Num ano marcado por homenagens, a Sapucaí viverá, pela primeira vez, a celebração de um de seus grandes sambistas ainda em vida. Mestre Ciça, ícone do Carnaval carioca e dono de um extenso legado na Unidos do Viradouro, onde comanda a bateria “Furacão Vermelho e Branco” desde 2019, será o grande homenageado da escola em 2026.
Cria do Estácio, passista, mestre-sala e consagrado diretor de bateria, Ciça reúne inúmeros motivos de orgulho e identificação para a comunidade de Niterói. Em conversa com o CARNAVALESCO, componentes da Viradouro compartilharam a emoção de reverenciar aquele que representa muito mais do que um mestre: representa a própria história da escola.
Quem acompanhou sua primeira passagem pela Viradouro, em 1999, logo percebeu as mudanças e a evolução da bateria. É o que relembra Lindomar, integrante da Velha Guarda.

“O Ciça, para nós, é uma referência. Com ele houve uma mudança muito grande na escola, especialmente na bateria. Ele é uma alegria constante entre todos os componentes. É uma realização para a comunidade. Ele se comunica com todo mundo, instrumentalmente falando, com aquele dedinho que vai para lá e para cá, formando ritmistas que são, literalmente, alunos dele. Para nós é gratificante ver esse reconhecimento de um profissional do samba. Para a Velha Guarda, o sentimento é o mesmo. E o samba está maravilhoso, a gente se descarrega de tudo e cai na folia mesmo”, afirmou.
Com 64 anos de Carnaval, o baluarte Jorge Lambreta, de 82 anos, destacou o caráter inédito da homenagem e ressaltou que falar de Mestre Ciça é falar da própria comunidade da Viradouro.
“Mestre Ciça é um ídolo dentro da escola. Na comunidade da Viradouro não há ninguém que não goste dele. Quando a escola homenageia o Mestre Ciça, está me homenageando também, está homenageando todos os sambistas. É a alegria do sambista em geral, porque ele representa todos nós. E dentro da Viradouro, no desfile, somos um só”, declarou.
Além de popular e querido, contar a história de Ciça é revisitar a própria trajetória do Carnaval, marcada por carnavais históricos, reconhecimento e passagens por escolas coirmãs. Representando a ala Bambas do Estácio, que homenageia o início da carreira do mestre na Estácio de Sá, Rodrigo ressaltou o tom nostálgico que o desfile promete levar à avenida.

“A gente que convive com o Mestre Ciça há tanto tempo sente uma emoção ainda maior. Existe um carinho especial por aquela pessoa que está ali todos os ensaios, toda semana. Ele é simples e tem uma história linda de muitos carnavais que a Viradouro vai contar de forma incrível e nostálgica. Tenho certeza de que todos os setores da escola vão nos fazer lembrar dos carnavais da nossa infância, da adolescência, de quando assistíamos aos desfiles com nossos pais. Vai ser um saudosismo delicioso. É muito importante homenagear esse homem do samba, que foi passista, mestre-sala e hoje é um dos grandes nomes da avenida”, afirmou.
Relembrando o início da trajetória do homenageado, a passista Eloísa Ribeiro destacou a identificação com o mestre, que antes de comandar baterias também foi passista e mestre-sala, simbolizando reconhecimento e esperança para as novas gerações.

“É meu primeiro ano na escola como passista, na minha escola de coração, e entrar justamente num ano que homenageia uma das minhas referências é muito gratificante. O Ciça começou como passista, e isso nos dá esperança de que também podemos alcançar outros espaços dentro do carnaval”, disse.
O legado de Mestre Ciça já ecoa nas novas gerações da escola. Carol, ritmista da Virando Esperança, escola mirim da Viradouro, e integrante da Ala Jovem, revelou o sonho de aprender com o Mestre dos Mestres no futuro.

“Tudo o que eu sinto é emoção. Ele é uma das maiores referências como mestre de bateria e como sambista. Para quem está começando agora, como eu, é um sonho trabalhar com o Ciça. Imaginar estar ao lado dele, reverenciando, vivendo esse momento, participando de tantos títulos… é um sonho mesmo”, declarou.










