Por Maria Estela Costa e Júnior Azevedo

O grande dia está se aproximando, e a Grande Rio encerrou, neste domingo, a temporada de ensaios de rua. O último ensaio foi realizado na Avenida Brigadeiro Lima e Silva, em Duque de Caxias, e foi marcado pela potência do canto da comunidade, pela sintonia entre a escola e os apaixonados por ela, pela performance da ala musical e pela presença da rainha de bateria, Virginia. Para 2026, a escola aposta no enredo “A Nação do Mangue”, criado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, que homenageia o movimento cultural Manguebeat, misturando ritmos musicais e interligando a cultura dos manguezais, vistos em Pernambuco, com as periferias da Baixada Fluminense. A escola mostrou que está pronta para os ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, que acontecerão nos dias 1º e 8 de fevereiro.

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“No ensaio de hoje, deu para perceber o abraço da comunidade com a escola, uma coisa louca, uma coisa só. Graças a Deus, a escola está pronta para a Sapucaí. Hoje, como tradicionalmente no nosso último ou penúltimo ensaio, a comunidade abraça, e isso nos deixa com muito mais força para o carnaval. A gente já está ensaiando desde novembro e, na quadra, desde setembro. Então, realmente, estamos muito confiantes do que vai acontecer na avenida”, diz Thiago Monteiro, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Dando início ao ensaio, a comissão de frente, ensaiada pelos coreógrafos Hélio e Beth Bejani, chegou com as mãos para cima, indicando que eram um grupo em manifestação, em sincronia com o trecho da canção que diz “a revolução já começou”. Eles também realizaram movimentos simulando caranguejos, primeiro com as mãos e os passos, e depois dando pequenos pulos de um lado para o outro em círculos. A coreografia transmite a ideia de coletividade, deixando claro o local de pertencimento e a relevância dessa cultura. Nos momentos finais da apresentação, uma dançarina é erguida enquanto canta o refrão com força. Os dançarinos optaram por figurinos confortáveis e de fácil combinação: camisas que os identificam como integrantes da comissão de frente e shorts pretos.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Mais uma vez, Daniel Werneck e Taciana Couto deram um show e reafirmaram a boa relação entre eles. Um dos destaques do casal é a capacidade de se comunicar pelo olhar; por isso, não se perdem de vista durante a apresentação. Daniel dança com um leque como adereço, o que confere charme e elegância aos movimentos, enquanto Taciana mantém o compromisso de deixar o pavilhão sempre erguido e em movimento, conectando seus passos aos do mestre-sala.

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Fotos: Maria Estela Costa e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Na coreografia, o casal consegue unir as raízes do quesito ao enredo, sem destoar da proposta central, que envolve os giros da porta-bandeira e a contemplação do mestre-sala. Essa conexão é perceptível no trecho “Casa de gueto, casa de gueto”, quando eles realizam movimentos de abre e fecha com as mãos, trocam de posição e executam um breve giro antes de prosseguir com a apresentação. No figurino, Taciana escolheu um vestido vermelho, com decote entre os seios, e botas da mesma cor. Daniel optou por camisa social sem mangas e calça social douradas, além de sapato branco.

HARMONIA

A energia deste último ensaio era de Sapucaí, com todas as alas cantando o samba com potência e sem confundir os versos, estimulando o público a cantar junto. Sem dúvidas, a ala musical e a bateria se conectam naturalmente, funcionando como complemento uma da outra, sem sobreposição, reflexo de uma boa relação, crucial para o rendimento do samba.

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Na noite, o intérprete Evandro Malandro se jogou na folia: subiu na simulação de carro de som feita pelos foliões e, em seguida, foi para a calçada cantar e pular com eles, fazendo o público vibrar e aumentando ainda mais a energia do ensaio. Além disso, foram realizadas paradinhas nos refrãos para que a comunidade cantasse sozinha, algo essencial para o desfile, considerando a ampliação do sistema de som da Sapucaí, que pode impactar a avaliação do quesito.

“Estou muito feliz com todo o desempenho do samba desde o início, desde a disputa. Assim que o samba venceu, houve uma aclamação geral da comunidade, embora houvesse outras obras muito boas. Esse samba vem na linha melódica que eu gosto de trabalhar e com a cadência que o Fafá também domina muito bem. Como diz nosso professor de canto, fomos acertando os ponteiros até chegar ao último ensaio. Se Deus quiser, vamos explodir na Sapucaí nos dias 1º e 8”, afirma Evandro Malandro.

EVOLUÇÃO

As alas estavam felizes, cantando e ensaiando com leveza e espontaneidade, mas sempre atentas às orientações dos diretores de ala, que exigiam concentração nas fileiras e nos momentos de progressão, ponto importante para o desempenho da escola. Apesar disso, a agremiação enfrentou algumas dificuldades devido à performance da rainha de bateria. Por ser um ensaio de rua, o acesso dos fãs a ela é maior, e Virginia fez questão de cumprimentar e interagir com a comunidade, o que é positivo e aproxima ainda mais o público da escola. No entanto, isso gerou alguns espaçamentos na Avenida Brigadeiro Lima e Silva, controlados com a coordenação do diretor de carnaval, Thiago Monteiro. Essa situação tende a ser diferente na Sapucaí, onde há maior controle da progressão e do acesso à rainha.

A maioria das alas utilizava adereços, como pompons com as cores da agremiação, cabos de vassoura simulando lanças e guarda-chuvas de frevo, em referência à cultura pernambucana. A ala das baianas apresentou figurino mais elaborado, com estampa de círculos nas cores verde, laranja, branco e vermelho, combinada com tecido liso laranja. A ala dos passistas seguiu a mesma proposta de figurino elaborado: as mulheres vestiam body verde com decote, pedrarias da mesma cor e franjas verdes na parte inferior, responsáveis por dar mais movimento às roupas.

SAMBA

A comunidade adotou o samba, e os espectadores cantavam a plenos pulmões mesmo antes da escola passar. O samba da Grande Rio vem crescendo cada vez mais: melodia e refrãos ficam facilmente na memória, com letra potente que transmite bem o objetivo do enredo, celebrando o Manguebeat e conectando-o à Baixada Fluminense. O trabalho da bateria, comandada pelo mestre Fafá, e da ala musical, começando de forma mais cadenciada e aumentando gradualmente a potência, com batidas conectadas e paradinhas pensadas para integrar a comunidade, faz com que o samba seja muito bem recebido pelo público.

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“A expectativa é boa. Ter dois ensaios ajuda muito, porque podemos corrigir o que não funcionou no primeiro. Não à toa, a Grande Rio optou por fazer outro ensaio de rua em local diferente. Nosso samba está na boca da comunidade e tem crescido muito. A gravação do CD é uma coisa, ao vivo é outra: a escola está pulsando. Agora é silêncio e trabalho, com humildade e sabedoria, entregando tudo nas mãos de Deus”, contou mestre Fafá.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha de bateria, Virgínia Fonseca, esteve presente com fantasia trabalhada em pedrarias vermelhas e salto dourado. Sua presença gerou grande emoção no público, retribuída com interação e carinho. As musas Alane Dias, Karen Lopes, Thainá Oliveira e Jaquelline também marcaram presença, demonstrando admiração pela agremiação e pela comunidade, entregando carisma na interação com o público. Thiago Monteiro e Evandro Malandro comentaram sobre as expectativas para os ensaios técnicos.

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“Ensaio é para testar. Ninguém ganha nem perde carnaval em ensaio. Se for para errar, que erre agora, para corrigir a tempo. O importante é chegar no dia do desfile sem erro”, destacou Thiago Monteiro.

“Estou muito esperançoso e ansioso. O pré-carnaval me deixa mais nervoso do que o dia do desfile, que é só alegria. Tenho certeza de que teremos uma grande aceitação nos ensaios técnicos e, se Deus quiser, vamos deslanchar no desfile”, concluiu Evandro Malandro.

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