Diretor artístico da Mocidade Independente, George Louzada conversou com o CARNAVALESCO sobre as apresentações realizadas na final de samba-enredo da escola e na “Noite dos Enredos”, destacando como foi a inspiração para a montagem dos shows e o trabalho em equipe da escola para a realização dos mesmos.

geroge louzada mocidade
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

George Louzada começou falando sobre o show da escola na final de samba-enredo, pontuando que as inspirações vieram durante sua última turnê pela Europa e destacando o trabalho que é conduzido por ele, mas em conjunto com diversos segmentos e departamentos da Mocidade, como as direções de carnaval e harmonia, passistas, comissão de frente e os casais, com o diretor reforçando que é o trabalho coletivo que dá o bom resultado apresentado.

“Eu recebo muitas inspirações e muito desse show foram inspirações que eu tive na minha última turnê, onde fiquei três meses fora e respirei outras culturas, outras danças, e voltei com esse show praticamente pronto. Rolou muita pesquisa, muitos vídeos, e estamos trabalhando nessa final há quase um mês, ou um pouco mais. As ideias vão surgindo, acontecendo, a escola me dá total liberdade, o que deixa tudo muito mais leve, e agradecemos por toda essa repercussão”.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

George destacou que o processo criativo para montar a apresentação da “Noite dos Enredos” seguiu por um caminho muito único. Enquanto montava um show em Paris, assistiu a um espetáculo que o inspirou e o fez pensar em como abordar Rita na apresentação da Cidade do Samba, ressaltando que foi um processo criativo diferente para ele e que ajudou um pouco na preparação do show da final de samba da Mocidade.

“A Noite dos Enredos foi um processo criativo até bem diferente. Eu já vinha me perguntando como eu ia falar de Rita, e eu estava em Paris e assisti a um espetáculo lá em que o centro tinha várias versões dela. Achei legal e pensei: acho que vou puxar isso da Rita — a Rita pop, a Rita rock, a Rita da vanguarda. A linha de criação partiu dali e as coisas depois foram acontecendo, e eu tinha que dar uma tradução nisso para linkar com o carnaval. E aí eu inseri a minha ala de passistas, o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Foi um processo criativo em que eu estava longe, mas, ao mesmo tempo, com esse contato direto com a minha equipe e com a direção da escola, eu consegui montar isso à distância”, afirmou.

Louzada também comentou sobre o trabalho em torno da final, pontuando que foi um esforço conjunto, no qual precisou de diversos segmentos para realizar o pensamento artístico em torno do enredo sobre Rita Lee, integrando diferentes pontos da escola para fazer a engrenagem do show girar com perfeição.

“No show da final não teve muito do Renato, mas a gente pede opinião para ele sobre o que ele acha, porque ele desenvolveu o enredo. Mas é um trabalho conjunto, em que eu tenho a linha do pensamento artístico, mas preciso de outros braços para fazer o trabalho funcionar. Precisei do instalador de fogos para que o show acontecesse, do Alex de Oliveira, Rei Momo, para fazer o Oxóssi, da Laíza Bastos, que foi da comissão na época da Elza e veio representá-la. Precisei da minha ala coreografada para fazer aquelas cenas apresentadas e precisei da bateria com o esquenta. Então, é um trabalho conjunto, porque são literalmente braços realizando tudo”.

George citou o trabalho com ala coreografada e os passistas que estão sob sua responsabilidade para o desfile de 2026.

“Sempre pego a letra do samba e vou destrinchando, sento com o carnavalesco e entendo a proposta da fantasia, da ala coreografada e da ala de passistas para que a gente possa pensar juntos, integrando esse caminho para o carnaval. Ganhou o samba que a maioria queria, o que facilita muito o processo criativo também”, declarou.

Por fim, o diretor artístico da Mocidade aborda a questão de as escolas estarem cada vez mais preocupadas em produzir de forma especial o show das finais de samba, com a valorização dos segmentos, e como esse trabalho vem crescendo a cada ano, tanto na Estrela Guia quanto nas coirmãs. Ele destaca como considera uma grande evolução para o mundo do carnaval essa preocupação em demonstrar, de forma cada vez mais compenetrada, os segmentos em uma grande apresentação especial em um dia tão importante, jogando luz, em especial, sobre os passistas, que conseguem ali passear por outros ritmos, o que acaba engrandecendo o samba em si e a cultura do carnaval na visão de George.

“Conversei sobre isso com a minha ala de passistas há algumas semanas, porque eu acho que é uma evolução, e isso faz com que as alas de passistas possam mostrar mais do seu trabalho, porque, de fato, o passista é um dos artistas da casa. Assim, se abre espaço para que a gente explore esses corpos, que são de passistas, que sambam, e assim você consegue inserir um jazz, uma dança afro, explorar outros ritmos através de um corpo que inicialmente era visto como limitado, quando na verdade ele não é. Isso engrandece o carnaval. Assim como, há vinte ou trinta anos, as baterias aumentaram seus ritmos de BPM e os carros alegóricos cresceram em proporção, as alas de passistas vêm nessa constante evolução, em que o samba continua sendo e sempre será o nosso pilar, mas recebendo influências de outros ritmos e danças, porque o samba está sempre de braços abertos para todo mundo”.