Décima e última escola a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado, a Primeira da Cidade Líder utilizou algumas de suas principais características para homenagear um dos grandes carnavalescos contemporâneos no desfile de “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, assinado pelo carnavalesco Anderson Rodrigues: a inventividade e o impacto. No quesito a quesito, o conjunto alegórico e a bateria tiveram destaque. A apresentação foi encerrada com 50m38s. Sempre presente em grandes eventos ligados às escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO conta tudo sobre a apresentação da Primeira da Cidade Líder em 2026.

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COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Douglas Terci, nada mais natural que os componentes se inspirassem em fatos ligados a Paulo Barros para criar as ações do segmento, intitulado “No céu desenhou o seu destino: do comissário de bordo ao sonho do carnavalesco”. Com uma coreografia simples e marcando o samba, sempre buscando chamar atenção do público, dois momentos se destacaram: o primeiro deles quando um personagem interpretando o próprio homenageado surgia de uma porta no elemento alegórico; e outro que emulava a rápida troca de roupas que se tornou nacionalmente conhecida graças ao desfile “É Segredo”, da Unidos da Tijuca de 2010, que garantiu ao carnavalesco o primeiro título da carreira.

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Por falar no elemento alegórico, ele é figura central em tal quesito. Para começar, o tripé contava com uma fênix (mascote da agremiação) gigante, que impunha respeito e chamava atenção. Por sinal, absolutamente toda a coreografia dos componentes era realizada em tal chassi, sem vir para o chão em momento algum – algo que pode causar alguma dificuldade de avaliação para jurados que fiquem em cabines mais térreas. A coreografia, entretanto, sem grande dificuldade de execução, foi realizada adequadamente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Desde o desfile de 2022 tomando conta do quesito, Fabiano Dourado e Sandra Jesus também mergulharam no enredo para se apresentar no Anhembi. Com fantasias intituladas “Comissário de bordo e o Carnaval”, novamente a vida pregressa de Paulo Barros foi relembrada, remetendo até mesmo à pouquíssima semelhança entre a antiga ocupação e o cargo que o eternizou enquanto figura pública.

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Na prática, havia a dúvida se eles utilizariam a pista mais seca após uma noite com vários momentos de chuva para executar mais giros ou se focariam na coreografia, item que também passou a ser balizamento obrigatório do quesito. A segunda opção predominou, buscando a correção e o mergulho nas tantas referências que desfiles ligados a Paulo Barros trazem. O vento mais calmo também ajudou na execução dos momentos, com uma apresentação em cada um dos módulos durando cerca de uma passada do samba.

HARMONIA

O samba da Primeira da Cidade Líder não é dos mais celebrados na safra do Grupo de Acesso II, e também é importante notar que a escola parece ter entendido o recado: tanto o carro de som, sob o comando de Thiago Melodiah (e reforçado de última hora por Pê Santana, que já foi intérprete das coirmãs Independente Tricolor e X-9 Paulistana) quanto a Batucada de Primeira, com mestre Alê enquanto ritmista-mor, executaram diversos cacos e bossas, respectivamente, para tentar contagiar. O resultado, entretanto, foi parcialmente conquistado: se os componentes respondiam de imediato em algumas partes da canção (como no verso “Para, o mundo parou para ver”), não demorava para que o volume do canto voltasse a cair.

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As arquibancadas também reagiram de maneira mais tímida ao samba-enredo – e, aqui, é importante relembrar que a escola foi a última a desfilar, encarando um público já cansado das nove apresentações anteriores.

ENREDO

O primeiro setor do enredo, “No Céu Desenhou o Seu Destino: do Comissão de Bordo ao Sonho do Carnavalesco” busca na vida de Paulo Barros algo pouco conhecido da maioria: o fato dele ter sido comissário de bordo antes de passar a ser reconhecido como um dos grandes carnavalescos dos tempos atuais. O segundo tem um título autoexplicativo: “Carnavais que Encantaram o Brasil”, repleto de referências a grandes desfiles assinados pelo profissional.

Por fim, o terceiro setor, “Hoje a Líder Vai te Coroar” mostra a apoteose completa do desfile, com o profissional sendo exaltado pela agremiação – lembrando que o ato de coroação também já rendeu títulos para Paulo Barros: em 2012, com “O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão”, na Unidos da Tijuca.
Na pista, a assimilação foi bastante simples, com direito a elementos alegóricos que remetiam a alguns desses desfiles (como as peças de xadrez, em referência a “A Viradouro Vira o Jogo”, de 2007) e as baianas como se tivessem saído de uma geleira (remetendo à introdução de “”É de Arrepiar!”, de 2008, também da Unidos do Viradouro).

EVOLUÇÃO

Se a Harmonia foi um ponto de atenção, a Evolução teve um desempenho bastante a contento ao longo de todo o desfile. Apesar de encerrar a apresentação no minuto-limite, a Primeira da Cidade Líder se preparou para controlar o cronômetro e teve sucesso em tal aspecto. Prova viva disso é a ousada opção em colocar a bateria como última ala a desfilar – fazendo com que toda a escola passe na frente dos ritmistas pelo menos uma vez, no primeiro recuo, antes de cruzar a primeira faixa amarela.

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Outra escolha que favoreceu a Evolução da agremiação foi algo que é tratado como um tabu no Carnaval e, no Grupo de Acesso II, também teve outras escolas que utilizaram do mesmo artifício: a passada reta da bateria pelo segundo recuo, poupando tempo e evitando o surgimento de clarões, que poderiam despontuar a agremiação em tal quesito.

SAMBA

Uma das principais críticas em relação ao trabalho de Paulo Barros está nos sambas que surgem de enredos do carnavalesco. Para entrar no universo do profissional, a Primeira da Cidade Líder buscou uma canção que apresentasse de maneira bastante funcional o enredo e tudo que estava sendo visto, algo no qual o homenageado é craque.

Se a obra, de fato, é simples (o que não agrada a tantos), é inegável que a assimilação do que é cantado com o que é visto é imediata – e faz com que a obra passe até a ter simpatizantes.

FANTASIAS

O quesito “Enredo” ajuda a explicar as indumentárias do desfile: o primeiro setor, com uma parte da vida do carnavalesco pouco conhecida, conseguiu privilegiar o trabalho mais livre e artístico. O segundo, repleto de referências, focou no resgate da memória de grandes sambas do homenageado. Se o junto de fantasias não era luxuoso, não foram vistos erros de acabamento em componente algum.

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Também agradou a escolha das cores por parte do carnavalesco Anderson Rodrigues, que mesclou uma série de tons em uma cromia bastante interessante. A bateria, por sinal, veio fantasiada de Ayrton Senna, com a indumentária “Acelera, Tijuca”, nome do desfile campeão do Pavão em 2014.

ALEGORIAS

Certamente o quesito que mais chamou atenção na passagem da Primeira da Cidade Líder em 2026. A assimilação do conjunto alegórico é imediata para quem acompanha Carnaval no século XXI. O abre-alas apresentava a fênix, símbolo da escola, e os pavilhões das escolas pelas quais Paulo Barros já trabalhou, intitulado “Sonhou… fez seu Voo ir Além”. Depois, a primeira referência em uma alegoria: “Essa Noite Levarei sua Alma” foi o segundo carro, remetendo ao desfile de 2011 da Unidos da Tijuca.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

Já o terceiro carro, de nome “Hoje A Líder vai te coroar. Eternizar a sua história, que está gravada em seu DNA” é uma releitura do antológico carro repleto de personagens que, quando executavam a coreografia em tons de azul, emulavam o DNA – algo que foi repetido no Anhembi.

OUTROS DESTAQUES

A Corte da Batucada de Primeira veio com dois destaques: a Madrinha Flavia Oliveira e o Rei Kaique Albuquerque.