Neste domingo de Carnaval, a Tucuruvi realizou seu desfile oficial com o enredo “Anti-herói Brasil”, assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves. O grande destaque foi o canto da comunidade, que se entregou no Anhembi para defender com força o possível acesso do Zaca ao Grupo Especial. Também merece menção a criatividade da comissão de frente, liderada por Renan Banov, que apresentou uma coreografia impactante logo no início do desfile.

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A escola encerrou sua apresentação com 58 minutos.

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COMISSÃO DE FRENTE

Liderada por Renan Banov, a comissão de frente desfilou com o título “Nosso corpo é página viva”. A coreografia foi impactante e apresentou uma personagem central que encenava o sofrimento, representando as dificuldades enfrentadas por quem vive à margem da elite brasileira. Parte dos componentes utilizava fantasias confeccionadas com sacos de lixo, reforçando a proposta estética e simbólica do enredo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Em determinado momento, ao se agacharem em posições previamente marcadas, os bailarinos ficavam completamente cobertos, criando um efeito visual forte e coerente com a narrativa apresentada. O conjunto conseguiu traduzir com precisão, por meio das expressões e movimentos, o significado do tema.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O casal Luan Caliel e Beatriz Teixeira representou “Caminhos anti-heroicos” com uma atuação segura. Executaram os movimentos obrigatórios com qualidade, destacando-se o mestre-sala nos jogos de pernas e a porta-bandeira nos giros bem sincronizados, realizados com intensidade tanto no sentido horário quanto no anti-horário.

HARMONIA

O canto da escola foi um dos pontos altos do desfile. A comunidade do Zaca mostrou evolução em relação ao ensaio técnico, quando havia deixado a desejar. Desta vez, todos os versos foram entoados com clareza e o samba fluiu do início ao fim. A comunidade desfilou leve e confiante, sustentando a energia da apresentação.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

ENREDO

“Anti-herói Brasil”, desenvolvido por Nicolas Gonçalves, trouxe uma abordagem crítica ao exaltar personagens cotidianos que se tornam heróis na própria sobrevivência. O enredo valorizou trabalhadores do chamado “corre” diário, como os motoboys, além de retratar figuras marginalizadas pela sociedade, como moradores de rua.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Para materializar essa narrativa, o carnavalesco optou por utilizar materiais simples e pouco requintados, uma escolha ousada para o padrão estético do Carnaval de São Paulo. Ainda assim, a mensagem foi transmitida de forma clara e coerente ao longo do desfile.

EVOLUÇÃO

As alas evoluíram de maneira organizada, preenchendo corretamente os espaços na pista. A exceção foi a ala das baianas, que apresentou abertura entre as componentes, embora esse aspecto não seja considerado no manual de julgamento.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

No conjunto, a escola evoluiu com leveza, permitindo que os componentes cantassem e dançassem livremente, sem a formação de buracos. Houve apenas pequena dificuldade na compactação entre algumas alegorias e as alas que vinham à frente, mas nada que comprometesse o desfile ou causasse divisão perceptível na escola.

SAMBA

Interpretado por Hudson Luiz, o samba foi bem defendido na avenida. O intérprete tem um estilo marcante e assumiu a condução da obra com personalidade. Houve interação com a comunidade e com o público das arquibancadas, embora o foco tenha permanecido na sustentação da ala musical. As vozes femininas também se destacaram ao longo da apresentação.

O trecho “Jeitinho brasileiro de sobreviver” foi especialmente forte, ecoando com intensidade na comunidade em sintonia com o carro de som, sintetizando a essência do enredo.

FANTASIAS

A concepção estética proposta por Nicolas Gonçalves foi ousada e coerente com o tema. O uso de papelão, sacolas e materiais que remetem à pobreza e à vida nas ruas pode ter dividido opiniões, mas dialogou diretamente com a proposta narrativa. O desfile trouxe referências visuais a “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, da Beija-Flor de Nilópolis, apresentado em 1989.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Destacou-se a ala com fantasias de sacos de lixo portando tridentes de Exu, reforçando o simbolismo do enredo.

ALEGORIAS

O abre-alas apresentou o setor “Enugbarijó e a sabedoria das encruzilhadas”. A alegoria trazia uma escultura de Exu cuspindo papéis picados, em referência à ideia da boca que tudo consome. O carro enfrentou um problema estrutural no lado direito, quando uma parte se quebrou e precisou ser retirada. A equipe agiu rapidamente, levando o elemento para o recuo da bateria e evitando maiores prejuízos visuais.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A segunda alegoria representou “Macunaíma S/A – A indústria do anti-herói”, aprofundando a crítica social proposta pelo enredo.

Encerrando o desfile, o último carro, intitulado “Seja marginal, seja herói!”, trouxe esculturas de Exu no topo, além de pipas e fios formando a bandeira do Brasil. Mais uma vez, a opção por materiais simples reforçou a estética do anti-herói. Destaque para a presença de motoqueiros na alegoria, em sintonia com o trecho do samba que exalta o “corre” cotidiano.

OUTROS DESTAQUES

A Bateria do Zaca, comandada pelo mestre Serginho, desfilou representando a “Malandragem brasileira”. Executou bossas com precisão e garantiu o andamento adequado do samba-enredo, sustentando a energia da escola ao longo da avenida.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP