Em um encontro marcado pela franqueza e pela paixão que dedica à Acadêmicos do Grande Rio há quase quatro décadas, o presidente de honra Helinho Oliveira recebeu o CARNAVALESCO para uma conversa profunda sobre os rumos da agremiação. Refletindo sobre o desfecho do último carnaval e com os olhos voltados para 2026, ele destacou a resiliência da escola após perder o título por apenas um décimo em 2025, a força inabalável de sua comunidade e a confiança nos segmentos que formam a “espinha dorsal” da Tricolor de Caxias. A Grande Rio entra na Sapucaí com um único objetivo: a vitória.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Presidente, olhando para trás, qual o sentimento que ficou após o resultado do Carnaval de 2025?
“O carnaval de 25 passou, agora o foco é 2026. Teve um momento na avenida em que me senti campeão, mas os envelopes mostraram que perdemos décimos na bateria porque a jurada alegou não ter ouvido algo. Foi um detalhe, mas está tudo bem; parabenizamos a campeã e seguimos em frente porque este ano é outro”.
A Grande Rio é conhecida pelo canto forte. A comunidade é realmente a mola propulsora da escola?
“Sem dúvida, a comunidade é a nossa mola. Eu costumo dizer que nenhum dirigente é nada se a comunidade não fizer o que vem fazendo. No último ensaio em Caxias, eu me emocionei ao ver aquela entrega; é algo que está acima de qualquer colocação. Além disso, mantemos o compromisso de doar 100% das fantasias para os nossos componentes; são 3.500 roupas de qualidade distribuídas para o povo de Caxias”.
Como está o desenvolvimento do enredo com o carnavalesco Gonzaga e o que podemos esperar das alegorias?
“O Gonzaga está nos deixando muito satisfeitos, demonstrando um trabalho bonito com fantasias maravilhosas. Eu aprendi com o Joãozinho 30 que carnaval só fica pronto na avenida. O projeto nasce na cabeça do artista, muda no papel e se transforma novamente dentro do barracão, por isso é importante estar perto desde o início”.
Sobre o mestre Fafá, houve muita cobrança após as notas do último ano. Como a presidência lidou com isso?
“Eu disse a ele: ‘Levanta a cabeça, meu chapa’. Perdemos por um décimo, o que já aconteceu outras vezes, e não entendi por que houve tanta dor. Nós acreditamos no Fafá desde jovem; ele assumiu a bateria e mostrou seu valor, seguindo o legado da família. Ele tem todo o nosso apoio”.
A escolha de Virgínia Fonseca como rainha gerou debates. Como o senhor avalia a presença dela hoje?
“O samba deve acolher a todos, e a Virgínia foi abraçada pela nossa comunidade. Houve um burburinho inicial por ela ser branca, mas a presença dela é positiva; ela quase não faltou a ensaios e está sambando muito bem. É mentira que ela pagou pelo cargo; se tivesse esse dinheiro, eu teria gasto no barracão, pois aqui sempre falta. Ela ajuda com a nossa mídia, já batemos 1 milhão de seguidores no Instagram, e o povo comprou a briga dela”.
O que pode adiantar sobre a comissão de frente para o próximo desfile?
“Só posso dizer que vai emocionar. Eu só faço o que me motiva, e o projeto atual me motiva muito. Estamos sempre acrescentando ideias novas porque todo mundo quer ganhar o título e o show de abertura precisa ser grandioso. É um dos quesitos mais caros, se juntar tudo, mas é um investimento necessário para quem quer ser campeão”.
A Grande Rio virá logo após a Vila Isabel, em um dia com escolas pesadas como Salgueiro e Tuiuti. Existe algum receio?
“Medo não, eu encaro qualquer uma. O dia inteiro é forte, e papai do céu sabe como faz as coisas. Não tem tarefa mole no Grupo Especial, mas o nosso carnaval é feito para brigar pelo título. Se não for para entrar na briga, eu nem venho para o barracão”.
Para encerrar, o que a Grande Rio representa hoje para Duque de Caxias e para o senhor?
“Para mim, não existe nada maior que a Grande Rio em Caxias; a cidade é a escola. Eu torcia pela Mangueira e pela Beija-Flor antes da fundação, mas hoje a Tricolor é o nosso patrimônio. É como um filho para mim. Ver a energia da velha guarda e das baianas após um desfile nos dá força para continuar todo ano”.









