O verso do refrão foi cantado com toda força nos fins de semana de ensaio técnico na Sapucaí, bem como nas noites de quinta-feira, na Rua Maxwell, nas últimas semanas. A homenagem à professora Rosa Magalhães neste ano mexe com os corações dos apaixonados por escola de samba e, em especial, dos salgueirenses, lugar onde Rosa iniciou a carreira, em 1971, e garantiu 3º lugar e vice-campeonato, respectivamente, em 1990 e 1991. Em conversa com o CARNAVALESCO, os componentes do Torrão Amado abrem o coração e compartilham a emoção e as memórias que o samba evoca ao saudar a mestra.

A homenagem a Rosa Magalhães escancara o impacto do legado da professora em todas as gerações. A jovem Vitória Campos, de 25 anos, compartilha a emoção com o samba, que consegue gerar nostalgia no coração salgueirense a cada nota.

Vitoria Campos Salgueiro.HEIC
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“Eu, pessoalmente, gosto muito dos sambas antigos, principalmente do Salgueiro. Nesse samba, usaram uma estrutura para poder relembrar algo que eu adoro. Poder homenagear a Rosa e ainda lembrar da pegada antiga, para mim, é ótimo. O refrão pega muito, os pré-refrões pegam muito. Fico totalmente extasiada”, disse.

Além do Salgueiro, o legado como professora também marcou Vitória. Formada em Arquitetura, a jovem lembra os carnavais e artes de Rosa expostos na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde lecionava Cenografia e Indumentária.

“Eu frequentei muito a Escola de Belas Artes e lá eles têm uma área superprodutiva artística, onde há muitas cenas de desfiles dela, dos carros alegóricos. Quando eu olhei a comissão de frente no ensaio, eu falei: ‘eu já vi essas bruxas’. São memórias de estudo mesmo que eu acabei tendo. Eu fui vendo dentro da academia como ela, no lugar em que era professora”, compartilhou.

O samba deste ano emociona também quem viveu carnavais de Rosa Magalhães na pele. Eduardo Nascente, da Velha Guarda, em seus 40 anos de Salgueiro, teve a honra de desfilar nos dois carnavais de Rosa pela escola. Em 1990, em “Sou Amigo do Rei”, desfilou como um Rei de França em ala e, em 1991, com “Me Masso se Não Passo pela Rua do Ouvidor”, desfilou como passista. Eduardo relembra o luxo que a carnavalesca trouxe para a escola já em seu primeiro ano e que espera reviver hoje, 36 anos depois.

Eduardo Nascente Salgueiro.HEIC
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“Salgueiro estava meio assim no carnaval, sobe e desce, de primeiro para o segundo grupo. Contratamos a Rosa, e a Rosa montou a escola no luxo, como Joãozinho Trinta fazia na Beija-Flor. E nós alcançamos o terceiro lugar. Foi de arregalar os olhos o luxo que o Salgueiro apresentou. Este ano, a emoção será por conta do desfile que o Salgueiro vai apresentar. Embora muita gente esteja dizendo que a Rosa só fez dois carnavais no Salgueiro, foram dois carnavais fabulosos. São essas duas histórias que vão ser contadas por nós na avenida. O carnaval é democrático, é a mistura das escolas. O que ela fez pela Imperatriz, pela Vila e pelo Império Serrano — por onde passou — ela deixou legado, história, um belíssimo carnaval”, relembrou.

Para o ex-passista, o samba deste ano embalará a escola com alegria e levantará o público ao reviver as criações de Rosa no Salgueiro e relembrar seus principais carnavais nas coirmãs.

“A parte do samba é animação, é a evolução da escola. É um samba alegre, leve, fácil de decorar. A gente está contando que o público cante pelo menos o refrão, o arrastão que deve vir atrás do Salgueiro, pois o Salgueiro é o último. O samba é para empolgar, para a escola evoluir, cantar e alcançar essa décima estrela que nós andamos atrás há um tempão. Este ano, Papai do Céu e Rosa Magalhães vão ajudar a estrela a brilhar”, disse.

Para a salgueirense e professora aposentada Fátima Machado, assim como Rosa, fala da emoção que o refrão “Mestra, você me fez amar a festa” evoca.

Fatima Machado e Paulinha filha e mascote do Salgueiro
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“O Salgueiro abraçou o samba, a comunidade abraçou o samba e a Rosa Magalhães, que é a sua referência do carnaval. O samba está lindo, fácil de cantar. Na Sapucaí, todo mundo está cantando”, disse.

Com 50 anos de história no Torrão Amado, Nilda Salgueiro, presidente da ala de compositores, também viveu a “Rua do Ouvidor” de Rosa na escola. Considerando a mestra um ídolo pelo trabalho, ensinamentos e força feminina, Nilda aposta no resgate à memória de Rosa como trunfo na busca da décima estrela, com um samba “estilo Salgueiro”.

Hilda Salgueiro.HEIC
Foto: Mariana Santos / CARNAVALESCO

“É como se fosse uma viagem que o Salgueiro vai mostrar: o que ela fez em relação aos enredos, o que apresentou em outras escolas e na nossa. Eu fico bem emocionada, até porque o samba é bem suave, fala dela, das coisas que ela fez. E quando a gente fala em ‘mestra’, ela realmente foi a grande professora da nossa época. Todo mundo que está por aqui agora estudou com ela, ela deu aula, aprendeu com ela. Isso é muito importante para nós. Tomara que o Salgueiro entre com muita luz, com muita sorte, que consiga a nossa décima estrela, como o nosso samba fala. É a última escola do último dia, não tem mais nada depois do Salgueiro. Com um samba pra cima, muito animado, estilo salgueirense, eu acho que vai arrastar a galera”, disse.