A terceira escola de sábado na Série Ouro traz a arte circense para a Marquês de Sapucaí. O ‘Terreiro de Zé Espinguela’ se torna o Circo Guarany ao homenagear Maria Eliza dos Reis, artista negra que se transformava no Palhaço Xamego, escondendo sua real identidade. Ela foi a primeira palhaça negra do Brasil.

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Detalhes do abre alas do Arranco
Detalhes do abre-alas do Arranco
FOTO: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O ‘Circo de Preto’ é o tema da alegoria que abre o desfile do Arranco do Engenho de Dentro. Para os componentes, a representação negra na avenida é espelho ao falar de suas próprias histórias e de seus antepassados.

O passista Du Costa vem a frente do abre alas
O passista Dú Costa vem à frente do abre-alas
FOTO: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O passista Dú Costa vem à frente do abre-alas para domar a zebra do Circo Teatro Guarany. Ele representa o Palhaço Gostoso, irmão do Palhaço Xamego. Para ele, contar histórias de protagonismo negro é essencial para abrir o debate acerca da importância da contribuição negra para o Brasil.

“É importantíssimo para os dias de hoje, porque eu sou um homem preto, minha mãe é uma mulher preta, meus amigos são pretos, então ter um enredo referente à mulher preta, brasileira, é muito importante para a gente, porque abre espaço para a gente dialogar com a sociedade sobre a nossa importância, nossa cultura, a nossa vivência”, declarou.

Com uma história que se desenrola no contexto pós-abolição da escravidão no Brasil, a negritude de Maria Elisa se imprime em sua arte. Ela era neta de Leopoldina Souza, uma ex-escravizada, e filha de João Alves da Silva, que nasceu 13 anos após a abolição e se tornou empresário, fundador do Circo Teatro Guarany.

Luis Monsoris e semi destaque do carro
Luís Monsoris, é semi-destaque do carro
FOTO: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Luís Monsoris, é semi-destaque do carro e tem a oportunidade de brilhar em uma criação própria. O componente é decorador oficial da escola e trabalhou no abre-alas e nas demais alegorias que a agremiação levou para a Avenida. Como homem negro, ele se sente representado ao falar de uma artista negra que se destacou na história.

“Representar minha cor, não preciso falar mais nada. E é a primeira palhaça negra do Brasil. Eu, como homem, gosto muito do enredo. É um enredo alegre, é um enredo que representa a corte do carnaval”, disse.

Ao propor um picadeiro na Passarela do Samba, o Arranco também busca a alegria como enfrentamento as dificuldades. Robson Ramos, componente do carro, afirma que carnaval e circo tem tudo a ver.

“O circo é uma cultura que nos traz tanta coisa alegre, e o carnaval também é alegria. O carnaval tem muita coisa alegre. A cultura que o carnaval nos traz é tão rica, que as pessoas que falam besteira não sabem o quanto isso daqui engrandece o nosso dia a dia”, afirmou.

Robson Ramos componente do carro afirma que carnaval e circo tem tudo a ver
Robson Ramos, componente do carro, afirma que carnaval e circo tem tudo a ver
FOTO: Mariana Santos/CARNAVALESCO