Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira
O Império de Casa Verde fechou a temporada de ensaios técnicos do Carnaval 2026 em clima de festa. Última escola a se apresentar no último domingo de ensaios no Sambódromo do Anhembi, o “Tigre” encerrou a noite com uma avenida vibrante. Após o ensaio, a comunidade seguiu em cortejo tradicional para a Barcelona do Samba, bar da bateria localizado do outro lado da rua, e estendeu a celebração.
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Em comparação com o primeiro ensaio, a escola mostrou crescimento evidente, especialmente na entrega da comunidade e na fluidez do desfile. O Império será a primeira escola a desfilar no sábado, pelo Grupo Especial, com o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, que celebra a força ancestral feminina e o empoderamento das mulheres negras da Bahia.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Sérgio Cardoso, a comissão de frente narra a história de Dona Fulô, mulher negra que utilizava as joias como símbolo de resistência e liberdade. A encenação aposta em uma leitura teatral clara, com forte carga simbólica.
No tripé, componentes executam coreografias tanto em cima quanto nas laterais. Por vezes, descem para executar movimentos à frente do carro e depois retornam. A dinâmica cria movimento constante e mantém a atenção do público.

Um dos momentos mais marcantes acontece quando duas mulheres se encontram no alto do tripé e se abraçam em cena. Ambas representam Dona Fulô: uma ligada ao passado, outra ao futuro. Em determinado ponto, a figura do passado se liberta e oferece flores coloridas à Dona Fulô do futuro, em uma transição carregada de ancestralidade.
Durante toda a apresentação, os demais componentes saúdam essas duas figuras, reforçando a ideia de continuidade e resistência. A coreografia mescla teatro e danças afro, com gestos amplos direcionados ao público.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Estreantes como primeiro casal, Patrick Vicente e Sofia Nascimento apresentaram uma dança que dialoga diretamente com o samba e o enredo. Além dos giros rápidos e bem executados, o casal incorpora passos afro e batidas de palma, reforçando o “gingado carregado de axé” pedido pelo samba-enredo.
A leitura do casal é coerente com a proposta da escola, com identidade bem definida, o que contribui para a construção narrativa do desfile.
“Hoje foi um dia muito emotivo para todos nós, porque, no primeiro ensaio técnico, a gente veio focado, já que houve essa mudança das cabines. Então, a gente ainda estava estudando. Hoje, voltamos mais preparados, não que não estivéssemos no último ensaio, mas viemos com mais razão. Hoje a gente veio com mais emoção, então nos permitimos chorar e sentir todas as vibrações do universo possíveis. O Império merece esse momento e merece muito amor, muita emoção. A gente comentou no outro ensaio que o tigre pode estar ferido, mas não está morto: ele está vivo. E hoje a gente provou mais uma vez isso, que ele está aqui, vivíssimo, em pé. É com essa garra que a gente vai levar para o dia 14. Vamos tirar onda da mesma forma”, disse Sofia.

Seu parceiro, Patrick, também comemorou o desempenho e completou: “A alegria e a emoção já nos contagiam só pelo fato de ser carnaval. Pode até existir uma responsabilidade, mas a gente acaba se divertindo, porque ama o que faz. Estamos nisso desde pequenos, sempre se divertindo e batalhando. Ter essa felicidade é algo de muita honra mesmo, estar fazendo parte da nossa Imperiana. Uma comunidade que nos abraçou de uma forma inexplicável. Acho que é isso: essa sensação dá para perceber, vendo esse calorzinho de felicidade”.
SAMBA-ENREDO

O samba foi completamente abraçado pela comunidade e manteve rendimento alto do início ao fim. O canto coletivo se sustenta com facilidade, e a obra funciona tanto musicalmente quanto como fio condutor da narrativa.
Os intérpretes Tinga e Tiago Nascimento formam uma dupla muito bem ajustada, que se completa na condução do samba e dispensa maiores comentários pelo entrosamento apresentado.
HARMONIA
A harmonia foi um dos pontos altos do ensaio. A comunidade mostrou envolvimento real com o samba, pulando, dançando e cantando todos os trechos.
Um dos momentos de maior impacto acontece quando o samba pede palmas. A escola inteira responde de forma imediata, criando um efeito sonoro e visual na avenida e nas arquibancadas. O mesmo foi notado pelo Mestre Zoinho, que comanda a Barcelona do Samba.

“A comunidade cantou bastante. Tivemos até uma paradinha que não estava programada. Foi feita na hora, por orientação do presidente, para testar o canto da escola, e a resposta da escola, do público e de todo mundo foi muito boa.”
Um destaque em ambos os ensaios foi a ala casaverdense, que cantou forte do início ao fim, com empolgação visível e resposta coletiva consistente.
EVOLUÇÃO
A evolução aconteceu de forma fluida e organizada. A escola desfilou com andamento regular, sem registros de buracos ou embolações que comprometessem o quesito. Os componentes ocuparam bem o espaço da pista.
A leitura geral é de uma escola leve, feliz e consciente do percurso que constrói na avenida. A sensação é de uma comunidade que gosta de estar ali e entende o desfile como celebração.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada por Mestre Zoinho, confirmou mais uma vez sua marca registrada: limpeza e clareza. Todos os naipes são ouvidos com nitidez, sem sobreposição excessiva, o que valoriza o samba e potencializa o canto da comunidade.
“Tivemos uma evolução do primeiro para o segundo. Nesse intervalo, fizemos ensaio de bateria e conseguimos acertar algumas coisas que precisavam de ajuste. Acho que estamos chegando em um nível alto para o desfile. A preparação foi muito boa. Estamos nos preparando desde maio e hoje conseguimos um desempenho dentro do que imaginávamos”, comemorou o mestre.










