Homenagem à Carolina Maria de Jesus encerrou a segunda noite de desfiles do Grupo Especial com uma mensagem de pertencimento periférico e luta feminina, que é o que a vida de Carolina reflete. A alegoria 03, “Canindé: restos que viram memória”, retratou a favela que a escritora viveu e descreveu em seu livro “Quarto do Despejo”. A alegoria aponta que, mesmo em meio a precariedade, a favela consegue se transformar e destacar.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

IMG 4460
Terceira alegoria da Tijuca intitulada “Canindé: restos que viram memória”. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A engenheira Débora Felizardo, de 34 anos, está em seu primeiro ano pela Tijuca. Ela destaca que Carolina, através de suas vivencias, assumiu o compromisso de mostrar uma realidade que é invisibilizada pela sociedade. 

“Esse carro, além de mostrar as dores de viver na Favela do Canindé, ele também mostra muita esperança através do livro dela. O carro vai ter páginas que a gente vai estar passando ao longo da avenida, as frases do livro dela. E é essa a mensagem, que a favela vence e, através da Carolina, a gente pode mostrar isso”, declarou Débora. 

debora
Débora Felizardo, de 34 anos, engenheiro. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O diretor de teatro, Ribamar Ribeiro, de 47 anos, está desfilando pela primeira vez na Tijuca a convite do carnavalesco, ele esteve como um dos destaques da alegoria. Ele contou que se identifica com a escrita de Carolina por ser cria da comunidade do Jacarezinho e, neste carro, a ideia é fazer um balance entre momentos densos e os livres e descontraídos presentes no cotidiano dos periféricos.

ribamar ribeiro
Ribamar Ribeiro, 47 anos, diretor de teatro. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“Reescrever, na verdade, uma história que é escrita todos os dias. É cotidiano. A gente ainda tem muitas ‘Carolinas Maria de Jesus’ em diversos locais, que não são descobertas, que às vezes precisam de uma legitimação. E a gente percebe que não precisa, porque elas sabem escrever independente do grau de escolaridade, qualquer coisa, porque a literatura, a arte, a poesia nasce dentro de cada um de nós e isso é um direito humano”, enfatizou Ribamar. 

Nívia Nascimento, atriz de 41 anos, também esteve em seu primeiro desfile pela agremiação e estava emocionada pelo acolhimento da comunidade da Tijuca. Ela destacou a importância de levar esse enredo para Avenida, contar o que foi, e ainda é, a realidade de muitos brasileiros, sobretudo, para os turistas. 

nivia
Nívea Nascimento, 41 anos, atriz. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“Nesse período a gente recebe muitos visitantes estrangeiros que têm superficialmente uma visão do que é uma comunidade, de como vive um pobre, é muito superficial. Colocar um enredo desse na avenida é contar um pouco sobre a nossa história e como a gente cresceu. A gente não é mais isso. Conseguimos ultrapassar, mas um dia a gente foi isso aqui. Essa é a nossa história. É importante saber de onde nós viemos e aonde a gente quer chegar”, destacou Nívia.