Cria do Morro de São Carlos, Tata Tancredo esteve presente, direta e indiretamente, na formação de importantes tradições brasileiras, entre elas a organização da Umbanda, a criação da “Deixa Falar”, pioneira entre as escolas de samba, e a divulgação do tradicional réveillon de Copacabana. Neste sábado, a Estácio de Sá o homenageou na Marquês de Sapucaí. Mais do que celebrar sua vida, a escola inovou na estética ao se inspirar no povo Lunda-Quioco, de Angola.

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Carla Close. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A segunda alegoria “Umbanda Omolokô: o Terreiro de Tancredo” recriou o espaço religioso fundado pelo homenageado. Entre referências à natureza, o carro evidenciou a intersecção entre a Umbanda e o samba, reafirmando como ambas as expressões se complementam na cultura brasileira.

Carla Close, de 35 anos, iniciou sua trajetória na agremiação há seis anos e, neste carnaval, desfilou como destaque da alegoria. Representando a pombagira Maria Navalha, ela se encantou ao ver o carro pela primeira vez.

“Me sinto feliz, porque tem tudo a ver comigo, com o trabalho que faço na Europa, com espetáculo da noite. Foi um presente receber essa fantasia”, declarou.

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Cintia Gomes. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Recepcionista, Cintia Gomes, de 33 anos, está em seu segundo ano na escola e afirma que a emoção aumenta o frio na barriga, sobretudo com um enredo dedicado a Tata Tancredo.

“Ele lutou muito para trazer a Umbanda e mostrar ao povo o que realmente ela é. Independentemente de religião, os líderes religiosos sempre lutaram para conquistar respeito no nosso país. Isso é muito importante para a gente”, disse.

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Renata Palottini. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A advogada Renata Palottini, de 40 anos, desfilou pela primeira vez na Estácio de Sá representando os umbandistas. Para ela, o principal destaque da alegoria é a escultura de um Preto Velho, por simbolizar a ancestralidade dentro da religião.

“Gritar o nome do Tatá na avenida, num país com formação social extremamente desigual, é gritar a história do Brasil. É o Brasil-terreiro sendo lembrado”, afirmou.

Homenagear Tata Tancredo significa resgatar a memória do povo negro e reafirmar que, apesar do preconceito, do racismo e da intolerância religiosa, a luta iniciada por essas comunidades segue viva, sustentada pela resistência e pela fé.