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Freddy Ferreira analisa bateria da Estácio de Sá no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Medalha de Ouro” da Estácio de Sá, comandada por mestre Chuvisco. Um ritmo estaciano clássico, com a típica levada de partido alto nas caixas tocadas em cima, junto de uma afinação tradicionalmente pesada, dando pressão sonora aos arranjos da vermelha e branca do São Carlos.

Na parte da frente do ritmo da Estácio, uma boa ala de chocalhos se exibiu próxima de um naipe de cuícas de qualidade musical inegável. Um naipe de agogôs apresentou um desenho rítmico pontuando as nuances melódicas com solidez. Uma ala de tamborins de inegável qualidade coletiva foi o destaque entre as peças leves, graças a um carreteiro com levada firme e execução limpa da convenção rítmica.

Na cozinha da bateria estaciana, uma afinação de surdos pesada e característica da escola do Morro do São Carlos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e precisão. Surdos de terceira deram um balanço irretocável, valorizando o belo trabalho dos graves. Repiques de alta técnica musical se exibiram junto de um naipe de caixas de guerra primoroso, com sua clássica batida de partido alto, tocada em cima. Na primeira fila da parte de trás do ritmo, vieram atabaques que deram molho e foram fundamentais nas bossas.

Bossas com musicalidade diferenciada foram apresentadas. O belo arranjo do refrão do meio demonstrou um profundo casamento com as variações da melodia. Já a paradinha do estribilho, com o luxuoso auxílio dos atabaques, ajudou a conectar o ritmo estaciano ao enredo sobre Tancredo, o Papa da Umbanda. O referido arranjo deixou, sobretudo, o leque de bossas do Velho Estácio bem fundamentado e sincretizado.

Uma grande apresentação da “Medalha de Ouro”, dirigida por mestre Chuvisco. Uma bateria da Estácio de Sá com suas características típicas muito bem definidas, auxiliando o componente estaciano a dançar e evoluir enquanto cantava o belo samba-enredo do Leão. Uma bateria estaciana em bom caminho, visando o desfile oficial.

Freddy Ferreira analisa bateria da Porto da Pedra no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Ritmo Feroz” da Unidos do Porto da Pedra, comandada por mestre Pablo. Um ritmo com potência sonora, graças à afinação mais pesada dos surdos. Bossas aproveitando esse impacto musical foram exibidas com firmeza pelos ritmistas.

Na parte da frente do ritmo do Tigre, uma ala de chocalhos ressonante tocou junto de agogôs sólidos, que faziam uma convenção rítmica baseada nas variações da melodia da obra da escola de São Gonçalo. Simplesmente sublime o trabalho dos tamborins. Firmes, precisos e uníssonos, mesmo com um desenho rítmico de difícil execução. Um desbunde musical de tanta qualidade coletiva.

A cozinha da bateria “Ritmo Feroz” contou com sua tradicional afinação de surdos mais pesada. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza. Surdos de terceira foram responsáveis pelo bom balanço do ritmo gonçalense. Repiques coesos tocaram junto de caixas de guerra bem consistentes, preenchendo a sonoridade dos médios com virtude musical.

Bossas com a característica musical já tradicional no trabalho de mestre Pablo foram apresentadas. Os já culturais arranjos mais elaborados, envolvendo a pressão sonora do peso dos surdos, foram exibidos com precisão e qualidade, mesmo tendo certa complexidade de execução. Todos pautados pelas nuances da melodia do ousado samba da Porto da Pedra.

Uma apresentação muito boa da “Ritmo Feroz” de mestre Pablo. Com uma ala de tamborins estupenda e bossas que já fazem parte da cultura musical do mestre, a bateria da Unidos do Porto da Pedra se exibiu de forma impactante, ajudando a impulsionar tanto o samba da escola quanto o componente.

Freddy Ferreira analisa bateria do Império Serrano no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria “Sinfônica do Samba” do Império Serrano, na estreia de mestre Felipe Santos. Um ritmo com equalização privilegiada foi exibido, sem contar a musicalidade destacada e diferenciada das bossas imperianas.

Na parte da frente do ritmo do Império, uma ala de cuícas sólida tocou junto dos icônicos agogôs, que pontuaram com exatidão e qualidade técnica as nuances melódicas do samba imperiano. Uma ala de chocalhos extremamente acima da média se exibiu integrada a um naipe de tamborins exemplar.

O casamento musical entre tamborins e chocalhos foi impressionante e adicionou nítido valor sonoro às peças leves.

Na cozinha imperiana, uma ótima e tradicionalmente pesada afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza peculiar e segurança. O balanço irrepreensível das terceiras ajudou no complemento dos graves com qualidade. Repiques de alta técnica musical tocaram junto de um naipe bem consistente de caixas de guerra, com a batida rufada cultural da escola da Serrinha.

Um leque de bossas musicalmente atraente foi exibido. Arranjos produzidos pautados pelas variações do samba do Reizinho de Madureira foram apresentados com categoria e extrema precisão. Uma nuance rítmica no trecho “que silencia o fuzil”, fazendo alusão ao barulho de um único tiro, mostrou-se funcional, além de apresentar sonoridade com pressão de surdos e contratempo de peças leves e médios, preenchendo a musicalidade do arranjo com consistência. A paradinha da cabeça do samba também merece menção musical, diante de uma bossa não só bem concebida como também bem apresentada.

Um ensaio técnico exemplar da “Sinfônica” do Império, sob o comando do estreante mestre Felipe Santos. Um ritmo com andamento confortável e fluência plena entre os mais diversos naipes foi apresentado. Um conjunto de bossas dançantes e musicais ajudou a aumentar a sensação de sacode do exímio treino da bateria do Império Serrano.

Freddy Ferreira analisa bateria do Arranco do Engenho de Dentro no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma boa apresentação no ensaio técnico da bateria “Sensação” do Arranco, na estreia da primeira mestra de bateria da história da Sapucaí, Laísa Lima. Trajada de palhaça para entrar no clima do enredo, a mestra ficou visivelmente emocionada quando a bateria do Arranco subiu. O ritmo circense da paradinha do estribilho foi um dos pontos altos da musicalidade da escola do bairro do Engenho de Dentro.

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Na parte da frente da bateria “Sensação”, uma ressonante ala de chocalhos realizou um grande trabalho, acompanhada de um naipe sólido de cuícas. Agogôs pontuaram as variações melódicas do samba com um toque seguro, inclusive na bossa circense do estribilho, onde deram uma luxuosa contribuição musical. Uma ala de tamborins exibiu um desenho rítmico pautado pelas nuances da obra, com eficácia e qualidade. Na cabeça da bateria também vieram alguns pratos, que entravam pelo corredor para a realização do principal arranjo, com direito a clima musical de picadeiro.

A cozinha da bateria “Sensação” contou com uma boa afinação de surdos, além de marcadores de primeira e de segunda precisos. Os surdos de terceira deram um balanço gostoso tanto no ritmo quanto nas bossas. Repiques coesos tocaram integrados a um naipe de caixas de bom volume, ajudando a preencher os naipes médios.

Um conjunto de bossas altamente musical foi exibido. Bastante dançantes, os arranjos se mostraram profundamente conectados ao enredo da escola, principalmente a bossa mais extensa. Iniciado ainda na segunda do samba, o arranjo em questão contou com uma levada circense musicalmente atraente, capaz de cativar o público e impulsionar o componente da agremiação. Uma proposta musical bem vinculada ao tema, mas que ainda carece de execuções mais refinadas, havendo tempo hábil para isso até o desfile oficial.

Uma boa exibição da bateria do Arranco do Engenho de Dentro no ensaio técnico, na estreia da pioneira Laísa Lima como mestra na Avenida. Um ritmo bastante conectado ao tema da agremiação foi exibido, com boa equalização de timbres e musicalidade envolvente nas bossas. Ainda que haja ajustes pontuais a serem realizados, a história do início da revolução feminina do ritmo foi escrita pela nova mestra do Arranco com classe e leveza.

Freddy Ferreira analisa bateria da Inocentes de Belford Roxo no ensaio técnico na Sapucaí

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Um bom ensaio técnico da bateria “Cadência da Baixada” da Inocentes de Belford Roxo, dirigida pelo mestre Washington. Um ritmo que conseguiu imprimir uma musicalidade culturalmente nordestina, com pitadas russas, estando plenamente conectada ao enredo da agremiação. Mesmo diante de um forte dilúvio até a metade do ensaio, os ritmistas não desanimaram nem deixaram a peteca cair, mantendo o bom nível musical.

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Na parte da frente do ritmo da Caçulinha da Baixada, uma ala de cuícas seguras deu seu contributo, junto de um naipe de chocalhos correto e de uma eficiente ala de tamborins. Tamborins e chocalhos exibiram uma convenção rítmica simples, mas tremendamente funcional, inclusive nos arranjos envolvendo as bossas.

A parte de trás do ritmo da “Cadência da Baixada” apresentou boa afinação de surdos, mesmo diante de uma verdadeira tempestade durante o ensaio. O naipe de caixas deu bom volume à cozinha da bateria da Inocentes, junto de uma ala de repiques eficiente. Marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos no ritmo, além das bossas. Uma sólida ala de surdos de terceira proporcionou um bom balanço aos graves da “Cadência”.

O leque de bossas da Inocentes foi extremamente musical e de muito bom gosto. Uma mistura envolvente de ritmos nordestinos, finalizada com levada russa, foi executada no refrão do meio, em um belíssimo e destacado arranjo dançante. Bom trabalho de criação musical, inclusive envolvendo nuances rítmicas diversas em alguns trechos do samba, impulsionando o componente da escola por meio da sonoridade produzida pela

Caçulinha da Baixada. Uma criação conceitual baseada em simplicidade e eficiência, numa escolha bastante adequada e bem pensada.
Um bom treino da bateria “Cadência da Baixada”, comandada pelo mestre Washington. Um ritmo inserido culturalmente no tema da escola, com variações musicais que vão da nordestinidade até a ousadia de fechar o melhor arranjo de uma bossa com ritmo russo. Tudo pautado pela simplicidade musical, que facilita a assimilação de quem escuta, além de ajudar o componente da escola a dançar e evoluir. Um ensaio bem produtivo da bateria da Inocentes de Belford Roxo.

Opinião! Ensaios técnicos deste domingo no Anhembi

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Impossível enfrentar a Verde e Rosa! Chuva não cala a voz da Mangueira

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O ensaio da Mangueira neste domingo não aconteceu como o roteiro tradicional prevê. A chuva que caiu sobre o Rio de Janeiro impediu o deslocamento da escola pela rua e obrigou a Verde e Rosa a concentrar suas forças em frente à quadra. Ainda assim, o que se viu foi uma Mangueira cantando, dançando e sustentando seu samba com intensidade do início ao fim, provando que evolução também se mede pela permanência da alma, mesmo quando o corpo não avança.

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Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Com os componentes parados, mas em movimento interno constante, o ensaio se transformou em um retrato fiel da proposta do Carnaval 2026: resistência, coletividade e força cultural. A escola segue se preparando para o ensaio técnico da próxima sexta-feira, na Marquês de Sapucaí, levando consigo a segurança de quem sabe o que está construindo.

COMISSÃO DE FRENTE

Mesmo sem a possibilidade de deslocamento, a comissão de frente realizou uma apresentação que permitiu observar claramente o trabalho desenvolvido até aqui. Parados em um ponto específico, os integrantes repetiram movimentos, marcaram entradas e executaram a coreografia com ritmo intenso, evidenciando um bailado treinado e alinhado à narrativa do enredo.

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A leitura corporal deixou clara a conexão com a proposta amazônica da Mangueira para 2026, baseada no enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. Ainda que o espaço limitado não permita uma avaliação completa do impacto visual, foi possível identificar precisão, energia e entendimento do que está sendo contado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal não pôde realizar o bailado completo devido às condições climáticas e à impossibilidade de deslocamento. Ainda assim, permaneceu presente, cantando o samba e demonstrando envolvimento com o ensaio, atentos ao ritmo e à condução musical.

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Mesmo sem giros e marcações tradicionais, a postura em frente à comunidade mostrou um casal conectado ao momento e preparado para o próximo compromisso. A expectativa fica para o ensaio técnico, quando será possível avaliar plenamente o desenho coreográfico e a comunicação entre os dois na pista.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos mais evidentes da noite. Mesmo sob chuva, com todos os setores concentrados, o canto da escola se manteve firme e contínuo. As alas cantaram de forma uniforme, com clareza de letra e energia constante, transformando a adversidade climática em elemento de união.

O intérprete oficial, Dowglas Diniz, destacou exatamente esse espírito coletivo ao avaliar a temporada e o ensaio: “O balanço da nossa temporada é o resultado disso aqui: a comunidade, antes mesmo de começar o ensaio, já canta o nosso enredo em claro e bom tom, se diverte e estamos lavando a alma com a chuva de hoje. Acredito que será um carnaval maravilhoso. A Mangueira vem linda e, na sexta-feira, o nosso ensaio técnico será para festejar na avenida”, afirmou o intérprete oficial da Mangueira.

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O canto persistente reforça a assimilação do samba e a identificação da comunidade com a história que a escola levará para a Sapucaí.

EVOLUÇÃO

Mesmo sem deslocamento, a evolução pôde ser analisada a partir da manutenção do canto e da postura coletiva. A escola permaneceu organizada, atenta às orientações e sustentando a energia ao longo de todo o ensaio, sem queda perceptível de envolvimento.

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O diretor de carnaval, Dudu Azevedo, falou sobre o processo vivido ao longo da temporada e a expectativa para os próximos passos: “A Mangueira cumpriu os ensaios da temporada e estamos como queríamos para a Marquês de Sapucaí, cantando e evoluindo. Buscamos a espontaneidade e fizemos muitos ensaios dedicados e, agora, o rumo é aos ensaios técnicos até o grande dia”, explicou o diretor de carnaval.

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A fala reforça a ideia de que o trabalho realizado até aqui priorizou construção coletiva e naturalidade, elementos que se refletiram mesmo em um ensaio atípico.

SAMBA

O samba mostrou força justamente na repetição e na constância. Mesmo sem avanço pela pista, o rendimento permaneceu estável, com a comunidade cantando em volume alto e com clareza de interpretação. A letra, que homenageia mestre Sacaca e exalta a Amazônia Negra, encontrou eco na resposta dos componentes, criando um ambiente em que o samba deixou de ser apenas trilha sonora e passou a funcionar como elo entre escola, território e ancestralidade.

A bateria manteve o ritmo firme do início ao fim, mesmo com o ensaio comprometido pela chuva. A condução segura e a entrega dos ritmistas foram reconhecidas pelo próprio mestre, que destacou o processo de superação vivido ao longo do ano.

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“Foi uma temporada muito satisfatória e boa. Vivemos coisas diferentes, e a galera absorveu, ensaiou, se dedicou e se superou, mesmo com os contratempos. Um ano muito feliz com o ritmista. O público pode esperar a melhor coisa possível, porque a nossa meta é reconquistar os 40 pontos da nossa bateria”, afirmou o mestre de bateria Rodrigo Explosão.

A declaração aponta para um trabalho focado em regularidade e ambição técnica, mirando diretamente a excelência no julgamento.

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A chuva que impediu o deslocamento da Mangueira acabou revelando algo ainda mais valioso: a capacidade da escola de sustentar seu samba mesmo quando a avenida desaparece. Cantando parada, dançando sob limites e transformando contratempos em força coletiva, a Verde e Rosa mostrou que o Carnaval 2026 não será apenas contado em alegorias, mas vivido no corpo e na voz de sua comunidade.

Se o enredo fala de guardiões, saberes ancestrais e resistência amazônica, o ensaio deste domingo foi a prova prática de que a Mangueira sabe proteger aquilo que constrói. A próxima sexta-feira, na Sapucaí, será menos sobre testar e mais sobre celebrar um caminho que já se mostra sólido, pulsante e profundamente conectado à sua essência.

Portela faz do último ensaio de rua um ‘grande xirê’ com canto impactante da comunidade

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Por Lucas Santos e Bianca Faria

Nem a chuva que ameaçava cair sobre o Rio de Janeiro minutos antes do ensaio da Majestade do Samba afastou o povo que lotou as calçadas da Estrada do Portela. E a força de ancestralidade, de espiritualidade e de legado que a Portela por si só tem, somada ao enredo de 2026, pareceu ter impedido que os portelenses enfrentassem muito mais do que uma pequena garoa. Com os últimos brilhos de claridade do domingo, a Azul e Branca de Madureira começou o ensaio cantando o excelente samba deste ano a plenos pulmões até o final do treino, já com o frescor da noite. Sabendo que os próximos passos já serão no solo sagrado da Sapucaí, a Portela mostrou que todos estavam contagiados pela energia de deixar uma última e excelente impressão para a comunidade de Oswaldo Cruz e Madureira, a fim de mostrar a alegria de ser portelense em um ciclo de carnaval que não foi dos mais fáceis. Não dá para não pensar em como Gilsinho estaria feliz e satisfeito ao ver a comunidade cantando essa obra da forma como foi hoje. A bateria do mestre Vitinho ajudou muito, com bossas e convenções totalmente dentro do samba e abrilhantando-o ainda mais. Rendeu muito bem! No mais, uma evolução bem espontânea e livre, casal com muita vontade e comissão mexendo com a comunidade e apresentando bem o que vinha depois na escola.

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O diretor de carnaval, Júnior Schall, e o presidente Júnior Escafura destacaram o quanto a apresentação da Portela e esse final de ciclo de ensaios de rua da escola não dizem respeito apenas à técnica, apesar de passar muito por ela, mas também à energia, à emoção acima de qualquer coisa.

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“Mais uma vez, a Portela trouxe felicidade para o terreiro da Estrada do Portela, e com essa felicidade que ela construiu ao longo dessa caminhada. A construção da felicidade passa pela questão técnica, pois nós precisamos ter técnica. Mas ela passa primordialmente pelo coração. Hoje, entendo que a Portela não ensaiou, a Portela não encerrou com um ensaio. Ela encerrou com uma celebração de felicidade, celebração de intensidade na sua felicidade, celebração de conexão entre todos os segmentos, núcleos e setores da escola. A gente hoje trouxe para a Estrada do Portela tudo o que a gente plantou na quarta-feira, na sexta-feira, no domingo e está plantando no barracão. Hoje nós começamos a colher”, entende o diretor Júnior Schall.

“A gente viu o povo feliz. O portelense cantando com alegria, com felicidade, se divertindo. Eu sempre falo: carnaval é sobre alegria. E a Portela está com essa alegria, com essa energia. Vamos fazer isso na Sapucaí. Vamos brincar, vamos nos divertir; óbvio, vamos cumprir tudo o que a gente tem que fazer tecnicamente falando. Mas a emoção não pode faltar. A diversão não pode faltar. A alegria, a felicidade… Vai ser uma escola solta, sem aquela coisa de fila, não. Será uma Portela energizada, uma Portela cantando forte, uma Portela com garra, com vontade de buscar esse campeonato”, sentenciou o presidente da Majestade do Samba, Júnior Escafura.

Em 2026, com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, a Majestade do Samba será a terceira escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial.

COMISSÃO DE FRENTE

Comandados pelos coreógrafos Cláudia Mota e Edifranc Alves, estreantes na Portela no próximo carnaval, os componentes trouxeram uma coreografia muito marcada por pontuar os trechos do samba, mas com muita dança e muito sincronismo. Como no trecho “O príncipe herdeiro da coroa de Bará”, em que os componentes faziam o gesto de segurar uma “coroa” acima da cabeça, ainda no refrão principal. E também no trecho “Não há demanda que o povo negro não possa enfrentar”, em que os integrantes encerram o passo com o punho erguido da resistência.

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Em outros trechos, como no refrão do meio, “Vai ter Xirê ao toque do tambor”, a comissão chamou a atenção pelas danças e pela sincronia dos movimentos, já que os componentes se mantêm sempre próximos em uma falange, alternando alguns passos com os elementos das pontas e os integrantes do meio. Um dos momentos mais bonitos acontece no trecho “Portela, tu és o próprio trono de Zumbi”, quando os componentes erguem os braços enaltecendo a escola, virados para a comunidade que assistia, fazendo essa referência ao seu povo. Uma comissão que, apesar de não ter mostrado um grande clímax, soube ganhar a comunidade pela dança, pela sincronia dos movimentos, com os componentes extremamente bem ensaiados, e por alguns movimentos de muito carisma ao citar partes mais sensíveis e emocionantes do samba. Abriu muito bem este último ensaio, recebendo uma boa resposta da comunidade que assistia.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Marlon Lamar e Squel Jorgea realizaram este último treino na Estrada do Portela sem nenhum receio da pista molhada. Completamente de branco na vestimenta, a dupla começava as coreografias nas “cabines”, já mostrando muita garra, com olhar intenso. Na cabeça do samba, com alguns passos mais voltados para o afro, até os rodopios que os levaram à área de apresentação.

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Após algumas mesuras e a apresentação do pavilhão para a comunidade, no refrão do meio o casal iniciava uma série de movimentos mais intensos, com grandes giros de Squel e passos mais característicos de Marlon, inclusive aquela “jogadinha de perna” bem charmosa. Squel parecia que não ia parar de girar nunca mais; a porta-bandeira só parava já no meio da segunda do samba, quando os dois voltavam ao contato, fazendo mais algumas referências, até voltar aos giros, agora de mãos dadas. E finalizam com Squel brilhando mais um pouco entre giros e a bandeirada final, para a dupla seguir em deslocamento.

Uma boa apresentação, sem nenhum erro aparente, cumprindo bem os requisitos que se espera de um casal de mestre-sala e porta-bandeira, mas, principalmente, destacando os movimentos que a dupla faz de melhor e colocando a personalidade do casal na dança.

HARMONIA E SAMBA-ENREDO

É notável o quanto a obra vem crescendo a cada ensaio. Muito rica melodicamente, permitiu à bateria do mestre Vitinho explorar essa musicalidade. Tudo muito bem encaixado e com uma razão de existir. Não tem nenhum som que esteja sobrando ou que não faça parte do arranjo da obra. A Tabajara está realmente tocando para o samba. E, claro, isso faz com que a música cresça e se destaque ainda mais. Refrão principal com muita ginga e alegre; refrão do meio mais denso e carregado de espiritualidade. Nas estrofes, a cabeça mais épica, cantando a história, e a estrofe de baixo mais emocionante, trazendo elementos que mexem com o brio do portelense e do carnaval como um todo, porque exalta a negritude.

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A comunidade foi espetacular hoje. Nesse ponto, nada a tirar em harmonia. E o carro de som, comandado por Zé Paulo Sierra, fez o seu trabalho de forma muito consciente, chamando a comunidade ao canto e trazendo potência na execução, principalmente pelo bom trabalho das vozes de apoio que auxiliavam Zé. Ótimo rendimento e boa expectativa de como essa obra será recepcionada por um público não totalmente portelense nos próximos dois finais de semana na Sapucaí. O intérprete Zé Paulo Sierra falou dessa expectativa e lembrou mais uma vez de Gilsinho.

“Foi uma temporada incrível e de muito trabalho, e hoje a expectativa é a melhor possível. Hoje a gente encerra o ciclo aqui na rua. Falta um de quadra, mais dois na Sapucaí, né, com um teste de som e luz. A Portela fez um grande pré-carnaval. Tem a comunidade feliz, eu como portelense estreando aqui, tendo essa missão de estar exaltando e carregando o legado do Gilson, que era um irmão para mim, um amigo. A gente está fazendo por ele também. Então, eu estou muito feliz com tudo isso”, entende o cantor.

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EVOLUÇÃO

A escola mostrou uma evolução bastante espontânea e livre, que resultou em uma energia muito alta para o ensaio. Com um grande contingente nas alas, mesmo assim não se observaram problemas de organização. As alas não estavam enfileiradas marcialmente, porém também não se observavam buracos ou grandes espaçamentos, nem alas se embolando. Ao contrário, o andamento foi muito bom, cadenciado, sem correria, com a comunidade se movimentando no ritmo do ótimo samba, brincando carnaval. Destaque também para algumas poucas alas coreografadas, como a que vinha já no final da escola, em que os componentes carregavam coloridos leques, fazendo alguns passos marcados e gerando um bonito efeito também no uso desses leques.

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Fotos: Lucas Santos e Bianca Faria/CARNAVALESCO

OUTROS DESTAQUES

A Tabajara do Samba, do mestre Vitinho, não só se conformou em apresentar uma sonoridade muito rica, como chamou a atenção por coreografias pertinentes e que não atrapalhavam em nada no toque e na correção musical. A rainha Bianca Monteiro, hoje descalça mais uma vez, teve um momento de ainda maior brilho quando entrava no meio da bateria para dançar nas bossas, vendo os ritmistas se abaixando para que Bianca tivesse ainda mais destaque. No discurso antes do treino, o presidente Júnior Escafura agradeceu à comunidade pela temporada de ensaios, projetou o ensaio técnico do próximo sábado e afirmou que “a campeã voltou”, reforçando a promessa e o desejo de a Portela voltar a ser protagonista do carnaval.

Botafogo mostra bateria segura e canto consciente em ensaio na Sapucaí

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Por Matheus Morais, Juliana Henrik, Júnior Azevedo e Luiz Gustavo

A Botafogo Samba Clube abriu a segunda noite de ensaios técnicos da Série Ouro na Sapucaí. A escola demonstrou muita animação ao passar pela avenida, com bom desempenho da bateria Ritmo Alvinegro e do casal Diego e Beatriz, realizando um ensaio seguro e consistente. Mesmo com um contingente não tão grande de componentes, os presentes soltaram bem a voz em diversos momentos do samba, principalmente nos refrões e nas subidas dos mesmos. A Botafogo levará para a Passarela do Samba o enredo “O Brasil que floresce em arte”, em homenagem ao paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx, falecido em 1994, um dos nomes mais prestigiados da história do Brasil em sua área de atuação.

COMISSÃO DE FRENTE

Com a figura do paisagista como destaque, rodeado de diversos outros bailarinos em ternos com bordados relacionados a figuras de plantas, a comissão de frente comandada por João Pedro Santos teve boa apresentação nos dois primeiros módulos, com uma coreografia moderna e delicada. Os movimentos de pés e mãos, em alguns momentos iguais e em outros distintos entre os bailarinos, ainda assim se mostraram bem sincronizados e executados, contando de forma eficiente a história do homem que amava profundamente a biodiversidade. Destaque para a coreografia na segunda parte do samba, em que as plantas envolvem seu cuidador para demonstrar amor, utilizando tecidos verdes para envolvê-lo na cintura, criando um efeito interessante.

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O figurino também ajudou bastante na compreensão da apresentação. A roupa do paisagista se destacou por remeter a algo mais antigo, porém de maneira lúdica dentro da proposta, assim como os figurinos dos outros bailarinos, vestidos com ternos e paletós grandes que davam muito movimento à dança, fazendo alusão às plantas espalhadas pelo figurino, inclusive no chapéu-cuco.

“O ensaio técnico é a base para o que vamos apresentar na avenida e é extremamente importante. Hoje, a Botafogo trouxe um pouco do que será mostrado no desfile oficial, mas não completamente. Quem assistiu, tanto de casa quanto aqui na avenida, pôde ter um gostinho do que vem por aí. Ainda estamos em fase de testes, e teste é para acertar. No caso da comissão de frente, acredito que a dosagem de energia e o andamento podem ser mais assertivos, sabendo onde segurar e onde avançar para chegarmos às cabines com tranquilidade e realizar um bom trabalho. Acho que as pessoas ainda não estão esperando a Botafogo que está vindo, porque ela virá completamente diferente, pronta para colorir a avenida e surpreender no desfile oficial”, garantiu o coreógrafo.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Diego Moreira e Beatriz Paula teve uma performance correta e segura durante a apresentação nos dois primeiros módulos. Com uma dança tradicional, Beatriz demonstrou bastante segurança no bailado, nos giros e na manutenção do pavilhão sempre aberto, mostrando bom entrosamento com Diego e um cortejo bem executado dentro do espaço da cabine. O mestre-sala também foi muito bem durante a exibição, dançando com animação e apresentando vários movimentos com pequenos saltos e riscados bem executados.

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Ambos se apresentaram com confiança diante das cabines do júri desde o início, com destaque para um movimento que acompanhava uma bossa com toques nordestinos da bateria durante a execução do refrão do meio, além de um grande momento na abertura do ensaio da Botafogo. O figurino do casal também acertou ao seguir uma linha tradicional, com o preto como cor principal.

“Saio daqui com um saldo positivo. A gente vem de uma semana intensa de ensaios e conseguiu corrigir algumas coisas antes de chegar aqui, horas antes, na verdade. A avaliação é positiva, um saldo bacana. A pista não está do jeito que a gente gostaria, mas avalio como um ensaio positivo, principalmente pelo som, que não atrapalhou como em outros anos. Antes, quando a gente se distanciava um pouco, o som ficava baixo para executar a coreografia. No geral, acredito que tivemos um desempenho bacana e espero que a nossa escola também tenha feito um bom ensaio junto com a gente”, disse o mestre-sala.

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“Agora a gente vai avaliar todos os vídeos, ver o que pode melhorar, o que talvez possa ser ajustado. O ensaio serve justamente para ver se está tudo certo para o desfile. Vamos sentar com mais calma nesta semana, junto com o nosso coreógrafo Adhão, analisar os vídeos e entender onde pecamos e o que pode ser melhorado para ajudar a escola a buscar os 40 pontos”, completou a porta-bandeira.

SAMBA E HARMONIA

Nego teve desempenho consistente e firme durante o ensaio da Botafogo, com destaque para a ala musical da escola, que o auxiliou com precisão ao longo de todo o tempo, demonstrando entrosamento e coesão do time responsável pela parte musical da alvinegra. A maioria dos componentes veio cantando o samba com animação e defendeu bem o hino da agremiação, principalmente nas alas do meio da escola. Alguns poucos, porém, mostraram menor intensidade no canto, apesar de conhecerem bem a obra, com exceção dos refrões e de suas subidas, como “O traço que encanta e cativa / Viva a natureza viva!”, antes do refrão do meio, e “Botafogo Samba Clube / Vem cantar, é carnaval / O teu legado é patrimônio mundial”, que antecede o refrão principal, quando a comunidade enche os pulmões e leva o samba às alturas.

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“Foi bom! A harmonia funcionou, a bateria funcionou… É isso que a gente quer: que tudo funcione dentro da escola, porque a escola de samba é um todo. Se não funcionar tudo, não adianta. Como a gente tecnicamente desfilou muito bem, e considerando de onde a gente vinha, é um bom início. Mas a gente vai vir muito melhor no desfile. Vamos surpreender muita gente”, afirmou o intérprete Nêgo.

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EVOLUÇÃO

A evolução da agremiação, de forma geral, foi consistente, sem correria ou tempo excessivo parada na avenida. Os componentes vieram soltos, movimentando-se com fluidez nas alas e evoluindo com animação em muitos setores, com poucos componentes mais contidos no ensaio deste sábado. Destacaram-se os gestos que acompanhavam os versos “Botafogo Samba Clube / Vem cantar, é carnaval”, com movimentos dos braços para a frente realizados por todas as alas nesse trecho, lembrando gestos de incentivo comuns no futebol. Algumas alas vieram coreografadas, enquanto outras indicaram que utilizarão objetos de mão para a realização das coreografias.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

“Fizemos o dever de casa e entregamos o que precisávamos aqui. Agora, vamos alinhar alguns pontos para acertar tudo para o desfile oficial. Acredito que a Botafogo está pronta: temos um Carnaval grandioso nas mãos, uma unidade de chão que nos permite sonhar alto. Viemos para fazer um grande desfile e brigar pelo título. O ensaio de hoje foi 100%, e a nossa comunidade correspondeu. Ainda temos mais dois ensaios de rua até o Carnaval para ajustar os últimos detalhes e chegar fortes na disputa”, analisou Luiz Carlos Amancio, diretor de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria do mestre Marfim realizou um grande ensaio, sendo um dos principais destaques da escola, com bossas, ritmo e força proporcionados pela “Ritmo Alvinegro” aos componentes da Botafogo que desfilavam nas primeiras horas da noite, conduzindo bem o samba em parceria com a ala musical. Outro destaque foi a presença, à frente da Velha-Guarda, de um casal de mestre-sala e porta-bandeira pertencente à ala, valorizando os mais velhos da agremiação.

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“O ensaio técnico é um teste fundamental para nós. É literalmente treinar no campo de jogo: é quando executamos todas as bossas, sem guardar segredo, e temos a oportunidade de experimentar tudo e entender como a escola se comporta nesse novo processo. Quando retornei à Botafogo Samba Clube, encontrei uma escola ainda muito crua, assim como o Mestre Marfim. Hoje, nos reencontramos mais experientes, eu, o mestre Marfim e a Botafogom e vamos nos ajustando para que, no dia do desfile, estejamos 100%”, disse o mestre.

Bangu tem evolução e rendimento do samba como destaques do ensaio técnico

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Por Allan Duffes, Juliana Henrik, Júnior Azevedo e Luiz Gustavo

A Unidos de Bangu fez seu ensaio técnico na Sapucaí e comprovou a qualidade e a força do seu samba. A boa evolução da escola não foi acompanhada pela harmonia, que se mostrou irregular, com muitos componentes cantando apenas o refrão ou não cantando. A comissão de frente fez boa apresentação, mas o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira precisa de mais conexão na dança. Bangu será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, com o enredo “As coisas que mamãe me ensinou”, uma homenagem a Leci Brandão, desenvolvido pelos carnavalescos Lino Sales, Alexandre Costa e Marcus du Val.

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COMISSÃO DE FRENTE

Apostando no samba no pé, a comissão de frente da Bangu levou 19 componentes para o ensaio técnico, revelando uma possível troca de elenco no desfile, uma vez que 15 é o número máximo de pessoas aparentes na apresentação do quesito.

A coreografia, assinada por Fábio Costa, não teve um ápice ou confetes explodindo, como está na moda, mas mostrou muito sincronismo entre os componentes. Até na troca do elenco masculino, tudo funcionou muito bem.

Um grupo de sete homens samba com sete mulheres, com roupas vermelhas, enquanto outros cinco homens ficam parados, de costas, no fundo da cena, com terno branco. Na metade do samba, o elenco masculino é trocado. Boa apresentação.

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“A gente traz um pedacinho da coreografia oficial para testar a movimentação. Muita coisa não dá para fazer porque a gente depende de elementos alegóricos e de toda essa estrutura, mas foi uma passagem muito boa, com um andamento bom da galera, cantando o samba, se divertindo e trazendo essa alma do sambista, que é o que queremos apresentar para homenagear a Leci. Foi um desfile muito bom, e estou muito satisfeito com o resultado. Mesmo com a pista molhada por conta da chuva, a gente até pede para eles pegarem um pouquinho mais leve, mas foram com garra e aproveitaram a chuva para refrescar. Foi uma bela apresentação”, afirmou o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Os movimentos de Leonardo Moreira e Bárbara Moura foram bem executados, a coreografia foi interessante e não enfrentaram nenhum problema nos módulos. O ponto de maior destaque foi no final da apresentação, quando fazem a saudação para Ogum, na virada para o refrão principal.

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Individualmente, Leonardo e Bárbara cumpriram a missão. Porém, ainda pode interagir mais e ficarem mais próximos. O mestre-sala corteja a porta-bandeira de forma distante, apesar do sorriso constante e simpático de Leonardo.

A indumentária de Bárbara, com a tentativa de saia rodada, não ajudou o desempenho da artista. No primeiro módulo, o efeito do rodado até funcionou, apesar de algumas vezes enroscar nas pernas. No segundo módulo, quando havia mais vento, a saia grudou em suas pernas e pouco fez o efeito rodado, exceto quando a própria Bárbara levantou a saia. Porém, não atrapalhou a evolução.

“Foi um ensaio técnico proveitoso. Viemos com a proposta de testar o que já vínhamos treinando, e acho que o teste foi válido. A escola se comportou bem, a gente também se sentiu bem na avenida, e agora é só ajustar os detalhes para o grande dia. O ajuste é constante. A gente busca a excelência e, para isso, precisa estar atento a tudo: ao tempo da música, ao espaço da avenida e à nossa conexão. O que falta é esse polimento final que só o treino exaustivo proporciona. Para o desfile, espero que a Bangu venha com a garra que sempre teve, que a gente consiga transmitir toda a alegria e o trabalho que estamos realizando no barracão e na quadra. Espero um desfile impecável, em que cada componente dê o seu melhor para a gente alcançar o nosso objetivo”, disse o mestre-sala.

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“Eu achei um ensaio muito produtivo. Conseguimos colocar em prática o que planejamos para hoje, sentimos a vibração da escola e a recepção do público. Saímos daqui com a sensação de dever cumprido por essa etapa, mas cientes de que o trabalho continua. A gente sempre busca algo a mais. Acho que o ajuste agora é no detalhe, no olhar, na sintonia fina que o ensaio técnico permite perceber. Vamos assistir aos vídeos, analisar a nossa postura e o entrosamento com a escola para chegar ao dia do desfile sem nenhuma dúvida. Espero um desfile emocionante. A comunidade está vindo com muita vontade e dedicação. Meu desejo é que a gente consiga fazer uma apresentação linda, que encante os jurados e o público, e que a escola brilhe muito na avenida”, completou a porta-bandeira.

SAMBA

O ponto alto da escola. Bangu tem um bom samba, e a obra rendeu bem no ensaio técnico deste sábado. Fredy Vianna e Pipa Brasey conduziram bem a obra e foram fundamentais para o desempenho da evolução da escola, que se mostrou alegre e empolgante.

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O samba, de autoria de Dudu Nobre, Junior Fionda, Marcelinho Santos, Binho Teixeira, Laura Roméro, Junior Falcão, André Baiacu, Geraldo M. Felicio, Valtinho Botafogo, Gilsinho da Vila, Fábio Bueno, JV Albuquerque, Jonas Marques e Juca, tem letra forte e boa melodia. Os trechos mais cantados foram os refrões, entoados com força por toda a comunidade.

HARMONIA

Quesito que exige atenção da Bangu. Apenas uma ala cantava o samba inteiro e vinha atrás da indicação do primeiro setor. Todas as outras alas apresentaram problemas no canto. A ala posicionada atrás dos dois banners indicativos do segundo e do terceiro setores ensaiou sem cantar. Um quesito irregular que pode fazer a escola perder alguns décimos pela avenida.

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“Acho que a gente casou muito, porque a Pipa tem um timbre puxado para o grave, é um timbre pesado, bonito, de mulher empoderada, e eu tenho esse timbre mais fechado, com o médio também mais fechado. Então, papai do céu casou bonito as nossas vozes, e vamos dar frutos. A Pipa, além de uma cantora espetacular, é uma pessoa fora do comum. Falei para ela na primeira vez que nos encontramos que a energia já tinha casado ali; quando há essa energia, tudo dá certo”, garantiu Fredy Vianna.

“Nossa passagem foi perfeita porque o som está bom, a gente conseguiu se escutar legal e estávamos com uma energia muito grande, positiva, para fazer um grande ensaio, e a escola teve um desempenho maravilhoso. A gente estava no recuo e viu uma parte da escola passar cantando bastante. Vamos abalar, nosso carro de som está todo harmonioso, todo gostoso. A gente tem uma energia maravilhosa um com o outro, e estou muito feliz com esse momento”, comentou Pipa.

EVOLUÇÃO

Ótima evolução da Bangu. As alas realizaram o ensaio se movimentando, mostrando empolgação, e nenhum problema comprometeu a apresentação da escola, apesar de o segundo tripé ter apresentado dificuldades no deslocamento. Dentro do tempo de desfile, Bangu passou tranquila e mostrou estar organizada.

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“É lógico que o nosso objetivo é alcançar o acesso ao Grupo Especial. E uma escola que busca o acesso tem que se corrigir a cada momento e a cada instante. É dentro do barracão, é dentro do ateliê, é dentro do ensaio técnico. Fizemos um ensaio espetacular. Isso a gente viu no reflexo da reação popular, da reação das outras torcidas e da reação do público que gosta de carnaval. A Sapucaí cantou o samba, e esse foi o primeiro contato desse samba com a Sapucaí. Acho que, no segundo contato, que é o desfile oficial, vai ser avassalador, com a gente trabalhando certinho e buscando não errar. Acredito que temos tudo para alcançar o nosso objetivo, que é chegar ao tão sonhado acesso ao Grupo Especial”, revelou o diretor de carnaval, Marcelo do Rap.

OUTROS DESTAQUES

A bela fantasia da rainha de bateria Camila Prins merece destaque. Homenageando Oyá e com borboletas remetendo a Iansã, a fantasia em vermelho e dourado exibiu beleza e entregou conceito.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

A bateria do mestre Dinho, em seu primeiro ano no comando da “Caldeirão da Zona Oeste”, deu ainda mais beleza ao samba banguense. Uma apresentação para levantar o público.

“O ensaio técnico é para isso, é o termômetro. A bateria se comportou muito bem, a escola, em si, veio com uma harmonia muito forte, e acho que o teste foi fundamental para a gente ver o que precisa ser ajustado e o que já está no caminho certo. Saio daqui muito satisfeito com o rendimento dos meus ritmistas hoje. Sempre tem o que ajustar, né? A gente busca a perfeição, e ela é difícil, mas o trabalho é para isso. Vamos ajustar a questão do andamento em alguns pontos, a entrada e a saída do recuo, para que, no dia oficial, não tenhamos susto nenhum e consigamos os 40 pontos que a escola merece. Espero uma Bangu guerreira, como sempre foi: uma bateria pesada, cadenciada e que vai ajudar a escola a subir de degrau. A gente está trabalhando muito para fazer um desfile histórico e levar a Unidos de Bangu para o lugar que ela merece estar”, analisou mestre Dinho.

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