Momentos antes de entrarem na avenida para o primeiro ensaio técnico da Imperatriz Leopoldinense na Sapucaí, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, falou com o CARNAVALESCO sobre expectativas, preparação, pressão e a emoção de iniciar oficialmente a caminhada rumo ao desfile de 2026. Nem mesmo a forte chuva, acompanhada de trovões, espantou os torcedores, que lotaram as arquibancadas e viram o casal brilhar com muita entrega, fruto de uma intensa preparação.

Para Rafaela, a temporada carrega um sentimento especial dentro da Verde e Branca de Ramos por conta do enredo “Camaleônico”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, que homenageia o ícone da música brasileira Ney Matogrosso.
“É um misto de emoções e sentimentos. Esse enredo do Leandro, mais uma vez, nos desafia. Desde que ele está à frente da escola, a cada ano nos presenteia com enredos maravilhosos e se transforma constantemente. Por isso, o nome ‘Camaleônico’ tem tudo a ver com ele. Isso é muito bom para a dupla e para a parceria, porque a cada ano a gente se renova, se desafia e busca algo a mais. Não ficamos na estaca zero: queremos sempre alcançar o êxito, nos transformando a cada dia”, afirmou.
Já Phelipe falou com emoção sobre a identificação pessoal com o enredo, no qual se vê refletido como pessoa e profissional.
“Para mim, o enredo sobre o Ney Matogrosso é libertador. Ele me representa muito. Todo mundo fala: ‘Ah, o Phelipe é maluquinho’, mas eu não ligo. Acho que não é loucura, é liberdade, é ser feliz. Todo mundo tem um CPF diferente, e eu sou uma pessoa diferente das que tentam ser normais. O Ney é isso: liberdade, não ser mais um. O que eu sempre busquei dentro do carnaval foi exatamente isso, não ser mais um. Como a Rafaela falou, não somos um casal estagnado. Somos um casal que busca novos desafios e inovações, e vamos continuar fazendo isso. Representar o Ney Matogrosso na avenida é também representar um pouco da história do Phelipe Lemos no carnaval.”
A porta-bandeira destacou ainda a importância do primeiro ensaio técnico no Sambódromo como um marco simbólico para o início do carnaval oficial.
“Pisar na avenida hoje é muito importante, é o pontapé inicial para o grande dia. É executar um pouco daquilo que a gente vem trabalhando ao longo dos meses, nos ensaios de quadra, de rua e internos, e entregar um pouco do que está sendo construído. No grande dia, não temos que nos entregar 100%, mas 101%. Hoje queremos transmitir alegria e leveza, porque o público que está aqui merece ser contemplado com a alegria de todos os componentes que desfilam na Sapucaí.”
Sobre a pressão por alcançar os tão sonhados 40 pontos, o mestre-sala, com apoio da porta-bandeira, não demonstrou abalo com o novo modelo de cabine espelhada e ressaltou a confiança na liderança da agremiação como fator fundamental para a tranquilidade do casal.

“Para nós, não é exatamente uma pressão. A presidente Cátia confia muito no nosso trabalho, e isso nos deixa tranquilos. Tudo o que fazemos é com muito amor e entrega, buscando sempre o nosso melhor. Claro que o julgamento dos jurados é muito importante, porque é uma disputa, mas nos sentimos felizes em empunhar o pavilhão da Imperatriz e entregar a nossa melhor performance, que agrade à plateia e também aos jurados, para que a nota máxima venha.”
Rafaela também comentou sobre as mudanças provocadas pela nova modalidade de julgamento, que tem influenciado diretamente a apresentação dos casais na passarela do samba.
“Acompanhando os ensaios técnicos, eu até comentei com o Phelipe que muitas vezes o público dizia que alguns casais estavam muito parecidos na parte coreográfica. A cabine espelhada trouxe um ponto positivo nesse sentido, permitindo que cada casal mostre mais a sua identidade. O resultado definitivo só vamos saber depois da Quarta-feira de Cinzas, mas, pelos ensaios e pela claridade da cabine, dá para perceber os casais se reinventando e trazendo mais personalidade. Isso acabou sendo um desafio positivo para o carnaval, porque todo mundo teve que sair da caixinha.”
Ao falar sobre o equilíbrio entre a tradição do bailado e a narrativa do enredo, Phelipe fez um paralelo entre o lado artístico e o caráter narrativo da dança do casal.
“A dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira é muito particular, tem um movimento cultural específico. Nós dançamos personagens, lugares e histórias. Assim como no teatro e no musical, o corpo precisa contar essa história. Eu e a Rafaela buscamos sempre contar o enredo dentro da nossa arte, que é a arte do mestre-sala e da porta-bandeira.”
Questionados sobre a fantasia que usarão no desfile oficial, os dois mantiveram o mistério, mas deixaram uma pista no ar.
“A fantasia é muito óbvia, mas não podemos dar spoiler. Se vocês observarem bem as nossas vestimentas ao longo dos ensaios e os trejeitos, talvez consigam descobrir o que a gente vem representando”, disseram em conjunto.
Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro mostraram que estão prontos para mais um grande carnaval, reafirmando sua identidade e, como diria Ney Matogrosso, a ousadia que um primeiro casal precisa ter para ser destaque na avenida.










