A Estação Primeira de Mangueira fechou o primeiro dia de minidesfiles do Grupo Especial em grande estilo, com uma bela apresentação que mostrou a força de seus quesitos. A verde e rosa apresentou um samba poético e gostoso de ouvir, uma bateria dando um banho de ritmo, um casal azeitado e uma comissão de frente bastante promissora. Destaque também para uma evolução mais solta entre as alas, com componentes trocando de posição sem tanta rigidez. Foi uma apresentação que misturou leveza e energia. A Mangueira encerrará o domingo de Carnaval mostrando o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, que será desenvolvido por Sidney França em seu segundo ano na agremiação.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão se apresentou inspirada no desfile de 1996 da verde e rosa, “Os Tambores da Mangueira na Terra da Encantaria”, que também retratava saberes ancestrais. Ensaiada por Lucas Maciel e Karina Dias, trouxe um tronco de árvore onde o preto velho, elemento central da coreografia, pilava suas ervas, cercado pelos marabaixeiros com uma bonita fantasia rosa com detalhes verdes. Uma coreografia forte e de bastante beleza, muito bem elaborada pelos coreógrafos e executada pelos componentes com enorme precisão.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Matheus Olivério e Cintya Santos vivem um momento de muita maturidade como casal, realçando as melhores características de cada um e as casando de forma afinada. Cintya segue sendo um furacão de energia visceral, porém dosando com momentos de maior leveza. Matheus ajuda Cintya a brilhar e brilha junto com ela. Foi uma excelente apresentação.

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Foto: Thaís Brum/Divulgação Rio Carnaval

EVOLUÇÃO

A Mangueira foi a escola com a evolução mais solta da noite no que diz respeito à movimentação dos componentes dentro das alas. Vieram soltos, sem militarização, brincando e se divertindo. Até as alas coreografadas desfilaram com muita energia, sem a sensação de engessamento, contribuindo para uma passagem empolgante da escola pela pista. A preocupação com o preenchimento de espaços foi menor, o que até gerou um espaçamento entre a bateria e a ala que vinha atrás, também bastante solta.

SAMBA E HARMONIA

Se não é um samba tão explosivo, a poesia e a beleza da letra o tornam bastante agradável de ouvir, e, no minidesfile, obteve um rendimento muito satisfatório. Dowglas Diniz e a bateria comandada pelos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto encontraram a levada ideal para a obra, e o resultado é um samba que passa com força sem perder sua qualidade melódica.

A Mangueira foi mais uma escola com um belo canto por parte de seus componentes, apesar de uma pequena queda em trechos como “as folhas secas me guiaram ao turé, pintada em verde e rosa, jenipapo e urucum”, onde alguns componentes apresentaram maior dificuldade em acompanhar a letra na ponta da língua. De resto, os integrantes da verde e rosa levaram o samba com garra e entusiasmo, como no refrão de cabeça e na subida do trecho “defuma, folha, casca e erva… saravá”.

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OUTROS DESTAQUES

O tripé trazendo o sapo verde e rosa foi outra homenagem ao desfile de 1996 da escola, assinado pelo carnavalesco Oswaldo Jardim, que trouxe um enorme sapo na segunda alegoria daquele ano. Evelyn Bastos, como de costume, roubou a cena e mostrou por que é uma das maiores e mais queridas rainhas de bateria do Carnaval carioca. Tem o público na mão.