Por Gustavo Lima, Eduardo Frois e Will Ferreira

A Mocidade Alegre realizou seu primeiro ensaio técnico, no último sábado, visando à preparação para o desfile oficial de 2026. O treino foi marcado pelo alto nível em todos os quesitos, sobretudo, o conjunto musical, com destaque para a harmonia da escola. A comunidade da Morada do Samba sempre abraçou seus sambas-enredo, mas, desta vez, viu-se algo que não se notava desde o ciclo do Carnaval 2023: uma mistura de garra com leveza. Os apagões no refrão de cabeça foram respondidos de forma lúcida e influenciaram diretamente na arquibancada. A volta de uma evolução mais sólida e a criatividade misturada com uma fácil leitura da comissão de frente também se destacam. A Mocidade Alegre será a terceira a desfilar no sábado de carnaval, com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Caio Araújo.

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COMISSÃO DE FRENTE

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Coreografados por Jhean Allex, profissional longevo na agremiação, os integrantes da comissão de frente da Mocidade Alegre se dividiram em dois atos. O primeiro foi realizado no chão, onde eles se alinhavam, dançavam e evoluíam de um lado para o outro no ritmo do samba, cumprindo requisitos como saudar o público, além de ocupar a pista com um belo visual, visto que parte dos integrantes estava vestida com a fantasia da comissão de frente do desfile oficial de 2025.

O outro ato acontecia sobre o elemento alegórico, no qual os dançarinos representavam alguns papéis que a homenageada Léa Garcia executou ao longo de sua carreira de atriz. Ao todo, foi uma demonstração padrão de Jhean Allex: uma encenação de fácil entendimento para o público. Porém, vale destacar que o coreógrafo sempre apronta novidades nos dias de desfile oficial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Como é costumeiro na Mocidade Alegre, o casal de mestre-sala e porta-bandeira sempre desfila com a fantasia do carnaval anterior. Isso é importante, pois ambos podem passar pelo Anhembi sentindo o peso da indumentária, somado à evolução da escola. O casal Diego Motta e Natália Lago realizou os movimentos padrões do quesito, junto com a coreografia dentro do samba. Vale ressaltar que as cabines do Anhembi estão espalhadas por diversas áreas. É uma nova forma de julgamento, e todos os casais estão se adaptando ao novo formato.

“A gente teve muita sorte mesmo desde o primeiro momento que a Mocidade juntou a dupla. Eu acho que a nossa sinergia aconteceu antes da pista, antes da parte de ensaio, dança, a gente conseguiu se entender e equalizar os pensamentos. O primeiro ano meio no susto, porque até a gente se adaptar na dança… Mas o ano passado já foi um ano extremamente tranquilo, parece que a gente dança muitos anos mesmo. A expectativa entregar mais ainda do que no ano passado, bem mais”, disse o mestre-sala.

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“A gente se conhecia antes, mas não tinha essa relação, essa conexão e o primeiro momento que a gente sentou para conversar foi o ponto principal. Além da parceria na dança, a gente é amigo, companheiro, se ajuda, passa por tudo junto e isso é muito importante, é muito especial. A preparação exige e é fundamental que a gente esteja de fantasia. A gente tem que aproveitar todas as oportunidades para ser mais próximo da realidade”, completou a porta-bandeira.

EVOLUÇÃO

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Enfim, foi vista uma evolução padrão Mocidade Alegre. Voltou aquela sina de colocar a escola compacta para evitar espaçamentos e buracos, que foram problemas durante todo o ciclo de 2025 (ensaios técnicos e desfile oficial). Como em todo ano, a escola apostou bastante em alas coreografadas, algumas com coreografias mais detalhadas e outras apenas no ritmo do samba. Outro ponto que proporcionou um belo contraste foram os adereços de mão. Quase todas as alas estavam segurando algum objeto (pompom, lenço ou item ligado ao enredo), com cores que deram um visual satisfatório à pista.

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HARMONIA

Foi o quesito de destaque do ensaio da Mocidade Alegre. Aparentemente, aquele “rolo compressor” de canto, somado a um grande samba, voltou com tudo para o Limão em 2026. Ainda não há caixas de som no Anhembi, e todos os presentes se baseiam apenas no carro de som e na bateria. Devido a isso, nos apagões realizados pelo mestre Sombra, dava para ouvir de longe a potência das alas, o que influenciou nas arquibancadas.

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O refrão de cabeça tem ótima qualidade, o que culmina muito bem para o sucesso da harmonia: curto, mas explosivo, principalmente na frase “Ô Malunga ê…”. Por fim, destaca-se também o entrosamento da comunidade com o carro de som e as bossas. Logo na primeira parte do samba havia algo interessante: “Laroyê, bate três vezes”. Os componentes batiam três palmas. São detalhes que podem parecer pequenos, mas dialogam diretamente com o público e não podem passar despercebidos.

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SAMBA-ENREDO

Na voz de Igor Sorriso, a obra foi muito bem sustentada, além do renomado carro de som. Como dito acima, o refrão de cabeça provocava uma “explosão” na comunidade, o que passava a sensação de entrosamento entre os três quesitos musicais: samba-enredo, harmonia e bateria. Como citado anteriormente, ainda não há caixas de som no Anhembi e, mesmo assim, as alas não embolavam o canto. Ele foi sustentado com êxito durante todo o ensaio.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Ritmo Puro”, comandada pelo mestre Sombra, mais uma vez, provou porque é uma das melhores há vários anos. Andamento e bossas funcionaram perfeitamente, dialogando diretamente com o carro de som e a comunidade. Simpática, a rainha Aline Oliveira interagiu bastante com o público, além de mostrar todo o seu samba no Anhembi.

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A ala de passistas, liderada pelo coreógrafo Gustavo Siqueira, sambou bastante no pé. Em todos os setores, arrancou aplausos e gritos do público presente.

Se teve canto forte, pode colocar a ala das baianas nesse meio. As mães do samba, vestidas todas de branco, cantaram com vigor na avenida.

Mais fotos do ensaio

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