
A Unidos do Viradouro gabaritou o quesito Harmonia resultado que se mostrou fundamental para a vitória da escola e a consagração do título no Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2026. O desempenho foi fruto de um trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos anos, marcado por mudanças estruturais no setor e pela consolidação da chamada “4ª estrela”, considerada um divisor de águas para a agremiação. Para entender os bastidores desse processo, o CARNAVALESCO conversou com um dos diretores gerais de harmonia da escola, Jefferson Coutinho. Na entrevista, o diretor falou sobre a saída de Dudu Falcão, a parceria com o co-diretor Marcos Mendes e os desafios de manter o alto nível do quesito nos próximos carnavais.
Após dez anos como diretor geral de harmonia, Dudu Falcão se despediu da Viradouro. Segundo Jefferson, a saída acontece com sentimento de missão cumprida, já que o diretor deixa um legado importante e uma estrutura consolidada dentro da escola.
“Dudu Falcão, primeiramente, é referência para a gente. Esse é o meu 23º desfile pela Viradouro, e o 18º como diretor de harmonia. Na minha caminhada como harmonia, tudo mudou com a chegada de Alex Fab e do Dudu Falcão, que de fato foram as pessoas que me forjaram como diretor de harmonia. O Dudu Falcão era, sem dúvida, peça fundamental, mas ele com certeza deixou um bom legado e um bom aluno. Nos últimos anos, ele também esteve envolvido com a direção de carnaval da União da Ilha, então a gente tocou o projeto mais sozinho, com a cobertura dele. Acho que, logicamente, é uma perda de presença e também de um cara que contribuiu muito nos 10 anos que esteve conosco, mas eu tenho certeza de que eu e o Marcos vamos conseguir suprir essa ausência do Dudu com muito trabalho, com muita humildade e com muita perseverança”, comenta Jefferson.
Ao lado de Jefferson, quem assume a responsabilidade na direção do setor é Marcos Mendes. Para Jefferson, as diferenças de perfil entre os dois acabam se tornando um ponto positivo na condução do trabalho.
“O Marcos é uma pessoa… eu costumo chamá-lo de paizão, porque de fato ele é um paizão. Ele é um cara super tranquilo, diferente de mim, que já sou mais correria, mais espevitado. Ele prima pela tranquilidade. Trabalhar com o Marcos é sensacional, porque na Viradouro a gente trabalha muito como família também”, afirma o diretor.
Um dos pontos mais marcantes da Viradouro nos últimos anos é a força do canto da escola, perceptível não apenas na avenida, mas também nos ensaios técnicos de rua e na quadra. Para Jefferson, o segredo está na forma como a comunidade é tratada dentro da agremiação.
“O segredo, acho, é que a Viradouro trata todo mundo de forma igual. A gente tem um carinho e um respeito com a nossa comunidade, que se sente sempre parte integrante da escola. Ela não é só mais uma; ela é, de fato, o corpo da escola, e sabe disso. Então fica tudo mais fácil”, declara.
Questionado sobre as mudanças recentes na forma de avaliação do quesito harmonia, Jefferson destacou que o julgamento vem passando por transformações ao longo dos anos, ampliando o olhar dos jurados para diferentes aspectos do desfile.
“O quesito harmonia vem passando por mudanças nos últimos anos. Outrora, nós éramos julgados somente pelo canto das alas. Em um passado bem recente, começamos a ser julgados muito mais pela parte harmônica e pelo canto. E, nos dois últimos anos, principalmente, voltaram-se os olhos novamente para as alas de comunidade e também para composições e alas coreografadas. Acho que essa divisão tende a continuar enfatizando a parte harmônica e a parte de canto da comunidade”, comenta Jefferson.










