A implantação do novo sistema de som para os desfiles do Carnaval 2026 foi testada durante o primeiro ensaio técnico da Série Ouro, realizado na noite da última sexta-feira. A nova tecnologia utiliza um sistema moderno distribuído ao longo da Marquês de Sapucaí, substituindo o tradicional carro de som e adotando retornos de áudio via fones de ouvido para os intérpretes.

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As opiniões dos foliões, no entanto, se dividem. Parte do público demonstrou insatisfação com a nova atualização, especialmente após a Unidos do Jacarezinho entrar na avenida com cerca de 40 minutos de atraso devido à falta de som no Setor 1, problema que se estendeu pelo restante da noite. Para outros, a mudança representa um novo desafio para os intérpretes.

O primeiro a chegar ao Setor 1, Pedro Teodoro afirma estar satisfeito com o som oficial e desafia os intérpretes a colocarem o gogó para jogo, sem ficarem escondidos no carro de som.

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“Antes eu não tinha aprovado, mas agora, pelo que eu estou ouvindo, está muito bom, porque veja só: quem conhece de samba sabe que tem puxador que vem para a avenida só para fazer molho. Agora vão ter que botar o gogó para cantar, e está todo mundo cantando, porque tem pessoas da escola de samba que são sugadoras do puxador, do intérprete. Ou então o puxador é sugador do carro de som. Agora não, tem que botar o gogó para funcionar. Inclusive, o nosso Evandro Malandro, da Grande Rio, vai arrebentar aqui. Vou dizer uma coisa: eu gostei. Mas o problema é que aqui no Setor 1 o som não está funcionando, mas, pelo que eu estou ouvindo”, afirma o componente da Velha Guarda da Unidos da Ponte e do Império da Uva.

A estreia do novo sistema de som digital pretende aposentar os carros de som utilizados desde a inauguração da Passarela, em 1984, trazendo mais modernidade para a avenida e melhorias para intérpretes e bateria. Ainda assim, alguns torcedores não concordam com as mudanças implementadas e defendem que o modelo tradicional, o “arroz com feijão”, continua funcionando.

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“É arriscado, porque no final das últimas alas não funcionou, e eu preferia que mantivesse o que estava, porque eles estão querendo inventar muita coisa, e eu acho que não está legal. Isso aqui já está virando uma boate. Está acabando o carnaval do Rio de Janeiro. E eles acham que isso aqui é legal para eles, eles têm que montar uma casa de shows para eles. Isso aqui não é casa de shows, isso aqui é do público, isso aqui é um lugar de carnaval, não é boate”, declarou Leandro Maninho, torcedor do Império Serrano.

A reação positiva ao novo sistema de som também aparece entre foliões que acompanharam o ensaio técnico na Sapucaí. Segundo Edson Pará, a tecnologia amplia a experiência do desfile ao garantir que o áudio chegue de forma mais uniforme a todos os setores da avenida, facilitando a compreensão do samba e a participação coletiva.

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“Estou achando maravilhoso, estou achando muito bom. O som fica na avenida inteira. Fica maravilhoso. Todo mundo escuta, todo mundo na boa. Muito bom. A altura está boa, dá para todo mundo entender, está bom”, comentou o torcedor Edson Pará.