Após a reconstrução administrativa e trabalhando no fortalecimento artístico, a presidente da Mangueira, Guanayra Firmino, conversou com o CARNAVALESCO e fez um balanço de sua gestão, detalha os avanços financeiros da escola, comenta as escolhas para o Carnaval 2026 e projeta o futuro da Verde e Rosa rumo ao centenário, reforçando o compromisso com a comunidade, a identidade mangueirense e a busca pelo título na Sapucaí.
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Como você avalia sua “nova” gestão até aqui e quais foram os fatos mais marcantes desse período?
“Avalio como um período de reconstrução e coragem. O fato mais marcante é ver a Mangueira profissionalizada sem perder a sua essência. Ver a quadra reformada, nossa marca reposicionada e a escola quitando carnavais antes mesmo de entrar na Avenida são marcos de uma gestão que respeita o componente e o fornecedor”.
As mudanças que você implementou para o Carnaval 2026 estão dando o resultado esperado? Acha que acertou nas suas escolhas?
“Essas mudanças são frutos de amadurecimentos necessários. A chegada do Dowglas e as mudanças na Comissão de Harmonia trouxeram o rigor técnico que o carnaval moderno exige. Os resultados também estão no barracão e na coesão da equipe. Acredito que acertei ao apostar novamente nas “pratas da casa”, os crias, e ao manter o Sidney França, que entendeu perfeitamente o DNA mangueirense. Minha estratégia foi unir o sangue novo à experiência”.
Você assumiu a presidência após uma gestão que enfrentou a pandemia. Como estão as contas da escola hoje?
“Hoje a Mangueira respira. Temos contas em dia, salários pagos rigorosamente e, pela primeira vez em muito tempo, conseguimos o Certificado de Equivalência Internacional (NGO Source), que nos permite captar recursos até fora do Brasil. Isso é transparência real, não apenas discurso”.
Ainda existem dívidas herdadas? Qual é o planejamento para encerrar pendências que se arrastam por diversas gestões?
“Trabalhamos incansavelmente na quitação de dívidas trabalhistas, na diminuição dos processos e na regularização fiscal. Conseguimos terminar na minha gestão com o maior passivo da história da escola, uma dívida de mais R$ 8,5milhões, da época que a escola de samba respondia pelas obrigações da Vila Olímpica, que poderia ter quebrado a Mangueira. O planejamento agora é o “triênio do centenário”: usar a força da nossa marca para atrair patrocínios via leis de incentivo e parcerias comerciais, como as muitas que já estamos fazendo, para zerar o passivo histórico e chegar em 2028 com saúde financeira total”.
Como está o barracão da Mangueira hoje e o que a comunidade pode esperar de alegorias e fantasias?
“O barracão está pulsando e muito avançado. Como prometi, não faltaram recursos para o projeto de carnaval deste ano. O mangueirense verá uma escola luxuosa e imponente. Investimos pesado em materiais e logística para que o Sidney França possa entregar o projeto de mostrar ao Brasil a história de mestre Sacaca em sua totalidade. As fantasias estão ricas em simbologia da Amazônia Negra; garanto que nossa comunidade virá trajada à altura da sua história”.
Como você avalia o trabalho do carnavalesco Sidnei França até aqui?
“O Sidney foi a melhor coisa que me aconteceu recentemente. Ele é um carnavalesco multicampeão que mergulhou na trajetória do mestre Sacaca com profundo respeito. Ele traz a grandiosidade visual que a Mangueira precisa para disputar o título”.
Sobre o intercâmbio cultural com o Amapá: você acredita que essa parceria deixou a escola ainda mais competitiva?
“Sem dúvida. Esse intercâmbio trouxe frescor ao enredo e uma energia nova. A disputa de samba no Amapá mostrou que a Mangueira é do Brasil. Temos um hino potente que nasceu dessa sinergia e que vai empurrar a escola na Sapucaí”.
Você é conhecida por realizar mais do que por falar. Como lida com as críticas e o quanto elas afetam o seu trabalho?
“Ser mulher, preta e cria do morro no comando da maior instituição cultural do país atrai holofotes e, consequentemente, haters. Mas nunca tive medo de desafios e de trabalho. É preciso separar as críticas de quem quer o bem da Mangueira das de quem só quer atacar, aparecer ou reclamar. No primeiro caso, vale escutar. No segundo, muitas vezes as pessoas se escondem atrás de perfis falsos ou fake news. Para essas, a minha resposta será mais trabalho e, eventualmente, a Justiça ou a polícia, se necessário. Meu foco é o resultado: a Mangueira linda na avenida, manutenção constante da quadra, contas pagas, salários em dia e comunidade amparada”.
A questão social sempre esteve no centro da sua gestão. Por que manter dessa forma?
“Porque a Mangueira é, antes de tudo, sua gente, sua comunidade. O carnaval acaba na quarta-feira, mas a vida do mangueirense continua, e a escola precisa ser o suporte o ano inteiro. Sempre estive envolvida em movimentos populares, e a comunidade mantém uma conexão muito forte comigo. Não teria como ser diferente”.
Explique, para quem é de fora, quem é o “cria” e quem é o “criado” na Mangueira.
“O cria é aquele que nasceu e cresceu respirando o morro, que tem o DNA da Mangueira no umbigo, como nossos diretores de bateria e musical vindos da Mangueira do Amanhã. O criado é aquele que escolheu a Mangueira, chegou, respeitou o pavilhão, fincou raízes e hoje faz parte da família. Na minha gestão, ambos têm voz, mas o protagonismo do cria é uma estratégia de valorização da nossa identidade”.
O que é o projeto do “triênio do centenário” e o que já pode ser revelado sobre 2028?
“É o nosso plano estratégico para chegar aos 100 anos como a maior e mais organizada escola do planeta. Inclui a reestruturação da quadra e a consolidação de um modelo de gestão que não dependa de humores políticos, mas de projetos sólidos. 2028 será o ápice de um trabalho que começou agora”.
Para encerrar, qual é a sua mensagem para a nação mangueirense?
“Estejam prontos. Estamos unidos, com as contas em dia e o coração transbordando ancestralidade. O enredo sobre o mestre Sacaca é sobre nós: resistência e sabedoria. Vista o seu verde e rosa, porque a Estação Primeira vem com a força da floresta e a garra do morro para lutar pelo título. A Mangueira vem gigante”.









