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Comissão de frente e casal se destacam em ensaio técnico consistente da Unidos da Ponte

Por Luiz Gustavo, Júnior Azevedo, Juliane Barbosa e Maria Estela Costa

A Unidos da Ponte foi a terceira escola a ensaiar na noite da última sexta-feira, no primeiro dia de ensaios técnicos da Série Ouro. A escola passou no embalo de seu enredo e apresentou uma evolução dançante e uma comunidade animada, mesmo com algumas inconsistências no canto dos componentes. O samba teve um rendimento satisfatório, e o casal formado por Thiaguinho e Jéssica se destacou com uma ótima apresentação. No conjunto geral, um ensaio que mostra boas credenciais da agremiação de São João de Meriti, com outros pontos a serem melhorados para o desfile oficial, que será realizado no dia 14 de fevereiro. A Ponte encerrará o sábado de carnaval apresentando o enredo “Tamborzão – O Rio é baile! O poder é black!”, desenvolvido pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves.

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“A minha análise é mostrar que a Unidos da Ponte, de fato, é uma escola bem constituída, bem estruturada. A gente conseguiu mostrar que a Unidos da Ponte vai fazer carnaval, vai se estruturar a cada ano mais para poder apresentar um desfile de alto nível. Esse ensaio serviu para mostrar isso. Apesar de todas as questões que tivemos, do primeiro ensaio com esse som, que é uma novidade para todos, tivemos alguns pequenos acidentes em relação à técnica do som. A Ponte mostrou que está firme, que está forte e que vai, sim, fazer carnaval. Ainda estamos organizando essa questão da contagem da cronometragem da cabine. Hoje foi para entender esse tempo e, no dia do desfile, executar o que a gente percebeu”, garantiu Camarão Netto, diretor de carnaval.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão coreografada por Juliana Frathane trouxe 14 componentes representando um baile funk, com os típicos passos do gênero, enxertados com elementos de balé. Uma comissão totalmente pautada na dança, bastante dinâmica e bem sincronizada, com alguns passos de nível mais alto de dificuldade, como acrobacias e o chamado passinho, de movimentos bem ligeiros. Uma apresentação agradável e de bom nível em todas as cabines.

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“Estou satisfeita, a escola está vindo com muita potência para honrar, e é o que a Ponte merece. Perfeito. Em prol da melhoria dessa comissão de frente, apenas o ensaio, pois é preciso ver as passadas de um jurado para o outro, porque agora a comissão está sempre trabalhando com a harmonia para tentar ajustar o que for melhor para a escola, apenas esses pequenos detalhes. Para o Carnaval 2026, todos podem esperar da comissão de frente da Ponte muita força! Nada do que está sendo apresentado nos ensaios eu vou mostrar no dia oficial. Sempre tem aquela surpresa, e vai ser uma surpresa mesmo, que não tem nada a ver com esta apresentação. O Nicolas, carnavalesco, me deu essa missão, e eu estou abraçando, e eu vou honrar”, afirmou a coreógrafa Juliana Frathane.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Thiaguinho Mendonça e Jéssica Ferreira tiveram um excelente desempenho neste ensaio, com o dinamismo e a agilidade nos movimentos que o enredo pede. O casal, que volta a dançar junto após mais de uma década, mostrou uma sintonia fina em toda a série. Destaque para o refrão central, em que Jéssica encaixou uma série de giros muito precisos, enquanto Thiaguinho caprichou em um bailado com ótimo trabalho de pernas. Na segunda parte, movimentos de cortejo e condução de Thiaguinho foram bem executados. Thiaguinho e Jéssica também foram felizes na adição de elementos do funk, sem exageros ou descaracterização da dança mais clássica, uma junção bem realizada que deu força à apresentação. Um momento de destaque do ensaio da Ponte.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

“Estamos voltando com nossa parceria como casal após mais de dez anos, e está maravilhoso. Todo o trabalho que a gente está fazendo tem dado supercerto. A coreografia, do nosso coreógrafo junto conosco. montamos a coreografia juntos. está ótima. É ótimo tê-los comigo, e o Thiaguinho me trouxe muita coisa neste ano. É uma troca, e está muito gostoso”, disse a porta-bandeira.

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“O ensaio técnico é um teste mesmo, é para a gente ver se a coreografia vai encaixar no ritmo oficial do desfile, se a voz do intérprete vai dar um caco que às vezes favorece a nossa dança. É realmente o dia de entendermos o que está acontecendo, e foi bem positivo. Gostei da energia do povo. Eu sou sempre muito positivo, mas não esperava a reação tão eufórica da galera quando a gente se apresentou. Estou indo embora com o coração a mil”, completou o mestre-sala.

EVOLUÇÃO

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A escola aproveitou bem o espaço da Marquês de Sapucaí para realizar uma evolução mais volumosa, com componentes soltando os braços e evoluindo para os lados. Algumas alas passaram de forma bem dançante, um destaque do quesito. Em relação ao ritmo do avanço pela pista, a Ponte teve alguns momentos em que esteve lenta na avenida, contrastando com o andamento mais firme impresso no início. As alas mantiveram boa organização durante todo o ensaio, sem maiores espaços entre elas, mesmo com os componentes mais soltos. A agremiação finalizou seu ensaio com 54 minutos na pista.

HARMONIA E SAMBA

O canto da Unidos da Ponte apresentou algumas irregularidades ao longo de sua passagem pela avenida, com diversos componentes entoando apenas o refrão principal e cantando pouco o restante do samba. As alas que vieram próximas do final do ensaio exibiram um canto mais quente, sobretudo, na reta final da apresentação, quando o quesito teve uma subida de desempenho.

“Felicidade muito grande com o ensaio de hoje. Meu irmão Thiago, que já trabalha junto comigo há um tempo pelas quadras da vida, me dá uma felicidade muito grande de estar fazendo esse grande trabalho com a Ponte. Ele está trazendo esse samba alegre, reverente e animado para a Marquês de Sapucaí. O ensaio é sempre para poder ajustar os possíveis erros. Um exemplo é que a gente, do carro de som, foca muito na nossa parte, mas acredito que a escola fez um grande ensaio e a comunidade veio cantando o samba muito feliz. E temos muita felicidade, nós, compositores, de termos feito esse samba”, comentou o intérprete Matheus Gaúcho.

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O samba, que é de fácil assimilação, mostrou uma funcionalidade correta no ensaio. Sem maior explosão, segurou de maneira satisfatória a passagem da escola. Matheus Gaúcho e Thiago Brito mostraram boa sintonia e sustentaram a obra na maior parte do ensaio. O refrão central obteve bom rendimento e foi um ponto de destaque da apresentação. A primeira parte teve um desempenho mais inconstante, com algumas quedas.

“A gente vem trabalhando já há bastante tempo na disputa do samba. Eu participei de toda a discussão e das adaptações para o samba e para as nossas vozes, já pensando na nossa forma de cantar. Eu acho que hoje é um teste. O som ainda está passando por alguns ajustes, mas foi bastante proveitoso. Agradeço ao máximo à minha dupla. A gente não tem vaidade, e o que importa é a nossa escola, a nossa bandeira, que é a Unidos da Ponte. Eu me considero um pé-quente, porque já participei de alguns títulos e de alguns vice-campeonatos. Que seja, então, a melhor colocação da história da Unidos da Ponte. Eu acredito, como estou falando agora, que será o maior desfile da história, porque o nosso presidente e a nossa diretoria não estão medindo esforços em todos os setores. Eu sou bastante chato, e o Matheus está aqui de prova, mas tenho recebido tudo o que exijo para o melhor, porque é a nossa vida. A gente ama o que faz, obviamente trabalha e vive disso, é o nosso financeiro, mas, se não tiver amor e se não tiver paixão, você pode ganhar milhões que nada vai superar”, citou o cantor Thiago Brito.

OUTROS DESTAQUES

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MC Serginho veio liderando uma das alas da escola, que pecou pela falta de canto. A bateria, comandada pelos mestres Alex Vieira e Juninho, potencializou o samba com um ritmo firme e boas bossas. A ala de passistas da Ponte mostrou que a mistura do samba com o funk dá um bom caldo e deu show de ginga na avenida.

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“Foi bom, foi bom. Pode melhorar, a gente é muito perfeccionista, então acredita que sempre pode melhorar. Teve uns impercalços em relação ao som, atrapalhou um pouquinho a gente, mas, fora isso, a bateria foi com êxito. Perfeita, perfeita não, perfeita só Deus, mas foi maravilhosa. Fiquei muito feliz e muito contente com o ensaio. Podem esperar um trabalho firme, com dedicação. Foi muita dedicação para ter um trabalho legal, dentro do enredo. Podem esperar bastante coisa: vai ter dancinha, vai ter funk, vai ter charme, vai ter tudo pra gente”, revelou mestre Juninho.

Freddy Ferreira analisa bateria da Vigário Geral no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Swing Puro”, comandada pelo mestre Luygui. Uma bateria com uma afinação de surdos poderosa e impactante foi exibida. Ainda assim, tanto os médios quanto as peças leves também se sobressaíram, graças a trabalhos musicais de excelência entre os mais diversos naipes.

Na parte da frente do ritmo da Vigário, um naipe extremamente acima da média de chocalhos se exibiu de forma impecável. Tudo isso junto de uma ala de tamborins de imensa virtude musical, contando, inclusive, com um carreteiro uníssono e bastante potente. Ainda ajudaram a complementar as peças leves uma boa ala de agogôs, pontuando o desenho rítmico por meio da melodia do samba, e um naipe de cuícas de inegável qualidade. A talentosa cabeça da bateria “Swing Puro” ajudou demais na densidade musical das camadas rítmicas da bateria.

A cozinha da bateria “Swing Puro” contou com sua já tradicional afinação bem pesada de surdos. Os marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza, mas também com bastante precisão. O balanço irrepreensível dos surdos de terceira ainda auxiliou no preenchimento acima da média dos graves. Caixas consistentes e taróis com boa ressonância exibiram qualidade junto de repiques igualmente talentosos, garantindo uma camada musical privilegiada dos naipes médios.

Bossas altamente vinculadas à melodia do aguerrido samba-enredo da escola foram apresentadas, todas se aproveitando da irretocável pressão sonora dos surdos, graças à afinação pesada da bateria “Swing Puro”. O ponto alto musical dos arranjos é a paradinha do refrão principal, que, mesmo musicalmente complexa, mostrou-se perfeitamente casada com o estribilho da canção.

Um ótimo ensaio técnico da “Tropa do Amassa”, do mestre Luygui. Uma bateria “Swing Puro”, da Vigário Geral, apresentando um ritmo de excelência em todos os naipes. Mesmo com uma criação musical mais complexa e de difícil execução, as bossas foram apresentadas com precisão, além de notória pressão. Um tremendo sacode da bateria da Vigário!

Freddy Ferreira analisa bateria da Unidos da Ponte no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma apresentação próxima do correto da bateria “Ritmo Meritiense”, da Unidos da Ponte, comandada pelos mestres Alex Vieira e Juninho. Uma sonoridade altamente vinculada ao funk (tema da escola de São João de Meriti) foi exibida, sendo o ponto alto dos arranjos a bela e musical bossa do refrão do meio.

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Na cabeça da bateria, uma ala de chocalhos extremamente acima da média foi o ponto alto das peças leves, junto de um naipe de tamborins que se exibiu de forma sólida. Uma boa ala de agogôs executou um desenho rítmico pautado pelas nuances melódicas da obra sobre o funk. Um naipe de cuícas eficiente também auxiliou no preenchimento das peças leves. Muito boa a execução de chocalhos e tamborins na bossa do refrão do meio, contribuindo demais para a musicalidade diferenciada do referido trecho, com um toque consistente que ajudou no balanço.

Na parte de trás da “Ritmo Meritiense”, foi notada uma boa e pesada afinação de surdos. Os marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza, assim como os surdos de terceira deram bom balanço aos graves. Tudo isso com o auxílio de um naipe consistente de caixas de guerra, tocando junto de uma boa ala de repiques.

Bossas bastante musicais foram apresentadas, desde uma da segunda parte do samba, que se aproveitava das diferenças de timbres dos surdos, até uma bossa um pouco mais complexa na cabeça do samba. A sonoridade produzida na paradinha do refrão do meio passou de forma sublime por toda a pista, sendo um dos pontos altos musicais dos arranjos, graças ao casamento de perfeita integração entre bateria, tema e a obra, contando com o balanço diferenciado no ritmo do funk.

Uma bateria “Ritmo Meritiense”, da Unidos da Ponte, dirigida pelos mestres Alex Vieira e Juninho, que apresentou margens para crescimento. Em um ensaio, sem dúvida alguma, produtivo, foi possível identificar eventuais questões que podem ser melhoradas até o desfile principal. O conjunto de bossas, embora bastante musical, ainda carece de maior precisão, e existe tempo hábil para isso. É usar o aprendizado do treino de hoje para colher os melhores frutos possíveis e otimizar o trabalho rítmico, visando ao desfile oficial.

Freddy Ferreira analisa bateria da Em Cima da Hora no ensaio técnico na Sapucaí

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Um bom ensaio da bateria “Sintonia de Cavalcante”, da Em Cima da Hora, comandada pelo mestre Léo Capoeira. Um ritmo profundamente vinculado ao tema de vertente africana foi exibido, garantindo uma integração plena do belo samba-enredo da escola com o ritmo de sua bateria. O andamento mais quente escolhido casou bastante com a obra da agremiação, impulsionando a comunidade durante o ensaio.

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Um naipe de tamborins, com bom volume, executou um desenho rítmico simples, com eficiência. Tudo seguido por uma ala de chocalhos extremamente acima da média, com um carreteiro simplesmente impecável, que auxiliou de forma luxuosa no preenchimento das peças leves. Uma boa ala de cuícas também ajudou na sonoridade da parte da frente do ritmo, junto de um naipe de agogôs bastante eficiente, que pontuou as nuances melódicas da obra da escola em sua convenção.

A cozinha da bateria “Sintonia de Cavalcante” contou com uma boa afinação de surdos. Os marcadores de primeira e segunda foram firmes, mas seguros durante o ensaio. Os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo bom balanço envolvendo os graves, tanto em ritmo quanto em bossas. Um naipe de caixas esplêndido fez um ritmo impecável, junto de repiques coesos e de qualidade musical.

Um conjunto de bossas bastante musical foi apresentado. Sempre aproveitando as variações melódicas para consolidar seu ritmo, os arranjos exibiram conexão profunda com o enredo vinculado à matriz africana da Em Cima da Hora. Destaque para a bossa do estribilho, com solo dos tamborins fazendo “palminha de macumba”, junto de agogôs de uma campanha (boca) que tocavam junto de congas. Um arranjo bastante musical, além de proporcionar uma exibição energética diferenciada. O arranjo realizado na cabeça do samba explorou de forma eficiente os surdos, bem como se aproveitou da boa afinação para exibir as diferentes timbragens.

Um ensaio que fará os ritmistas do mestre Léo Capoeira, da Em Cima da Hora, voltarem satisfeitos pelo bom treino no campo de jogo. Uma bateria muito bem fundamentada, com o tema sobre Pomba Giras, foi apresentada, aproveitando-se das variações melódicas da bela obra da agremiação para consolidar seu ritmo. Tudo com bastante “Sintonia” com um carro de som bastante acima da média, garantindo uma musicalidade requintada da Em Cima da Hora.

Comissão de frente e força da comunidade são destaques no primeiro ensaio técnico do Vai-Vai

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Por Gustavo Lima e Will Ferreira

O Vai-Vai realizou na noite da última sexta-feira seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, visando à preparação para o desfile de 2026. O treino teve como destaque positivo a estreia da dupla de coreógrafos Diogo e Priscila, que apresentou uma comissão de frente de fácil leitura, satisfatória e que cumpriu todos os requisitos previstos no manual do julgador.

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O casal de mestre-sala e porta-bandeira Pedro Trindade e Mirelly Nunes também merece atenção, em especial a porta-bandeira, que suportou uma forte ventania durante todo o ensaio, conseguindo conduzir o pavilhão com garra. O intérprete Luiz Felipe conduziu bem o samba-enredo, interagiu com o público e buscou levantar a comunidade durante todo o tempo.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Entretanto, um ponto negativo foi a evolução problemática apresentada pela escola. Com muito tempo parada em um mesmo local, o cronômetro da pista indicou um quase estouro de tempo, com risco de divisão de alas ou formação de buracos. Trata-se de um grande ponto de atenção para o departamento de harmonia e evolução da agremiação do Bixiga para o próximo ensaio técnico, que acontece na próxima semana, no dia 30/01.

De acordo com o cronômetro da pista, instalado para os desfiles e ainda em fase de testes, a escola fechou com 1h56m, indicando estouro de tempo. No entanto, o CARNAVALESCO apurou junto ao departamento de harmonia que, na contagem interna da escola, o tempo foi de 59 minutos. Fica, portanto, registrada essa divergência.

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O Vai-Vai tem como enredo para o próximo carnaval “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, um filme contado sob a ótica do cinema Veracruz sobre a cidade de São Bernardo do Campo. O tema é assinado por uma comissão de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografados pela dupla estreante Diogo e Priscila, os bailarinos do Vai-Vai desfilaram representando operários, com figurinos de aspecto desgastado, transmitindo a sensação do trabalho árduo do povo de São Bernardo. A comissão contou ainda com quatro tripés que simbolizavam câmeras, carregados pelos próprios componentes durante a coreografia, reforçando a ideia de um filme em preto e branco do cinema Veracruz sobre a cidade.

De forma correta, os componentes estenderam os braços para saudar o público e a escola, cumprindo os requisitos básicos do manual do julgador.

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Havia também um tripé no qual os bailarinos entravam e saíam, mas não foi possível identificar exatamente sua função, pois ainda estava em fase de finalização e foi levado à pista coberto por saco plástico. Vale ressaltar que se trata de uma comissão de frente de fácil entendimento, que traduz de maneira simples o tema proposto, eliminando as dificuldades de compreensão da narrativa.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Pedro Trindade e Mirelly Nunes enfrentou o forte vento presente na pista do Anhembi e realizou um ensaio seguro. O destaque fica para a porta-bandeira, que conduziu o pavilhão de forma brilhante, sem deixá-lo enrolar no mastro.

Aparentemente, houve uma estratégia em que o mestre-sala demorava mais para estender o pavilhão, com o objetivo de ganhar alguns segundos e permitir que a bandeira fosse conduzida com maior delicadeza, minimizando os efeitos da ventania, incomum para o mês de janeiro na cidade de São Paulo.

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Não foi observada uma coreografia mais contundente dentro do samba, mas os giros no sentido horário e anti-horário do casal, especialmente da porta-bandeira, merecem destaque. Mirelly exala elegância e executa os movimentos com intensidade. Independentemente do resultado no carnaval, trata-se de um grande acerto do Vai-Vai, com potencial para ser uma das revelações do desfile.

“A gente vem ensaiando desde abril. É um trabalho muito intenso, forte e focado. Hoje descemos pela primeira vez na pista como casal oficial, com a responsabilidade de parar e apresentar para a cabine, com essa noção do quesito mestre-sala e porta-bandeira. Foi uma sensação muito forte, uma entrega muito boa. Conseguimos mostrar um pouco do que vem sendo ensaiado desde abril. Ainda há muita coisa para ajustar, mas, por enquanto, só tenho a agradecer. Foi muito boa essa entrega do primeiro ensaio”, disse a porta-bandeira.

“Como ela falou, a entrega foi feita. Demos o nosso melhor hoje nessa pista. As dificuldades no percurso existem: pegamos muito vento, teve a pausa da bateria e, logo depois, mais dois jurados. Não foi difícil, mas foi um outro tipo de treinamento. Foi a primeira vez que viemos e, nesta semana, teremos um ensaio específico aqui dentro. Já começamos a ajustar alguns pontos com a nossa técnica. Para uma primeira vez, entregamos o nosso melhor. Ficamos felizes com o que foi apresentado. Foi tranquilo, tudo por esse manto maravilhoso”, declarou o mestre-sala.

HARMONIA

Pode ser até injusto afirmar, mas a comunidade do Vai-Vai talvez seja a mais apaixonada do carnaval paulistano. A história comprova isso, e esse sentimento se reflete nos sambas que a escola canta. Para 2026, a “Escola do Povo” apresenta uma trilha sonora cuja safra inicial não ajudou, mas que, com o passar do tempo, foi completamente abraçada.

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A comunidade cantou forte um samba fácil de assimilar. É difícil apontar uma estrofe em que o canto se sobressaia mais, mas o refrão principal merece destaque pela explosão causada pelos versos que o antecedem na segunda parte da obra. O tradicional “vai, vai, vai, vai” empolga os componentes. Rimas simples e frases com melodia prolongada facilitam o canto, ponto importante a ser ressaltado.

Vale destacar ainda que os desfilantes não perderam a empolgação e cantaram forte durante todo o ensaio, algo relevante especialmente pelo fato de a última cabine de julgamento estar localizada próxima ao portão de fechamento.

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“A comunidade, quando abraça o samba, é porque é o samba que a comunidade queria. Abraçou, e vamos trabalhar juntos. O samba evoluiu demais, até diferente do que na quadra, porque aqui é de verdade. É muito bom trabalhar com essa comunidade. É muito fácil. O objetivo é melhorar ainda mais para o próximo ensaio”, comentou o cantor Luiz Felipe.

EVOLUÇÃO

O andamento das alas seguiu o padrão do Vai-Vai, com os componentes evoluindo no ritmo do samba e da bateria. Não há um estilo excessivamente coreografado, tampouco uma evolução rígida ou militarizada. Os componentes evoluem de forma solta, refletindo a leveza da pegada da bateria, como foi visto neste ensaio.

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Já a parte coletiva apresentou problemas. Quando a bateria se preparava para entrar no recuo, o movimento durou cerca de quatro minutos. A comissão de frente, por exemplo, ficou parada executando sua coreografia em frente ao Setor E. Os integrantes da harmonia aguardavam o andamento da escola com o bastão vermelho erguido, indicando a paralisação.

Isso fez com que o relógio da pista apontasse um tempo de 1h06. No entanto, o CARNAVALESCO apurou junto ao departamento de harmonia que, na contagem interna, o ensaio foi fechado em 59 minutos. Houve correria, com integrantes dos departamentos de alas e harmonia reclamando do espaçamento nos corredores. Não foram observados buracos ou divisão de escola, mas situações assim podem gerar esse tipo de problema e precisam ser corrigidas com urgência.

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Outra informação apurada é que a grande parada ocorreu por conta de um teste de efeito previsto para o próximo ensaio. Segundo a harmonia, no verso “Vai parar geral”, a escola inteira irá parar. Ainda não se sabe como isso será executado, mas, neste ensaio, o quesito ficou comprometido. É um ponto que exige atenção, pois não é a primeira vez que o Vai-Vai enfrenta dificuldades no quesito Evolução.

SAMBA-ENREDO

O samba é de fácil entendimento, com rimas e estrofes simples, transmitindo a sensação de rápida assimilação por parte do componente. E foi exatamente isso que ocorreu, especialmente no refrão principal. Trata-se do famoso samba “chiclete”.

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O intérprete Luiz Felipe, mais uma vez, realizou um ensaio em nível de carro de som do Vai-Vai. Extremamente identificado com a escola, buscou interagir com o público presente a todo momento, chamando a comunidade para cima. Vale destacar o arranjo da introdução com flauta na melodia “se liga na cena, coisa de cinema”, emendando diretamente no término do refrão principal com o início da primeira parte do samba.

“Primeiro ensaio, muito bom. Energia da escola lá em cima, componentes cantando, escola vibrando, evoluindo. Assim que a gente sai, assim que eu peço, e eles, graças a Deus, me escutam e atendem. Hoje foi muito bom”, afirmou Luiz Felipe.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Pegada de Macaco” sustentou o ritmo do samba naquele seu estilo de sempre e executou as bossas de forma correta, com destaque para o baião na parte dos “nobres imigrantes”.

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O mestre Beto explicou: “Nós estamos fazendo um xote, que é um entre vários ritmos nordestinos. O repinique faz a base como se fosse o samba de roda, que existe no Nordeste. E o surdo de primeira, segunda e terceira fazem como se fosse a zabumba. A caixa e o tamborim fazem como se fosse a vareta que bate embaixo da zabumba. A ideia saiu dentro da garagem de casa. Os arranjos do Vai-Vai sempre saem de lá, e eu divido com a minha galera”.

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O músico, que faz dupla com o histórico mestre Tadeu, avaliou o geral do ensaio. “O ensaio de hoje foi bom. Eu tive mínimos problemas, fiquei emocionado, gostei, e, quando você vier falar comigo na sexta que vem, vai ter sido melhor ainda. O surdo de segunda eu vou falar com eles para melhorar, o quesito evolução da escola, pelo que eu pude ver, e meus tocadores de segunda. O resto foi bom, mas nós vamos atingir o ótimo e entregar o excelente para vocês no dia do desfile”, completou.

A rainha de bateria Madu Fraga mostrou samba no pé e simpatia o tempo todo. Ela mostra na avenida o amor pelo Vai-Vai no olhar. Grande destaque para a coroada desde 2024.

Freddy Ferreira analisa bateria do Jacarezinho no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma exibição muito boa da bateria “Show Mil”, da Unidos do Jacarezinho, sob o comando do mestre Pelezinho. Um ritmo envolvente de caixas e repiques se juntou a uma afinação bem diferenciada de surdos, garantindo um trabalho de qualidade dos naipes médios e graves. Nos naipes agudos, o lado positivo foi a simplicidade de desenhos rítmicos funcionais, complementando as camadas musicais da bateria do Jacarezinho com eficiência.

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Na parte da frente do ritmo, xequerês, pandeiro, reco-reco, tantã e repique de mão exibiram seu ritmo e auxiliaram na bossa, conectando a musicalidade do homenageado, Xande de Pilares. Uma ala de cuícas correta, junto de um bom naipe de agogôs, apresentou-se com eficiência. Uma ala de chocalhos de qualidade executou uma convenção rítmica simples, mas funcional. O mesmo trabalho, pautado pela simplicidade, foi desenvolvido pelo naipe de tamborins, aproveitando-se das variações melódicas do samba da escola para exibir um desenho rítmico objetivo e funcional.

A parte de trás da bateria do Jacarezinho apresentou uma afinação de surdos impactante e poderosa. Os marcadores de primeira e de segunda foram firmes durante o cortejo, aproveitando a pressão do impacto dos surdos, graças a uma equalização que fez sobressair um trabalho de afinação que resultou em bastante pressão. Os surdos de terceira exibiram um bom balanço, além de um trabalho eficiente nas bossas da bateria “Show Mil”. É possível dizer, inclusive, que a pressão do impacto sonoro dos surdos foi realçada no conjunto de bossas, bem marcada e sempre pautada pelas nuances melódicas da escola do Jacaré. Um naipe de caixas sólido tocou de forma consistente, acompanhado de repiques coesos. Um trabalho merecedor de exaltação da cozinha da bateria do Jacarezinho.

As bossas da bateria “Show Mil” aproveitaram-se da pressão dos surdos para provocar impacto sonoro nos arranjos. A paradinha executada no refrão do meio, por ser mais simples, exibiu uma execução superior. Muito boa a alusão musical a “Furiosa”, do Salgueiro, na virada para finalizar o arranjo no trecho “Nem melhor, nem pior, apenas diferente”. Mais uma vez, contando com o impactante trabalho dos surdos pesados, conectando a musicalidade do Jacarezinho à escola de coração do homenageado.

Já a bossa da segunda parte do samba, que prossegue no refrão principal, é um arranjo mais elaborado e complexo, também pautado pelas nuances da melodia, além de contar com um trabalho de maior grau de exigência dos tamborins, principalmente no trecho do solo do arranjo junto de um único surdo marcando. Mesmo sendo de difícil execução, foi bem exibida pela pista, mas, por ser uma bossa mais extensa, precisa de atenção dos ritmistas durante todo o arranjo.

Uma exibição muito segura e bastante consistente da bateria da Unidos do Jacarezinho, de mestre Rafael Pelezinho. Bossas com pressão sonora diferenciada e bom conceito musical foram exibidas com eficiência. Uma apresentação para encher de orgulho toda a comunidade do Jacaré, além de dar esperança à agremiação em um quesito de excelência musical e bastante disputado. Uma volta potente do ritmo do Jacarezinho à Marquês de Sapucaí.

Novo modelo de som é colocado à prova no primeiro ensaio técnico da Série Ouro

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A implantação do novo sistema de som para os desfiles do Carnaval 2026 foi testada durante o primeiro ensaio técnico da Série Ouro, realizado na noite da última sexta-feira. A nova tecnologia utiliza um sistema moderno distribuído ao longo da Marquês de Sapucaí, substituindo o tradicional carro de som e adotando retornos de áudio via fones de ouvido para os intérpretes.

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As opiniões dos foliões, no entanto, se dividem. Parte do público demonstrou insatisfação com a nova atualização, especialmente após a Unidos do Jacarezinho entrar na avenida com cerca de 40 minutos de atraso devido à falta de som no Setor 1, problema que se estendeu pelo restante da noite. Para outros, a mudança representa um novo desafio para os intérpretes.

O primeiro a chegar ao Setor 1, Pedro Teodoro afirma estar satisfeito com o som oficial e desafia os intérpretes a colocarem o gogó para jogo, sem ficarem escondidos no carro de som.

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“Antes eu não tinha aprovado, mas agora, pelo que eu estou ouvindo, está muito bom, porque veja só: quem conhece de samba sabe que tem puxador que vem para a avenida só para fazer molho. Agora vão ter que botar o gogó para cantar, e está todo mundo cantando, porque tem pessoas da escola de samba que são sugadoras do puxador, do intérprete. Ou então o puxador é sugador do carro de som. Agora não, tem que botar o gogó para funcionar. Inclusive, o nosso Evandro Malandro, da Grande Rio, vai arrebentar aqui. Vou dizer uma coisa: eu gostei. Mas o problema é que aqui no Setor 1 o som não está funcionando, mas, pelo que eu estou ouvindo”, afirma o componente da Velha Guarda da Unidos da Ponte e do Império da Uva.

A estreia do novo sistema de som digital pretende aposentar os carros de som utilizados desde a inauguração da Passarela, em 1984, trazendo mais modernidade para a avenida e melhorias para intérpretes e bateria. Ainda assim, alguns torcedores não concordam com as mudanças implementadas e defendem que o modelo tradicional, o “arroz com feijão”, continua funcionando.

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“É arriscado, porque no final das últimas alas não funcionou, e eu preferia que mantivesse o que estava, porque eles estão querendo inventar muita coisa, e eu acho que não está legal. Isso aqui já está virando uma boate. Está acabando o carnaval do Rio de Janeiro. E eles acham que isso aqui é legal para eles, eles têm que montar uma casa de shows para eles. Isso aqui não é casa de shows, isso aqui é do público, isso aqui é um lugar de carnaval, não é boate”, declarou Leandro Maninho, torcedor do Império Serrano.

A reação positiva ao novo sistema de som também aparece entre foliões que acompanharam o ensaio técnico na Sapucaí. Segundo Edson Pará, a tecnologia amplia a experiência do desfile ao garantir que o áudio chegue de forma mais uniforme a todos os setores da avenida, facilitando a compreensão do samba e a participação coletiva.

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“Estou achando maravilhoso, estou achando muito bom. O som fica na avenida inteira. Fica maravilhoso. Todo mundo escuta, todo mundo na boa. Muito bom. A altura está boa, dá para todo mundo entender, está bom”, comentou o torcedor Edson Pará.

Opinião! Como foram os ensaios de sexta-feira no Anhembi

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Leandro Vieira diz que Ney Matogrosso coroa fase camaleônica da Imperatriz

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Leandro Vieira não tem dúvidas: a Imperatriz Leopoldinense vive um de seus momentos mais ousados. Para ele, os últimos desfiles provaram que a escola deixou de ser a “Certinha de Ramos” para assumir um espírito camaleônico, agora coroado pela escolha de Ney Matogrosso como enredo de 2026. O carnavalesco destacou a multiplicidade e a força política do artista, diferenciou sua proposta de desfile da cinebiografia “Homem com H”, ligou o enredo à linha autoral de homenagens que já assinou, comentou a sintonia com a presidente Cátia Drumond.

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A fase de experimentação da Imperatriz

Leandro Vieira afirmou que a Imperatriz Leopoldinense viveu, nos últimos anos, uma fase marcada pela experimentação. Para ele, a escola entendeu que quanto mais liberdade e diversidade assumisse em seus desfiles, mais forte se apresentaria. “Havia uma imagem de que a Imperatriz era a ‘Certinha de Ramos’, e eu nunca consegui enxergar escola de samba como esse lugar da coisa quadrada, pré-determinada”, comentou.

Nos últimos carnavais, a escola transitou por diferentes universos: foi Lampião que visitou céu e inferno, uma cigana que desejou boa sorte, vestiu-se de branco para revisitar a oralitura de Oxalá e, para 2026, se prepara para cantar Ney Matogrosso. “A Imperatriz dos últimos quatro anos não tem regra”, resumiu.

Ney Matogrosso como coroação desse momento

Para Leandro, a escolha de Ney Matogrosso como enredo é mais do que uma homenagem: é a síntese de uma fase da Imperatriz que aprendeu a se reinventar. “É a coroação de uma fase da escola que está disposta a vestir qualquer coisa e a ser feliz de qualquer maneira”, afirmou. O carnavalesco destacou que, ao longo de cinco décadas de carreira, o cantor fez do próprio corpo uma bandeira de liberdade, transgressão e prazer.

Segundo ele, a grande marca de Ney é a multiplicidade. “O que o Ney mais fez foi ser outro. Sendo tantos, de alguma forma, ele só fortaleceu a identidade do cara que ele é”, afirmou, acrescentando que essa vocação também ecoa na trajetória recente da Imperatriz: “É uma escola que se veste de muitas maneiras e prova que pode ser boa fazendo de tudo”.

Leandro sublinhou ainda que essa trajetória não se restringe ao campo estético. Para ele, Ney sempre trouxe um recorte político em sua obra: a denúncia do genocídio de povos originários em “Sangue Latino” e a postura performativa que marcou sua presença nos palcos. “Quando esse cara canta, ele está produzindo beleza, falando do Brasil e nunca deixa de ser político”, disse, indicando que essa conjunção entre estética e política é também a base de sua própria concepção de enredo.

Ney como artista carnavalesco

O carnavalesco comentou que, apesar de Ney já ter recusado convites anteriores para ser enredo, havia uma percepção de que somente sambistas poderiam ocupar esse lugar. “Alguns artistas acreditam que precisam ser do meio do samba para virar enredo. Mas a escola de samba celebra o Brasil, e o Brasil é plural”, explicou.

Na sua avaliação, é pura modéstia o próprio Ney se considerar pouco carnavalesco. “Um cara que se apresentou como homem de neandertal, que fez da nudez, do brilho e da lantejoula um padrão estético, se considerar pouco carnavalesco é a modéstia de quem tem uma cara de tímido, mas sabe exatamente que traz a cultura carnavalesca como bandeira”, disse.

Para ele, o cantor foi um dos poucos artistas a incorporar de forma radical a performance carnavalesca à cena musical brasileira: “O que ele fez foi trazer a estética carnavalesca para os grandes palcos”.

Um enredo com outro perfume

Depois de reforçar o caráter carnavalesco de Ney, Leandro fez questão de esclarecer que o desfile da Imperatriz não toma como referência a cinebiografia “Homem com H”, do diretor Esmir Filho, lançada em 2025. Para ele, embora a obra seja “maravilhosa”, trata-se de um trabalho biográfico, enquanto o enredo busca outro enfoque. “São perfumes diferentes. O filme é biográfico. E eu trato do artista que muda de pele, que fez da música a bandeira que leva no visual, no corpo”, explicou.

Continuidade de uma linha autoral

Questionado sobre o lugar desse enredo em sua trajetória, Leandro lembrou das homenagens que já realizou: Maria Bethânia (2016), Lamartine Babo (2020) e Cartola, Jamelão e Delegado (2022). O fio que une todas essas escolhas, disse ele, é a possibilidade de retratar o Brasil em sua diversidade: “Em comum, todas essas homenagens retratam o Brasil em que eu acredito, e existe um recorte que mostra a pluralidade do Brasil”.

No caso de “Camaleônico”, essa pluralidade se expressa na música, na latinidade, na luta política e na própria performance do homenageado. “Ney traz uma coisa que, de alguma forma, marca o meu trabalho, que é a possibilidade de produzir beleza, falar do Brasil e nunca deixar de ser político”, declarou.

Leandro e Cátia: uma parceria de operários do Carnaval

O carnavalesco também comentou sua relação com a presidente da escola, Cátia Drumond. Segundo ele, a sinergia entre os dois se deve ao fato de ambos terem começado como operários do carnaval, ainda em funções distintas dentro da Imperatriz. “Ela era compradora quando eu era assistente do carnavalesco. Hoje, ela é presidente e eu carnavalesco, mas seguimos dois operários”, contou.

Para ele, esse encontro de trajetórias ajuda a explicar a boa sintonia no trabalho da escola. “A Imperatriz tem uma presidente operária e um carnavalesco operário”, afirmou.

Comunidade sente no corpo: ritmo cubano embala o Tuiuti para o Carnaval 2026

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O samba do Paraíso do Tuiuti para 2026 tem provocado uma reação comum entre quem atravessa a pista: o corpo se mexe antes mesmo do pensamento. A presença de ritmos cubanos na obra, conduzida pela bateria “SuperSom”, de mestre Marcão, tem sido sentida pela comunidade como um convite à dança, ao balanço e a um desfile mais solto, segundo relatos dos próprios componentes que conversaram com o CARNAVALESCO durante o minidesfile da agremiação.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Para muitos, a sensação aparece de forma espontânea, mesmo quando não há coreografia marcada. O jornalista Carlos Júnior explica que o ritmo cria respostas automáticas no corpo. “A própria cadência faz a gente brincar com os ritmos. Tem uma parte mais afro que dá um gingado. Mesmo sem coreografia, a gente consegue criar um passo diferente, mais marcado”, contou.

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Jornalista Carlos Júnior

Essa resposta natural ao samba também facilita a relação do componente com o movimento coletivo da escola. “Mesmo quando é um desfile livre, a gente sente vontade de fazer um passinho mais marcado por causa do ritmo”, completou Carlos.

Entre os mais jovens, a percepção é parecida. O estudante de engenharia Breno Nestor diz que os toques da bateria ajudam o componente a se soltar. “A bateria do mestre Marcão é nota 10. A cada ensaio, ouvir esses toques ajuda bastante. A gente cresce junto com o samba, com os ritmos, e isso facilita para dançar mais e fazer um desfile bonito”, afirmou o componente, que desfila na escola há dois anos.

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Estudante de engenharia Breno Nestor

A sensação de leveza também aparece nas falas de quem já tem mais tempo de avenida. A aposentada Daisy Coelho, que desfila no Tuiuti desde 2019, percebe o samba como algo diferente do habitual. “Facilita, sim. Dá um toque diferenciado. Isso ajuda o componente a vir com mais disposição”, disse.

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Daisy Coelho, desfila no Tuiuti desde 2019

Para a professora Sueli da Conceição, há dois anos na escola, o impacto do ritmo é físico e emocional. “É um molejo. Dá um batidão no coração da gente. Só estando ali dentro para sentir a emoção que é”, relatou.

Já a coreógrafa Luciana Yegros observa que o que aparece nas falas da comunidade nasce diretamente do samba. “É um ritmo muito marcante, muito contagiante. A bateria cria bossas muito dançantes, e isso leva todo mundo junto”, afirmou. Segundo ela, o movimento surge da relação entre letra, ritmo e referências do enredo. “Quando você pensa em coreografia, você pensa em ritmo. O movimento vem como consequência”.

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Coreógrafa Luciana Yegros

Nos ensaios, essa combinação tem se traduzido em uma experiência compartilhada: o componente canta, se movimenta e dança quase sem perceber. Para a comunidade do Tuiuti, o ritmo cubano do samba de 2026 não é apenas uma escolha estética, mas algo que se sente no corpo e na emoção de estar na pista.