Por Naomi Prado, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira
A Independente Tricolor realizou seu último ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, concluindo a preparação para o desfile de 2026. A escola encerrou sua apresentação em 55 minutos. Quesitos como harmonia e evolução foram ajustados neste último treino, superando o desempenho apresentado no primeiro ensaio técnico.
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A agremiação manteve como destaques a comissão de frente, que apresentou uma coreografia complexa e sincronizada, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jeff e Thaís, que apostaram em uma apresentação coerente, objetiva e criativa em relação a ciclos anteriores. O conjunto demonstrou que a escola entra na avenida para lutar pela permanência no Grupo de Acesso 1.
A Independente Tricolor será a oitava escola a desfilar no domingo de Carnaval pelo Grupo de Acesso 1 e levará para a avenida o enredo “N’Goma, a primeira festa na manhã do mundo”, assinado pelos carnavalescos Léo Cabral e Yuri Aguiar.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, coreografada por Edgar Júnior, desfilou com um tripé, no qual, durante a maior parte da apresentação, os bailarinos executaram a coreografia. Os movimentos foram marcados por forte expressão corporal e interpretação do enredo.

Os componentes também realizaram encenações no chão e contaram com dois personagens centrais. Todo o grupo, assim como o idealizador e coreógrafo Edgar Júnior, merece destaque por apresentar uma encenação fora do convencional, instigando o público a querer conferir o desfile oficial.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Jeff Anthony e Thaís Paraguassu inovaram na performance do casal, trazendo coreografias mais marcadas e diretamente ligadas ao samba e ao enredo da escola. Com passos objetivos e de fácil leitura, a dupla executou corretamente todos os movimentos obrigatórios previstos no manual de julgamento.
Demonstrando segurança e convicção, o casal realizou uma de suas melhores apresentações dos últimos anos, elevando o nível técnico do Grupo de Acesso 1.

“No primeiro ensaio, sentimos bastante a falta da marcação das cabines de jurados. Entramos com uma tensão maior, tentando acertar uma posição que ainda não conhecíamos. Neste ensaio, a pista já estava exatamente como será no dia do desfile, e acho que isso foi um diferencial. As expectativas são as melhores. A nossa escola sempre vem muito bem, impecável em alegorias e fantasias. Nós, junto com a comissão de frente, estamos trabalhando muito aqui no Anhembi para conquistar a nota e levar a escola para o Grupo Especial”, afirmou Thaís.

“O andamento hoje foi o correto. A gente soube o tempo de todas as cabines, inclusive o recuo da bateria, que era algo que nos deixava um pouco apreensivos, porque não sabíamos o quanto ficaríamos expostos ali, próximos ao módulo. Mas deu tudo certo. Foi um ensaio que fecha esse ciclo de ensaios técnicos com chave de ouro. É uma escola que vibra muito, é uma energia muito forte. Hoje já deixou aquele gostinho; vocês podem esperar da gente essa vibração, que começou a ecoar hoje e vai estar ainda mais forte no dia do desfile. Vamos desfilar entre o amanhecer e o fim da madrugada, e tenho certeza de que vai ser um desfile lindo. Já estou ansioso para viver tudo isso. Não é o meu horário preferido, prefiro ali no meio termo, mas acho que o desfile da escola saindo no amanhecer traz um encerramento especial para o enredo”, garantiu Jeff.
HARMONIA
Diferentemente do ensaio técnico anterior, a Independente Tricolor mostrou evolução significativa no quesito harmonia. Os componentes cantaram com bom volume e regularidade, mantendo o mesmo tom do primeiro ao último setor, evidenciando maior assimilação do samba-enredo.
Nos momentos de apagão promovidos pela bateria e pelo carro de som nos refrões, o canto da comunidade se destacou ainda mais.

“O clima é o melhor possível. Estamos focados em fazer um bom desfile e em buscar o nosso objetivo, que é voltar para o Especial. Mas o clima é de alegria, pelo menos na nossa parte musical. Acho que é um quesito que precisa transmitir alegria, não só para nós, mas para o povo, para a bancada, para todo mundo, com muita responsabilidade. Estamos em um clima leve, feliz, sabendo que precisamos fazer um bom trabalho na pista. Este ano, o acesso está muito difícil; há muitas escolas que já passaram pelo Grupo Especial, então sabemos da dificuldade, mas estamos ali também para brigar. A parte do entrosamento com a bateria a gente deu uma ajustada bem legal, ficou muito bom hoje. Vi a escola cantando bastante e se divertindo muito, e acho isso importante. A parte do chão conta muito, principalmente em alguns quesitos, e faz total diferença lá no final. A escola está bem leve, alegre e cantando; acho que isso é o que importa. O resto é alegoria, fantasia; o barracão também está repleto e muito bonito”, comentou o intérprete Chitão Martins.
EVOLUÇÃO
Neste último ensaio, a escola fez jus ao forte samba-enredo que possui. Os componentes desfilaram de forma mais solta, dançante e com maior entusiasmo. O primeiro setor apresentou evolução superior em comparação ao último.

A Independente desfilou de forma compacta, com andamento adequado, encerrando o ensaio dentro do tempo, em 55 minutos.
SAMBA-ENREDO
O samba-enredo, composto por Cláudio Russo, Silas Augusto, Turko, Dário Silva, Zé Paulo Sierra, André Malheiros e Fábio Souza, é apontado como um dos melhores sambas do Carnaval paulistano de 2026. Com uma letra imponente, a obra ganhou ainda mais força na interpretação de Chitão, que contribuiu para a empolgação e o crescimento da melodia.

A expectativa é de que, no dia do desfile, a escola abrace ainda mais o samba e compreenda plenamente a proposta do time de canto, que, neste ensaio, cumpriu seu papel com excelência, incentivando tanto o público quanto os componentes a cantar e dançar a obra.
OUTROS DESTAQUES
A bateria, comandada pelo mestre Higor, corrigiu os problemas apresentados no ensaio anterior. Nesta apresentação, optou por realizar menos bossas, priorizando os apagões para evidenciar a harmonia da agremiação.

“O ensaio foi muito bom; ele veio em uma crescente do ensaio passado para este, fizemos algumas correções que precisávamos fazer, e tudo aconteceu como esperado. O que a gente fez hoje na avenida é o que vai vir no dia; essa é a certeza. Corrigimos o que tinha que ser corrigido, e é isso que vai acontecer. E o samba faz total diferença para a bateria”, disse Higor.
A rainha de bateria, Acássia Amorim, surgiu com tranças vermelhas e detalhes em dourado, demonstrando brilho e talento à frente dos ritmistas.

A ala das baianas reafirmou que não há idade para dançar. Do início ao fim do ensaio, especialmente nos refrões, as matriarcas giraram e bailaram com leveza e beleza, encerrando a apresentação com grande destaque.










