A inauguração do Carnaval Fan Fest, no dia 20 de janeiro, foi marcada por um encontro simbólico entre o samba, o povo e um dos cartões-postais mais emblemáticos do Rio de Janeiro. Em plena praia de Copacabana, Mayara Lima, rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, comandou um grande aulão de samba que reuniu centenas de pessoas em um movimento coletivo de celebração à cultura popular.

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O evento, que já nasce com a proposta de se tornar um marco no calendário carnavalesco da cidade, reforçou a valorização do sambista e da arte que sustenta o maior espetáculo da Terra. Para Mayara, estar à frente dessa iniciativa carrega um significado que ultrapassa a dimensão da dança.

“Esse evento é histórico para o carnaval e vai fazer parte dessa história linda que é a nossa arte, do maior espetáculo da Terra. Tudo nasce de uma gestão que pensa no sambista, que faz de tudo para valorizar quem vive do carnaval. Fui convidada para esse aulão e estou muito feliz de estar aqui. Ainda vamos ter mais duas aulas. O carnaval está chegando, e a gente já está nesse pré-aquecimento”, destacou a rainha.

Mesmo com uma trajetória consolidada no samba, Mayara revelou que a grandiosidade do público trouxe um sentimento especial antes da aula começar. “Deu nervosismo, sim. Já dei aula para muita gente, mas nunca para um público tão grande quanto o do Rio de Janeiro. As pessoas presentes querem cada vez mais fazer parte do nosso carnaval e somar com a nossa cultura. No final, foi muito bom viver essa experiência”.

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Durante a atividade, a rainha fez questão de reforçar que o samba vai além dos passos ensinados. “Se joga, seja você mesma e treine, mas entendendo que não é só fazer uma aula de samba. É viver a história da nossa cultura, a fundação de tudo, a história do nosso povo. O samba vai muito além de dançar. Eu tenho muito orgulho de dizer que sou uma artista do samba e que vivo da cultura do meu país. É isso que eu quero levar para as pessoas”.

A relação de Mayara com o Paraíso do Tuiuti também esteve presente em sua fala, reafirmando o vínculo com a escola que moldou sua trajetória pessoal e artística. “Eu sou uma pessoa que hoje vive um sonho, muito por conta das oportunidades que o Tuiuti me deu, que é a escola que é o meu chão, meu pilar. Já fui passista, musa, princesa. Construí minha vida pessoal ali, hoje tenho meu filho, sou casada com uma pessoa que também ama o carnaval. Poder viver esse momento junto com a minha família, com a minha comunidade e com a minha bateria é muito especial. Espero que venham muitos e muitos anos para a gente continuar vivendo essa cultura que é tão mágica”.

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Entre os participantes do aulão, o impacto da experiência foi imediato. Juan Barros, de 17 anos, morador do Méier, destacou a força simbólica da ação. “Achei incrível a ideia de fazer um mutirão com milhares de pessoas no meio da praia de Copacabana para um aulão de samba. Foi genial. Teve um momento em que eu parei de dançar só para ver ela dançando, porque é apaixonante”.

Para ele, iniciativas como essa deveriam se espalhar ainda mais pela cidade. “O Rio devia tornar o aprendizado do samba ainda mais acessível. Imagina um aulão assim em outros bairros. A aula dela é apaixonante”.

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Laura Isabel, de 17 anos, também acompanhou a atividade e saiu contagiada pela energia da rainha. “Eu achei maravilhoso. Ela é muito boa, contagiou a plateia, me deu alegria. Mesmo cansada, eu tentei sambar, tentei me mexer e gostei muito”.

A jovem reforçou a importância da valorização do samba como identidade cultural. “O samba é parte da nossa cultura, da nossa alma, do brasileiro. Tem que ser valorizado a cada dia”. Animada, ela já planeja colocar em prática os passos aprendidos. “Vou começar já, até no show do Belo”.

O aulão de samba no Carnaval Fan Fest mostrou que, quando o samba ocupa os espaços da cidade, reafirma sua potência como linguagem coletiva, memória viva e expressão de pertencimento. Em Copacabana, a dança se transformou em encontro, aprendizado e celebração da essência do carnaval carioca.