Primeira escola de samba do Rio de Janeiro, a Estácio de Sá levou à Marquês de Sapucaí o enredo Tatá Tancredo: O Papa Negro no Terreiro do Estácio. A proposta exalta Tancredo da Silva Pinto, líder religioso central na reafricanização da Umbanda Omolokô e na aproximação entre o samba e a espiritualidade afro-brasileira.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Na bateria “Medalha de Ouro” comandada pelo Mestre Chuvisco, o tributo ganha forma sonora e visual. Sob o tema “O Papa Negro da Umbanda Omolokô”, os ritmistas vestem figurinos que combinam elementos da liturgia católica, como mitra e batina, a referências afro-brasileiras. A estética simboliza a fusão cultural defendida por Tatá Tancredo e reforça o respeito às raízes e à diversidade religiosa.

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Victor Diniz Souza da Silva. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

O ator Victor Diniz Souza da Silva, de 30 anos, destaca a emoção de participar do momento.

“Eu não tenho palavras para a homenagem que a Estácio está fazendo a Tatá Tancredo. A bateria vem com uma bossa no refrão que traz o ritmo da religiosidade para mexer com o público. Hoje o leão vai rugir na Sapucaí”.

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Denise Melo. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Denise Melo, 60 anos, servidora pública e componente há sete anos, o enredo dialoga com a pluralidade brasileira.

“Sou católica e me sinto honrada em participar de uma escola que homenageia Tatá Tancredo e fala sobre o Papa Negro da Umbanda. O Brasil é samba, axé e religião. Só desfilando para sentir a energia que vibra na avenida”.

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Ana Paula. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Ana Paula Martins, 39 anos, professora e integrante da escola há 14 anos, vê na bateria um manifesto de identidade e respeito.

“É representatividade, negritude e axé. A bateria mostra que a ancestralidade precisa ser respeitada e que o respeito ao outro passa pela religião, pela cor e pela classe. A Estácio tem chão e tem axé.”

Mais do que sustentar o desfile, a bateria se apresenta como extensão do próprio enredo. Cada batida reafirma a ligação entre terreiro e avenida, entre fé e tambor, entre passado e presente.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Na Sapucaí, o “Papa Negro” deixa de ser apenas fantasia para se tornar símbolo de resistência cultural e reafirmação identitária — eco de um samba que nasceu nos terreiros e segue pulsando no coração do carnaval.