Desfilante há mais de dez anos, a professora Daniela Moreira compartilhou com o CARNAVALESCO sua visão sobre a importância da presidenta Lara como liderança feminina à frente do boi vermelho da Vila Vintém. Para Daniela, a dirigente representa não apenas renovação, mas também compromisso e amor pela escola.

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Foto: Vanessa Vicente / CARNAVALESCO

Segundo a professora, mesmo sendo muito jovem, Lara demonstra competência, responsabilidade e dedicação na condução dos trabalhos. “Ela tem amor pelo que faz, e isso inspira todos nós”, relata Daniela, ao destacar o empenho da presidenta na organização e no fortalecimento da agremiação.

A trajetória de Lara com a escola, no entanto, vem de longa data. Daniela lembra que a atual dirigente cresceu acompanhando a história da instituição, frequentando os ensaios desde a época de sua avó, Dona Deise, figura tradicional na comunidade e que foi destaque no abre-alas durante ensaio recente da escola.

Para a desfilante, essa conexão familiar reforça o sentimento de pertencimento e explica o comprometimento da jovem liderança.

“Ela carrega a tradição no sangue, mas também traz novas ideias”, afirma.

A presença de mulheres em posições de liderança, como a de Lara, também é vista por Daniela como um marco importante para o boi vermelho da Vila Vintém, fortalecendo a representatividade feminina dentro da agremiação e na comunidade.

Com união entre tradição e renovação, a escola segue seus preparativos, tendo à frente uma dirigente que, apesar da juventude, já demonstra maturidade e paixão pelo pavilhão que defende.

“A escola é super bem organizada, isso é mérito dela e da família dela.”

Desfilando há dois anos, Manuela carrega uma relação antiga com a escola. Desde a infância, ela frequenta os ensaios ao lado da mãe, criando um vínculo afetivo que hoje se traduz em participação ativa na avenida. Em entrevista, a jovem ressaltou a força do enredo da Unidos de Padre Miguel (UPM), que traz como figura central Clara Camarão, mulher indígena ainda pouco conhecida por grande parte dos brasileiros. Para Manuela, a escolha do tema representa um importante gesto de reconhecimento histórico e cultural.

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Foto: Vanessa Vicente / CARNAVALESCO

“É uma oportunidade de dar visibilidade às mulheres caboclas e às mulheres brasileiras”, afirmou.

Segundo ela, levar essa narrativa para a avenida é ampliar vozes que, por muito tempo, foram silenciadas. A desfilante também destacou a dimensão do carnaval como vitrine cultural. Ao abordar a trajetória de Clara Camarão no maior evento audiovisual do mundo, a escola reafirma seu compromisso com a valorização da história e da identidade feminina no Brasil. Para Manuela, mais do que um desfile, trata-se de um ato de representatividade e memória coletiva, que fortalece não apenas a comunidade da escola, mas também o reconhecimento das raízes indígenas na formação do país.

“Trazer a história dela é ressaltar a força da mulher.”

Torcedora da agremiação, Dinecy Castro destacou a importância de ampliar a presença feminina em cargos de destaque no carnaval. Para ela, o fato de a escola contar com uma mulher em posição de decisão representa um avanço significativo e abre caminhos para um futuro com maior representatividade.

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Foto: Vanessa Vicente / CARNAVALESCO

Segundo a componente, a ocupação desses espaços por mulheres pode estimular novas lideranças a assumirem funções estratégicas dentro das escolas de samba, como intérprete oficial, diretora de carnaval e outros postos tradicionalmente ocupados por homens.

“É uma mudança que inspira e mostra que é possível”, afirmou.

A torcedora acredita que o movimento é um passo importante para transformar a estrutura do carnaval, especialmente nas agremiações do Rio de Janeiro, onde as escolas exercem forte influência cultural e social.

Para o futuro, Dinecy projeta um cenário com ainda mais mulheres à frente das escolas de samba, ocupando cargos de liderança e protagonizando decisões que impactam diretamente o espetáculo.

“Espero ver cada vez mais mulheres na linha de frente, conduzindo nossas escolas com competência e sensibilidade”, concluiu.