A Liga-RJ, entidade que representa as escolas de samba da Série Ouro, divulgou uma nota oficial manifestando forte discordância e preocupação com o atual modelo de organização e credenciamento do Carnaval 2026 na Marquês de Sapucaí. O posicionamento denuncia exclusão de sambistas, trabalhadores e da imprensa especializada, aponta um processo de elitização da festa e cobra mais transparência, isonomia e respeito ao caráter popular de um espaço público que, segundo a entidade, pertence ao povo.
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Veja a Nota oficial da Liga RJ em conjunto às suas 15 filiadas
A LIGA RJ, entidade que representa as escolas de samba da Série Ouro, vem a público manifestar sua discordância e profunda preocupação com o atual modelo de organização e credenciamento adotado para o Carnaval 2026 no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
As agremiações da Série Ouro não concordam com um sistema que, na prática, exclui sambistas, dirigentes, trabalhadores do Carnaval e veículos de imprensa especializados, enquanto libera centenas de credenciais para influenciadores digitais, convidados sem vínculo com o samba e amigos pessoais de pessoas influentes. Tal modelo afasta justamente quem constrói, sustenta e preserva a essência do Carnaval.
Causa indignação às escolas o fato de segmentos historicamente ligados ao samba, como a imprensa carnavalesca independente, fotógrafos, comunicadores populares e sambistas das próprias agremiações, estarem sendo impedidos de acessar a Sapucaí, enquanto pessoas sem qualquer relação com a cultura do samba circulam livremente por um espaço público.
As agremiações da Série Ouro não concordam com a progressiva elitização do Carnaval, que contraria sua natureza popular. As escolas da Série Ouro lutam para manter o Carnaval como uma festa do povo, com valores justos de ingressos, porém o modelo atualmente adotado exclui o verdadeiro sambista e as comunidades, tornando o acesso cada vez mais restrito. Soma-se a isso a proibição de entrada do público com alimentos e bebidas, obrigando o consumo de produtos de uma única marca, criando situação de monopólio em espaço público, além de outros contratos comerciais que elitizam o evento, quando o Carnaval deveria ser popular, democrático e acessível.
A Marquês de Sapucaí pertence ao povo, e o Carnaval é um patrimônio cultural popular, não podendo ser tratado como evento seletivo, elitizado ou guiado por interesses comerciais. O modelo atual afasta quem constrói o espetáculo e compromete a transparência, a pluralidade cultural e o caráter democrático da festa.
Nesse contexto, a LIGA RJ defende que o credenciamento seja realizado de forma separada por cada liga, respeitando a autonomia de cada grupo. Assim, as credenciais emitidas por cada entidade devem ter validade restrita aos dias de seus respectivos desfiles, permitindo que as escolas da Série Ouro credenciem sambistas, profissionais e veículos de imprensa carnavalesca que tiveram seus pedidos negados, garantindo acesso legítimo a quem vive e divulga o samba.
Causa profunda indignação às agremiações da Série Ouro o fato de que o GRES Unidos do Porto da Pedra, escola integrante do grupo e com grande relevância no carnaval, tenha solicitado formalmente a aquisição de um camarote no Sambódromo, demonstrando plena disposição para arcar com todos os custos envolvidos, e tenha tido seu pedido simplesmente negado, sem qualquer explicação técnica, administrativa ou contratual. Esse episódio escancara uma realidade de desigualdade e abuso, evidenciando tratamento discriminatório entre as agremiações, em flagrante violação ao princípio da isonomia e configurando restrição arbitrária de acesso a um bem público, incompatível com o espírito democrático do Carnaval.
A LIGA RJ também reforça a necessidade de revisão do contrato de concessão do Sambódromo, uma vez que seus efeitos práticos vêm gerando desequilíbrios, exclusões, privilégios e restrições incompatíveis com a natureza pública do espaço.
É fundamental lembrar que a Administração Pública deve observar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal, garantindo que todas as ligas sejam tratadas de forma isonômica, sem favorecimentos e sem qualquer tipo de subordinação entre entidades privadas que utilizam um bem público.
Esta nota não tem como objetivo atacar ou desqualificar qualquer instituição. Seu propósito é tornar público o posicionamento das agremiações da Série Ouro, construído de forma democrática, após plenária realizada no dia 21 de janeiro de 2026, quando os Presidentes e representantes escolas de samba deliberaram, de maneira coletiva e soberana, sobre os temas aqui expostos.
A LIGA RJ e as agremiações da Série Ouro reafirmam sua confiança, respeito institucional e total apoio à RIOTUR, reconhecendo o papel fundamental do órgão público na organização do Carnaval e acreditando que sua atuação será decisiva para corrigir distorções, garantir isonomia e recolocar o povo no centro do maior espetáculo cultural do país.
As escolas de samba da Série Ouro seguem unidas em um princípio inegociável: o Carnaval é do povo, para o povo, e deve permanecer fiel às suas raízes populares.









