A primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí foi também um grande teste de escuta. Além das baterias afinadas, dos intérpretes aquecendo a voz e das arquibancadas voltando a pulsar, o público acompanhou atento a estreia do novo sistema de som da Passarela do Samba, que substitui o tradicional carro de som e promete uma experiência mais uniforme ao longo da avenida.
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A novidade, no entanto, ainda em fase de ajustes, provocou percepções diversas entre o público presente, que avaliou desde a distribuição do áudio nos setores até a clareza da bateria e da voz dos intérpretes. Para muitos, o primeiro impacto foi positivo; para outros, as falhas pontuais acenderam o alerta para a necessidade de correções antes dos desfiles oficiais.
Autônoma e torcedora da Portela, Alessandra Guedes acompanhou os ensaios mesmo com o coração dividido em casa — o marido é da Mocidade Independente. Para ela, o sistema ainda precisa de ajustes, mas o saldo da estreia é animador.

“Tiveram muitas falhas no som e espero que a gente consiga corrigir a tempo, mas está muito bom. No geral, dá pra curtir”, avalia.
A análise mais técnica veio de Paulo Roberto Rodrigues, profissional da área de tecnologia e audiovisual e torcedor da Mocidade. Ele destacou que os problemas não foram generalizados, mas localizados.

“O som pecou muito na hora da Niterói e no início da Mocidade. O esquenta não chegou até o setor 1, ficou um pouquinho a desejar”, explica. Ainda assim, ponderou que a experiência não foi comprometida por completo. “Teve falha, mas dá pra ouvir bem. Está maneiro.”
A questão da distribuição sonora entre os setores foi um dos pontos mais citados pelo público. Angela Rosa, empregada pública federal e portelense, chegou após as primeiras escolas, mas conseguiu perceber diferenças importantes durante o ensaio da Mangueira.

“Consegui ouvir a voz do cantor, mas a bateria eu não consegui ouvir bem”, comenta, chamando atenção para o equilíbrio entre os elementos sonoros, fundamental para o julgamento e para a emoção do desfile.
Entre os mais jovens, a recepção foi marcada pelo entusiasmo. Letícia, de 25 anos, atendente de padaria e torcedora da Estação Primeira de Mangueira, aprovou a mudança logo de cara.

“Eu estou achando espetacular do início ao fim. Mudou bastante, melhorou muito. Não tenho o que reclamar”, afirma. Segundo ela, não houve falhas tão perceptíveis, nem mesmo nos momentos mais sensíveis do ensaio técnico.
Na arquibancada, a comparação com o antigo carro de som foi inevitável. Valesca Cristina Siqueira de Figueiredo, de 43 anos, auxiliar administrativa e mangueirense, destacou que a principal melhoria está na continuidade do áudio ao longo da avenida. “Está muito melhor do que com o carro de som. Antes tinha aquele problema de a bateria passar e ficar sem som em alguns pontos. Agora a gente consegue escutar melhor a bateria e o intérprete”, avalia.
Apesar das avaliações distintas, o sentimento predominante entre o público foi de expectativa. A estreia do novo sistema de som é vista como um avanço estrutural importante para o espetáculo, mas também como um processo em construção, que exige testes, escuta ativa e ajustes finos.










