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Três anos depois das chuvas de verão de 2023 terem destruído parte do teto e danificado itens de seu acervo, o Museu do Samba reabre sua reserva técnica, após restauração e modernização do espaço. Com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), foram realizadas obras de adequação, compra de equipamentos especiais e até a instalação de um elevador para acesso do público ao segundo andar do prédio da instituição, que este ano completa 25 anos de funcionamento aos pés do Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio.

A reserva técnica é o espaço em que são guardados os itens que não estão expostos ao grande público e serão utilizados em futuras exposições ou pesquisas. No caso do Museu do Samba, o espaço guarda objetos artísticos e pessoais, roupas, fantasias, instrumentos musicais, croquis e livros, doados por grandes sambistas (ou seus familiares), entre eles Monarco, Nelson Sargento, Roberto Moura, Leci Brandão, Zé Paulo Sierra e Aluísio Machado. Entre os itens recebidos mais recentemente, e ainda totalmente inéditos em mostras públicas, estão os acervos do carnavalesco Mário Borrielo e do compositor e baterista Wilson das Neves (falecido em 2017), além de livros da biblioteca da atriz Fernanda Montenegro.

Para manter documentos, publicaçãoes e objetos, a reserva técnica conta com equipamentos de monitoramento ambiental, de umidade e temperatura, materiais de acondicionamento, estantes deslizantes, iluminação indireta, e revestimento anti-chamas, entre outros elementos de infraestrutura.

A acessibilidade do público também foi contemplada com o apoio da Secec-RJ, que incluiu a instalação de um elevador para o segundo andar, exclusivo para pessoas com limitações de locomoção, como cadeirantes e idosos. O equipamento era uma necessidade antiga do museu, já que no segundo pavimento há três exposições permanentes em cartaz e, agora, também funcionará a nova reserva técnica.

O Museu do Samba possui, atualmente, um acervo de mais de 50 mil itens e é o único Centro de Documentação e Pesquisa do Brasil especializado em samba, consultado regularmente por pesquisadores, escritores, roteiristas e amantes do samba e das artes carnavalescas. No acervo, constam também mais de 180 depoimentos de grandes nome da história do samba e do carnaval, todos gravados em vídeo exclusivamente para a instituição.

É de autoria do Museu do Samba a pesquisa que levou o Instituto Brasileiro do Patrimônio Artístico e Cultural (Iphan), em 2007, a declarar o samba do Rio de Janeiro – formado por suas três matrizes, a saber, o samba-enredo, o samba de terreiro e o partido alto – como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. Dez anos depois, em janeiro de 2017, o Iphan reconheceu o Museu do Samba como centro de referência do samba, por seu trabalho de preservação das matrizes do samba do Rio.

“O samba é a maior identidade cultural do Brasil e o compromisso do Museu do Samba é preservar este patrimônio, dando voz e visibilidade aos sambistas, que são os maiores detentores dos saberes desta manifestação cultural; nós acreditamos que é um compromisso não apenas nosso, mas de todo um povo, de uma cidade, de um estado e de um país valorizar e preserva estas memórias e histórias, materializadas em um acervo único, sem igual no país, e construído com a participação de grandes sambistas brasileiros. Neste sentido, é uma grande conquista a modernização da reserva técnica, que é o coração de um museu e guarda segredos, surpresas e conquistas de uma cultura grandiosa e de homens e mulheres que lutaram durante suas vidas pelo samba, pelo carnaval e pelo povo preto”, afirma Nilcemar Nogueira, fundadora do Museu do Samba, neta do compositor Cartola de Dona Zica, grande dama e baluarte da Estação Primeira de Mangueira.