Crianças de comunidades do Rio de Janeiro viveram o sonho de desfilar na Sapucaí e serem aplaudidas pelo público este ano. Vinte escolas de samba mirins passaram pela Avenida em dois fins de semana de ensaios técnicos e em um dia dedicado exclusivamente a elas, sob o novo formato determinado pela Liesa. Agora, a maioria dos desfiles ocorre antes dos ensaios técnicos, garantindo a segurança dos pequenos e a oportunidade de vê-los prestigiados pelas arquibancadas cheias.

O presidente da Liesa, Gabriel David, destacou o sucesso do formato e garantiu avanços na estrutura e no planejamento dos desfiles das escolas para os próximos anos.
“Acho o formato interessante, porque as crianças que desfilaram nos outros dias viram a Sapucaí ainda mais cheia do que ela está hoje, então também há um prestígio para a criançada. Mas queremos potencializar cada vez mais esses dias. Já temos um preparo, uma equipe dentro da Liesa, liderada por Evelyn Bastos, com várias outras pessoas trabalhando em prol dos desfiles mirins, já com planejamento para o ano que vem, para que esse momento seja ainda maior. Acho que no ano passado conseguimos dar apoio, houve um avanço, e este ano temos ainda mais estrutura para as escolas. Podemos seguir evoluindo nos próximos anos”, disse.
Nos anos anteriores, os desfiles ocorreram em dias de semana, mas, por conta de uma decisão da Vara da Infância e Juventude, a Liga Independente das Escolas de Samba modificou o dia de realização.
“A divisão de dias foi uma determinação da juíza da Vara da Infância e Juventude. Desde o ano passado já havia muitos problemas com o horário das crianças: ou elas tinham que se concentrar sob calor intenso, ou ficavam a noite inteira desfilando. A juíza pediu que houvesse uma divisão maior, e nós obviamente acatamos”, explicou.
As escolas mirins são a base do Carnaval. Em sua maioria, são braços das grandes agremiações, embora também existam escolas originadas de projetos sociais. De lá saem ritmistas, passistas e casais de mestre-sala e porta-bandeira que encantam o público. Gabriel David vê o papel da Liesa como propulsora desses celeiros de talentos.
“As escolas mirins talvez sejam as coisas mais fundamentais que temos aqui. Muitos de nós que estamos aqui viemos de escolas mirins. Eu não vim de escola mirim porque a Beija-Flor não tinha na minha época, mas já participava de aulas de bateria e de todos os instrumentos com outras crianças da comunidade. Muitos dos grandes artistas que temos hoje vieram das escolas mirins. Nosso objetivo é potencializar cada vez mais isso, para gerar interesse de mais crianças e oferecer às escolas mirins uma oportunidade de aprendizado, convivência e apreciação das artes carnavalescas, preparando essas crianças para serem seres humanos melhores ao longo da vida. O trabalho da Liesa é potencializar essa história, nada além disso”, afirmou.










