A Unidos de Bangu prepara para este carnaval um desfile que promete ser repleto de emoção. A escola da Zona Oeste do Rio de Janeiro escolheu como enredo a trajetória de Leci Brandão, uma das maiores vozes do samba e da resistência cultural brasileira. A homenagem mobiliza não apenas os integrantes da agremiação, mas também familiares e admiradores da artista, que veem na avenida um espaço de consagração e reconhecimento.
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Entre os mais entusiasmados estão as sobrinhas da sambista, Nuala Brandão, de 33 anos, e Letícia Cristal Brandão, de 29 anos. Ambas cresceram cercadas pela música da tia e destacam a importância de vê-la transformada em tema de carnaval.
Letícia, bióloga, revela que sua relação com as canções da tia também reflete experiências pessoais.
“Eu gosto muito de Natureza, Lá e Cá, Zé do Caroço. Desde que eu nasci, eu ouço ela. Natureza, para mim, é tudo, porque tudo que remete à natureza nas músicas dela me representa muito, como se ela estivesse falando por mim”.
Já Nuala, que também cresceu ouvindo e consumindo as obras da tia, destaca o caráter atemporal das composições: “Eu gosto muito de Assumindo. É uma música que fala muito sobre ela, muito importante na vida dela e muito atemporal, como todas as composições dela”.
Sobre a escolha de Leci como enredo, as sobrinhas não hesitaram ao falar da grandeza da homenagem. Nuala destacou a importância dessa atitude para uma pessoa que vem do samba.
“É uma consagração, sim. É um presente muito grande ser enredo de uma escola de samba. Isso quer dizer que uma comunidade olha para aquela pessoa e fala: vamos levar para a avenida e mostrar o quão grande essa pessoa é”.
Letícia ainda complementou, ressaltando a trajetória de Leci como compositora de sambas-enredo.
“No caso dela, acho realmente muito importante, porque ela cresceu nesse meio, construiu sua carreira no samba de avenida. É como se fosse uma condecoração do governo, quase um Nobel da Paz para o sambista”.
Quando perguntadas sobre o que não pode faltar no desfile, as sobrinhas foram unânimes: coração e alegria são fundamentais.
Nuala afirmou: “Não pode faltar o coração. A Bangu coloca o afeto em tudo, e é isso que representa minha tia”.
Letícia acrescentou: “A alegria e a energia. Mostrar esse lado dela que é alegre, além da luta. Um samba animado que brinda a vida”.

A emoção também é a palavra-chave para Regina Passaes, torcedora da Unidos de Bangu desde a década de 1960, quando a escola ainda desfilava de azul e branco. Para ela, a homenagem a Leci é um marco: “O Morro do Pau da Bandeira é um hino. Ser enredo é uma consagração, principalmente quando é em vida, quando não é um enredo póstumo. Não tem como não ficar extasiada”.
Regina acredita que o desfile precisa traduzir a força da artista: “A emoção é o que a Leci representa. Todo mundo tem que vir com a garra que ela sempre teve em defender o samba, principalmente o samba de morro”.










