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Freddy Ferreira: ‘A revolução feminina no ritmo das baterias’

Mulheres participam cada vez mais das baterias e ritmos do grupo de Acesso comprovam

A revolução feminina no ritmo das baterias cariocas é um processo que já ocorre e se encontra em franca expansão. Incontornável e de valor imensurável, cada vez mais a mulherada vai chegar junto para fazer seu ritmo dentro das baterias. Esse processo é gradual e ainda tem muito onde melhorar, mas algumas “vitórias” podem ser comemoradas, mesmo sabendo que muitas batalhas ainda serão travadas.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

É nítido, por exemplo, o quanto o grupo de acesso da Série Ouro da Liga RJ já abraça fervorosamente o talento rítmico feminino. Por se tratarem de escolas com problemas envolvendo contingente de ritmistas, as minas têm por lá maior oportunidade para se aventurarem nos mais diversos naipes. Foi realmente um privilégio acompanhar e constatar esse crescimento de participação feminina no ritmo, nos ensaios técnicos do acesso a cada domingo.

No entanto, também é possível notar que a participação de mulheres hoje em dia tem sido praticamente restringida a serem ritmistas mesmo. Pouquíssimas são oportunidades dadas em diretorias, principalmente na parte da cozinha do ritmo. Nas peças leves, a situação de mulheres diretoras é um pouco melhor, principalmente na ala de chocalhos, onde já existe uma cultura rítmica feminina consolidada. Falta e muito oportunidades para mulheres virarem diretoras de bateria, auxiliando na parte de trás do ritmo, onde ainda existe uma incidência maior de posturas enraizadas pelo machismo patriarcal, envolvendo inclusive preconceito.

Cabe ressaltar que a situação no grupo especial deixa ainda mais a desejar, se comparada a do grupo de acesso. Mesmo o processo sendo em tese aberto para a participação das damas no ritmo das baterias, o caminho costuma ser bem mais árduo que numa escola do acesso. Vale mencionar que é mais raro ainda encontrar mulheres diretoras na cozinha do ritmo (parte de trás) no grupo especial, sendo possível contar nos dedos as exceções. É como se cada mina que tocasse por uma agremiação do especial precisasse cotidianamente mostrar estar mais do que preparada para estar ocupando aquele espaço.

O mundo do samba e do ritmo das baterias é o próprio espelho que reflete a sociedade, incluindo suas próprias imperfeições. Sendo assim, todas as questões sociais envolvendo a equidade sexual também se farão presente dentro do carnaval carioca. Oportunidades iguais entre gêneros diferentes se constituem num discurso lindo, cuja prática dentro de uma bateria destoa da beleza contida nesses ideais. É plenamente viável sentir que o quadro está evoluindo, tanto quanto se faz necessário suscitar o debate para que a causa seja amplamente abraçada como ela merece.

Uma escola de grupo especial que tem nitidamente caminhado na contramão dessa falta de oportunidade é a bateria de mestre Dinho, na Unidos de Padre Miguel. Por lá, a participação feminina no ritmo é culturalmente tão presente, que a UPM possui uma bateria feminina para provar seu valor, a “Batuque das Guerreiras”. Talvez o próprio período extenso se consolidando musicalmente dentro do grupo de acesso também tenha influenciado para que as mulheres chegassem junto da bateria da Unidos, buscassem essa oportunidade e se sentissem à vontade para fazer parte do ritmo.

É um fato que a participação feminina no ritmo das baterias ainda precisa melhorar, principalmente com cada vez mais cargos de diretorias concedido à elas e por merecimento. Não basta deixar as mulheres tocarem, só com intuito de fazerem parte. É necessário que seja permitido que elas ocupem de fato aquele espaço musical. Se desenvolvendo e também auxiliando na criação musical. Mais mulheres diretoras de baterias significa necessariamente mais minas musicalmente talentosas tendo em outras damas verdadeiras fontes de inspiração. A revolução feminina no ritmo das baterias segue em curso, mesmo que em marcha lenta, sendo impossível de ser evitada. Qualquer forma de impulsionamento ajudará imensamente nessa questão. Esse texto é dedicado ao projeto “Mulheres No Ritmo” (MNR) que nasceu com a finalidade de registrar cada mulher presente num ritmo de bateria, agregando exposição e valor à uma causa tão nobre e necessária.

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