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Força locomotiva! Grande Rio vive noite de comunhão com a comunidade e alto nível de quesitos no ensaio de rua

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Por Maria Estela Costa e Júnior Azevedo

O grande dia está se aproximando, e a Grande Rio encerrou, neste domingo, a temporada de ensaios de rua. O último ensaio foi realizado na Avenida Brigadeiro Lima e Silva, em Duque de Caxias, e foi marcado pela potência do canto da comunidade, pela sintonia entre a escola e os apaixonados por ela, pela performance da ala musical e pela presença da rainha de bateria, Virginia. Para 2026, a escola aposta no enredo “A Nação do Mangue”, criado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, que homenageia o movimento cultural Manguebeat, misturando ritmos musicais e interligando a cultura dos manguezais, vistos em Pernambuco, com as periferias da Baixada Fluminense. A escola mostrou que está pronta para os ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, que acontecerão nos dias 1º e 8 de fevereiro.

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“No ensaio de hoje, deu para perceber o abraço da comunidade com a escola, uma coisa louca, uma coisa só. Graças a Deus, a escola está pronta para a Sapucaí. Hoje, como tradicionalmente no nosso último ou penúltimo ensaio, a comunidade abraça, e isso nos deixa com muito mais força para o carnaval. A gente já está ensaiando desde novembro e, na quadra, desde setembro. Então, realmente, estamos muito confiantes do que vai acontecer na avenida”, diz Thiago Monteiro, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Dando início ao ensaio, a comissão de frente, ensaiada pelos coreógrafos Hélio e Beth Bejani, chegou com as mãos para cima, indicando que eram um grupo em manifestação, em sincronia com o trecho da canção que diz “a revolução já começou”. Eles também realizaram movimentos simulando caranguejos, primeiro com as mãos e os passos, e depois dando pequenos pulos de um lado para o outro em círculos. A coreografia transmite a ideia de coletividade, deixando claro o local de pertencimento e a relevância dessa cultura. Nos momentos finais da apresentação, uma dançarina é erguida enquanto canta o refrão com força. Os dançarinos optaram por figurinos confortáveis e de fácil combinação: camisas que os identificam como integrantes da comissão de frente e shorts pretos.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Mais uma vez, Daniel Werneck e Taciana Couto deram um show e reafirmaram a boa relação entre eles. Um dos destaques do casal é a capacidade de se comunicar pelo olhar; por isso, não se perdem de vista durante a apresentação. Daniel dança com um leque como adereço, o que confere charme e elegância aos movimentos, enquanto Taciana mantém o compromisso de deixar o pavilhão sempre erguido e em movimento, conectando seus passos aos do mestre-sala.

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Fotos: Maria Estela Costa e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Na coreografia, o casal consegue unir as raízes do quesito ao enredo, sem destoar da proposta central, que envolve os giros da porta-bandeira e a contemplação do mestre-sala. Essa conexão é perceptível no trecho “Casa de gueto, casa de gueto”, quando eles realizam movimentos de abre e fecha com as mãos, trocam de posição e executam um breve giro antes de prosseguir com a apresentação. No figurino, Taciana escolheu um vestido vermelho, com decote entre os seios, e botas da mesma cor. Daniel optou por camisa social sem mangas e calça social douradas, além de sapato branco.

HARMONIA

A energia deste último ensaio era de Sapucaí, com todas as alas cantando o samba com potência e sem confundir os versos, estimulando o público a cantar junto. Sem dúvidas, a ala musical e a bateria se conectam naturalmente, funcionando como complemento uma da outra, sem sobreposição, reflexo de uma boa relação, crucial para o rendimento do samba.

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Na noite, o intérprete Evandro Malandro se jogou na folia: subiu na simulação de carro de som feita pelos foliões e, em seguida, foi para a calçada cantar e pular com eles, fazendo o público vibrar e aumentando ainda mais a energia do ensaio. Além disso, foram realizadas paradinhas nos refrãos para que a comunidade cantasse sozinha, algo essencial para o desfile, considerando a ampliação do sistema de som da Sapucaí, que pode impactar a avaliação do quesito.

“Estou muito feliz com todo o desempenho do samba desde o início, desde a disputa. Assim que o samba venceu, houve uma aclamação geral da comunidade, embora houvesse outras obras muito boas. Esse samba vem na linha melódica que eu gosto de trabalhar e com a cadência que o Fafá também domina muito bem. Como diz nosso professor de canto, fomos acertando os ponteiros até chegar ao último ensaio. Se Deus quiser, vamos explodir na Sapucaí nos dias 1º e 8”, afirma Evandro Malandro.

EVOLUÇÃO

As alas estavam felizes, cantando e ensaiando com leveza e espontaneidade, mas sempre atentas às orientações dos diretores de ala, que exigiam concentração nas fileiras e nos momentos de progressão, ponto importante para o desempenho da escola. Apesar disso, a agremiação enfrentou algumas dificuldades devido à performance da rainha de bateria. Por ser um ensaio de rua, o acesso dos fãs a ela é maior, e Virginia fez questão de cumprimentar e interagir com a comunidade, o que é positivo e aproxima ainda mais o público da escola. No entanto, isso gerou alguns espaçamentos na Avenida Brigadeiro Lima e Silva, controlados com a coordenação do diretor de carnaval, Thiago Monteiro. Essa situação tende a ser diferente na Sapucaí, onde há maior controle da progressão e do acesso à rainha.

A maioria das alas utilizava adereços, como pompons com as cores da agremiação, cabos de vassoura simulando lanças e guarda-chuvas de frevo, em referência à cultura pernambucana. A ala das baianas apresentou figurino mais elaborado, com estampa de círculos nas cores verde, laranja, branco e vermelho, combinada com tecido liso laranja. A ala dos passistas seguiu a mesma proposta de figurino elaborado: as mulheres vestiam body verde com decote, pedrarias da mesma cor e franjas verdes na parte inferior, responsáveis por dar mais movimento às roupas.

SAMBA

A comunidade adotou o samba, e os espectadores cantavam a plenos pulmões mesmo antes da escola passar. O samba da Grande Rio vem crescendo cada vez mais: melodia e refrãos ficam facilmente na memória, com letra potente que transmite bem o objetivo do enredo, celebrando o Manguebeat e conectando-o à Baixada Fluminense. O trabalho da bateria, comandada pelo mestre Fafá, e da ala musical, começando de forma mais cadenciada e aumentando gradualmente a potência, com batidas conectadas e paradinhas pensadas para integrar a comunidade, faz com que o samba seja muito bem recebido pelo público.

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“A expectativa é boa. Ter dois ensaios ajuda muito, porque podemos corrigir o que não funcionou no primeiro. Não à toa, a Grande Rio optou por fazer outro ensaio de rua em local diferente. Nosso samba está na boca da comunidade e tem crescido muito. A gravação do CD é uma coisa, ao vivo é outra: a escola está pulsando. Agora é silêncio e trabalho, com humildade e sabedoria, entregando tudo nas mãos de Deus”, contou mestre Fafá.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha de bateria, Virgínia Fonseca, esteve presente com fantasia trabalhada em pedrarias vermelhas e salto dourado. Sua presença gerou grande emoção no público, retribuída com interação e carinho. As musas Alane Dias, Karen Lopes, Thainá Oliveira e Jaquelline também marcaram presença, demonstrando admiração pela agremiação e pela comunidade, entregando carisma na interação com o público. Thiago Monteiro e Evandro Malandro comentaram sobre as expectativas para os ensaios técnicos.

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“Ensaio é para testar. Ninguém ganha nem perde carnaval em ensaio. Se for para errar, que erre agora, para corrigir a tempo. O importante é chegar no dia do desfile sem erro”, destacou Thiago Monteiro.

“Estou muito esperançoso e ansioso. O pré-carnaval me deixa mais nervoso do que o dia do desfile, que é só alegria. Tenho certeza de que teremos uma grande aceitação nos ensaios técnicos e, se Deus quiser, vamos deslanchar no desfile”, concluiu Evandro Malandro.

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Espetacular! Com samba forte e emoção à flor da pele, Viradouro faz da Amaral Peixoto um tributo a Ciça

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Por Matheus Morais e Rhyan de Meira

A Unidos do Viradouro se despediu com muita força da Amaral Peixoto no último domingo. Com a presença da rainha Juliana Paes, o Furacão Vermelho e Branco foi regido com maestria pelo enredo da escola, mestre Ciça, em uma noite marcada também pela evolução perfeita da escola, com canto firme e animado e uma performance excelente de Wander Pires. A Vermelha e Branca de Niterói será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, no segundo dia de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Pra cima, Ciça”, em homenagem ao seu mestre de bateria, uma das grandes personalidades do Carnaval carioca, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.

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COMISSÃO DE FRENTE

Trazendo seus integrantes com uma coreografia com bastante samba no pé, Rodrigo Negri e Priscilla Mota, responsáveis pela comissão de frente da agremiação, montaram uma apresentação muito calcada nos movimentos bem tradicionais do samba e na figura dos passistas, com muitos gestos e partes da coreografia também voltados às mãos e às palmas, fazendo referência ao fato de Ciça ter iniciado sua trajetória como passista e chegado ao posto de mestre de bateria. A sincronia da coreografia junto ao canto dos bailarinos também empolgou bastante o público presente, que festejava a cada movimento realizado, explicitando a boa comunicação que essa abertura da escola teve com quem estava na Amaral Peixoto.

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Fotos: Matheus Morais e Rhyan de Meira/CARNAVALESCO

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho Nascimento e Rute Alves foram impecáveis na apresentação do último domingo. Em uma dança bem tradicional e de excelência, trouxeram muitos movimentos característicos da dança do casal na maior parte da exibição para a marcação da cabine do júri, demonstrando também muita sincronia e sintonia entre ambos. Julinho exibiu domínio nos riscados e no cortejo, com muita firmeza e segurança, enquanto Rute realizou giros muito precisos em uma dança com muito vigor, mas também suavidade, exibindo bem o pavilhão da escola durante todo o tempo.

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SAMBA E HARMONIA

Wander Pires comandou a ala musical da Viradouro com muito talento, marcando bem a emoção da escola que canta para seu mestre. Com grande desempenho, Wander manteve o samba firme durante todo o ensaio, e o carro de som também teve papel fundamental nesse resultado, demonstrando muita união entre seus componentes sob a liderança de Hugo Bruno. Já os componentes da Viradouro soltaram a voz com força ao cantar o samba, emocionando-se com os versos e mantendo boa harmonia e constância entre as alas, mesmo as mais afastadas do carro de som, como a ala das crianças, que veio logo após o primeiro casal. Destaque para versos como “Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você / Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender”, que remetem diretamente ao homenageado e foram entoados com força ao longo do ensaio.

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Ao CARNAVALESCO, Wander Pires avaliou os ensaios de rua da Viradouro e a expectativa para a Passarela do Samba.

“Os ensaios da Amaral Peixoto são o parâmetro principal e triunfal para que a gente consiga galgar um grande desfile e alcançar a nossa tão sonhada quarta estrela, o campeonato. Estou na maior expectativa de que vamos fazer dois grandes ensaios na Sapucaí e realizar um desfile espetacular, se Deus quiser”, declarou.

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EVOLUÇÃO

A Viradouro veio leve e animada, evoluindo com muita força. Os componentes da escola do Barreto estiveram soltos ao longo do treino, evidenciando alegria, emoção e canto, tudo na medida certa. A escola passou muito forte pelo chão da Amaral Peixoto, preenchendo bem o espaço da avenida e demonstrando, mais uma vez, grande força neste quesito.

Marcelinho Calil, diretor executivo da agremiação, conversou com o CARNAVALESCO sobre a temporada de ensaios na Amaral Peixoto e as expectativas para os próximos dois domingos na Sapucaí.

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“Foi espetacular. Tivemos grandes ensaios, fruto também de uma continuidade. Não é de hoje que a escola ensaia bem, mas este enredo, por estar tão próximo da gente, potencializa exponencialmente a emoção, a alegria e a vibração. Agora é fazer esses últimos ensaios na Sapucaí e desfilar como estamos acostumados. Tenho certeza de que estamos muito na briga por esse título. A temporada de ensaios da Amaral foi de altíssimo nível técnico, e o principal deste ano é a emoção, a felicidade, a vibração e a espontaneidade que esse enredo proporciona. Sobre a Sapucaí, tentamos separar as coisas, mas não dá. O ensaio técnico é um momento de objetivos técnicos, mas também de conexão popular com o Ciça, que já vem sendo homenageado nesses ensaios. Isso tudo é mágico. Agora é transformar esse valor agregado imenso em potência de desfile”, disse.

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OUTROS DESTAQUES

A “Furacão Vermelho e Branco” veio brincando sob o comando do homenageado. Mestre Ciça realizou diversas bossas, se divertiu com a bateria e comandou plenamente os ritmistas da agremiação, contando com a presença de Juliana Paes, rainha de bateria da escola, que recebeu muito carinho do público ao passar pela avenida.

Ciça também conversou com o CARNAVALESCO sobre a reta final de ensaios, destacando a chuva neste último encontro e a expectativa para os ensaios técnicos.

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“A avaliação foi ótima. Trabalhamos o tempo todo na quadra. Hoje a chuva atrapalhou um pouco, choveu muito no Rio de Janeiro, mas, pra mim, foi tudo bom. A avaliação é positiva. O que vem pela frente também vai ser bom. Vamos apertar o bolo para melhorar ainda mais a bateria. O ensaio é importante, mesmo com chuva. Temos que estar preparados para desfilar nessas condições, então já é um grande teste. A expectativa para a Sapucaí é grande. Ali levo 100% da bateria. É no campo de jogo que a gente ensina e ajusta de verdade”, comentou.

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Tá voando! Unidos da Tijuca faz ensaio de rua potente e grandioso na Conde do Bonfim

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A Unidos da Tijuca ocupou a Rua Conde do Bonfim para levar a energia do Morro do Borel a todos os tijucanos. A chuva forte que caiu na cidade não atrapalhou a adesão dos componentes ao ensaio em uma das principais ruas da Tijuca. Com o cortejo mantido e o samba na ponta da língua, cerca de 2.000 componentes demonstraram disposição para contar a história de Carolina Maria de Jesus. A amarelo-ouro e azul-pavão vai levar para a Avenida o enredo em homenagem à autora e à sua obra, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira em seu segundo ano na escola.

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A fim de mudar a leitura sobre a história da homenageada e o curso da própria Unidos da Tijuca, a escola se mostrou com muita vontade de brigar entre as seis primeiras do Grupo Especial. O ensaio deste domingo contou com a presença de todos os quesitos. A abertura foi arrepiante com a comissão de frente de Ariadne Lax e Bruna Lopes e seguiu aquecida com a elegância do casal Matheus André e Lucinha Nobre. Além disso, a integração entre Marquinhos Art’Samba, seu carro de som e a “Pura Cadência”, de mestre Casagrande, empolgou os desfilantes, que cantaram a todo momento.

COMISSÃO DE FRENTE

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As coreógrafas Ariadne e Bruna trouxeram para a Conde do Bonfim uma coreografia impactante e emocionante. O protagonismo da principal componente foi bem defendido, com uma interpretação marcante por suas falas, suas interações com os componentes masculinos, seu sofrimento e também sua suavidade nos momentos finais da apresentação. A performance contou com gestos intensos, gritos de “dor” e “revolta” que arrepiaram os espectadores e movimentos bem sincronizados.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Miranda e Lucinha Nobre, se apresentou com um misto de leveza e vigor que deu o tom ao bailado. Ambos respeitaram o pavilhão com carinho; em determinado momento, Lucinha inclusive deixava seu rosto sobre a bandeira. Os giros do casal foram bem encaixados, terminando sempre com a troca de olhares entre os dois. Outro detalhe importante da coreografia é quando o samba chega ao trecho “Sou a caneta que não reproduziu / A sina da mulher preta no Brasil”, e Lucinha rodopia batendo no peito enquanto Matheus a corteja. Mesmo com esses detalhes, a concepção da coreografia é de um bailado clássico, sem acréscimos de outros ritmos.

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SAMBA-ENREDO E HARMONIA

Marquinhos Art’Samba e seu carro de som evidenciaram sua qualidade em mais um ensaio da Unidos da Tijuca. A qualidade do samba e a potência do intérprete combinam com a proposta da Tijuca, e é possível ouvi-lo durante a maior parte do desfile. A composição de Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca conquistou o tijucano, como relatou acima a diretora de Carnaval Elisa Fernandes. Isso é comprovado com o canto forte e integral da comunidade, com destaque para os refrões e trechos como “Fui a caneta que não reproduziu / A sina da mulher preta no Brasil”, “Onde nascem Carolinas, não seremos mais os réus / Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados” e “Sou a liberdade, mãe do Canindé”.

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Antes do ensaio, o intérprete Marquinhos Art’Samba conversou com o CARNAVALESCO e avaliou como foi o pré-carnaval da Tijuca.

“O nosso pré-carnaval está sendo muito bem feito. O samba está aí, sendo cantado por todos nós, em todo o Brasil. A escola está com vontade mesmo de ser campeã. A avaliação é nota 10. O canto da comunidade é só você ver. A comunidade não está cantando, a comunidade está berrando o samba”, exclamou.

EVOLUÇÃO

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O tapete amarelo-ouro e azul-pavão fluiu muito bem pela Rua Conde do Bonfim. A energia se manteve alta durante todo o ensaio, com direito a componentes emocionados enquanto cantavam o samba e desfilavam. A possibilidade de chuva não impediu a presença maciça dos desfilantes nem conteve a empolgação. As alas coreografadas se exibiram com impacto e elevaram a expectativa para o que será visto na Sapucaí. As baianas e a velha guarda da escola evoluíram com muita beleza e animação.

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OUTROS DESTAQUES

O mestre Casagrande regeu a bateria “Pura Cadência” com muita destreza. Todas as bossas foram bem encaixadas, e os ritmistas aparentaram muita felicidade e confiança com o trabalho que está sendo feito. O mestre de bateria agradeceu a presença da comunidade e acredita que está no caminho certo.

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“Quero agradecer a toda a bateria, a toda a comunidade. A escola veio em peso. O morro desceu, e quando o morro desce, a gente vai para cima. Acho que estamos no caminho certo, estamos fazendo tudo certo. Agora temos mais dois ensaios técnicos pela frente, muito importantes. Muito pé no chão e muito foco. Tem muito tempo que eu não vejo a escola cantar da forma que está cantando. Realmente é para mudar a história da Unidos da Tijuca. Hoje não vou avaliar nada, porque hoje é só agradecer a toda a comunidade que veio. Com o dilúvio que caiu hoje no Rio de Janeiro, eles vindo do jeito que vieram, provaram que querem realmente mudar a história da Tijuca. Agora é ensaiar e ensaiar, não tem mais jeito”, disse Casagrande.

A empolgação da escola transborda também no carisma da rainha de bateria, Mileide Mihaile, que já está completamente integrada à Unidos da Tijuca. Sua interação com as crianças da comunidade, componentes e as demais musas comprova esse ponto.

OPINIÃO DA DIRETORA

A diretora de carnaval, Elisa Fernandes, comentou sobre essa temporada de ensaios antes de pisar na Sapucaí.

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“É uma temporada muito importante para a escola. A comunidade comprou a ideia do enredo, do samba e do projeto. A ideia de poder mudar a história da Carolina e apresentar a história da Carolina como a família gostaria que fosse contada, e não só pelo recorte de Quarto de Despejo, acabou caindo bem para a comunidade também, que acredita que está na hora de mudar a história. A escola já não volta ao Desfile das Campeãs desde 2016, então a comunidade está acreditando que essa mudança também vai acontecer para a escola e que essa energia de mudança vai fazer a Tijuca voltar a viver seus áureos tempos, porque é uma grande escola, uma escola quase centenária. A cada ensaio, a gente sobe mais um degrauzinho. Tenho certeza de que o último degrau vai ser o desfile oficial. Nós estamos na briga, tenho certeza de que estamos na briga”, argumentou a diretora.

Na agenda da Unidos da Tijuca, até o desfile oficial na segunda-feira, 16 de fevereiro, a escola vai ensaiar na Marquês de Sapucaí nas próximas sextas-feiras, 30 de janeiro e 6 de fevereiro, e encerra essa jornada em casa, aos pés do Morro do Borel, na Rua São Miguel, no próximo dia 8 de fevereiro. A diretora de carnaval afirmou que as expectativas para pisar na Avenida estão “altíssimas”:

“A comunidade está empolgadíssima, contando os dias. Você vê o contingente hoje, com essa chuva. As pessoas estão aqui, a galera está com orgulho. Esse enredo e esse samba mexeram muito com a autoestima do desfilante. Quando eu voltei para a escola, agora na direção, percebi que o que tínhamos que fazer nesse primeiro momento era trabalhar essa questão da autoestima”, declarou.

Além disso, sentiu que a escola foi abraçada não só pela própria comunidade, como também pelos sambistas torcedores das outras coirmãs.

“É uma história que conecta muito a comunidade, não só a comunidade da Tijuca, mas a comunidade do Carnaval também. Tenho certeza de que as pessoas das outras escolas também têm um carinho muito grande com o que estamos construindo e apresentando. Acho que é isso que mexeu com essa comunidade e está fazendo os ensaios ficarem lotados: ensaios de quadra, festas na quadra. Tivemos o aniversário da escola lotadíssimo; fizemos a festa do Dia da Consciência Negra lotadíssima. As pessoas estão acreditando e estão se sentindo felizes, e a alegria dá resultado. É nisso que eu estou acreditando também”, defendeu Elisa Fernandes.

Canto que ecoa e responde: com rua lotada, Mocidade mostra preparo e força da comunidade no último ensaio de rua

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Por Carolina Freitas e Ana Beatriz Campelo

As ruas de Bangu estavam praticamente vazias na noite do último domingo, exceto pela Avenida Ministro Ary Franco, que estava impressionantemente lotada, por conta do último ensaio de rua da Mocidade. Torcedores e componentes não deixaram a ameaça de chuva abalar e mostraram que a Verde e Branca de Padre Miguel tem chão fortíssimo e que a escola está preparada para o primeiro ensaio na Sapucaí. A evolução é nítida. O clima era de confiança, de quem sabe que o trabalho foi feito e entregue.

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“A gente viu um temporal se desenhar durante o dia e olha como está isso aqui, lotado”, comentou, impressionado, o intérprete Igor Vianna, que horas antes havia convocado o público a comparecer ao ensaio pelas redes sociais e teve seu pedido atendido minutos depois, ainda durante a tarde.

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Fotos: Carolina Freitas e Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

Comandada pelo coreógrafo Marcelo Misailidis, a comissão de frente se apresentou em alto nível técnico. Os integrantes executaram a coreografia com precisão, empolgação e bastante concentração, usando apenas capas pretas como figurino, o que despertou uma grande curiosidade sobre como serão as fantasias do desfile oficial, já que o adereço é essencial para os movimentos.

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Misailidis acompanhava cada movimento de perto, corrigindo detalhes em tempo real, enquanto os componentes ajustavam as marcações sem interromper a dança. Foi um ensaio para valer, com cara de desfile oficial. Na simulação para a cabine de jurados, eles deram um verdadeiro show e arrancaram gritos e aplausos do público que foi assistir, sendo uma das alas que mais empolgaram os torcedores.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Com a ausência do primeiro casal, Diogo Jesus e Bruna Santos, coube ao segundo casal, Diogo Moreira e Isabella Moura, a missão de conduzir o pavilhão, e eles corresponderam à altura. Com elegância, precisão e bom entrosamento, a dupla apresentou uma dança segura e empolgada, transmitindo leveza e confiança. A resposta do público veio em forma de muitos aplausos, reconhecendo a qualidade da apresentação.

HARMONIA

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Um dos grandes pontos altos da noite foi, sem dúvida, a harmonia. No início do ensaio, o intérprete Igor Vianna ordenou, em seu discurso, que a comunidade cantasse forte, e o pedido foi atendido com louvor. O canto veio potente e constante, evidenciando o chão da Estrela Guia. A condução de Igor foi firme e segura, mantendo a escola ligada do começo ao fim.

“O balanço é um saldo totalmente positivo. Eu costumo dizer que o samba de 85 é a coisa mais forte e o Independente vai a qualquer lugar. A gente não se prende. Vimos algumas pessoas falarem nas redes sociais: ‘Mocidade é só Padre Miguel’, mas Bangu também faz parte da comunidade da Mocidade. A diretoria optou por um ensaio mais técnico nessa rua, que tem medidas bem parecidas com a Sapucaí. É muito aceitável um certo receio, mas só quem viveu essa pré-temporada sabe o quanto foi acertada a decisão. A nação Independente está aqui em peso esperando o nosso último ensaio. Não tem como não tirar um saldo positivo de tudo isso”, avaliou o cantor.

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Igor também falou sobre as expectativas para levar o próximo ensaio para a Sapucaí e deu seu relato de fã da agremiação.

“São as melhores. Sempre fui um Independente mais espectador. Este ano, está sendo a minha estreia, não só como puxador da Mocidade, mas também como desfilante. Porém, sempre fui à Avenida assistir e prestigiar a minha escola; por isso, sei o poder que ela tem na avenida e que o Independente tem chão. Toda a comunidade do carnaval, em geral, pode esperar um povo apaixonado cantando muito na Marquês de Sapucaí”.

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EVOLUÇÃO

No quesito evolução, a Mocidade apresentou um avanço claro em relação a ensaios anteriores. Problemas pontuais de dispersão e buracos, observados em treinos passados, foram corrigidos. As alas passaram mais bem posicionadas, ocupando corretamente seus espaços e mantendo a fluidez do desfile. A empolgação se manteve até o fim, e a ala coreografada foi um dos destaques, chamando atenção pela sincronia e fluidez dos movimentos.

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OUTROS DESTAQUES

Algumas alas se sobressaíram, como a ala dos passistas, que veio cheia, vibrante e com muito samba no pé. A ala coreografada, mais uma vez, mostrou alto grau de entrosamento.

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A rainha de bateria, Fabíola de Andrade, foi outro ponto de destaque. Esbanjou carisma, entusiasmo e foi muito atenciosa com a comunidade que estava lá para prestigiá-la, além de entregar bastante samba no pé durante todo o percurso.

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A bateria “Não Existe Mais Quente”, comandada por mestre Dudu, mostrou que estava bastante afiada e precisa, apresentando uma condução de qualidade, muito alinhada ao carro de som.

Dudu falou sobre a fase atual vivida pela escola enquanto avaliou o desempenho do trabalho desenvolvido até aqui.

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“Hoje, a Mocidade se encontra em um momento especial. A gente quer realmente fazer o Independente ser feliz. A escola vem há muito tempo batendo na trave pelo não rebaixamento, e a Mocidade não merece isso. Vamos provar que a escola é gigante mesmo, que o Independente precisa torcer e brigar para a escola voltar às campeãs e que seja a campeã do carnaval, obviamente. Mas o trabalho está entregue, os segmentos todos bem reforçados. E, falando de bateria, eu trabalhei bastante as músicas da Rita. Comecei a escutar a cantora para entender um pouco do que era Rita Lee. Tentei botar as bossas dentro das melodias que o samba me entregou, para que o jurado tenha um entendimento melhor também. Agora não tem mais o que mudar, é esperar a oportunidade do dia oficial. Sabemos que vêm dois ensaios técnicos agora, mas a escola optou por fazer esse ensaio na Ministro Ary Franco para que o Independente tenha um ensaio digno. Na Guilherme da Silveira é um ensaio bom, tradicional, mas era uma rua muito apertadinha. Aqui, na Ary Franco, a gente encontrou uma rua até maior que a Avenida; é um ensaio técnico de verdade. Agora é aguardar o nosso momento do desfile oficial e vamos, que eu sei que a Mocidade vai dar a volta por cima. Vamos entregar o melhor para a escola sempre”.

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O mestre também demonstrou empolgação para a estreia do ano no Sambódromo. “As expectativas são as melhores. Vêm dois ensaios aí, e não vai ser diferente. A gente sempre entrega o melhor. Todo mundo tem grande paixão pela Mocidade. O Independente, de fato, é apaixonado de verdade e não vai ser diferente lá embaixo também. Pode ter certeza disso. Vamos entregar sempre o nosso melhor”.

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Beija-Flor leva Nilópolis a Copacabana, transforma a Avenida Atlântica em Bembé e confirma força de rolo compressor

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A orla de Copacabana voltou a ser tomada pelo azul e branco de Nilópolis em um ensaio-desfile que reuniu memória, emoção e projeção de futuro. Mesmo após um tempo sem acontecer, o último ensaio no bairro havia sido realizado em 2018, ano em que a escola conquistou o título do carnaval com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar”, a presença da Beija-Flor na Zona Sul reafirma uma tradição que atravessa décadas e conecta a Baixada Fluminense a diferentes territórios da cidade por meio do samba.

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Fotos: Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

A passagem da Beija-Flor pela orla da praia de Copacabana carrega um forte simbolismo, por ser fora de sua quadra, longe da Mirandela, local onde a escola testa sua força, mede a potência do samba-enredo e estabelece um diálogo direto com um público diversificado, formado por moradores, turistas, sambistas e apaixonados pelo carnaval carioca.

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Para o presidente da escola, Almir Reis, o retorno após sete anos tem um peso emocional e histórico. “Para a gente, é uma emoção muito grande, depois de sete anos, estar aqui novamente. Isso aqui sempre foi um desfile tradicional da Beija-Flor. Em 2018, nós saímos daqui e fomos campeões. Quem sabe isso não acontece novamente?”, afirmou. Em 2025, o ensaio precisou ser cancelado por conta do calor excessivo, o que aumentou ainda mais a expectativa para este reencontro com Copacabana.

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Apesar do clima festivo, o presidente reforça que a escola mantém os pés no chão na preparação para o desfile oficial na segunda-feira de carnaval.

“Independentemente de vir de um campeonato, a gente está fazendo o nosso trabalho. Evolução, harmonia, o barracão praticamente pronto, fantasias encaminhadas. Agora é fazer o correto na avenida, porque carnaval é na avenida”, pontuou, confiante na disputa pelo título.

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O ensaio também evidenciou a força do samba-enredo, uma junção escolhida pela escola para contar, na Marquês de Sapucaí, a história do Bembé do Mercado, que acontece em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, sendo uma das mais antigas e simbólicas manifestações públicas do candomblé no Brasil. O tema conecta fé, ancestralidade e resistência negra, transformando o Carnaval carioca em espaço de celebração e memória afro-brasileira.

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Essa narrativa ganha ainda mais potência com a bateria Soberana, que apresentou uma nova bossa justamente em um dos trechos mais simbólicos do samba, “Yemanjá, alodê no mar, no mar”, com uma variação rítmica marcada por sutileza e impacto, dialogando diretamente com o enredo e criando um momento de forte conexão entre samba e espiritualidade.

Para o diretor de carnaval, Marquinho Marino, a proposta do ensaio foi menos técnica e mais afetiva, sem abrir mão da comunicação com o público.

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“Foi muito produtivo pela alegria, pelo divertimento, por ver o público abraçando a escola. A gente fez um ensaio mais livre, mais espontâneo, sem preocupação técnica, deixando o povo vir atrás da gente”, ressaltou.

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Mesmo com o samba sendo um dos mais ouvidos da temporada nas plataformas digitais, Marino reforça que o verdadeiro teste acontece na avenida.

“O samba tomou corpo, ganhou força e está impulsionando a escola. Mas o samba tem que acontecer na avenida. Aqui fora ele cumpriu o papel dele, agora precisa cumprir lá dentro”, avaliou.

À frente da bateria, o mestre Rodney celebrou o desempenho da escola e o simbolismo de levar a cultura da Baixada Fluminense para a Zona Sul.

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“Toda vez que a gente vem para Copacabana dá coisa boa. O trabalho está fluindo, é gradativo, a escola está criando unidade. Mesmo com chuva, todo mundo se comportou muito bem”, disse.

Para ele, o ensaio também cumpre um papel social importante. “É trazer a nossa cultura da Baixada para o pessoal da Zona Sul ver o que a gente faz. O samba, o carnaval, isso é cultura. Não tem discriminação, somos todos iguais. O samba mostra isso”, afirmou, e destacou ainda a chuva no fim do desfile como uma forma de bênção.

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Ao ocupar novamente Copacabana, a Beija-Flor reafirmou sua identidade como uma escola que entende o carnaval como espetáculo, manifestação cultural e encontro popular. E fez um ensaio que não apenas aquece para a Sapucaí, mas também aponta para um desfile ancorado na força do samba, na precisão musical e na profundidade simbólica de um enredo que conecta fé, história e território.

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Salgueiro faz o samba ecoar alto no Baródromo e aquece comunidade na busca pela décima estrela no Carnaval 2026

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O Salgueiro se apresentou no último domingo, no Baródromo, tradicional reduto sambista da Tijuca, Zona Norte do Rio, em uma performance potente que fez jus ao peso de seu nome. A bateria “Furiosa”, o intérprete Igor Sorriso, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leonardo Moreira e Bárbara Moura, baianas e passistas abrilhantaram a noite, dando uma palhinha do que será o cortejo da agremiação em 2026. O CARNAVALESCO esteve presente e conversou com integrantes da escola e foliões sobre a importância do encontro e as expectativas para o grande dia do desfile.

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Fotos: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

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O diretor de carnaval do Salgueiro, Wilsinho Alves, celebrou, em um primeiro momento, o serviço prestado pelo Baródromo à comunidade sambista do Rio de Janeiro.

“O Baródromo se tornou um reduto de quem gosta de escola de samba e de samba-enredo. O Baródromo é importantíssimo na cultura do carnaval carioca. Toda vez que o Salgueiro e o salgueirense forem convocados para cá, a gente vai fazer uma festa linda e lotada, no nosso bairro, como a que estamos vendo hoje. Viva o Baródromo, viva o Salgueiro!”, expressou Wilsinho.

Quem também fez questão de reconhecer o valor da iniciativa foi o intérprete Igor Sorriso. “Carnaval é a festa do povo. Eventos como esse de hoje são importantes para interagir e se conectar ainda mais com quem realmente faz essa festa”, disse Igor.

Para o mestre de bateria, Gustavo Oliveira, a importância do negócio está em atender a uma demanda até então ignorada.

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“Aqui no Rio ainda não havia, além da quadra das escolas, um espaço no qual o sambista pudesse vir o ano inteiro tomar uma cerveja e falar de samba-enredo, falar de desfile. Muita gente, quando acaba o carnaval, esquece as escolas de samba e começa a curtir outras coisas, mas tem a galera que vive escola de samba 24 horas por dia durante os 365 dias do ano. O Baródromo entendeu essa necessidade”, pontuou Gustavo.

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A poucas semanas do desfile oficial, o Salgueiro propõe uma homenagem à antológica carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2024, em um cortejo que tem tudo para fechar com chave de ouro a temporada carnavalesca de 2026 do Rio de Janeiro.

“Fizemos uma temporada de ensaios muito boa. Chegamos ao carnaval com o samba no ponto máximo de rendimento e, a cada apresentação, a cada ensaio de rua, a gente vê que o samba vai ser um sucesso. Vai ser um arrastão, e todo mundo vai cantar para a mestra. A gente está muito confiante no título. Temos barracão, fantasia e demais quesitos muito fortes”, destacou Wilsinho Alves.

Ainda sob tal viés, o mestre Gustavo defendeu a competência da bateria “Furiosa”, uma das mais esperadas do carnaval carioca.

“Mais da metade da bateria vem de uma geração de antigos ritmistas, de antigos diretores. É uma galera que é salgueirense de berço, como eu e meu irmão, e carrega a escola na alma, no sangue, e se entrega anualmente para fazer um trabalho perfeito, com muita garra, muita vontade e muito amor pelo nosso pavilhão. Podem esperar um Salgueiro forte, vibrante e uma bateria com aquele ritmo maravilhoso e muita novidade”, antecipou o condutor da orquestra salgueirense.

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Já Igor Sorriso elogiou a progressão do trabalho da escola na temporada 2026: “Percebo, nessa reta final, evolução, crescimento e maturidade. Vamos chegar no dia do desfile no auge do nosso envolvimento com o público, da nossa emoção e da nossa energia”.

Embora não tenha se apresentado com a parceira Marcella Alves na noite de ontem, o primeiro mestre-sala da Academia do Samba, Sidclei Santos, esteve presente no evento e compartilhou com o CARNAVALESCO sua análise do desempenho da escola às vésperas do carnaval.

“Não só para o Salgueiro, mas para todas as escolas, o Baródromo é um termômetro, porque aqui realmente tem sambista. A depender da recepção do público, você desenvolve uma noção se o samba vai crescer. É um local onde todo mundo canta o samba, independentemente de para qual escola torce. Se o samba for bom e as pessoas gostarem, elas vão cantar. A receptividade que nós tivemos aqui hoje nos deixou muito felizes, empolgados e esperançosos com nosso samba e com a conquista da décima estrela”, defendeu Sidclei.

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No lugar do primeiro casal, Leonardo Moreira e Bárbara Moura, segundo casal do Salgueiro, conduziram com maestria o pavilhão da escola. Bárbara também contou suas impressões sobre o pré-Carnaval da agremiação.

“Este ano, houve gente duvidando do nosso potencial, mas isso só faz a comunidade ser mais forte e querer mostrar mais trabalho. Hoje, entrar no barracão do Salgueiro é ver Rosa Magalhães em todos os cantos. É muito bonito e emocionante. Tenho certeza de que vai ser um desfile muito emocionante para todo mundo, ainda mais fechando a terça-feira de carnaval”, garantiu a jovem.

Por fim, os foliões que compareceram ao Baródromo neste domingo não deixaram de dividir suas expectativas quanto ao desfile do dia 17 de fevereiro. Cria do Morro do Salgueiro e salgueirense de família, a autônoma Adriana Rodrigues, de 51 anos, reforçou a grandeza da agremiação e convidou a comunidade a mostrar tudo de si.

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“Mais do que vir forte ou não este ano, o Salgueiro é uma escola forte. O enredo da Rosa Magalhães é muito rico; o samba está leve e gostoso; a comunidade tem mostrado sua força. Sempre que puder dar o melhor, temos que dar, porque, assim como o Salgueiro, há outras grandes escolas”, disse Adriana, cuja mãe faz parte da velha guarda e o cunhado é compositor da escola.

Já o estudante de Direito, Jorge Luiz Lopes, de 29 anos, recorreu não só à competência dos segmentos, mas à tradição salgueirense para justificar a aposta na potência da apresentação do Salgueiro.

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“A Rosa Magalhães começou no Salgueiro em 1971, então nada mais justo do que o Salgueiro fazer uma homenagem a essa grande artista do carnaval. Tenho ouvido vários comentários elogiando o barracão. A junção dos dois sambas finalistas ficou perfeita. Estou confiante de que o Salgueiro vai fazer um grande desfile”, colocou o rapaz.

Edilene Palbet, empresária que completou ontem seus 46 anos e desfila pela Academia do Samba desde os 7, também justificou o porquê de a nação salgueirense estar tão otimista com este desfile.

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“O Salgueiro vem forte para disputar o título. Fui a todos os ensaios, e está todo mundo com muita garra para vencer, cantando o samba. Está tudo perfeito”, finalizou a aniversariante.

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Freddy Ferreira analisa bateria da Estácio de Sá no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Medalha de Ouro” da Estácio de Sá, comandada por mestre Chuvisco. Um ritmo estaciano clássico, com a típica levada de partido alto nas caixas tocadas em cima, junto de uma afinação tradicionalmente pesada, dando pressão sonora aos arranjos da vermelha e branca do São Carlos.

Na parte da frente do ritmo da Estácio, uma boa ala de chocalhos se exibiu próxima de um naipe de cuícas de qualidade musical inegável. Um naipe de agogôs apresentou um desenho rítmico pontuando as nuances melódicas com solidez. Uma ala de tamborins de inegável qualidade coletiva foi o destaque entre as peças leves, graças a um carreteiro com levada firme e execução limpa da convenção rítmica.

Na cozinha da bateria estaciana, uma afinação de surdos pesada e característica da escola do Morro do São Carlos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e precisão. Surdos de terceira deram um balanço irretocável, valorizando o belo trabalho dos graves. Repiques de alta técnica musical se exibiram junto de um naipe de caixas de guerra primoroso, com sua clássica batida de partido alto, tocada em cima. Na primeira fila da parte de trás do ritmo, vieram atabaques que deram molho e foram fundamentais nas bossas.

Bossas com musicalidade diferenciada foram apresentadas. O belo arranjo do refrão do meio demonstrou um profundo casamento com as variações da melodia. Já a paradinha do estribilho, com o luxuoso auxílio dos atabaques, ajudou a conectar o ritmo estaciano ao enredo sobre Tancredo, o Papa da Umbanda. O referido arranjo deixou, sobretudo, o leque de bossas do Velho Estácio bem fundamentado e sincretizado.

Uma grande apresentação da “Medalha de Ouro”, dirigida por mestre Chuvisco. Uma bateria da Estácio de Sá com suas características típicas muito bem definidas, auxiliando o componente estaciano a dançar e evoluir enquanto cantava o belo samba-enredo do Leão. Uma bateria estaciana em bom caminho, visando o desfile oficial.

Freddy Ferreira analisa bateria da Porto da Pedra no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Ritmo Feroz” da Unidos do Porto da Pedra, comandada por mestre Pablo. Um ritmo com potência sonora, graças à afinação mais pesada dos surdos. Bossas aproveitando esse impacto musical foram exibidas com firmeza pelos ritmistas.

Na parte da frente do ritmo do Tigre, uma ala de chocalhos ressonante tocou junto de agogôs sólidos, que faziam uma convenção rítmica baseada nas variações da melodia da obra da escola de São Gonçalo. Simplesmente sublime o trabalho dos tamborins. Firmes, precisos e uníssonos, mesmo com um desenho rítmico de difícil execução. Um desbunde musical de tanta qualidade coletiva.

A cozinha da bateria “Ritmo Feroz” contou com sua tradicional afinação de surdos mais pesada. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza. Surdos de terceira foram responsáveis pelo bom balanço do ritmo gonçalense. Repiques coesos tocaram junto de caixas de guerra bem consistentes, preenchendo a sonoridade dos médios com virtude musical.

Bossas com a característica musical já tradicional no trabalho de mestre Pablo foram apresentadas. Os já culturais arranjos mais elaborados, envolvendo a pressão sonora do peso dos surdos, foram exibidos com precisão e qualidade, mesmo tendo certa complexidade de execução. Todos pautados pelas nuances da melodia do ousado samba da Porto da Pedra.

Uma apresentação muito boa da “Ritmo Feroz” de mestre Pablo. Com uma ala de tamborins estupenda e bossas que já fazem parte da cultura musical do mestre, a bateria da Unidos do Porto da Pedra se exibiu de forma impactante, ajudando a impulsionar tanto o samba da escola quanto o componente.

Freddy Ferreira analisa bateria do Império Serrano no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria “Sinfônica do Samba” do Império Serrano, na estreia de mestre Felipe Santos. Um ritmo com equalização privilegiada foi exibido, sem contar a musicalidade destacada e diferenciada das bossas imperianas.

Na parte da frente do ritmo do Império, uma ala de cuícas sólida tocou junto dos icônicos agogôs, que pontuaram com exatidão e qualidade técnica as nuances melódicas do samba imperiano. Uma ala de chocalhos extremamente acima da média se exibiu integrada a um naipe de tamborins exemplar.

O casamento musical entre tamborins e chocalhos foi impressionante e adicionou nítido valor sonoro às peças leves.

Na cozinha imperiana, uma ótima e tradicionalmente pesada afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza peculiar e segurança. O balanço irrepreensível das terceiras ajudou no complemento dos graves com qualidade. Repiques de alta técnica musical tocaram junto de um naipe bem consistente de caixas de guerra, com a batida rufada cultural da escola da Serrinha.

Um leque de bossas musicalmente atraente foi exibido. Arranjos produzidos pautados pelas variações do samba do Reizinho de Madureira foram apresentados com categoria e extrema precisão. Uma nuance rítmica no trecho “que silencia o fuzil”, fazendo alusão ao barulho de um único tiro, mostrou-se funcional, além de apresentar sonoridade com pressão de surdos e contratempo de peças leves e médios, preenchendo a musicalidade do arranjo com consistência. A paradinha da cabeça do samba também merece menção musical, diante de uma bossa não só bem concebida como também bem apresentada.

Um ensaio técnico exemplar da “Sinfônica” do Império, sob o comando do estreante mestre Felipe Santos. Um ritmo com andamento confortável e fluência plena entre os mais diversos naipes foi apresentado. Um conjunto de bossas dançantes e musicais ajudou a aumentar a sensação de sacode do exímio treino da bateria do Império Serrano.

Freddy Ferreira analisa bateria do Arranco do Engenho de Dentro no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma boa apresentação no ensaio técnico da bateria “Sensação” do Arranco, na estreia da primeira mestra de bateria da história da Sapucaí, Laísa Lima. Trajada de palhaça para entrar no clima do enredo, a mestra ficou visivelmente emocionada quando a bateria do Arranco subiu. O ritmo circense da paradinha do estribilho foi um dos pontos altos da musicalidade da escola do bairro do Engenho de Dentro.

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Na parte da frente da bateria “Sensação”, uma ressonante ala de chocalhos realizou um grande trabalho, acompanhada de um naipe sólido de cuícas. Agogôs pontuaram as variações melódicas do samba com um toque seguro, inclusive na bossa circense do estribilho, onde deram uma luxuosa contribuição musical. Uma ala de tamborins exibiu um desenho rítmico pautado pelas nuances da obra, com eficácia e qualidade. Na cabeça da bateria também vieram alguns pratos, que entravam pelo corredor para a realização do principal arranjo, com direito a clima musical de picadeiro.

A cozinha da bateria “Sensação” contou com uma boa afinação de surdos, além de marcadores de primeira e de segunda precisos. Os surdos de terceira deram um balanço gostoso tanto no ritmo quanto nas bossas. Repiques coesos tocaram integrados a um naipe de caixas de bom volume, ajudando a preencher os naipes médios.

Um conjunto de bossas altamente musical foi exibido. Bastante dançantes, os arranjos se mostraram profundamente conectados ao enredo da escola, principalmente a bossa mais extensa. Iniciado ainda na segunda do samba, o arranjo em questão contou com uma levada circense musicalmente atraente, capaz de cativar o público e impulsionar o componente da agremiação. Uma proposta musical bem vinculada ao tema, mas que ainda carece de execuções mais refinadas, havendo tempo hábil para isso até o desfile oficial.

Uma boa exibição da bateria do Arranco do Engenho de Dentro no ensaio técnico, na estreia da pioneira Laísa Lima como mestra na Avenida. Um ritmo bastante conectado ao tema da agremiação foi exibido, com boa equalização de timbres e musicalidade envolvente nas bossas. Ainda que haja ajustes pontuais a serem realizados, a história do início da revolução feminina do ritmo foi escrita pela nova mestra do Arranco com classe e leveza.