A Inocentes de Belford Roxo foi a segunda escola da Série Ouro a passar pela Marquês de Sapucaí, nesta sexta. A agremiação apresentou o enredo “O sonho do tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco”, idealizado pelo carnavalesco Edson Pereira e inspirado na música “Pagode Russo”, de Luiz Gonzaga. A escola homenageia a cultura pernambucana, o frevo e a influência da Rússia nessa cultura.
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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
A comissão, coreografada por Sérgio Lobato e Patrícia Salgado, contou como surgiu o frevo na cultura pernambucana. Ela parte de uma lenda urbana, em que, com a chegada dos Russos na cidade de Recife, houve uma troca cultural entre os nativos e os estrangeiros. Com a influência nos passos pernambucanos surgiu a famosa dança pernambucana. Em entrevista ao CARNAVALESCO, os coreógrafos e dançarinos comentam sobre essa apresentação.
Como dito anteriormente, a comissão parte de uma lenda, um “disse-me-disse”. Logo, o trabalho dos coreógrafos em tornar isso em uma dança de fácil compreensão ao público se é maior.
“Vai ficar muito claro pela personalização dos personagens. Eles estão muito bem caracterizados pela movimentação, que vai ser muito clara. Essa parte do disse-me-disse também, porque nós temos um personagem que retrata isso com a dança dele e com a movimentação. E o nosso tripé tá muito rico de informação, eu acho que o público vai conseguir entender muito bem, além da alegria de Pernambuco do Recife”, diz Patrícia.
“Nós trazemos os cidadãos pernambucanos na visão do mestre Vitalino, em Barro. E esses mesmos personagens em barro, eles são trajados, depois dos barros, também com frego. Na verdade, a comissão é toda essa brasilidade, essa mistura de danças russa, do coco, até dá essa tropofagia. Essa mistura, que o carro também tem um movimento que eles trocam de roupa, para esse remelexo, como diz o samba, para dar o frego. É toda essa brincadeira deles vendo que pessoas são essas, estranhas na nossa cidade. e essa interação entre eles e representando também aqui a música através da homenagem também do Luiz Gonzaga, que vai também estar sendo representado”, completou Sérgio.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
A apresentação se passou em um coreto, local que teve um papel importante em Pernambuco no século XIX, justamente por movimentar a cultura e sociabilidade do povo, sendo um local de encontro, festividade e dança. Na coreografia, é nele onde ocorre essa conexão cultural.
“Nós utilizamos bastante o espaço, tanto de baixo quanto de cima, que a gente vai ter uma divisão mesmo desses personagens. Os russos, num certo ponto, eles vão estar lá em cima e eles vão assistir, dançam em cima do carro e eles assistem embaixo o movimento do frevo”, explica a coreógrafa.
“É o tempo todo essa troca de dança de informações e o coreto que é essa referência do passado, tanto musical, política, festa, festiva, então a gente traz essa representação e é um trabalho todo ele muito artesanal, essa é a proposta”, comenta Lobato.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Os coreógrafos contaram como foi o trabalho de construir a diferença corporal entre os russos e os pernambucanos, tendo em vista que são culturas distintas, mas que precisa ser claro para os jurados e o público.
“Nós somos da dança clássica, não é tão difícil sobre os russos. Além das pesquisas sobre Pernambuco, as danças referências, a dança do coco. No início do jurado, é como se tivesse uma rivalidade, uma disputa de dança entre eles, até que surge esse mix, que surge o frevo”, detalha o coreógrafo.
“Eu acho que foi um trabalho de pesquisa. A gente estudou a dança russa, claro, carnavalizando, porque a dança russa é muito específica, né? E não podemos esquecer que nós estamos no carnaval. Foi um trabalho de pesquisa mesmo, sempre adaptando para o projeto do carnaval. E eu acho que ficou muito de fácil leitura. As pessoas, quando verem a coreografia, vão entender bem os movimentos e vão perceber quem é quem”, completa Patrícia.
O momento em que a estranheza entre os dois povos acaba no momento em que eles criam o frevo, que é quando eles se conectam e tem o momento de festa. Os coreógrafos comentaram sobre esse momento e a percepção do público.
“Durante a avenida vai ter muita também vai ter festa, durante a avenida vai ter essa disputa também, mas ainda um pouco distantes um personagem do outro né, os russos bem garbosos, meio além de serem tipo militares da sua forma, também eles dançam, as danças e cossacas, esse final é só o jurado mesmo que tem essa junção”, conta Sérgio.
“Eu acho que é mais para o final, quando vai acontecer uma coisa que eles vão ver que ali é o momento da festa, é o acontecimento”, afirma Patrícia.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
André Valim, de 44 anos, ator e professor, desfila na Sapucaí há 33 anos, mas está em seu primeiro ano na Inocentes. Ele interpretou um grande papel na comissão: Luiz Gonzaga.
“Foi um presente poder representar quem eu venho representando, o Luiz Gonzaga. Eu considero o Luiz Gonzaga muito mais do que um compositor, ele é uma instituição. O que ele fez com a cultura nordestina é quase um ato político de colocar o nordeste no centro da identidade brasileira. É muito emocionante estar aqui no enredo que é a partir de uma obra dele, conhecida por todo brasileiro”, pontua André.
O ator também falou sobre o momento em que começa o frevo na coreografia: “Nesse momento, eu, especificamente, estou tocando. É como se eu estivesse tocando pra todo mundo dançar. É um prazer estar vivendo esse momento, mesmo não sendo músico”.
“Eu quero muito que eles sintam a mesma alegria, a mesma vibração e a mesma energia que a gente sente fazendo esse desfile, essa coreografia. Que, desde o início, foi um trabalho de muita alegria, de muita leveza e de muita empolgação. Eu acho que é isso que eu quero que eles sintam um pouco do que a gente viveu”, diz André sobre o que espera da reação do público.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
A bailarina e integrante da comissão de frente, Maria Clara Barrie, de 20 anos, também está estreando na agremiação. A dançarina representou os pernambucanos.
“É muito impressionante e muito importante, porque o Carnaval traz pautas muito importantes e que, às vezes, a gente não pensa. E ver essa beleza traz a gente para pensar a beleza real daquilo que a gente, às vezes, tem preconceito, não entende, não conhece. É muita pressão. Vamos dizer assim, porque é um personagem muito importante, muito característico, mas é muito legal”, revela.
Maria Clara também falou sobre seu sentimento no momento em que o frevo surge na coreografia.
“Quando a gente tira a roupa assim, quando a gente muda de posição, não tem como tirar o sorriso do rosto, é a felicidade da dança, da coreografia, da cultura, da beleza”.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
O dançarino Davi, de 29 anos, apesar de já ter trabalhado com Sérgio Lobato em outras escolas do Grupo Especial, está em seu primeiro desfile pela Inocentes.
“É sempre um grande prazer representar a história do Brasil e principalmente essa miscelânea, essa mistura que foi da dança russa, da cultura russa, trazida para o Nordeste, para o Recife, e se misturando e virando o nosso frevo”, conta Davi.
O dançarino também contou a expectativa quanto a reação do público: “A gente espera sempre levar alegria para o público que está esperando isso, e principalmente para a comunidade de Belford Roxo, que a nossa missão como comissão de frente é resumir e ao mesmo tempo contar a história que está vindo atrás da gente com o resto da escola”.









