Apesar da chuva que caiu na avenida, o Carnaval de São Paulo de 2026 teve início oficialmente nesta noite, com os desfiles das escolas de samba do Grupo de Acesso 2, no Sambódromo do Anhembi. Os foliões que compareceram à avenida para acompanhar o resultado de um ano inteiro de preparação das agremiações vivenciaram uma noite emocionante que somente o carnaval pode proporcionar.

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Abrindo o carnaval paulistano, desfilaram pela avenida as escolas: Amizade Zona Leste, Imperatriz da Paulicéia, Torcida Jovem, X-9 Paulistana, Unidos de São Lucas, Unidos do Peruche, Morro da Casa Verde, Imperador do Ipiranga, Uirapuru da Mooca e Primeira da Cidade Líder. Dentro do Acesso 2, as escolas estão na busca pelo acesso ao Grupo Especial para o próximo ano.

Ao longo do percurso, toda a comunidade, com suas fantasias, cantou o quanto podia seus sambas-enredo, acompanhada pela empolgação dos presentes nas arquibancadas. Entre os destaques da noite, o desfile da Amizade Zona Leste emocionou parte do público. Para Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto, a apresentação foi marcante: “Achei que estava muito maravilhoso, a bateria, achei que cumpriram o trabalho. Desfilo há seis anos, parei por um tempo, mas voltei este ano. E tem esse enredo, que acho gostoso, tem uma base boa”, conta a apaixonada pelo carnaval que, este ano, além de querer vir ver a sua escola do coração, decidiu fazer parte da ala musical.

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Maria Duarte, 48, que acompanha o carnaval de perto

Durante a noite, integrantes das escolas também compartilharam suas impressões sobre o desfile e os desafios enfrentados. Ao final da apresentação da Imperatriz da Paulicéia, a componente da bateria Isabela Leão Gomes, 27, avaliou o desempenho da escola, destacando o impacto da chuva: “Acho que a chuva pegou um pouco desde lá do começo, antes da gente entrar na pista já estava chovendo muito, então dá uma pesada na fantasia e tudo mais. Acho que isso deixou um pouco mais difícil, mas a gente tentou segurar o ritmo até o final, chegando no recuo ali da bateria, daquele último gás que ainda não é o último gás, e foi isso. Acho que a gente fez uma boa apresentação”, conta a ritmista.

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Isabela Leão Gomes

Ainda segundo Isabela, apesar das dificuldades, a escola conseguiu entregar o que havia planejado para a avenida: “No geral, entregamos o que a gente tinha proposto, fizemos as coreografias na frente da Monumental e a galera empolgou bastante. Agora é torcer, esperar o gol estar com a gente e o resultado vai vir, se Deus quiser”, fala Isabela, que está animada para esta semana de folia em São Paulo.

Nas arquibancadas, o público acompanhava atento cada detalhe das apresentações. Durante o desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado e explicou sua identificação com o enredo da escola: “O enredo veio muito forte, contando a história da Bahia e das ancestralidades, também dos orixás. Eles falam sobre o orgulho de ser preto, como eu sou, um homem negro da periferia, então me senti muito identificado com o enredo. A fantasia estava muito bonita, muito ligada ao enredo mesmo. O primeiro carro veio todo iluminado e com a molecada, com a velha guarda, então trouxe muita luz para a avenida. O último carro foi o que fala do carnaval na Bahia e apresentou o trio elétrico com muito colorido, divulgando todos os nomes das entidades que fazem parte do carnaval da Bahia dentro dos blocos. Então, para mim, foi muito bonito e bem legal. Estou sempre no carnaval, hoje vim ver a minha esposa, Elaine, desfilar”, comenta.

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Durante desfile da Torcida Jovem, Chagas, 45 anos, observava emocionado

Com o avanço da noite, a expectativa do público também se voltou para a disputa entre as escolas e para quais delas teriam mais chances de se destacar na competição. Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana: “A X-9 já foi uma grande escola, mas hoje em dia já não é aquela potência como as escolas do Especial. Para mim, não emocionou, não empolgou, acho que não sobe, não. Na verdade, acho que nenhuma que vi até agora me empolgou, ainda estão muito abaixo, mas, enfim, tem uma diferença imensa do Especial para os grupos de acesso, então não tem que comparar a luta deles, eles fazem o que podem”, comenta Jeferson, que assistiu ao desfile da escola, mas não viu firmeza na performance.

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Jeferson Caetano, 51, avaliou de forma crítica o desfile da X-9 Paulistana

Apesar das críticas, ele também destacou um ponto positivo apresentado pela agremiação: “Foi diferente, porque veio falando dos índios, e muitas escolas que passaram falaram de samba afro, então esse foi um diferencial. Gostei da letra, foi bom”, completa Jeferson.

Para parte do público, algumas escolas conseguiram emocionar e envolver quem estava presente. Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruche: “A escola veio maravilhosa, senti que a galera se emocionou, cantou junto com a gente. Acho muito importante esse enredo. Ano passado foi com o Carlão, infelizmente perdemos ele um pouco antes do desfile, mas este ano continuamos homenageando e temos que homenagear todos os anos”, diz.

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Michelle da Silva Ribeiro, 45, destacou a apresentação da Unidos do Peruch

Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza, 56, também compartilhou sua percepção sobre o desfile: “Adorei, é a primeira vez que desfilo, vim pela Morro da Casa Verde, sempre tive vontade e agora pude ver também que a escola é muito entrosada, muito batalhadora. Vi muitas pessoas cantando o samba, você ouve da avenida que as pessoas estão participando. Acho que vai subir”.

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Vivendo sua primeira experiência na avenida, Edilane de Souza

Entre os integrantes da escola, a avaliação também foi positiva. Para Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas, o desfile ocorreu conforme o planejado: “É a primeira vez que venho como apresentadora de casal e foi muito legal, espero que a gente tenha uma boa nota. Para mim, foi ótimo, porque a chuva parou no momento certo, também percebi que o público gostou bastante do desfile”, explica a integrante.

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Ketlen Tristani, 42, apresentadora do primeiro casal da escola Unidos de São Lucas

Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral, destacando a importância do acesso para o crescimento das agremiações: “Achei bonita, a escola do Ipiranga veio bem colorida, estava bem alegre, ficou bonita. Veio cantando bastante, também é um enredo bem fácil. Gostei, achei muito bom. Acho que a busca pelo acesso começa aqui, podendo abrir a arquibancada para a galera chegar e conhecer as escolas que ainda não conhecem e poder participar. Acho que, juntando uma comunidade de pessoas, conseguiríamos todos crescer”, explica a foliã, que desfila em algumas escolas e vive de carnaval.

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Do ponto de vista de quem acompanha diferentes escolas, Camila Rosa, 32, avaliou a apresentação de forma geral

Com anos de experiência no carnaval, Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca, que acompanhou todo pela arquibancada: “Sou um pouco crítico em relação aos desfiles, nasci em uma família de sambistas, já acompanho o carnaval praticamente há 40 anos. Sobre a Uirapuru da Mooca, no geral, mas agora, quase para o final, a escola deu uma passada a mais, acelerando um pouquinho. Mas acho que é a escola que pode brigar pelo título”, especula Getúlio.

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Getúlio César Gomes Batista, 50, analisou tecnicamente o desfile da Uirapuru da Mooca

Encerrando a noite, o público também elogiou a escola responsável pelo último desfile. Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado: “Foi tudo perfeito e bem organizado, a escola passou no tempo certinho, todo mundo dançando, todo mundo cantando, perfeito. A expectativa é de ser campeã amanhã”, diz o folião, que ainda destacou um dos carros alegóricos: “O carro do DNA foi o carro mais povoado, cheio de gente, mais iluminado e mais bonito”.

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Igor Fábio, 43, falou com entusiasmo sobre a apresentação e as expectativas para o resultado