Por Luiz Gustavo, Marcos Marinho, Guibsom Romão e Matheus Morais
Abrindo a temporada de ensaios técnicos do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí para o Carnaval 2026, a Acadêmicos de Niterói pisou na avenida trazendo sua homenagem de teor popular ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A comunicação do enredo com o público se provou certeira no forte início do ensaio da escola, com o público respondendo muito ao samba e, principalmente, ao refrão principal. O canto e o ritmo do treino tiveram uma queda com o passar da apresentação, mas a agremiação se manteve organizada em sua evolução e teve uma excelente exibição do casal Emanuel e Thainara.
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Foi um bom ensaio da estreante no Grupo Especial. A azul e branco abrirá os desfiles da elite do carnaval no dia 15 de fevereiro, domingo, levando à Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão coreografada por Marlon Cruz e Handerson Big trouxe os componentes representando retirantes, fazendo alusão à mudança de Lula, ainda criança, de Garanhuns para São Paulo, além de outros componentes vestidos de metalúrgicos, profissão exercida pelo atual presidente da República durante muitos anos.
O grupo utilizou quatro andaimes, nos quais alguns componentes subiam para realizar parte da coreografia. A comissão apostou em uma dança com boa dinâmica e bem executada em termos de sincronia. No entanto, a apresentação não apresentou um norte muito bem definido entre início e finalização da série. Alguns elementos de dança soaram jogados dentro da coreografia, sem uma concatenação clara na sequência dos atos.

Ainda assim, a série teve bastante impacto visual, apesar de realizada de forma correta e sem grandes riscos criativos.
“Foi muito bom para a gente, porque conseguimos sentir a energia da Sapucaí, ver o que planejamos de luz, de andamento com a escola e das experiências que estamos trazendo, além da vibração dos componentes. Foi sensacional. O escopo segue o mesmo, mas estamos preparando algumas surpresas para o ensaio da próxima semana”, citou Handerson.
“Falar do Lula é sensacional. Falar de uma pessoa que nos representa, somos pretos, pobres. Fiz parte do Bolsa Família, do Programa Fome Zero e do Prouni. Estar no Carnaval falando de alguém que me deu acesso e contribuiu para que eu estivesse aqui hoje é uma grande emoção, um grande entusiasmo e uma grande alegria. Me sinto em êxtase, extremamente espiritualizado por esse momento”, comentou Marlon.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Emanuel e Thainara realizaram uma bela apresentação, com muita segurança e entrosamento. A série apresentou poucas coreografias baseadas diretamente na letra do samba, optando por um bailado mais clássico e livre, o que funcionou muito bem.
Thainara encaixou uma sequência de giros na segunda parte do samba, primeiro em sentido horário, depois anti-horário e, em seguida, retornando ao sentido horário, com vários rodopios muito bem executados, marcados por elegância corporal e explosão. Emanuel apresentou um bailado mais convencional, sem tanta explosão, mas com leveza, boa técnica e excelente desempenho no cortejo.

No refrão de cabeça, novamente Thainara brilhou em seus giros, evidenciando excelente nível técnico.
“Estamos extremamente felizes e realizados. Casal, comissão, bateria, todo mundo ensaia muito, e o desejo é sempre conseguir colocar em prática aquilo que foi planejado e hoje conseguimos. Foi tudo feito com muito amor, muita entrega. A energia estava maravilhosa, o público interagiu com a gente, e essa troca é essencial para o artista. O sentimento agora é de alívio e alegria, mas com os pés no chão: é o primeiro passo. Vamos assistir aos vídeos, rever tudo e ajustar o que for preciso para, na semana que vem, ser ainda melhor. Vamos manter, sim, a movimentação espelhada ao longo de todo o desfile, para contemplar o público, mesmo onde não há cabine”, citou a porta-bandeira.

“Foi muita alegria, de verdade. Posso dizer que foi um dos ensaios técnicos mais leves e felizes que já fiz. Olhar para o lado e ver a Thainara feliz, e para o público vibrando com a gente, foi muito especial. Coreograficamente, conseguimos executar tudo o que nos propusemos até aqui. Agora é rever os vídeos, avaliar os movimentos e seguir ajustando. A movimentação espelhada será adotada no desfile oficial; essa decisão veio após reuniões com os jurados e com a Liga, para contemplar os dois lados e também o público. Já vínhamos trabalhando assim e foi um alívio confirmar que o caminho estava certo”, completou o mestre-sala.
EVOLUÇÃO
A Acadêmicos de Niterói apresentou uma evolução organizada, sem abertura de grandes espaços entre as alas. Nos primeiros minutos, a escola mostrou uma evolução mais explosiva e animada, com componentes brincando e utilizando melhor os espaços da pista.
Com o avanço do desfile, as alas passaram a se apresentar de forma mais engessada, desfilando de maneira mais compacta e com menor dinâmica. Os andaimes utilizados na comissão de frente avançaram lentamente pela Sapucaí, travando o deslocamento da escola e contribuindo para um andamento mais lento, o que impactou diretamente o entusiasmo ao longo da apresentação.

Faltou maior soltura dos componentes e melhor trabalho de lateralidade. A Niterói cumpriu o ensaio em 77 minutos.
HARMONIA E SAMBA
Se o público comprou o samba da azul e branco no início do ensaio técnico, acompanhando o refrão de cabeça com entusiasmo, a escola respondeu na mesma intensidade nos primeiros minutos, cantando o samba, extenso, com muita força e alcançando seu ápice justamente no refrão que exalta o homenageado.
Com o andamento mais lento da evolução, a harmonia foi sendo impactada, e o canto da escola caiu gradativamente, ainda explodindo no refrão principal, mas com queda significativa no restante da obra. As últimas alas conseguiram recuperar parte do ritmo inicial, entoando o samba com mais garra.
Emerson Dias teve boa condução da obra, mantendo uma temperatura adequada no rendimento e contribuindo para o ótimo desempenho do refrão principal. O falso refrão central teve um desempenho correto, mas o trecho que o antecede, “por ironia, treze noites, treze dias, me guiou Santa Luzia, São José alumiou”, funcionou melhor, com levada agradável e boa melodia.
Ainda que não tenha sido uma apresentação potente do início ao fim, o samba se mostrou firme, sem grandes quedas estruturais.

“Foi um grande ensaio, de uma escola recém-chegada ao Grupo Especial, cantando com muita magnitude. O samba funcionou maravilhosamente, a Sapucaí cantou junto e veio com a gente. Foi muito satisfatório esse primeiro contato com o samba aqui. O novo sistema de som apresentou pequenas oscilações, nada comprometedor; é mais uma questão de posicionamento de antenas e alguns ajustes, porque o som é maravilhoso. Se a gente puder cantar mais e evoluir mais, melhor ainda. Quanto mais acertos tivermos, melhor, porque o sarrafo hoje é muito alto e a disputa é grande. A escola vem com um carnaval muito diferente, com um barracão ousado. A escola está ousada”, afirmou o intérprete Emerson Dias.
OUTROS DESTAQUES
Branco Ribeiro comandou a bateria da Niterói, que apresentou bossas mais convencionais, porém executadas com bastante qualidade e precisão, resultando em uma apresentação muito correta.

“Da nossa parte, tudo o que a gente ensaiou conseguiu ser implementado. Todas as convenções foram executadas, o ritmo foi exatamente o que planejamos junto com a direção musical, a direção de Carnaval e toda a escola. Tivemos um probleminha com o som, principalmente no primeiro box, mas faz parte do processo. A gente entende que não vai ser perfeito de primeira. Infelizmente, muitas vezes somos o parâmetro de teste, os primeiros em tudo que acontece, mas tenho certeza de que tanto a equipe da Liesa quanto a equipe de som vão corrigir isso, e vai ficar perfeito. No geral, o som respondeu bem às nossas expectativas. Na pista, não tivemos problemas de delay, atraso ou retorno indevido dentro da bateria; foi tudo muito claro. É mais uma questão de atenção ao primeiro box, para corrigir o volume, e de uma melhor distribuição do equipamento de som, para que toda a bateria receba o retorno, e não apenas a cozinha, evitando desencontros como o que chegou a ocorrer conosco”, explicou mestre Branco Ribeiro.
Marcelo Freixo, político e presidente da Embratur, desfilou à frente da escola com animação, cantando bastante o samba.
A ala de passistas da agremiação mostrou bom samba no pé e acompanhou o samba com canto forte.







