Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira
A Camisa 12 apresentou um ensaio técnico mais consistente e animado no Anhembi, demonstrando evolução em relação à primeira passagem pela pista. Com uma comunidade mais entregue e resposta vocal mais homogênea, a escola reforçou a proposta do enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil — A Origem da Fé, Herança de Ketu”, que promete uma imersão profunda nas raízes do candomblé.
A escola homenageia Iyá Nassô, Iyá Detá e Iyá Akalá, Princesas Nagô que deram início à história do candomblé no Brasil.
O ensaio contou com a ausência de Clóvis Pê, que se recupera de um acidente, mas teve Tim Cardoso sustentando bem a condução do samba. A Camisa 12 desfilará pelo Grupo de Acesso e mostrou, neste ensaio, sinais claros de crescimento.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente apresentou uma leitura simbólica e bem definida do enredo. Três componentes representaram as Princesas Nagô, posicionadas à frente do grupo, enquanto os demais integrantes, em determinados momentos, saudavam Exu.

A coreografia construiu a ideia da chegada dessas mulheres ao Brasil e da fundação das bases do candomblé. Em um dos momentos mais marcantes, os componentes rodeiam as três princesas e entoam gritos fortes, criando impacto sonoro e visual, reforçando a noção de ancestralidade e força coletiva. A leitura foi direta e de fácil compreensão para quem acompanha da arquibancada.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Luã e Estefany apresentaram uma dança com boa sincronia ao longo da pista. O casal executou os movimentos obrigatórios do quesito com correção técnica e apostou também em um gingado que dialoga com o samba e com o público, criando maior proximidade com a arquibancada.

Em um momento pontual, um lenço da fantasia do mestre-sala se desprendeu e caiu. Não houve prejuízo à dança nem comprometimento da apresentação, mas fica o ponto de atenção visando ao desfile oficial.
“O bom de ter dois ensaios é isso: conseguimos consertar o que estava faltando, reconstruir alguns pontos e ir melhorando o trabalho. Ter um segundo ensaio foi aquela gotinha que faltava para ficar perfeito. Acho também que qualquer escola que sobe para o acesso ao Especial carrega uma responsabilidade maior e exige um olhar diferente. A nossa intenção é passar a imagem de que estamos prontos”, afirmou o mestre-sala.
“A gente deu uma melhorada, não que no outro estivesse ruim, mas ajustamos o que precisava, e isso acaba funcionando como uma garantia a mais. Acho que o vento pode vir a qualquer hora, em qualquer momento; se a gente não conduzir, não vai, então precisamos ter controle”, completou a porta-bandeira.
HARMONIA
A harmonia foi um dos quesitos que mais evoluíram em relação ao primeiro ensaio. Se anteriormente algumas alas apresentaram canto mais tímido, desta vez a escola demonstrou maior dedicação ao quesito. As três primeiras alas vieram cantando com mais intensidade, puxando o restante da escola.

O carro de som e a bateria contribuíram para manter o canto constante, especialmente nos refrões, que favorecem a resposta coletiva. Não foram observadas oscilações graves de canto ao longo do desfile.
EVOLUÇÃO
A evolução da Camisa 12 se mostrou organizada. As alas vieram bem enfileiradas, com deslocamento regular pela pista. O uso de balões contribuiu para um efeito visual diferenciado, criando impacto no conjunto sem comprometer a fluidez do desfile.

As alas apresentaram coreografias bem executadas, mantendo alinhamento e ocupação correta do espaço. Ao longo do percurso, referências a Exu surgiram de forma recorrente, reforçando a identidade religiosa e simbólica do enredo.
SAMBA
O samba apresentou bom rendimento ao longo do ensaio, com destaque para os refrões, que funcionaram como pontos de explosão do canto coletivo. As bossas da bateria abriram espaço para que a escola crescesse, criando momentos de destaque para a harmonia.

A condução de Tim Cardoso foi segura, mantendo o andamento e garantindo que o samba não perdesse força, mesmo nos momentos de maior variação rítmica.
OUTROS DESTAQUES
A bateria teve papel importante na dinâmica do ensaio, utilizando bossas que dialogaram bem com o samba e favoreceram a resposta do canto. O entrosamento entre bateria e harmonia foi mais perceptível neste segundo ensaio, contribuindo para um conjunto mais vibrante.










