Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira
Águia de Ouro realizou seu segundo e último ensaio técnico visando ao Carnaval 2026. O treino da Pompeia teve como principais destaques o casal de mestre-sala e porta-bandeira e, como de costume, a forte harmonia apresentada pela escola na pista.
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A atuação de Alex Malbec e Monalisa Bueno foi mais do que satisfatória, demonstrando alta sincronia. Chamou atenção, sobretudo, a elegância da porta-bandeira, que parecia flutuar de tanta leveza em seu bailado, sem deixar o ritmo cair em nenhum dos módulos. O canto da comunidade voltou a se mostrar potente, como acontece tradicionalmente na agremiação. Por isso, é difícil imaginar um ensaio ou desfile em que o quesito Harmonia não figure entre os pontos altos da escola.
Outro aspecto que mereceu destaque foi a evolução dos componentes, apresentada de forma diferente em relação aos últimos anos: mais solta, leve e alegre. Foi, de fato, um ensaio bastante proveitoso, do qual o Águia de Ouro poderá extrair bons frutos para o desfile que acontece daqui a duas semanas.
O Águia de Ouro será a segunda escola a desfilar no sábado de Carnaval, com o enredo “Mokum Amsterdã, o Voo da Águia na Cidade Libertária”, desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada.
COMISSÃO DE FRENTE
Comandada por Robson Bernardino, a comissão de frente apresentou o mesmo jogo visto no ensaio anterior.
Os integrantes, aparentemente simbolizando personagens dos Países Baixos e do Brasil, dançavam sobre o elemento alegórico no ritmo do samba, saudando o público. A coreografia é inteiramente executada sobre esse elemento, que possui altura considerável. Vale ressaltar que pode haver dificuldade de visualização para o terceiro jurado, localizado no Setor H, embora isso só possa ser confirmado no dia do desfile.
Em 2025, ficou evidente que a escola “escondeu o jogo” nos ensaios técnicos, revelando todo o potencial apenas no desfile oficial. É verdade que o coreógrafo à época era outro, mas não se pode descartar que se trate de uma estratégia interna adotada pela escola.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi um dos grandes destaques do ensaio. Os giros horários e anti-horários foram executados com perfeição, chamando atenção a elegância no toque das mãos e a sintonia entre ambos.
Em qualquer escola por onde passa, Monalisa Bueno é uma atração à parte. Não à toa, está em seu terceiro ano na Pompeia, contribuindo com notas importantes para a agremiação. O mestre-sala, novo parceiro de Monalisa após a saída de João Camargo, demonstrou segurança e boa condução, acompanhando com precisão os movimentos da dançarina.
Era esperado observar a evolução da dupla nesses dois ensaios, especialmente pelo fato de o mestre-sala ter ficado fora do carnaval em 2025, após deixar o Camisa Verde e Branco no ano anterior. O resultado foi um ensaio seguro e satisfatório. Vale destacar, ainda, que o casal enfrentou a presença de muitos papéis picados no chão, resíduos deixados pela bateria da Mancha Verde, o que poderia gerar dificuldades na evolução, mas o obstáculo foi contornado com eficiência.

“O nosso ensaio de hoje foi incrível. Mesmo no ensaio com chuva, a gente conseguiu colocar em prática tudo o que vinha treinando ao longo desses 12 meses. Hoje saiu tudo perfeito. Sem chuva, sem vento, a gente conseguiu cravar os jurados. Eu estou muito feliz com o que a gente apresentou aqui hoje. Acredito que o Alex também”, disse a porta-bandeira.
“De certa forma, a gente agradece à chuva. Primeiro porque é algo que a gente não controla. Se no dia do desfile cair uma chuva dessas, a gente precisa evoluir, não pode parar. No primeiro ensaio, diferente deste, conseguimos explorar um pouco mais da garra. Hoje conseguimos colocar mais em prática as questões técnicas de finalização. De qualquer forma, foi importante passar por isso para entender que estamos preparados para qualquer situação”, completou o mestre-sala.
HARMONIA
O forte canto da comunidade do Águia de Ouro é sempre digno de destaque. Se no ensaio anterior os componentes cantaram com intensidade mesmo sob forte chuva, neste treino o canto da Pompeia se mostrou ainda mais presente.
Os desfilantes aparentavam estar felizes, brincando carnaval e demonstrando satisfação com o samba-enredo para 2026, apesar das críticas que a obra recebe. Os sorrisos eram visíveis a cada verso, reforçando a sensação de que a comunidade abraçou o samba. O refrão de cabeça, que remete a uma marchinha dos anos 1960 em diante, foi o ponto alto do canto da escola.
O ritmo não caiu em nenhum momento desde a entrada pelo portão. Pelo contrário, parecia ganhar ainda mais força ao longo do percurso. Fica claro que se trata de uma comunidade consciente do que é necessário para alcançar um bom resultado no desfile que ocorre em duas semanas.
EVOLUÇÃO
A evolução foi um dos quesitos que mais apresentou mudanças neste ensaio. Se antes o Águia de Ouro era conhecido por um desfile mais “militarizado”, desta vez o cenário foi oposto. Entre as alas, foi possível observar componentes soltos, evoluindo de um lado para o outro no ritmo do samba.
Coletivamente, manteve-se a tradicional compactação para evitar buracos ou divisões entre as alas. Ainda assim, foi possível perceber uma verdadeira renovação no quesito, que tende a ser mantida no desfile oficial. O samba e o ritmo apresentados na pista pedem exatamente essa dinâmica.

Vale ressaltar que não há coreografias definidas, apenas movimentos pontuais, como nos versos finais — “nos festivais pra celebrar, com o rei daqui e o rei de lá” —, quando os componentes movimentam os braços para a esquerda e para a direita.
SAMBA-ENREDO
A dupla Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto comandou o carro de som em mais um ensaio satisfatório. O entrosamento entre os intérpretes é evidente: as vozes se equilibram perfeitamente, sem que uma se sobreponha à outra, e ambos tiveram seus momentos de interação com o público e execução de cacos.
Cantando juntos há muitos anos, a sintonia é um dos pontos fortes da dupla. Embora o samba-enredo seja alvo de críticas, é inegável sua funcionalidade. Trata-se de uma melodia animada, com letra de fácil assimilação e bom casamento entre a ala musical e a bateria Batucada da Pompeia.
Destaque especial para o time de cordas na bossa em ritmo de reggae, que acompanha com precisão e confere um belo tom ao carro de som, evocando o clima característico da cidade libertária retratada no enredo.

“O canto forte é a marca da Águia de Ouro. É uma escola que gosta de cantar, canta muito, não por obrigação, mas por gostar mesmo. Acho que o samba se comportou muito bem na avenida, que é o resultado que a gente esperava: um samba alegre, um samba solto, que fala de Amsterdã, a cidade libertária, e sobre o respeito. Acho que funcionou bem. Vamos ajustar algumas coisas, o que é normal, mas acredito que 98% já deu certo”, comentou Douglinhas.
“Ensaio é ensaio, assim como treino é treino e jogo é jogo. Mas a gente treinou muito bem, precisava disso. No nosso primeiro ensaio, pegamos muita chuva e o som da avenida ainda não estava ligado. Hoje viemos para fazer os ajustes e, graças a Deus, correu do jeito que a gente queria. Vamos embora, porque dia 14, se Deus quiser, estaremos aqui firmes e fortes”, declarou Serginho do Porto.
OUTROS DESTAQUES
A Batucada da Pompeia apresentou ritmo consistente, garantindo bom andamento ao samba e executando bossas com eficiência. O maior destaque ficou por conta da bossa em reggae, presente nos versos finais do samba, um arranjo repetido diversas vezes ao longo do ensaio e que funcionou muito bem.
“Comentei com a bateria, no final do ensaio, que estamos em uma evolução rápida e constante. Acho que evoluímos dentro dos nove quesitos. Fizemos ensaios de quadra, ensaios específicos, ensaios na avenida e ensaios de rua também. Em cada treino, vemos evolução em todos os aspectos, seja no canto ou em outros quesitos. Hoje ficou provada a evolução da escola no andamento contínuo, sem oscilações. A bateria executou tudo o que se propôs a fazer com a sonorização oficial. Claro que ainda vamos analisar áudios e vídeos, porque sempre dá tempo de ajustar algumas coisas, mas estamos felizes e satisfeitos. Foi o melhor dos ensaios que fizemos aqui. É um trabalho de sete meses, e estamos felizes com o que conseguimos construir até o momento”, explicou o mestre Moleza.
“Como sempre digo, é oração. A gente tem muita fé em Deus, mas também precisa de ação. É trabalhar, ter humildade e um bom coração. A expectativa é a mais alta possível. Estou feliz, acompanhado da minha filha, que está fazendo dez anos, do meu filho Luca, que tem quatro, e do caçula que está para nascer. É um carnaval diferente, especial, junto da minha família. E voltando para casa depois de 25 anos, onde tudo começou. Quando era pequeno, nem imaginava que um dia estaria aqui falando com vocês, comandando uma bateria com mais de 250 pessoas. É só agradecer e continuar trabalhando e honrando as oportunidades que Deus nos dá”, finalizou Moleza.










