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Mestre Marcão lava a alma com show da SuperSom, mesmo com temporal, em ensaio de canto forte do Tuiuti

Paraíso do Tuiuti mostrou muita maturidade e a presença de quesitos para brigar pelos primeiros lugares, venceu as diversidades de uma noite atípica e tira boas lições para se preparar para o dia do desfile

Depois de muito tempo a chuva voltou ao Rio de Janeiro e esteve presente em boa parte da noite de ensaios técnicos no domingo se fazendo presente desde o início do Paraíso do Tuiuti. Muita água, vento, mas treino serve para isso, tem que testar todas as possibilidades. E, apesar das dificuldades que foram impostas pela natureza, a agremiação de São Cristóvão não decepcionou e manteve o padrão de mais um ensaio com muito canto da comunidade e com mestre Marcão, mais uma vez, apresentando uma variedade muito grande de bossas, de desenhos, sem perder o ritmo que embala o ótimo samba mesmo com alguma desafinação dos instrumentos causada pela grande quantidade de chuva. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, teve que enfrentar, além da chuva e a pista alagada, o forte vento. Dandara mostrou muita garra e foi aclamada pelo público. Além disso, a grande atração da noite da escola foi a
princesa de bateria, Mayara Lima, que arrancou aplausos por todos os setores em que passava e mostrou todo seu samba no pé. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

“Um momento muito esperado pela Tuiuti e por toda a comunidade. A minha avaliação hoje foi um sucesso graças a Deus. Passamos bem firmes com toda a comunidade cantando, foi maravilhoso. Um momento incrível, uma sensação incrível voltar para Sapucaí. Todos nós do mundo do samba estávamos esperando esse momento, estou feliz de estar aqui. Na verdade o nosso ensaio técnico tão desejado é justamente para ajustar uma coisa ou outra, digo isso por todas as minhas coirmãs. Percebi hoje que estamos 100% prontos para pisar nessa avenida no dia 23 de abril, correndo atrás do nosso décimo que ficou lá trás”, comentou André Gonçalves, diretor de carnaval do Tuiuti.

Harmonia e samba-enredo

Celsinho Mody e Grazzi Brasil precisaram guiar o samba em cima do carro de som, cobertos, devido à grande chuva que acontecia no momento da arrancada e que se manteve durante boa parte do desfile. A dupla foi bem apesar das dificuldades, não acontecendo nenhum desencontro entre carro de som e bateria. Ajudaram a fazer com que a escola se mantivesse animada, cantando o samba. Tem sido um padrão nos ensaios da Tuiuti o canto dos componentes, até porque o samba de parceria de Cláudio Russo, presente no ensaio, é bastante elogiado desde que foi anunciado vencedor. A única correção que deve ser pensada é em relação a algumas alas que estavam após a bateria, no meio do ensaio, deram uma diminuída no canto. * VEJA AQUI VÍDEO DO ENSAIO DO TUIUTI

“Ao meu ver o samba da Tuiuti é uma obra prima. Uma reparação histórica muito grande que o negro por muito tempo foi blindado do seu próprio espelho. A gente não tinha na televisão ou nas mídias algo para se espelhar. As meninas negras não tinham algo do cabelo enrolado. Não se falava sobre cientistas e historiadores negros. O Tuiuti juntou todos eles e trouxe para o palco mais popular do Brasil para que seja apreciada e valorizada a força da melanina. O samba tem uma melodia primorosa. Estamos com uma bateria espetacular puxada pelo mestre Marcão e eu tenho certeza de que o povo vai sentir a força da nossa história, a força da negritude e vamos sacudir essa avenida. Com todo o respeito e humildade às outras escolas de samba, mas jogador não entra em campo para perder. Nós vamos pra cima e com Deus na frente buscar esse título para São Cristóvão, pro Morro do Tuiuti”, afirmou Celsinho Mody.

“Eu acho que o samba está maravilhoso. É uma obra que fala sobre nós. O povo está vindo, a escola está acreditando e a gente tem tudo para vir quebrando tudo aí. A escola vai vir com tudo e nós acreditamos no que estamos fazendo. É algo que fala da gente, então temos essa propriedade. Fazemos com coração e com amor. É um samba e um enredo maravilhoso. Mais um samba necessário e pretendemos vir quebrando tudo. Tuiuti é grandona”, comentou Grazzi Brasil.

Mestre-sala e porta-bandeira

O primeiro casal Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane estavam muito elegantes em um tom de azul mais escuro, próximo do roxo. A dupla teve um grande desafio, pois entrou na Avenida no momento em que caía muita chuva e que o vento estava muito forte. Dandara teve dificuldades para manter a bandeira desfraldada, exigindo muita força da porta-bandeira. Os dois, inclusive, precisaram forçar um pouco os movimentos para vencerem as rajadas de vento, além do piso molhado. Foi um teste para caso tenham que enfrentar um clima assim no dia, o que deve ser pouco provável pela época do ano. O esforço foi reconhecido pelo público que a todo o momento vibrava com os movimentos executados pelo experiente casal. A apresentação na frente de cada módulo de julgamento durou mais de dois minutos e meio.

“Voltamos após dois anos e pisamos na Marquês de Sapucaí com esse vento, com essa chuva e assim, tinha hora que achávamos que não íamos conseguir, mas fomos guerreiros e conseguimos mostrar o nosso trabalho, foi emocionante! Essa parceria para a gente está sendo um renascimento. Estamos nos preparando para o dia 23 deixar essa pista marcada”, contou o mestre-sala.

“A gente vê uma evolução nesta pista nova, estamos entendendo, mas o saldo é positivo, foi o teste e passamos com esse desafios naturais”, completou a porta-bandeira.

Bateria

A bateria “SuperSom”, de Mestre Marcão, mais uma vez, foi um grande destaque da escola. Voltando a pisar na Sapucaí comandando uma bateria, agora no Tuiuti, Marcão brindou o público com boas bossas, desenhos muito bem alinhados com a métrica do samba, o que valorizou e tem valorizado ainda mais a obra que originalmente já foi bastante aclamada. Destaque mais uma vez para o naipe de chocalhos que tocou muito bem e fez coreografia muito bem sincronizada entre os ritmistas. No refrão principal a escola fazia uma bossa com uma pegada mais africana e um toque parecido com o de atabaque. O ensaio teve a presença da rainha Thays Magalhães e da princesa de bateria Mayara Lima.

“Tenho que agradecer essa rapaziada e agradecer ao presidente Thor por me colocar na linha de campo de novo. Agora, a gente tem que seguir nosso caminho, porque até dia 23 tem muita coisa ainda para acontecer, mas estou muito feliz e muito satisfeito pelo
desempenho. A chuva é que tirou um pouquinho da nossa afinação, mas a gente já sabe como é que é. De restante nós viemos bem e da forma como deveria ser feito”, explicou mestre Marcão, que terá 250 ritmistas, e fará cinco bossas no desfile oficial.

Evolução

A chuva não atrapalhou a evolução do Tuiuti que foi fluída, constante, sem correrias, nem lentidão, e sem deixar buracos. O que parece ter atrapalhado um pouco com a chuva foi a presença de algumas alas que traziam uma dança bem com pegada africana, e bastante coerente com o enredo que se viu um pouco menos no ensaio técnico em comparação com outros ensaios. Em compensação, a espontaneidade da maioria das alas que brincavam e pareciam “se lavar de chuva e alegria” pela volta à Sapucaí foi notável. Uma ala que dançava bastante era a ala 13, em que os componentes vestidos na cor laranja executavam passos de dança com estilo afro. Outro destaque ficou para as passistas com muito samba no pé e ousadia, vieram com os seios desnudos, em uma fantasia bastante pertinente com o enredo.

“Ensaiamos bastante e acredito que fizemos um grande ensaio aqui. Nós pegamos uma chuva, desde quatro horas com chuva em cima da gente e ainda passamos com essa garra, com essa vontade e cantando desse jeito, a única coisa que tenho que falar para rapaziada é parabéns para todo mundo e aguardem a Tuiuti no dia 23. Pra gente, é muito emocionante essa volta, pra mim é mais ainda, eu estava afastado da escola, voltei em 2021, quando não teve carnaval, e sigo aqui. Só felicidade”, disse o diretor de harmonia, Luiz Carlos Amâncio.

Outros destaques

Antes do ensaio, o presidente Renato Thor aproveitou para agradecer ao prefeito Eduardo Paes pela ajuda em relação ao terreno que a escola conseguiu para construção de uma nova quadra próxima a Avenida Brasil, mas ainda em São Cristóvão. Celsinho e Grazzi relembraram no esquenta o samba de 2018 que gerou para escola sua melhor colocação no Grupo Especial, o vice-campeonato.

A comissão de frente de Cláudia Mota trouxe os bailarinos pintados em dourado e com algumas marcações em branco na estética de signos africanos. Pena que a chuva apagou um pouco a pintura corporal. Na coreografia, executavam uma dança com forte pegada africana e com muita expressividade. Logo depois da comissão e do casal, a escola trouxe seu padroeiro, São Sebastião, uma imagem enorme retirada de um dos carros do desfile de 2020.

O Paraíso do Tuiuti mostrou muita maturidade e a presença de quesitos para brigar pelos primeiros lugares, venceu as diversidades de uma noite atípica e tira boas lições para se preparar para o dia do desfile. Com o enredo “Ka ríba tí ÿe – Que nossos caminhos se abram” , o Tuiuti abre a segunda noite de desfiles do Grupo Especial.

Participaram da cobertura: Lucas Santos, Danilo Freitas, Isabelly Luz, José Luiz Moreira, Walter Farias, e Gabriel Gomes

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