componentes. A cada passada, o canto era mais absurdo, mais emocionante, mais orgulhoso. É nítida a mudança de ares na escola, como os componentes compraram o projeto e estão felizes com o enredo e, consequentemente, com o belo samba gerado por ele.
Elisa Fernandes, diretora de carnaval da agremiação, teceu comentários sobre a temporada de ensaios de rua e a força do samba para a escola. “Com certeza, fizemos a melhor temporada de ensaios de rua da Tijuca em muito tempo. Isso mostra a força do nosso enredo, do nosso samba e mostra como a história da Carolina tocou a comunidade. Tivemos a volta de muitos integrantes que fizeram questão de desfilar com esse enredo, vemos muitas pessoas se emocionando muito, a comunidade está cada vez mais envolvida, o nível dos ensaios só está aumentando. Daqui até o carnaval, a tendência é crescermos ainda mais; temos feito ensaios às segundas na quadra para trabalho de canto com alas de forma setorizada. Emocionar é importante, é um samba que emociona mesmo, mas o componente não pode emocionar e deixar de cantar, é importante treinar. A comunidade está cantando, batendo no peito, vibrando, está bonito de ver, está todo mundo bem comprometido e envolvido com o samba, temos tudo para chegar ao desfile oficial ainda mais fortes”, declarou.
Samba que está na prateleira de cima do Grupo Especial para 2026, de uma força e poesia enormes. A segunda parte é de uma beleza indescritível em sua construção. A obra foi completamente abraçada pelos componentes, como se vê a cada ensaio, e vem conseguindo um rendimento excelente, com uma boa condução de Marquinho Art Samba e seus apoios, com um andamento agradável por parte da bateria de mestre Casagrande e um desempenho linear, mesmo com o refrão de cabeça alcançando o ponto mais alto de explosão. Um samba poético, lírico e aguerrido, impulsionando o ânimo do tijucano.
O intérprete Marquinho Art Samba falou sobre a preparação para o desfile. “Eu sinto que a escola está quase pronta, lógico que ainda faltam algumas coisinhas, mas é só detalhe que, no dia a dia, vamos consertar. Nossa escola está cantando o bom samba, está na boca do torcedor e não há nada melhor do que isso. Diria que estamos 90% prontos para viver o grande dia, apenas alguns ajustes para lapidar”, afirmou.
Elisa Fernandes, diretora de carnaval da agremiação, teceu comentários sobre a temporada de ensaios de rua e a força do samba para a escola. “Com certeza, fizemos a melhor temporada de ensaios de rua da Tijuca em muito tempo. Isso mostra a força do nosso enredo, do nosso samba”.
OUTROS DESTAQUES
A bateria, de mestre Casagrande, é sinônimo de qualidade, educação musical e segurança para a escola; com um ótimo samba como o que a Tijuca possui para 2026, é garantia de excelência na parte musical.
A rainha de bateria, Mileide Mihaile, parece que já está no posto há tempos, tamanha a desenvoltura com que vem à frente da “Pura Cadência”. Sambou com a ala de passistas, interagiu com mestre Casagrande e conquistou a simpatia da comunidade.
A ala das baianas veio com uma bonita roupa branca e cantou bastante o samba. As senhoras também exibiram sorriso e simpatia durante o treino da escola.
Os ensaios técnicos do Grupo Especial do Rio Carnaval 2026 vão começar e, para este ano, o público contará com uma grande novidade: os ingressos, que seguem gratuitos, agora deverão ser emitidos no aplicativo oficial do Rio Carnaval. A iniciativa vale para os dois finais de semana onde as agremiações do Grupo Especial farão o aquecimento da Sapucaí, nos dias 30 e 31 de janeiro, 1º, 6, 7 e 8 de fevereiro.
A retirada de ingressos começa nesta sexta-feira, a partir das 12h. Quem já tiver o aplicativo do Rio Carnaval instalado, basta clicar no banner que estará disponível e seguir os passos. Quem ainda não tiver, pode baixar gratuitamente nas lojas para iOS ou Android. Será possível emitir um ingresso por CPF para cada dia de ensaio, para arquibancada ou frisa. A medida vai facilitar a organização e melhorar o controle de acesso do público ao Sambódromo, evitando superlotação.
Confira o calendário completo dos ensaios técnicos:
Sexta-feira – 30/1
21h – Acadêmicos de Niterói
Mocidade Independente de Padre Miguel
Estação Primeira de Mangueira
Unidos da Tijuca
Sábado – 31/1
18h – Desfiles do Rio Carnaval Mirim
20h – Unidos de Vila Isabel
Acadêmicos do Salgueiro
Paraíso do Tuiuti
Portela
Domingo – 1/2
17h30 – Desfiles do Rio Carnaval Mirim
19h – Unidos do Viradouro
Imperatriz Leopoldinense
Acadêmicos do Grande Rio
Beija-Flor de Nilópolis
Sexta-feira – 6/2
21h – Acadêmicos de Niterói
Mocidade Independente de Padre Miguel
Estação Primeira de Mangueira
Unidos da Tijuca
Sábado – 7/2
18h – Lavagem da Passarela
Em seguida:
Unidos de Vila Isabel
Acadêmicos do Salgueiro
Paraíso do Tuiuti
Portela
Domingo – 8/2
18h – Desfiles do Rio Carnaval Mirim
19h – Unidos do Viradouro
Imperatriz Leopoldinense
Acadêmicos do Grande Rio
Beija-Flor de Nilópolis
Em um encontro marcado pela franqueza e pela paixão que dedica à Acadêmicos do Grande Rio há quase quatro décadas, o presidente de honra Helinho Oliveira recebeu o CARNAVALESCO para uma conversa profunda sobre os rumos da agremiação. Refletindo sobre o desfecho do último carnaval e com os olhos voltados para 2026, ele destacou a resiliência da escola após perder o título por apenas um décimo em 2025, a força inabalável de sua comunidade e a confiança nos segmentos que formam a “espinha dorsal” da Tricolor de Caxias. A Grande Rio entra na Sapucaí com um único objetivo: a vitória.
Presidente, olhando para trás, qual o sentimento que ficou após o resultado do Carnaval de 2025?
“O carnaval de 25 passou, agora o foco é 2026. Teve um momento na avenida em que me senti campeão, mas os envelopes mostraram que perdemos décimos na bateria porque a jurada alegou não ter ouvido algo. Foi um detalhe, mas está tudo bem; parabenizamos a campeã e seguimos em frente porque este ano é outro”.
A Grande Rio é conhecida pelo canto forte. A comunidade é realmente a mola propulsora da escola?
“Sem dúvida, a comunidade é a nossa mola. Eu costumo dizer que nenhum dirigente é nada se a comunidade não fizer o que vem fazendo. No último ensaio em Caxias, eu me emocionei ao ver aquela entrega; é algo que está acima de qualquer colocação. Além disso, mantemos o compromisso de doar 100% das fantasias para os nossos componentes; são 3.500 roupas de qualidade distribuídas para o povo de Caxias”.
Como está o desenvolvimento do enredo com o carnavalesco Gonzaga e o que podemos esperar das alegorias?
“O Gonzaga está nos deixando muito satisfeitos, demonstrando um trabalho bonito com fantasias maravilhosas. Eu aprendi com o Joãozinho 30 que carnaval só fica pronto na avenida. O projeto nasce na cabeça do artista, muda no papel e se transforma novamente dentro do barracão, por isso é importante estar perto desde o início”.
Sobre o mestre Fafá, houve muita cobrança após as notas do último ano. Como a presidência lidou com isso?
“Eu disse a ele: ‘Levanta a cabeça, meu chapa’. Perdemos por um décimo, o que já aconteceu outras vezes, e não entendi por que houve tanta dor. Nós acreditamos no Fafá desde jovem; ele assumiu a bateria e mostrou seu valor, seguindo o legado da família. Ele tem todo o nosso apoio”.
A escolha de Virgínia Fonseca como rainha gerou debates. Como o senhor avalia a presença dela hoje?
“O samba deve acolher a todos, e a Virgínia foi abraçada pela nossa comunidade. Houve um burburinho inicial por ela ser branca, mas a presença dela é positiva; ela quase não faltou a ensaios e está sambando muito bem. É mentira que ela pagou pelo cargo; se tivesse esse dinheiro, eu teria gasto no barracão, pois aqui sempre falta. Ela ajuda com a nossa mídia, já batemos 1 milhão de seguidores no Instagram, e o povo comprou a briga dela”.
O que pode adiantar sobre a comissão de frente para o próximo desfile?
“Só posso dizer que vai emocionar. Eu só faço o que me motiva, e o projeto atual me motiva muito. Estamos sempre acrescentando ideias novas porque todo mundo quer ganhar o título e o show de abertura precisa ser grandioso. É um dos quesitos mais caros, se juntar tudo, mas é um investimento necessário para quem quer ser campeão”.
A Grande Rio virá logo após a Vila Isabel, em um dia com escolas pesadas como Salgueiro e Tuiuti. Existe algum receio?
“Medo não, eu encaro qualquer uma. O dia inteiro é forte, e papai do céu sabe como faz as coisas. Não tem tarefa mole no Grupo Especial, mas o nosso carnaval é feito para brigar pelo título. Se não for para entrar na briga, eu nem venho para o barracão”.
Para encerrar, o que a Grande Rio representa hoje para Duque de Caxias e para o senhor?
“Para mim, não existe nada maior que a Grande Rio em Caxias; a cidade é a escola. Eu torcia pela Mangueira e pela Beija-Flor antes da fundação, mas hoje a Tricolor é o nosso patrimônio. É como um filho para mim. Ver a energia da velha guarda e das baianas após um desfile nos dá força para continuar todo ano”.
O CARNAVALESCO conversou com o coreógrafo da comissão de frente do Salgueiro, Paulo Pinna, sobre o projeto de 2026, ano em que a escola celebra a vida e a obra da antológica carnavalesca Rosa Magalhães. Na conversa, ele comentou sobre a apresentação do minidesfile.
“A gente fez uma coreografia e uma proposta para que toque no coração das pessoas, não só com homenagem às escolas, mas também no figurino dos bailarinos, que remete a um personagem que ela sempre trazia, a Arlequina. A Arlequina é um personagem universal e que representa muito bem o carnaval”, disse Paulo.
No minidesfile, Paulo deu um gostinho da homenagem para Rosa Magalhães. “Fizemos um truque de troca de roupa para mostrar os pavilhões em que a Rosa trabalhou”, antecipou.
O artista da dança também abordou a parceria da carnavalesca com o coreógrafo Fábio de Melo na Imperatriz Leopoldinense, na última década do século XX, em comissões de frente que redefiniram a história do carnaval carioca.
“A Rosa e o Fábio revolucionaram e modificaram as comissões na década de 1990. Não tem como não homenageá-lo falando de Rosa, seja num desenho coreográfico, numa movimentação ou em algo que você olhe e pense: ‘caramba, é muito o que ele faria’. Isso vai estar presente em todos os momentos, seja aqui, seja no ensaio técnico, seja no desfile oficial, no ensaio de rua”, explicou.
Paulo Pinna celebrou ainda o impacto do trabalho de Rosa Magalhães no mundo do samba e em uma geração inteira de criadores.
“Quando a gente para para pensar em Rosa Magalhães e falar sobre Rosa Magalhães no Carnaval, vai além do Salgueiro, da Imperatriz, da Vila Isabel. A Rosa é além do carnaval. Ela foi a carnavalesca que conseguiu ter essa comunhão de foliões e artistas que se inspiraram no trabalho dela para fazer o carnaval ser diferente. Falar de Rosa é festejar o carnaval, a comunhão de todas as escolas”, finalizou o coreógrafo.
O CARNAVALESCO conversou com a comunidade e a equipe da União de Maricá sobre o canto forte da escola para o Carnaval 2026. A satisfação e a entrega da comunidade não são por acaso, mas fruto de investimento pesado e do trabalho incansável de sua equipe, como reforçou uma das novas contratações da escola para 2026, o intérprete Zé Paulo Sierra.
“A escola vem mostrando uma evolução e um entendimento do que precisa ser feito. A direção montou um time sólido e experiente para acertar algumas coisas e, assim, colher os frutos do que está sendo plantado. O Mauro, com seu time de harmonia, tem feito um trabalho fantástico e incansável, ala por ala. O resultado é uma escola cantando o samba por inteiro, com a mesma intensidade do início ao fim”, apontou o artista.
Mesmo estreante na agremiação, o diretor de harmonia, Mauro Amorim, contou que as bases para o resultado apontado por Zé Paulo são construídas durante os recorrentes ensaios.
“A gente está trabalhando muito. Já estamos no nosso quarto ensaio de rua, fizemos seis ou sete ensaios de quadra de canto e temos um planejamento muito grande de ensaios até o carnaval. A gente sabe do nosso desafio, sabe do tamanho do nosso trabalho, mas é aquilo: a gente precisa trabalhar, trabalhar, trabalhar, ensaiar, ensaiar, ensaiar, e vamos fazer muito isso até o carnaval”, garantiu o profissional.
Mauro comentou ainda sobre a gratidão que sente por cada componente que se dedica à agremiação.
“Eu pedi para cada diretor de harmonia dar um abraço e agradecer aos seus componentes. De Maricá para a Cidade do Samba são 50 km. Cada um fez o seu esforço para estar aqui, e a gente precisa reconhecer isso. O diretor de harmonia precisa criar um bom ambiente de trabalho e ser um multiplicador de alegria para essa galera estar feliz”, explicou.
“A comunidade está superanimada. Nosso ensaio de rua é prestigiado tanto pela comunidade da escola quanto pelos moradores de Maricá que não desfilam. Todos firmes e fortes, com uma energia contagiante. Hoje, eu vou te falar que, em 2026, Maricá vai ser campeã. Temos um ótimo samba e um enredo de empoderamento feminino”, disse a assistente administrativa Michele Guerrero, de 42 anos, que estreia, em 2026, como componente da escola da cidade onde mora.
A técnica de enfermagem Lúcia Silva, de 42 anos, há três anos na União de Maricá, também se mostrou otimista com o próximo desfile.
“Esse ano, a Maricá está vindo com um chão muito forte. A comunidade abraçou o samba, o povo está com o samba na ponta da língua. O enredo está muito empoderado, trazendo a força e a luta da mulher preta. A escola está empenhada para ganhar esse título e ingressar no Grupo Especial”, pontuou Lúcia.
O fotógrafo Jorge Luiz Rodrigues, conhecido como Jorginho, de 60 anos, se prepara para o primeiro carnaval na União de Maricá. Ele desfila há 33 anos pela Viradouro.
“Para o meu primeiro ano, a escola está com uma entrega muito boa. O pessoal está cantando, com a letra na ponta da língua, evoluindo… Está show de bola”, avaliou.
Inicialmente subestimada por parte do mundo do samba, a União de Maricá mostra, a cada dia e a cada carnaval, sua evolução, silenciando aqueles que antes a criticavam.
“A escola está acima das críticas que as pessoas fazem dela. Não tem nada a ver. A escola tem muito chão”, afirmou Jorginho.
Maestro da animação maricaense, Mauro Amorim respondeu aos julgamentos com segurança e bom humor.
“Maricá é terra de sambista. A comunidade está feliz, a escola investe muito na sua comunidade. A gente vai levar o melhor desfile possível para a Sapucaí, porque o povo merece”, colocou.
Michele, por fim, destacou as esperanças em um futuro longevo para essa crescente comunidade.
“Toda escola um dia já teve 5, 10, 15 anos. A Maricá é uma escola nova, uma escola que está crescendo e vai fazer 20, 30, 50 anos e vai ser centenária como as outras”, profetizou.
O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026. Rafael Ladeira, carnavalesco da Unidos de Cosmos, que desfila na Série Bronze, explicou o enredo “AHAMA – É preciso resgatar para resistir”, sobre o pedido de socorro dos povos originários brasileiros, além de adiantar detalhes plásticos.
“A gente celebra, neste enredo, um pouco da história e da cultura das nações indígenas brasileiras. Começamos clamando pelo reconhecimento histórico desses povos nativos, mas não é só lamentação; o desfile traz todo um lirismo, uma poesia em torno dessa cultura”, disse Ladeira.
De fato, a proposta do enredo é conscientizar ao mesmo tempo em que encanta o público da Intendente com a riqueza indígena.
“A gente convida todos a viajar com a gente numa grande canoa, rio acima, voltando no tempo para redescobrir esse Brasil urucum, esse Brasil cocar, o Brasil do arco e flecha. Que guarda esperança no canto do uirapuru, que valoriza os mais velhos, que tem muito a ensinar ao mundo por meio das receitas e de todo o conhecimento dos pajés. Que valoriza a figura feminina, que entende a necessidade de ensinar a juventude a suportar as dores e as dificuldades da vida e que também celebra a vida e a felicidade por meio de cantos, danças e batuques. Um Brasil que foi enterrado, esquecido pela cultura ocidental e que hoje emerge novamente da terra no nosso Carnaval para dizer que o Brasil, sim, é uma terra indígena”, desenvolveu o criador.
Ele contou ainda que a ideia do enredo veio da pretensão da Unidos de Cosmos de se manter na linha de temas sociopolíticos que vem explorando nos últimos anos.
“A gente fez alguns enredos com temática afro e, no ano passado, reeditou o ‘Eu Quero’ (baseado no desfile histórico do Império Serrano de 1986, que clamava por democracia e o fim da ditadura militar), que é totalmente político. O enredo partiu de uma ideia pessoal, mas foi construído junto com toda a direção da escola, com todo o pessoal da escola, e ficou bem bacana. Atende à escola e faz jus à marca que ela vem imprimindo nos últimos carnavais”, refletiu.
Quanto a alegorias e fantasias, o carnavalesco garantiu uma profusão de cores, em comparação com a paleta do Carnaval passado, quando a escola investiu em um desfile mais tradicional, marcado pelo verde, branco, prata e ouro.
“A gente pode esperar um desfile supercolorido, com elegância e muito bom gosto, e uma escola muito bem vestida, como tem sido uma característica nossa nos últimos anos”, prometeu Ladeira.
Para finalizar, o experiente profissional descreveu os desafios e as delícias de trabalhar na Intendente, conhecida por abrigar o Carnaval do povo.
“A Intendente é uma mescla de tudo. É um coração pulsante. A gente tem todas as dificuldades de logística, de barracão, principalmente por conta de algumas limitações de altura. Tem toda a dificuldade financeira. A gente tem um orçamento muito pequeno. Tem que usar muita criatividade para tirar da cabeça o que o bolso não tem. Compensamos isso, contudo, com muita alegria, vibração e energia. É um Carnaval feito para a comunidade, pela comunidade. Que vibra, que se entusiasma, que constrói aquilo tudo ali. Que se emociona, que chora, que briga. É um caldeirão de emoções infinitas”, comentou.
O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026. Cuca Soares e Felipe Santos, carnavalescos do Boi da Ilha do Governador, contaram detalhes sobre o enredo de 2026, “Orun-Ayê”, além de descreverem os esforços empreendidos após o descenso da agremiação para a Série Bronze, no ano passado, e os desafios da Intendente.
“O enredo, este ano, fala da criação do mundo na tradição nagô. A história é muito bonita. O Boi da Ilha vem a um reencontro do Carnaval de 2001 com o Carnaval de 2026, com uma singela homenagem ao nosso saudoso carnavalesco Guilherme Alexandre e a celebração da Boda de Prata do Samba Estandarte de Ouro, o único Estandarte de Ouro em samba-enredo do Boi da Ilha. A escola está se preparando para vir com um Carnaval muito bonito”, disse Cuca.
“Quem desfilou, quem acompanhou o desfile em 2001, não vai rever uma reedição com aquela cara de que isso já aconteceu. A gente tenta trazer essa nova roupagem, uma roupagem mais atual”, complementou Felipe.
Em 2025, com o enredo “Arrepia Boi da Ilha”, sobre o intérprete Quinho, a escola deixou a Série Prata em direção à Série Bronze. O descenso, no entanto, não abalou a agremiação, que, desde 2020, após dois anos suspensa, venceu dois Carnavais na Intendente.
“O presidente Marcelo, junto com o diretor de Carnaval, Dimas, está dando condições bacanas, um bom suporte para a gente fazer um Carnaval espetacular e voltar à Série Prata”, declarou Cuca.
Em termos concretos, o Boi da Ilha investe em três alegorias para 2026, além de fantasias bem acabadas.
“É um enredo que permite que a gente trabalhe muito bem as cores, a volumetria das fantasias. Quando a gente fez essa dupla, pensamos logo em fantasias coloridas e volumosas, abusando da criatividade para que as pessoas, conforme a escola vem vindo, consigam identificar o tapete cromático, as alas”, explicou Felipe.
Para isso, no entanto, será preciso driblar as dificuldades que a Intendente apresenta, sobretudo em questão de estrutura, repasse de verbas e reciclagem de materiais.
“Trabalhar na Intendente exige muito do pensamento crítico para a criatividade. É você olhar alguma coisa e falar: ‘Nossa, aquilo dali, eu tenho uma quantidade boa, tenho uma volumetria boa. Posso usar aquilo ali em alguma área, em alguma composição, em algum carro. Nada se perde quando a gente fala da Intendente Magalhães. Tudo a gente cria, recria e transforma’”, apontou Felipe.
Cuca concorda, mas ressalta: “A Intendente é um Carnaval raiz. É o Carnaval do povão, como dizem, porque o público está próximo e realmente vê a dificuldade que levamos para fazer um grande Carnaval. Ali é onde pulsa o público. Quando passa a escola, a energia do público já diz o resultado do seu trabalho. Você que curtiu o Carnaval de 2001, você que desfilou, venha reviver esse momento, porque é um momento grandioso, de muita esperança, de muita vontade de vencer. Queremos fazer novamente história. Assim como fizemos em 2001, faremos em 2026”, finalizou.