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Águia de Ouro promete Nordeste diferente no desfile de 2027: ‘Queremos fugir do senso comum’

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O último sábado foi especialíssimo para o Carnaval de São Paulo, em especial para região da Pompeia, bairro da Zona Oeste de São Paulo. O Águia de Ouro comemorou o Jubileu de Ouro exatamente no dia em que a agremiação foi fundada há cinquenta anos. Para comemorar, a azul e branca fez uma grande feijoada na gigantesca quadra da instituição, na avenida Presidente Castelo Branco (trecho da pista local da Marginal Tietê), com show das bandas Encontro de Batuqueiros e Puxadores do Samba e da Batucada da Pompeia, bateria da escola. Já com enredo definido para o Carnaval 2027, “Águia na encantaria de fés, folguedos e milagres que deságuam no sertão”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza, o CARNAVALESCO marcou presença em data tão importante para a agremiação e buscou mais informações sobre a temática.

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Ideia

Embora seja uma temática comum em desfiles de escolas de samba, o Águia de Ouro não costuma abordar o Nordeste em seus enredos – a última vez que a escola passeou com mais afinco pela região foi em 2014, quando cantou o ilustre cantor no desfile de “A velha Bahia apresenta o centenário do poeta cancioneiro Dorival Caymmi”. Até por isso, o título do enredo chamou atenção do universo do carnaval paulistano.

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A reportagem, por conta de tal característica, perguntou para alguns nomes importantes da escola sobre a origem do enredo. Leandro começou: “A gente viu a oportunidade que o Águia deu, essa abertura incrível que o presidente deu por meio dessa parceria dele. A gente trouxe esse enredo achando que é o momento certo para o Águia, trazendo tanto uma plástica quanto uma narrativa que a gente acha muito expressiva. Quando a gente teve essa oportunidade de estar no Águia, eu falei com o Thiago e o presidente já apoiou. Vai ser incrível para a escola”, detalhou.

Rogério Figueira, popularmente conhecido como Tiguês, outro estreante na agremiação neste ciclo para o Carnaval 2027, foi ainda mais além. Ao ser perguntado sobre como era voltar a trabalhar com o carnavalesco e com o enredista Tiago Freitas, com quem atuou entre 2022 e 2026 no Império de Casa Verde: “Trabalhar com os dois é um prazer muito grande. São dois caras que procuram retratar aquilo que foi pedido até pelo presidente. A ideia começou com uma ideia do presidente, mesmo – e eles já tinham o negócio pronto. Foi um negócio legal para caramba. É fácil trabalhar com os dois. Dá uma tranquilidade para a gente poder saber e entender que a parte plástica vem. Já é uma coisa que você tira da lista de preocupações. Vai ser muito tranquilo trabalhar com o Leandro, que é um querido, sempre presente na minha vida, todo dia no barracão. É um cara que vai ser muito fácil trabalhar. Para a gente está muito tranquilo”, pontuou.

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Rogério Figueira, popularmente conhecido como Tiguês

Desenvolvimento

Uma temática nordestina, por vezes, pode ser muito ampla. Leandro destacou que há um direcionamento bastante claro no trabalho: “A gente vai contar os milagres nordestinos, a gente vem com uma temática diferente nordestina. Em cada setor, a gente vem com milagre. Isso é muito incrível. No último setor, falaremos do milagre da chuva, por exemplo, mas a gente vai passar por vários milagres incríveis. A abertura toda é incrível, a gente trabalha com a jurema em relação à mística do transe, algo que o Tiago adora falar. Podem esperar uma abertura gigantesca do Águia. O Águia vai vir para o campeonato e isso é decisivo para a gente”, prometeu.

Tiago complementou: “A gente traz uma coisa muito forte: a jurema sagrada, um ritual. As pessoas acham que a jurema vem da Amazônia, mas não: é uma tradição nordestina. A jurema vem da sabedoria popular do sertanejo, do homem nordestino e da mulher nordestina, que, fazendo fogo e fumaça da árvore da jurema, também fazem o chá e a fumaça para evocar os ancestrais e a espiritualidade. A gente vem nessa viagem aí”, brincou.

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Carnavalesco Leandro Barboza e o enredista Tiago Freitas

O próprio enredista dá mais detalhes sobre o que está sendo programado para o desfile: “No primeiro setor, a gente vem com o milagre do Sol que está forte no sertão abrandar. É o primeiro milagre a ser contado. O segundo é que, com a fé e a força dos santos católicos, eles procuram a energia para festejar – e, aí, eles encontram esse caminho. No terceiro milagre eles vão festejar e encontram a energia para acreditar que a chuva vai cair – e, no último setor, a chuva finalmente vai cair. Essa chuva é a chuva da vitória e a chuva que cai no sertão. A gente mistura essa mística da chuva do sertão com a chuva da vitória na Pompeia”, ilustrou.

Liberdade artística

Tal qual o carnavalesco com quem trabalha, Tiago também fez questão de frisar que o Nordeste retratado pelo Águia de Ouro no Anhembi será bastante diferente do que costuma ser apresentado em desfiles de escolas de samba: “A gente já está em produção e queremos fugir do senso comum. A gente não quer falar do Nordeste como todo mundo fala: com gibão, chapéu, Maria Bonita, Lampião. A gente vem com rituais e também a gente vem com encantarias, que é o nome do nosso enredo. Essas encantarias despertam milagres e esses milagres fazem com que a Pompeia retome ao seu lugar natural, de estabilidade e de protagonismo. A gente vai jogar com esses milagres que fazem brotar no sertão a vitória para a Pompeia – e a vitória da chuva para o sertanejo”, pontuou.

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Para que tudo isso aconteça, é necessário que a agremiação compre a ideia da equipe de criação. E, de acordo com Tiago, isso está acontecendo: “É interessante quando uma escola abraça um projeto autoral, quando não vem com um projeto que vai ser forçado. Quando o projeto é autoral, é certeza que ele vai se desenvolver bem na avenida. O Águia abraçou de primeira hora o enredo do Leandro: quando o presidente falou que esse é o nosso enredo, já começamos a trabalhar. Isso é muito importante para os artistas do carnaval”, comentou.

Aceitação do mandatário

Principal nome do Águia de Ouro, Sidnei Carrioulo, presidente da escola, está bastante satisfeito com o que a agremiação está fazendo para 2027: “A primeira impressão ainda continua: a impressão boa, o desenrolar do enredo idem. A apresentação desse enredo em termos de fantasia também é ótima- isso é muito importante. Às vezes, o assunto é muito importante; mas, na hora que você começa a tirar do papel e colocar em prática, você não tem a mesma temática que você tinha na cabeça. Falar é uma coisa, representar é outra. Tanto em termos de alegoria (já temos os projetos dos carros) quanto em termos de fantasia, está maravilhoso. E, dando aí a pincelada final, questão do samba-enredo está ficando muito legal”, comemorou.

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Principal nome do Águia de Ouro, Sidnei Carrioulo, presidente da escola

O dirigente, por sinal, foi elogiado por Tiago: “É importante dizer que o presidente determinou que fosse um desfile de Grupo Especial, inclusive, com quatro alegorias. Isso foi muito importante para a gente, isso é a valorização do presidente em relação ao nosso trabalho. Tenho certeza que eu escolhi certo a escola, isso me deixa muito tranquilo. Esse casamento com o Águia vai ser duradouro”, afirmou.

Daqui em diante

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Perguntado sobre o andamento da produção do desfile, Leandro voltou a elogiar Sidnei: “A gente já está em produção de fantasias. A gente já está há quinze dias de produção de fantasias. A gente já está em fase de piloto, finalizando pilotos. Esse andamento acontece graças ao presidente: ele é um presidente muito empenhado, é presente em todo o trabalho. No primeiro momento em que ele falou que quer começar barracão e fantasia, começamos”, disse.

De acordo com ele próprio, o próximo passo já está dado: “A gente já está com o samba pronto. O samba já está sendo gravado, já começou a fase de estúdio. Isso deixa a gente muito confortável com a narrativa, com a criação. Está tudo muito fluido, a gente está muito tranquilo, a comunidade recebeu muito bem. A bateria, todos os segmentos. Vai ser bem feliz. A comunidade se reconheceu no enredo – e, quando a gente apresentar o samba, eles vão se reconhecer, também”, finalizou.

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Sheila Monaco é reeleita presidente da Pérola Negra com ampla vitória

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Foto: Letícia Sansão/CARNAVALESCO

A chapa “Resistência”, liderada por Sheila Monaco, foi a vencedora da eleição para a Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal do G.R.S.C.E.S. Pérola Negra para o triênio 2026/2029. O pleito foi definido com 18 votos a favor da chapa vencedora contra 7 votos da oposição, confirmando a reeleição de Sheila Monaco à presidência da agremiação.

Com o resultado, a atual gestão segue à frente da Pérola Negra por mais um ciclo administrativo, dando continuidade aos projetos e diretrizes já em andamento na escola.

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Em nota, a agremiação destacou o compromisso com a estabilidade institucional e desejou sucesso à diretoria reeleita na condução dos trabalhos junto à comunidade, reforçando a importância da união e da participação dos segmentos no fortalecimento do trabalho da escola.

Estácio, Sinopse do Enredo para o Carnaval 2027

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Enredo – Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval

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INTRODUÇÃO

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá tem como enredo o “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, a primeira escola de samba do Brasil apresenta a perspectiva de um plano dimensional no qual se constroem narrativas dos bambas em tempos idos e do processo histórico das escolas de samba cariocas. Além disso, o enredo dialoga com a historiografia do bairro, especialmente com a da sua escola de samba, herdeira da Deixa Falar, amplamente referenciada na história do carnaval carioca.

A inesquecível Turma do Estácio, eternizada na memória dos sambistas, volta a se reunir em uma dimensão alternativa, recurso próprio da natureza poética e imaginativa do artista carnavalesco e dos sambistas, capaz de atravessar o tempo e criar mundos possíveis. Nesse plano, o passado não se encerra, mas dialoga com o percurso das escolas de ontem e de hoje.

Nesse universo imaginário, território mítico, as cenas da vivência no bairro do Estácio, das perspectivas dos bambas reunidos à mesa de bar e do percurso seguido pelas escolas de samba cariocas até a atualidade passam diante dos olhares de Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal. Outrossim, o enredo reúne narrativas desses bambas em outra dimensão, bem como aportes literários que abordam a geografia e seus personagens, além de contribuições orais sobre esse lugar de criação das hoje mundialmente reconhecidas escolas de samba.

SINOPSE DO ENREDO
[Quem vem lá, quem vem lá é o velho Estácio… Estácio escola primeira veio saudar a Portela cumprimentar a Mangueira…] (Quem Vem Lá – samba de Bide – Marçal)

As memórias dos sambistas e a literatura sobre o samba, voltadas às escolas de samba, demonstram que, no coração do Rio de Janeiro, existe um lugar onde o tempo aprendeu, e ainda aprende, a sambar de forma genuína. Trata-se do Largo do Estácio, localizado próximo aos antigos templos do samba e ao atual Sambódromo da Marquês de Sapucaí, espaço onde as escolas de samba revivem histórias e memórias.

Nesse lugar, as memórias atravessam décadas, e ecos de batuques que nunca se calaram ressoam ao longo de um século. Ali, um antigo bairro guarda histórias que pertencem à própria origem do carnaval, sobretudo quando se trata de seus protagonistas: Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal.

Nesse território simbólico, onde passado e presente se encontram como versos de um mesmo samba, a mesa do velho Estácio permanece viva no imaginário dos estacianos, como se os bambas observassem não apenas a agremiação, mas também o carnaval e suas transformações ao longo do tempo. Nesse cenário, aqueles que deram origem ao maior espetáculo da Terra, criadores de novos ritmos e instrumentos que ecoam até a atualidade, seguem a zelar pelo samba-enredo e pela escola de samba Estácio de Sá a partir de outra dimensão.

Assim, esses bambas, ao romperem com a lógica dos ranchos carnavalescos, propuseram uma nova estrutura baseada em ritmo, organização e narrativa. Nesse sentido, a Deixa Falar, escola de samba criada por eles, não apenas inovou, como instituiu um paradigma para esse novo modelo de samba concebido pelos bambas do velho Estácio.

Ao criar a onomatopéia bumbum paticumbum prugurundum, Ismael Silva indicava que tal conceito nasceu para estruturar a marcação rítmica do samba, utilizada não apenas para orientar o ritmo, mas também como forma de chamado para o ato de sambar. Em linhas gerais, buscava-se uma configuração que organizasse a festa, orientasse o samba e o desfile, criando uma cadência própria que daria origem à base rítmica das baterias.

Na concepção do sambista, essa expressão sintetizava a profundidade do carnaval das escolas de samba, ancorada na ancestralidade afro-brasileira e no ritmo popular. Evocava, ainda, batidas que dialogavam com tradições de terreiro1, nas quais pulsos graves, repetições e chamadas coletivas estruturam a comunicação entre corpo, música e comunidade.

Nesse contexto, o enredo se debruça sobre os desejos de transformação desses homens em vida e sobre suas reflexões, agora ampliadas por outro tempo, acerca dos frutos gerados pela semente plantada no momento em que nascia a cultura das escolas de samba cariocas. Ao mesmo tempo, celebra a permanência dessa obra viva, refletida na criatividade dos enredos e sambas que conquistaram o povo e se tornaram parte essencial da identidade cultural do Rio de Janeiro e do Brasil.

Isso posto, o bairro tornou-se, então, uma verdadeira sala de aula do samba, uma vez que o termo escola passou a integrar os desfiles de maneira mais abrangente. A historiografia do samba revela a importância dessa concepção, visto que outros sambistas passaram a frequentar esse espaço da cidade. A coletividade, voltada aos desfiles, ganhou novos contornos, sustentada por instrumentos, poesia popular, criações e diálogos. Desse modo, o carnaval carioca consolidou-se como uma das festas mais populares do país, ultrapassando fronteiras nacionais.

Nesse universo, os bambas veem, diante de seus olhos, cenas que remontam à formação da escola de samba Estácio de Sá, resultado da união de outras agremiações ao longo de décadas de história do samba no Morro de São Carlos, território que preservou o espírito da escola pioneira.

Por conta dessa natureza festiva carnavalesca, a tradição segue viva nos becos, nos quintais e nas festas populares, reinventando-se como forma de resistência cultural. Nesse contexto, revelaram-se artistas, pensadores e vozes marcantes da cultura brasileira. Entre eles, Acelino dos Santos, o Bicho Novo, lendário mestre-sala do carnaval carioca, Luiz Melodia, cuja obra dialoga com a boemia e o compasso do Estácio, Dominguinhos do Estácio, de voz potente, Gonzaguinha, cuja poesia transformou dor em esperança, e tantos outros bambas, compositores e intérpretes da alma suburbana que ecoa nas esquinas do Rio.

É nesse mesmo fluxo de memória e continuidade que a Turma do Estácio, em dimensão simbólica, se reúne à mesa com outros bambas2 de grande relevância para o universo das escolas de samba. Ali, a fina nata da malandragem, trajada no puro linho, com gomas e vincos impecáveis, divide espaço com as mulheres da vida, figuras marcantes das noites do Estácio, de riso fácil, perfume forte e olhar sabido, que também faziam pulsar aquele território boêmio. Entre copos tilintando, o riscar dos fósforos, a fumaça dos cigarros e conversas atravessadas, malandros e damas da noite se encontram para rememorar e celebrar tempos idos e presentes, compondo o cenário vivo de uma época em que a rua era palco, abrigo e poesia, ampliando o coro de vozes que sustentam, preservam e reinventam essa tradição.

As cenas de transformação observadas pelos bambas ultrapassam as ruas do bairro e alcançam a Avenida Marquês de Sapucaí, que transformou o sonho em espetáculo. Em suas memórias, os desfiles não nascem em um palco fixo, mas percorrem a própria história urbana do Rio de Janeiro. Antes da consolidação de uma passarela definitiva, o carnaval foi itinerante, ocupando diferentes espaços da cidade3, acompanhando o crescimento da festa. Hoje, esse templo do samba é o espaço onde, ano após ano, se escrevem narrativas heróicas, ficcionais e realistas pelas agremiações cariocas.

Nessa ambiência, os bambas reconhecem que a história do samba se constrói pela genialidade coletiva das escolas. Suas transformações foram, e continuam sendo, a força motriz que impulsiona projetos e mudanças ao longo de um século, evidenciadas nas disputas memoráveis.

A Turma do Estácio se encanta com cenas marcadas por enredos estacianos, que trouxeram elementos da sua própria história que: atravessaram o sul do país em festas populares; trataram de eventos poéticos; perfumaram o ar com cravo, canela e com o sapoti; iluminaram-se em procissões de fé; transformaram-se em hino de torcida de futebol; exaltaram a negritude como força ancestral; ecoaram nas ondas do rádio e transformaram a noite boêmia em espetáculo de cultura e identidade. Eles ainda contemplaram as coirmãs, que trouxeram para a avenida a amplitude da religiosidade, a irreverência, a crítica social, a arte e a história, como ciência, literária, além de corpos e alegorias, que passaram a desafiar os limites das visões atentas ao espetáculo.

Entre olhares cúmplices e silêncios, os bambas reconhecem o Estácio como origem viva, raiz que floresce no tempo. Acima de tudo, ventre criador de inúmeros desdobramentos culturais que se expandiram pelo país e alcançaram projeção internacional. Ademais, o chamado de seu tambor cadenciado organizou e ainda organiza o corpo, conduz passos e dá forma ao cortejo carnavalesco admirado em diversas partes do mundo. Por fim, os mestres do Estácio se entreolham e percebem que o tempo sorri para aquela mesa de bar onde tudo começou. Entre memórias e acordes imaginários de um velho cavaquinho, surgem recordações que não se expressam apenas pelos nomes dos protagonistas, mas pelas sensações que deixaram.

JUSTIFICATIVA
[…]A primeira Escola de Samba Surgiu no Estácio de Sá Eu digo isso e afirmo E posso provar[…] (Jota Sandoval- Pereira Mattos)

A criação das escolas de samba representa a afirmação de saberes historicamente marginalizados, reconhecendo a religiosidade, os nomes, as artes e as culturas afrodescendentes como fundamentos legítimos da identidade nacional. Nesse cenário, celebrar o centenário de uma instituição é honrar uma herança de resistência e resiliência, marcada por transformações sociais e culturais que se inscrevem como um dos mais potentes movimentos de decolonialidade4 da sociedade brasileira.

Ademais, a decolonialidade enfrenta os processos de apagamento do ser, do saber e do pertencer vividos pela diáspora africana, afirmando suas memórias, espiritualidades, linguagens e formas de existência como centrais na construção da sociedade, o que encontra plena correspondência nas escolas de samba.

Um século de existência é uma biografia de gratidão. Um centenário representa a solidificação de valores, o desenvolvimento de gerações e a capacidade de inovar sem romper com as tradições. É a ocasião de reconhecer a dedicação de fundadores, da comunidade e de todos aqueles que, ao longo do tempo, construíram essa história.

Nesse sentido, o Grêmio Recreativo Estácio de Sá justifica este enredo ao trazer como protagonistas Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal e toda a Turma do Estácio, por ideias que renovaram, em tempos distantes, os desfiles carnavalescos. Em um plano dimensional, eles narram a trajetória da agremiação e reverenciam suas coirmãs com respeito e admiração pelos feitos consagrados nas avenidas de desfiles ao longo de suas décadas de existência.

A trajetória de um século do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá trazida por memórias, legados e lembranças, destaca sua contribuição para o carnaval carioca e para o Brasil. O caminho percorrido pela agremiação transformou o que hoje conhecemos como a grande festa carnavalesca do país e foi assim, no passado, que muitas outras escolas de samba buscaram suas identidades e encontraram caminhos para construir sua própria história no cenário do carnaval.

Logo, essa celebração de cem anos evidencia uma geografia que, em um passado distante, foi decisiva nas transformações do carnaval e da sociedade. Ao mesmo tempo, projeta-se para o futuro, comprometida com a continuidade de processos criativos e inovadores. Assim, essa celebração não pertence apenas à Estácio de Sá, mas também à cidade, às coirmãs, à comunidade e ao Brasil.

Autores: Marcus Paulo e Cristina Silva

REFERÊNCIAS

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Fontes Orais Relatos de Sambistas do Estácio de Sá

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Sites – Referências Eletrônicas E Videografia:

A Turma do Estácio – Cópia de Documentário – A Turma do Estácio.mp4

BDNdigital O grande desfile das escolas de samba – Comentários e sugestões – https://bndigital.bn.gov.br/acervodigital

Centro de Memória do Carnaval – Acervo Digital – LIESA – https://liesa.org.br/memoria/centro-dememoria-liesa.html

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Estácio de Sá 1989 – DESFILE COMPLETO YouTube · Mais de 910 visualizações

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Estácio De Sá 1992, Campeã! Desfile Completo YouTube ·

Estácio De Sá 1993 (Desfile Completo/Tv Globo) Youtube

Estácio De Sá 1994 – Globo Youtube

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Estácio de Sá (1998) – Aquecimento e grito de guerra YouTube

Estácio De Sá 2005 Acesso B Youtube

Estácio De Sá 2006 | Grupo A | Estácio de Sá YouTube

Estácio de Sá – Carnaval 2007 – Desfile Completo YouTube

Estácio de Sá – 2008 – A História do Futuro YouTube

Estácio de Sá 2010 – Desfile oficial YouTube

Estácio De Sá Carnaval 2015 – Estácio de Sá YouTube

Estácio de Sá 2016 Desfile Completo YouTube

Estácio De Sá 2017 YouTube

Estácio De Sá 2019 – Série A Youtube

Estácio De Sá – Grupo Especial Globoplay https://globoplay.globo.com

Estácio de Sá 2022 – Desfile Completo YouTube ·

Estácio De Sá 2023 YouTube

Estácio De Sá – Desfile 2024 YouTube ·

Estácio de Sá – Desfile 2025 | TV Band YouTube · TV Band Rio

Estácio de Sá 2026 | Desfile YouTube

Ismael Silva, Cidadão Silva – Ismael Silva-Cidadão Silva.mp4

O Rugido do Leão – https://www.youtube.com/watch?v=117GQrYvsH8
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Unidos de São Carlos 1981 Letra e Samba YouTube

Unidos De São Carlos (Estácio De Sá) Youtube · Canal 1982

Unidos de São Carlos/Estácio de Sá 1984 – Quem é Voce (Vem de La) www.youtube.com

Sem taxa de inscrição: Unidos da Tijuca inicia inscrições para alas da comunidade nesta terça-feira

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Segunda escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval em 2027, a Unidos da Tijuca inicia o recadastramento e inscrição de novos componentes para as alas da comunidade. O primeiro ato acontece nesta terça-feira, 12 de maio, de 18h30 às 21h em sua quadra de ensaios, localizada no Santo Cristo.

Para quem desfilou no último carnaval e fez a devolução da fantasia, a oportunidade está criada. Quem ainda não devolveu a fantasia precisará devolver. O interessado que nunca desfilou e já quer se planejar para integrar as alas de comunidade da escola, também pode se inscrever.

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“Na Tijuca, o componente que não ensaia, não garante a vaga. Quando os ensaios começam, a condição é que frequente os treinos semanais que iniciam em outubro. Aí sim ele estará apto para retirar a sua fantasia e desfilar conosco”, explica Gabriel Mello, diretor de Carnaval da agremiação.

Para se inscrever é necessário levar apenas o RG. O componente fará a biometria facial no ato da inscrição. A agremiação não cobra nenhuma taxa. A quadra de ensaios da Unidos da Tijuca fica situada na Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo.

Em 2027, a Unidos da Tijuca levará para a Avenida o enredo “A Cabeça do Santo” de autoria e desenvolvimento do carnavalesco Lucas Milato, estreante na agremiação.

Criatividade e custos na disputa de samba: Imperatriz encara debate positivo e aberto com compositores

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A Imperatriz Leopoldinense reuniu compositores de samba-enredo, na manhã do último sábado, na quadra da escola, em Ramos, para um encontro inédito em seu calendário: um bate-papo entre a diretoria e os artistas que disputam samba na agremiação. Na pauta, o modelo de disputa, o momento do tira-dúvidas, a sinopse do enredo e a divisão de direitos autorais. Participaram a presidente Cátia Drumond, o carnavalesco Leandro Vieira e os diretores de carnaval André Bonatte e Thiago Santos. Do lado dos compositores, estiveram presentes artistas do casting da Imperatriz e convidados de outras agremiações, entre eles, André Diniz, Samir Trindade e Junior Fionda.

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Lugar de fala e lugar de escuta

A presidente Cátia Drumond deixou claro que o papel da diretoria foi o de ouvir. “A gente quase não falou, a gente ouviu, e agora a gente entende que tem que haver alguma mudança ainda para impactar positivamente”, disse.

Para ela, o encontro também teve um efeito de mão dupla: se os compositores foram escutados, a escola também conseguiu apresentar sua própria realidade. “Estamos no caminho certo. Foi a primeira reunião, espero que de muitas, eles estavam precisando dessa fala. Ouvimos muitas reclamações, mas acho que eles também agora começaram a entender um lado que eles não conheciam, que é o lado da escola”.

Sem promessas imediatas, Cátia falou sobre o ritmo das mudanças. “São mudanças mais complicadas, mas, em um caminho de curto prazo, a gente consegue alcançar o que é bom para eles, que são os artistas, e para nós como escola de samba”.

O carnavalesco Leandro Vieira enxerga o movimento como parte de uma virada de postura. “Acho importante uma escola se colocar no lugar de escuta, para ouvir quem tem que falar, quem tem queixa, quem tem conhecimento para argumentar”, afirmou.

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Compositor Junior Fionda

Do lado dos compositores, a recepção foi imediata. “Talvez, o compositor tenha sido muito pouco ouvido durante esse tempo. A disputa já é um padrão que a gente segue, a gente só pegou o caminho andando”, disse o compositor Junior Fionda.

Para André Diniz, o encontro é “um marco histórico da mudança das relações dos compositores com as escolas”: “O simples fato de existir isso aqui, essa discussão de frente com as escolas, falando dos nossos dramas, dos nossos problemas, das nossas decepções, da falta de valorização… o simples fato de existir aqui já é sublime”.

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Compositor André Diniz

Disputa: dinheiro, torcida e talento

O custo das disputas de samba-enredo foi um dos pontos centrais da conversa. No debate, compositores e diretoria concordaram que o modelo que se consolidou ao longo dos últimos anos criou uma desigualdade estrutural: quem tinha mais dinheiro contratava ônibus de torcida, intérpretes do Grupo Especial e produção sonora de alto investimento. “Tinha todo um mercado em volta de uma disputa de samba que não influenciava em nada. A cabeça do compositor estava cada vez mais ‘doida’, achando que quanto mais dinheiro se investisse, melhor. E, para quem analisa, isso não é verdade”, disse o diretor de carnaval Thiago Santos.

Foi para romper com esse ciclo que a Imperatriz reformulou seu modelo: passou a gravar todas as parcerias no mesmo estúdio, proibiu torcida nas fases classificatórias e padronizou as condições de apresentação. Na avaliação da diretoria, os resultados já aparecem. “É muito bom ver compositores que há mais de uma década estavam afastados do processo de disputa por não terem financiamento e que voltaram a fazer samba”, destacou o diretor de carnaval André Bonatte.

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Diretor de carnaval André Bonatte

Os compositores presentes reconheceram o avanço. Samir Trindade definiu o formato da Imperatriz como “uma disputa modelo para o carnaval”, mas fez questão de apontar que ainda há caminho a percorrer, tanto na escola quanto nas demais agremiações. Esses aprimoramentos, no entanto, resvalam nos temas que dominaram o restante da conversa: o tira-dúvidas e a divisão dos direitos autorais.

O tira-dúvidas: parceria ou controle?

O tira-dúvidas também concentrou boa parte do debate. Na Imperatriz, o processo prevê cinco sessões, das quais duas são obrigatórias. A tensão central é entre alinhamento e criatividade. Para os compositores, o tira-dúvidas, por vezes, bloqueia o processo criativo de uma obra. “Antigamente, o samba ajudava no processo criativo da escola. Hoje, com o processo de tira-dúvidas, a escola já tem o seu projeto pronto e o samba acaba tendo que se moldar à criatividade de uma coisa que já está pronta”, analisou Samir Trindade.

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Compositor Samir Trindade

O problema se agrava, segundo ele, quando a avaliação recai sobre a melodia: “Como é que você vai avaliar uma obra que não está pronta ainda? As análises que acontecem nos tira-dúvidas são análises de obras que não estão prontas ainda, que a gente vai mexer, que ainda vão mudar na gravação”.

A posição dos compositores é que o tira-dúvidas deve existir, mas restrito à letra. “Chegar e falar: ‘O que é isso aqui? Tá dentro do enredo? Tá? Então segue’. Só que a melodia não, porque às vezes a gente ainda está em processo de construção”, resumiu Samir.

A escola defendeu o processo de tira-dúvidas. “Naquele momento, a gente conhece mais o projeto do que eles. Quando o samba foi escolhido, o carnaval tá 70%, 80% desenhado, sendo construído”, disse Thiago Santos. Cátia Drumond citou o processo de 2026 como exemplo: compositores basearam seus sambas no filme sobre Ney Matogrosso, quando o projeto da escola tratava da musicalidade do artista.

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Thiago Santos, diretor de carnaval

“O tira-dúvidas ainda tem uma grande importância, porque, senão, você joga uma sinopse na internet e, quando você vai ver, o samba já está pronto, e ele não tem nada a ver com a tua história”, disse.

O carnavalesco Leandro Vieira disse que o debate confirma uma prática que já adota: “Eu me limito exclusivamente a dar opinião de letra, que é o que me compete. Eu não sou carnavalesco metido a compositor no sentido melódico”. Para ele, o compositor é “o principal parceiro do carnavalesco na propagação de uma narrativa”, e a sinopse que está finalizando para a Imperatriz, a ser divulgada no início de junho, está sendo diretamente influenciada pelo encontro. “Ouvir o compositor na manhã de sábado vai me levar a escrever a melhor sinopse para os compositores que estiveram aqui hoje”.

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Carnavalesco Leandro Vieira

A escola sinalizou possíveis ajustes, mas sem abrir mão do processo. “A gente pensa em realmente dar uma encurtada em uma etapa do tira-dúvidas, mas eu acho que ainda continua tendo que ter a presença deles pelo menos em um determinado número”, disse Cátia.

O que fica e o que ainda vem

Um ponto concreto do encontro na Imperatriz já está definido: o formato completo da disputa de samba-enredo de 2026, com todas as datas e etapas, será divulgado junto com a sinopse do enredo, no início de junho. “Todo o formato, todas as datas já estão inclusive prontas”, confirmou Thiago Santos.

André Diniz defendeu que conversas como a da manhã de sábado na Imperatriz possam acontecer outras vezes: “Não necessariamente esse modelo, mas essa discussão, essa abertura para que os compositores possam conversar”. Samir Trindade fez um chamado à categoria: “Os compositores precisam estar unidos para poder falar uma voz só e, falando uma voz só, ter mais força do segmento no carnaval”.

‘Samba é prioridade’: carnavalescos defendem essência das escolas em debate no Rio

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Identidade, memória, reparação. São traços que ligam “Ponciá Evaristo – Flor do Mulungu”, do Império Serrano, “Balangandãs, Berenguendens”, da União de Maricá, e “Macumbembê, Samborembá”, da Vila Isabel em 2026, e fizeram os sambas serem cantados com toda força na Sapucaí. E o processo de construção dessas fortes narrativas foi tema da roda de conversa no Samba EnRENA, na tarde de sábado, no Renascença Clube, no Rio de Janeiro.

A primeira edição do evento teve como tema “As que bombaram no Spotify 2026” e contou com a participação dos carnavalescos da Vila Isabel, Leonardo Bora e Gabriel Haddad; do carnavalesco do Império Serrano, Renato Esteves; da enredista da escola, Manu Rosa; e do diretor de carnaval da União de Maricá, Mauro Amorim. Além do debate, a noite se encerrou com show das três escolas, animando o público com sambas clássicos e provando a potência dos sambas de 2026 para além das plataformas de streaming.

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Parafraseando Rosa Magalhães, “ter um bom samba é meio caminho andado”. Nesse sentido, os carnavalescos discutiram o papel do enredo na construção de um bom samba. Para Gabriel Haddad, o samba é uma tradução da história, sem abandonar os outros elementos do desfile.

“O samba, na verdade, nada mais é do que a tradução daquilo que vai estar sendo contado no dia do desfile. A gente, claro, tem que dar uma importância muito grande, como a gente falou ali na mesa, para o samba-enredo, porque é uma escola de samba. É uma escola formada por sambistas, formada por uma bateria que vai entoar esse gênero que deu origem a isso tudo. As alegorias, as fantasias, a comissão de frente são apêndices ao samba, que vão se desenvolvendo durante um ano. Claro que a gente vai batalhar por um acabamento espetacular, por fantasias maravilhosas, por uma comissão de frente impactante, porque tudo hoje faz parte desse espetáculo maior que é o desfile”, explicou.

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Além de carnavalesco, Haddad também foi compositor e chegou a disputar a escolha de samba-enredo na Cubango. Segundo ele, seu “lado compositor” contribui diretamente para seu olhar como carnavalesco.

“Tem coisas no samba que, às vezes, o próprio compositor não percebeu, porque ele está ali viciado naquele dia a dia da construção do samba, porque, quando você se entrega, quando você vai fazer, você se dedica àquilo e acaba estudando muito. Então, um olhar de fora, um ouvido de fora acabam entendendo um pouco mais ou, às vezes, percebendo algo que a própria composição não percebeu. Eu valorizo muito essa troca, essa conversa, porque eles trazem algumas ideias que não estavam dentro do enredo e a gente acaba apresentando ideias que, às vezes, eles não tinham entendido para dentro do samba-enredo”, respondeu.

Outro tema debatido durante o encontro foi o crescimento dos enredos de homenagem nos últimos carnavais. No caso do Império Serrano, a escola viveu uma experiência singular: uma homenagem em vida e com participação ativa da própria homenageada no processo criativo. Para levar “Ponciá Evaristo – Flor do Mulungu” à avenida, Conceição Evaristo acompanhou de perto o desenvolvimento do enredo conduzido pelo carnavalesco Renato Esteves e pela enredista Manu Rosa. A enredista conta que nunca viveu “nada igual” ao que foi a participação de Conceição no Império e afirma que contar essa história também foi um gesto de reparação.

“A ideia era imortalizar, e a gente acredita que a maior academia que existe é a Academia do Samba. Você se tornar enredo não tem nenhuma premiação que se equipare. Foi uma reparação histórica. O nosso país institucionalmente falhou com Conceição, logo falhou com as mães, com as mulheres negras. A gente tinha um trabalho político de representar as mulheres, as mães, e imortalizar Conceição Evaristo, que para nós é um dos maiores patrimônios da nossa literatura. E a Conceição… acho que nunca mais vai ter nada parecido. Ela adotou a gente. Nunca interferiu em nenhuma decisão. Tudo estava bom, tudo era um respeito. A primeira vez que nós a vimos, a gente não conseguia nem falar. E agora a gente toma café junto, toma cerveja junto. Acho que nunca conheci ninguém do tamanho dela que tivesse a simplicidade, a humildade. Ela respeitou o nosso processo artístico, confiou, e continua na nossa equipe. Agora se tornou equipe de criação também”, declarou.

A participação constante da escritora na quadra e nos eventos da escola fez com que, nas palavras de Renato, ela fosse muito além da homenageada: “foliã, diretora, pesquisadora, aderecista”. A vivência próxima de Conceição Evaristo trouxe uma energia diferente para toda a comunidade imperiana.

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“Ela traz para a gente essa força da mulher preta. E esse colo de mãe que ela nos deu foi muito importante. Foi muito forte e, na verdade, contagiou a comunidade inteira. Ela virou uma referência para a comunidade. A velha guarda virou e falou: ‘não, ela já é nossa baluarte’. Ela já virou baluarte. Ela queria voltar e desfilar como baiana. Ela movimentou a comunidade do Império de uma forma muito forte, mas acho que isso aconteceu muito pelo fato da identificação. Principalmente as imperianas se identificaram muito com Dona Conceição, com as histórias dela, com a vivência dela, com as próprias vivências. Esse é o princípio das ‘escrevivências’, foi isso que a gente levou para a avenida”, concluiu.

O samba escolhido para o Reizinho de Madureira também vai na contramão do esperado: o samba não menciona o nome de Conceição Evaristo e se inspira na ‘escrevivência’ da escritora.

“Para a gente, por exemplo, não havia alguma necessidade de falar o nome da homenageada, porque o próprio samba era um enredo. A gente entendeu que falar o nome da homenageada, primeiro, era um enredo em que a gente estava fazendo uma ‘escrevivência’ que falava sobre as obras da Dona Conceição. A gente não falava diretamente sobre a biografia de Conceição Evaristo, então não fazia sentido algum usar ‘Conceição Evaristo’ num enredo em que a gente falava de Conceição Evaristo. ‘Flor do Mulungu’ foi até um pedido nosso, que não tivesse ‘Conceição Evaristo’. Tem um verso, uma estrofe muito linda em um samba campeão do Império Serrano, campeão do Grupo de Acesso, que fala: ‘Você já sabe quem eu sou pelo toque do agogô’. Você não precisava. A minha dor já fala por mim, sua resistência, seu orgulho, seu empenho. Você não precisa falar o nome para entender que é Império. Então, se é poesia, fala muito mais”, declarou.

Já a enredista Manu Rosa pensa além da declaração de Rosa Magalhães: “o samba-enredo é mais que meio caminho andado”, e o samba ainda é a prioridade de uma escola de samba. Além disso, Manu vê o samba como instrumento de memória, pois “tudo é efêmero, e o samba é o que há de material para rememorar”.

A enredista também destacou o peso de um samba com alto poder de identificação, como o de 2026, que impactou profundamente a comunidade imperiana: os livros de Conceição Evaristo se popularizaram entre os componentes e possibilitaram que muitos tivessem acesso ao seu primeiro livro. E isso só ocorreu pela liberdade criativa que a dupla cede aos compositores, defendendo que a liberdade poética abre um leque de chances de interpretações e identificação.

“Quando você não dá um nome, você possibilita interpretações, possibilita as pessoas se verem. Então, a gente amplia a concepção para além do nome, para além do candomblé, da religião, da cultura. Ela está ali o tempo todo, mas, quando a gente não dá um rosto, quando a gente não dá um nome, um CPF, aquilo se torna mais universal. As pessoas têm mais liberdade de se apropriar. ‘Ah, eu sou de Oxum’, ‘ah, um filho…’. Então, as pessoas conseguem criar uma conexão. Aquilo não fica da Conceição, fica nosso. Também tem essa liberdade poética do encontro”, explicou.

Tuiuti apresenta sinopse do enredo sobre Tia Ciata nesta quarta-feira

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O Paraíso do Tuiuti apresenta nesta quarta-feira, dia 13 de maio, a partir das 19h, a sinopse do enredo “Ciata: a mãe preta do samba”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage. O texto será assinado pelos historiadores Claudio Russo, Luiz Antônio Simas e colaboração de Gracy Moreira, bisneta da homenageada.

A leitura vai ocorrer durante o evento “Tutu de Preto Velho”, que já virou tradição da agremiação de São Cristóvão. Além de servir o prato, haverá show do Samba da Volta.

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Serviço:
Tutu de Preto Velho com leitura da sinopse para o Carnaval 2027
Data: quarta-feira, 13 de maio,
Horário: a partir das 19h
Endereço: Campo de São Cristóvão, nº 33, em São Cristóvão – RJ
Entrada: R$ 30 (o prato de tutu será gratuito)

Mocidade inicia recadastramento para alas de comunidade do Carnaval 2027

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A Mocidade Independente de Padre Miguel dará início neste próximo fim de semana (16 e 17/05), ao recadastramento das alas de comunidade para o Carnaval 2027. Neste primeiro momento, o ato é destinado a quem desfilou no último carnaval. Os interessados devem comparecer à quadra da escola, localizada na Vila Vintém, das 10h às 17h.

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No ato da inscrição, os Independentes serão contemplados com uma carteirinha personalizada e uma camisa especial. É necessário levar RG, CPF e comprovante de residência. A taxa de inscrição é de R$ 50, neste primeiro momento, podendo pagar via pix, cartão de crédito ou débito. O valor da inscrição vai aumentando de acordo com as próximas etapas.

A Mocidade Independente de Padre Miguel será a primeira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval de 2027.

Serviço:
Cadastro para alas de comunidade
Data: 16 e 17 de maio
Horário: 10h às 17h
Local: Rua Coronel Tamarindo 38, Padre Miguel – Quadra da Vintém
Taxa: R$ 50,00 – pagamento via pix, débito ou crédito

Império Serrano denuncia edital falso de eleição e relata invasão armada à quadra

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

O Império Serrano divulgou neste domingo um comunicado oficial em que denuncia a circulação de um suposto edital de convocação de eleição considerado “falso” pela atual diretoria da escola. Segundo o texto, o documento teria sido publicado no jornal Diário do Comércio no último dia 5 de maio, marcando um pleito para o próximo dia 17, sem autorização dos poderes constituídos da agremiação.

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De acordo com a nota assinada pelo presidente do Conselho Diretor, Flávio França, após consulta aos presidentes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal, o edital não teve anuência da presidência e utilizou indevidamente o nome do dirigente como convocante.

A escola afirmou ainda que a publicação não contou com autorização dos demais conselhos, e, por isso, não possui qualquer legitimidade institucional. O comunicado também aponta que, mesmo se o edital tivesse origem oficial, ele seria inválido juridicamente por não respeitar o artigo 37 do estatuto da agremiação, que determina a divulgação prévia da relação de associados aptos a participar do processo eleitoral.

No texto, o Império Serrano informa que medidas judiciais serão tomadas para identificar os responsáveis pela divulgação do documento e responsabilizá-los civil e criminalmente.

A situação ganhou contornos ainda mais graves, segundo a escola, na noite do último sábado. O comunicado relata que, após tomarem conhecimento do suposto edital falso, dirigentes receberam informações de que a secretaria da quadra poderia ser violada e documentos oficiais seriam subtraídos.

Diante da denúncia, o presidente do Conselho Diretor, acompanhado do primeiro e do segundo vice-presidentes, esteve na quadra da escola para retirar documentos considerados sensíveis e encaminhá-los para um local seguro. Os presidentes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal teriam sido informados imediatamente sobre a ação.

Ainda segundo a nota oficial, por volta das 23h do dia 9 de maio, seis homens armados invadiram a quadra do Império Serrano, intimidaram o vigia de plantão e exigiram informações sobre o paradeiro dos documentos retirados anteriormente.

O caso já foi encaminhado às autoridades competentes para investigação. A direção da escola afirmou que busca a elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.

Por fim, o Império Serrano ressaltou que uma futura eleição será convocada oficialmente, seguindo rigorosamente o estatuto da agremiação, com “ampla publicidade e total transparência”.

Leia abaixo o comunicado oficial

O Presidente do Conselho Diretor do GRES Império Serrano, após consulta aos Presidentes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal, vem a público esclarecer que o EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÃO publicado no jornal Diário do Comércio, em 05/05/2026, com pleito marcado para o dia 17/05/2026, não foi publicado com a anuência do Presidente do Conselho Diretor, Sr. Flávio França — cujo nome consta indevidamente como convocante — tampouco contou com a autorização dos Presidentes dos demais Conselhos do GRESIS.

Dessa forma, esclarecemos que a referida publicação é falsa e não partiu de nenhum dos poderes constituídos da escola.

Ademais, ainda que a referida convocação tivesse origem legítima, esta careceria de validade jurídica, uma vez que não foi observado o disposto no artigo 37, parágrafo único, do Estatuto do GRESIS, que estabelece:

“Com antecedência máxima de 20 (vinte) dias da eleição, o Presidente do Conselho Diretor tornará público, nas dependências do GRESIS, o número de Membros Permanentes do Conselho Deliberativo e do quadro de associados das categorias Contribuintes e Remidos aptos a participar do pleito.”

Sendo a publicação estranha ao Presidente do Conselho Diretor, evidentemente não haveria como cumprir a exigência estatutária acima mencionada.

Informamos, ainda, que serão adotadas todas as medidas cabíveis para identificar os responsáveis pela divulgação do referido edital falso, bem como para responsabilizá-los civil e criminalmente.

Cumpre também esclarecer que, na noite do dia 09/05/2026, após tomarmos conhecimento da existência do falso edital, recebemos informações de que a secretaria da escola seria violada e que documentos oficiais poderiam ser subtraídos. Diante da gravidade da situação, o Presidente do Conselho Diretor, acompanhado do Primeiro e do Segundo Vice-Presidentes da escola, compareceu à quadra, retirou a documentação sensível e a encaminhou para local seguro, dando imediata ciência aos Presidentes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal.

As informações recebidas se confirmaram quando, às 23h do mesmo dia 09/05/2026, seis homens armados invadiram a quadra da escola, intimidaram o vigia de serviço e exigiram informações sobre o paradeiro dos documentos.

Diante dos fatos expostos, os poderes constituídos do GRESIS já levaram o caso às autoridades competentes, a fim de que sejam promovidas a devida investigação, elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos.

Por fim, informamos que a eleição da escola será convocada oficialmente, em estrita observância ao Estatuto do GRESIS, com ampla publicidade e total transparência.

Presidente do Conselho Diretor
Flávio França

Vice-Presidente de Carnaval
José Luiz Escafura

Vice-Presidente Financeiro
Márcio Araújo

Estrela do Terceiro Milênio anuncia Raquel Tobias como voz oficial e ganha reforço de Misailidis na comissão de frente para 2027

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Foto: Divulgação/Milênio

A Estrela do Terceiro Milênio segue fortalecendo seu elenco para o Carnaval 2027. A escola anunciou oficialmente a cantora Raquel Tobias como nova voz oficial ao lado do intérprete Darlan Alves. Além da novidade no carro de som, a agremiação também confirmou a chegada do coreógrafo Marcelo Misailidis para a comissão de frente, que vai trabalhar parceria com o carnavalesco Paulo Barros e o coreógrafo Regis Santos.

Integrante da Ala Musical da escola há muitos anos, Raquel Tobias construiu sua trajetória dentro da própria comunidade da verde, vermelha, azul e branca da Zona Sul paulistana. Agora, ela assume o posto de cantora oficial, ampliando ainda mais sua ligação com a agremiação.

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Cantora e compositora, Raquel carrega em sua trajetória fortes referências do samba de roda das comunidades periféricas. Atuante também em projetos culturais, a artista desenvolve trabalhos ligados à valorização da ancestralidade, resistência e exaltação da cultura negra, sempre com autenticidade e sensibilidade. O anúncio foi celebrado pela escola, que desejou sucesso à nova intérprete nesta nova etapa de sua caminhada no carnaval.

Marcelo Misailidis chega na Milênio

Outra novidade importante envolve a comissão de frente da Milênio. Em publicação emocionada nas redes sociais, Marcelo Misailidis celebrou a oportunidade de estrear no carnaval de São Paulo após anos de atuação no cenário carioca.

“Hoje foi um dia muito especial na minha trajetória no carnaval. Depois de tantos anos de dedicação e história no carnaval carioca, finalmente chegou o momento da minha estreia no carnaval de São Paulo”, destacou Marcelo Misailidis.

O profissional revelou ainda que o convite partiu de Paulo Barros e que dividirá os trabalhos com Regis Santos na defesa das cores da Estrela do Terceiro Milênio.

“Que seja o início de um capítulo inesquecível. Vamos fazer história!”, completou.