Por Guibsom Romão e Juliane Barbosa

Após o ensaio do último dia 04 de janeiro, quando provou estar pronta para 2026 mesmo sob chuva, a Portela voltou à Estrada do Portela para subir ainda mais o sarrafo. Desta vez, o desafio foi ensaiar no início da noite de um dia em que as temperaturas quase atingiram os 40ºC, mas a Azul e Branca mostrou que, seja com chuva ou sol, segue obstinada e carregada no dendê. Com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues, a Portela continua com o sorriso no rosto, o samba na ponta da língua e sendo cantado em plenos pulmões pela Estrada do Portela, que teve ajustes na iluminação, mas ainda precisa de melhorias, pois continua apresentando trechos de escuridão, sem comprometer o brilho da escola.

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O ensaio contou com a presença ilustre da apresentadora Adriane Galisteu, que foi rainha de bateria da escola de 2000 até 2003 e voltou a desfilar na agremiação em 2023. Desde então, tem vindo à frente da escola, saudando o público na Sapucaí, como fez neste ensaio de rua, ao lado do marido Alexandre Iódice e do filho Vittório.

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Quem também, como sempre, veio à frente da escola cantando e interagindo com o público presente foi a presidência. Junior Escafura e Nilce Fran eram só sorrisos e entusiasmo apresentando a escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Mais uma noite brilhante do casal 40 da Azul e Branca de Madureira. Squel e Marlon fizeram uma entrada de gala para o início da coreografia, trocando olhares que parecem selar um pacto de cumplicidade antes da apresentação no trecho da Estrada do Portela que simula um módulo de jurados. Segundo apuração do CARNAVALESCO, a coreografia apresentada já é a oficial do desfile. Ágil, segura e muito bem executada, levantou o público presente, que respondeu com gritos e elogios. Outro ponto alto foi a felicidade estampada no rosto do casal durante toda a dança, visível no sorriso de ambos. Mantendo fôlego, sintonia e regularidade, o casal caminha novamente para a nota máxima na Quarta-feira de Cinzas.

EVOLUÇÃO

O ensaio transcorreu sem intercorrências, apesar do calor intenso mesmo durante a noite. As alas cruzaram a Estrada do Portela com dança constante, impulsionadas por um samba que naturalmente mantém o componente em movimento.

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O cortejo se apresentou fluido e compacto, sem estagnações prolongadas ou correria, mantendo boa ocupação do espaço e regularidade na progressão. Um efeito cenográfico com papéis azul e branco, lançado à frente do recuo da bateria, deu novo fôlego ao componente e ajudou a sustentar o nível da evolução. A sensação geral é de uma comunidade que desfila com orgulho do momento vivido pela escola neste pré-carnaval.

HARMONIA

A escola teve um canto alto, consistente, robusto e com nuances de ponta a ponta, além dos ótimos harmonias que puxam o canto das alas. O público nas grades ajuda demais: a comunidade de Oswaldo Cruz e Madureira comprou o samba e comparece em peso, com o samba na ponta da língua. Mesmo com um cortejo bem grande, o canto se fez forte e animado do começo ao fim.

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É uma escola totalmente satisfeita e apaixonada pelo seu samba. O carro de som, com Zé Paulo Sierra dando um show de simpatia e canto forte, conta com apoios excelentes que conduzem, do esquenta ao encerramento, um canto majestoso, digno de uma Portela confiante em si mesma.

Ao fim do ensaio, o diretor de carnaval Júnior Schall comentou ao CARNAVALESCO a sua avaliação do rendimento da escola neste domingo.

“A gente teve, no domingo passado, uma noite de chuva, e a escola foi abençoada. Hoje nós tivemos uma noite de calor, e a escola se comportou muito bem. A Portela está munida de uma questão de alma muito potente, que já é peculiar, é particular à Portela. Outras grandes instituições também têm, mas a Portela tem isso de uma maneira que hoje está agregando muito à questão técnica. E a gente tem que observar a técnica. Resumindo, hoje a Portela se equilibra muito bem no seu senso de técnica e no seu senso daquilo que é o chão da escola. Entendo que isso faz a diferença num dia de desfile, faz a diferença para um carnaval. E a Portela está de parabéns, mas é um processo em evolução. Eu diria que está em franca evolução. Precisamos, em cada oportunidade, chegar ao ápice, melhorar a matéria de canto num volume mais alto por mais tempo. A matéria de evolução com maior despojamento, agregando justamente a toda essa emoção que já está eclodindo poderosamente de cada ala portelense. Nós hoje temos um ponto excelente de canto e evolução. Porém, ele está sempre num arco de crescimento, é isso que eu quis dizer, tudo numa crescente. Na chuva, nos comportamos muito bem. No calor de hoje, que foi extremo, nos comportamos muito bem. Como eu disse, o portelense entende que ele está muito bem condicionado. A questão técnica e a questão também da emoção diante do samba”, avaliou o diretor.

 

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Fotos: Guibsom Romão e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

OUTROS DESTAQUES

O entrosamento da rainha Bianca Monteiro com a “Tabajara do Samba” vem de outros carnavais, porém ela tem feito um espetáculo com a bateria em uma bossa especial. Na cabeça do samba, a bateria se abre ao meio, abrindo um caminho para ela atravessar. Durante a bossa, a bateria se curva a ela, abaixa e ainda balança o corpo no ritmo da rainha. Um show de sincronia, musicalidade e dança. Segundo apuração do CARNAVALESCO, nos ensaios técnicos, a rainha irá entrar na bateria em cima de um elemento que a eleve e a deixe em evidência.

“Hoje foi um dos melhores ensaios na parte musical. Bastante bacana. Durante o descanso senti um pouco da falta da energia e o time no ensaio foi muito bom e todos já estavam com saudade dessa energia. Graças a Deus, eu tive a procura gigante de muitos ritmistas. Óbvio que a quantidade não significa qualidade. O presidente Escafura não mediu esforços para atender o meu pedido e por isso vamos ter uma bateria grande e tão essencial. A gente tem algo a mais para melhorar um pouquinho aqui e ali. Sempre aquele 99% e faltando 1%. Faço ensaio secreto com a bateria usando a fantasia com a luz apagada e vamos começar esse processo também que eu acho muito importante. Uma coisa é você tocar enquanto está parado e outra coisa é você tocar em movimento. E aqui fazemos uma performance em movimento com a fantasia”, explicou mestre Vitinho.