A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial de 2026 com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, desenvolvido por Renato Lage. Em sintonia com o universo irreverente da artista, a bateria Não Existe Mais Quente atravessou a Avenida vestida de Eros, o Deus do amor na mitologia grega. Se a rainha representava Afrodite, os ritmistas vieram com clâmide estilizada e asas, usando instrumentos como flechas sonoras para atingir os corações da Sapucaí.

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MENINAS JUNTAS
Ritmistas da Mocidade
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para entender essa relação entre paixão e batida, a reportagem conversou com Angélica Castro, de 35 anos, profissional de marketing e há três anos na bateria; Aline Pamplona, de 40 anos, administradora e há quatro anos na escola; Bárbara Langer Greter, de 39 anos, executiva de contas comercial, estreante na bateria; e Letícia Martins, 26 anos, profissional de marketing e há oito anos na Mocidade.

Você se apaixonou pela Mocidade por intermédio da bateria?

Angelica Castro de 35 anos
Angélica Castro, de 35 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Angélica Castro relembra que a paixão começou ainda na infância. “Sim, desde pequena, meu pai me levava para os ensaios, minha mãe, quando era no Campo do Bangu ainda, e sempre deu aquela coisinha diferente no coração. Principalmente pelo meu instrumento que eu toco surdo. Então dali eu já comecei a me apaixonar até o dia que eu consegui entrar”, afirmou.

ALINE PAMPLONA
Aline Pamplona, de 40 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Aline Pamplona também aponta a bateria como ponto de partida: “Com certeza, o motivo inicial de eu me apaixonar pela Mocidade é pela bateria, pelo swing da bateria. Eu nunca imaginei tocar na Mocidade, porque eu achava assim, um sonho muito distante, até o dia que eu consegui ir e até hoje ainda é um momento assim que eu fico, cara, não tô acreditando. Os anos vão passando e todo ano é a mesma coisa do eu não acreditar ainda”.

Barbara Langer Greter de 39 anos
Bárbara Langer Greter, de 39 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Bárbara Langer Greter veio de São Paulo e encontrou na caixa o elo direto com Padre Miguel.

“O que me trouxe pra Mocidade, para desfilar na Mocidade, é a batida de caixa. Então é através do coração mesmo da escola. Eu já desfilo em São Paulo há 26 anos, e a minha escola, que é a Águia de Ouro, ela tinha como referência a bateria da Mocidade. Então toda afinação, batida de caixa, toda característica da bateria da Mocidade, ela era da minha escola porque o mestre de bateria da minha de lá era muito fã e admirador, então ele fez a mesma imagem na bateria”, contou.

Letícia Milgasto Martins reforça a força da experiência na quadra: “Então, eu desafio alguém a estar num ensaio, a estar dentro da quadra, na Vintém, sentir a energia e não se apaixonar pela escola e, principalmente, pela bateria. Pela energia, pela batida da caixa diferenciada, pelo chocalho cascavel… a Mocidade vai muito além do que a gente consegue imaginar. É um ambiente diferenciado”.

O que essa bateria tem de tão diferente que deixa todo mundo apaixonado?

Para Angélica, o segredo está no balanço e na tradição: “Com certeza é o swing. Nosso swing é diferenciado. Desde a afinação dos surdos, aí eu sou meio suspeita de falar, quanto também a questão da terceira, das caixas, é todo o legado do Mestre André, que a gente está levando aí para todo o sempre. E pela escola a mesma coisa, a união, companheirismo dos componentes, o amor à bandeira”.

Aline reforça que o diferencial é perceptível já nos primeiros acordes: “Eu acho que o swing da bateria é diferenciado, a pegada da galera é uma bateria swingada. É uma bateria diferente, não tem outra bateria que bate igual a Mocidade na Avenida. Esse é o ponto chave da bateria da Mocidade, é o swing, é o gingado, é toda uma história, tem todo um significado, então muitas pessoas se apaixonam pela escola através da bateria”.

Bárbara detalha tecnicamente o que faz a diferença: “O diferencial, falando pessoalmente, são as pessoas que me receberam, mas tecnicamente, de forma talvez rítmica, é uma bateria muito swingada, é uma batida de caixa, que carrega a batida de Oxóssi, então é a alma da bateria. Há características específicas. O que eu acho que diferencia é a batida de caixa. É a maior característica dessa bateria. E por isso, como ela é mais contratempo, mais swingada, ela tem um andamento mais gostoso de cantar o samba. Então às vezes não precisa correr e acompanhar o samba com melodia e ritmo”, concluiu.