Por Guibsom Romão, Mariana Santos, João Gabriel Rothier e Luiz Gustavo

Fechando a última noite de ensaios técnicos da Série Ouro, a Estácio de Sá, no último domingo, fez um ensaio potente, aguerrido, organizado e com um canto impecável de sua comunidade. Com o enredo “Tata Tancredo: o Papa Negro no terreiro do Estácio”, assinado pelo carnavalesco Marcus Paulo, a Estácio de Sá será a quinta escola a desfilar no sábado de Carnaval e, se o desfile for semelhante ao ensaio técnico, o Leão está prontíssimo para a disputa do título da Série Ouro.

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COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Júnior Barbosa, a comissão de frente se apresentou com figurinos em azul-claro e branco, com pinturas corporais que referenciam a estética do universo afro-brasileiro. A apresentação coreográfica explorou gestos firmes e simbólicos, dialogando com a ancestralidade dos orixás e ocupando a pista de maneira equilibrada, com formações que se refletiam lateralmente e facilitavam a compreensão do público.

Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi quando o grupo se abaixou por completo, abrindo espaço para que a pivô girasse ao centro da formação, simbolizando a incorporação de uma entidade, traduzindo em cena a homenagem que a escola presta a Tata Tancredo. A leitura foi imediata e impactante, com forte carga simbólica, conectando o público das arquibancadas à narrativa proposta. A comissão mostrou clareza de conceito e potencial para emocionar ainda mais no desfile oficial.

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“A minha avaliação do ensaio de hoje é sempre positiva, porque a gente vem entregando muita coisa nos ensaios, e hoje foi a prova disso: muita força, muita garra, muita sequência e muita entrega dos bailarinos em cena. A expectativa para o dia do desfile oficial está a mil, principalmente por conta de toda a logística que a gente prepara. Este é o meu segundo ano na Estácio, novamente vindo com dois elencos, trazendo sempre o que eu preciso levar para a avenida, que é a história de Tata, mostrando a força e a garra que precisamos apresentar. Sobre surpresas, não posso revelar, mas posso garantir que vai ser impactante e que vamos contar toda a história de Tata do início ao fim”, afirmou o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O experiente casal, Feliciano Júnior e Raphaela Caboclo, apresentou uma coreografia pronta, ágil, clássica, animada, leve, graciosa e bem executada. O casal demonstrou sintonia, sincronia e capacidade de gabaritar todas as cabines de jurados, pois, aparentemente, está tudo pronto. Os giros foram bem controlados e os cumprimentos respeitaram, com elegância, o pavilhão, sem excessos. A segurança demonstrada pelo casal reforça a impressão de um quesito sólido e altamente competitivo.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

“Na verdade, hoje foi um grande termômetro do que a gente vai mostrar na avenida. A gente se preocupa com cada detalhe e sentiu a energia e a vibração do público, que foi o grande ponto alto desse ensaio para nós. Agora o foco é total no desfile, que acontece em menos de um mês, e acho que a missão foi cumprida hoje. Cada dia é um dia: a gente assiste aos vídeos, observa cada detalhe, porque somos muito exigentes com o nosso trabalho. Temos a Marluce ao nosso lado, que também pega no pé e se preocupa com tudo. Quando você vê o vídeo, tem a noção geral, mas sentir o público vibrando é a confirmação de que chegamos ao nível do homenageado. Fazemos carnaval para a comunidade, e o Tata Tancredo merece essa vibração, esse calor e esse carinho, porque é uma referência de comunidade, raiz, força e ancestralidade”, disse o mestre-sala.

“Somos muito exigentes conosco enquanto casal, porque é um pavilhão e precisamos honrar o peso que ele carrega, tudo o que representa e todas as pessoas que ele traz. Acho que foi uma das melhores apresentações que fizemos depois de a coreografia estar montada, e agora é daqui para melhor. Até o dia 14 de fevereiro, é lapidar e massificar, para que, felizmente, seja mais um ano com nota máxima”, completou a porta-bandeira.

EVOLUÇÃO

Com um número grande de componentes, a Estácio de Sá fez um ensaio tranquilo. Controlando muito bem o seu tempo na pista, o Leão manteve seu andamento por toda a Sapucaí no mesmo ritmo; não houve nenhuma intercorrência. A escola encerrou seu ensaio com 54 minutos e com muita tranquilidade. As alas evoluíram de forma coesa, sem buracos ou correria, permitindo boa leitura do conjunto. A fluidez do cortejo reforçou a organização da escola ao longo de todo o percurso.

Mas fica um ponto de atenção para o número elevado de pessoas da escola andando nos cantos da pista, atrapalhando harmonias e outros profissionais que precisam se locomover pela Sapucaí.

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“Saio muito satisfeito com o que vi e vivenciei. Foi exatamente o que a gente vem buscando. Como gosto de deixar claro, estamos passo a passo em um processo evolutivo para chegar prontos no dia 14 de fevereiro. Hoje, aquilo que viemos buscar aqui, eu saio feliz porque encontramos. Nada melhor do que o treino no campo de jogo; isso é muito importante para a gente, para sentir a escola, essa vibração. E essa escola realmente tem um chão que faz a diferença. Quero deixar aqui o meu agradecimento à comunidade e a cada segmento: vocês entregaram tudo o que pedimos. Estou sem voz, mas muito feliz”, citou Edvaldo Fonseca, diretor de carnaval.

HARMONIA E SAMBA

Com um samba ótimo e muito animado, a Estácio foi a escola que apresentou o melhor canto da noite, com todas as alas cantando. No refrão principal, “Macumba é macumba, canjerê, mojubá…”, foi cantado com explosão, sustentando o samba com firmeza ao longo do percurso, além do desempenho exemplar do carro de som comandado pelos intérpretes Tiganá e Serginho do Porto. A obra mostrou excelente comunicação com a comunidade, que respondeu de forma intensa e uniforme. A harmonia foi um dos grandes trunfos do ensaio, criando um ambiente de empolgação constante na avenida.

“A minha avaliação do ensaio de hoje superou todas as expectativas. A gente já vem ensaiando há bastante tempo na rua e na nossa quadra, e hoje mostramos a força do Leão, a força do Estácio na Sapucaí. No dia do desfile, pode ter certeza de que será um dos melhores desfiles; se Deus quiser, o Estácio de Sá vai usar esse desfile para chegar forte ao Grupo Especial. A expectativa para o desfile oficial está lá em cima, é a melhor possível. Toda a escola está feliz com o samba, com o trabalho feito na quadra e com o carnaval. Temos certeza de que o nosso presidente, junto com o carnavalesco e toda a diretoria, trabalha arduamente todos os dias para mostrar o que há de melhor na cidade. No ano passado já fizemos um bom desfile, e neste ano vamos fazer um três vezes melhor, mostrando à Sapucaí que merecemos o Grupo Especial. Sobre o novo sistema de som, é um teste, algo novo mesmo, diferente do modelo antigo com caminhão e passagem de som mais rápida. Estamos nos adaptando, não só a gente, mas todas as escolas. Hoje fizemos um tempo completo de desfile e, apesar de possíveis dificuldades, tenho certeza de que vai dar certo. É um bom som, com mais espaço para transitar, e acredito que será muito positivo para o carnaval”, comentou o intérprete Tiganá.

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“A gente está muito feliz, porque é mais um passo de todo esse trabalho para o desfile principal. Viemos ensaiando todas as segundas-feiras, e hoje foi um momento importante para tirar dúvidas, além de ser a primeira vez com o som, que funcionou muito bem — não viemos apenas para passar som. Estamos ainda mais felizes por termos uma comunidade forte; a Marquês de Sapucaí é o quintal da Casa da Estácio. A expectativa para o desfile oficial é grande, apesar de sabermos o quanto é difícil fazer carnaval na Série Ouro. Temos uma comunidade forte, uma bateria maravilhosa e um chão muito consistente aqui no Complexo de São Carlos. Mesmo com as dificuldades, inclusive financeiras, estamos nos preparando, a trancos e barrancos, para buscar o primeiro lugar e voltar ao Grupo Especial. Sobre o novo sistema de som, ele é maravilhoso e ajuda bastante, tanto com o fone quanto com a sonorização da avenida. A única preocupação é o excesso de pessoas à frente e atrás da bateria, algo que precisa ser controlado, porque desfile vale ponto. Isso será tratado em reuniões internas até o dia do desfile. Fora isso, a avaliação é extremamente positiva”, assegurou o cantor Serginho do Porto.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Medalha de Ouro”, do mestre Chuvisco, deu um show de ritmo e bossas no ensaio. Com paradinhas bem encaixadas e pressão sonora na medida certa, a bateria levantou arquibancadas e componentes. A sintonia com o carro de som reforçou ainda mais o impacto musical da apresentação.

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“Foi um ótimo ensaio, graças a Deus. A bateria está quase 100%, não vamos dizer que está pronta, porque ainda tem mais alguns dias, quase 20 dias para a gente poder aproveitar e ensaiar mais um pouco. Para chegar no dia 14 de fevereiro, aí sim, 100% pronta e mostrar o nosso melhor. Tudo que a gente está ensaiando ao longo desses meses, com esse samba maravilhoso que nossos compositores fizeram para a nossa escola, acho que tem tudo para ser um grande sucesso no dia 14 de fevereiro. Hoje foi um ensaio maravilhoso, que é para a gente ajustar algumas coisas, a gente sabe disso, mas falta muito pouco para estar próximo da excelência. São alguns detalhezinhos que a gente tem que consertar até o dia 14 estar realmente 100%. De bossa está tudo aí, largamos tudo hoje aqui, entregamos tudo”, garantiu mestre Chuvisco.