A Unidos de Vila Isabel levará para a Marquês de Sapucaí, na terça-feira de Carnaval, três instrumentos que remetem diretamente à época de Heitor dos Prazeres: o ganzá, o agogô e o tamborim quadrado. Os instrumentos integrarão oficialmente a bateria da escola e serão inseridos em momentos específicos do samba, reforçando a proposta estética e histórica do desfile de 2026.

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VILA ISABEL 2026
Foto: Divulgação/Vila Isabel

A iniciativa nasceu a partir das pesquisas realizadas pelo mestre de bateria Macaco Branco e sua assistente, Thalita Santos, durante o processo de imersão no universo do multiartista. A proposta não será apresentada como número especial, mas incorporada à formação tradicional da bateria, dialogando organicamente com a sonoridade da escola.

Segundo Thalita, a ideia surgiu após visitar uma exposição dedicada à trajetória de Heitor dos Prazeres.

“Quando o enredo foi lançado, veio imediatamente à minha cabeça a imagem daquela exposição, especialmente o tamborim quadrado. Em vários quadros do Heitor aparecem sambistas com ele nas mãos. Aquilo ficou muito forte para mim”, relembra.
BATERIA VILA ISABEL 26
Foto: Divulgação/Vila Isabel

A partir daí, a dupla iniciou a busca por quem pudesse produzir os instrumentos com fidelidade histórica. O responsável foi o luthier Samuel, de Minas Gerais, especializado na confecção artesanal de instrumentos tradicionais.

“Encontramos um luthier Samuel, de Minas Gerais. Ele já produz pandeiros sem tirante, aquela peça de metal que prende e afina a pele. Antigamente não existia isso. A afinação era feita no fogo, porque a pele era de couro. Os ritmistas, inclusive, levavam papel de jornal no bolso para aquecer o couro e evitar que o instrumento desafinasse durante o desfile. Era algo muito raiz”, explica a assistente de bateria.

Com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, a Unidos de Vila Isabel propõe uma celebração da ancestralidade africana, dos fundamentos do samba e da trajetória de Heitor dos Prazeres, ícone da cultura popular brasileira e personagem central na consolidação da identidade do samba carioca.