Neste sábado, a Estácio de Sá foi a quinta escola a passar pela Marquês de Sapucaí e apresentou o enredo “Tata Tancredo: O papa negro no terreiro da Estácio”, idealizado pelo carnavalesco Marcus Paulo. A obra celebra o pai de santo e a sua contribuição cultural e religiosa para os cariocas. Tata foi um dos grandes responsáveis por iniciar a tradição do famoso Réveillon de Copacabana, no Rio de Janeiro, além de auxiliar na organização da umbanda no Brasil.
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FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
A agremiação resolveu dar um novo significado ao falecimento do homenageado através da alegoria 03: “Xirê Infinito do Axé: Tata Tancredo Entre Òrun e Àiyé”. Ela levou para a Avenida a ideia de que Tancredo fez a transição de plano espiritual e foi recebido pelos orixás, tornando-se um mensageiro de Ifá. O carro tem o formato do símbolo do infinito para trazer a ideia de uma vida cíclica, mesmo após a morte.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Sobrinho de Tata Tancredo, o bombeiro hidráulico Rosenberg Teodoro, de 53 anos, desfila na Estácio de Sá desde a infância e afirma que já esteve em quase todos os postos e viveu intensamente o processo criativo da agremiação. Neste ano, com muita emoção, ele esteve na alegoria que celebra o pós-morte de seu tio-avô.
“O final do ano do Rio entrou pro Guinness Book. E esse enredo é o cara que inventou isso. O Tata Tancredo que inventou as festas, oferenda pra Iemanjá lá no mar e inventou esse Carnaval inteiro. Não tenho palavras para explicar como está sendo bom esse festejo todo, esse final de ano eterno”, contou Rosenberg.
Para ele, resgatar a história de Tancredo é voltar à própria infância. Um momento único que ficará marcado na memória.
“Aquilo ali foi muito marcante. A Estácio com esse enredo resgatou minha infância. Graças a Deus, eu me lembro dessa infância, eu sentado no colo dele”, completou Rosenberg.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Bruno Rocha, cozinheiro de 35 anos, desfila na Estácio há três anos e esteve na alegoria como representação da imagem de Oxalá. Ele pontua a importância de levar a história do pai de santo para a Passarela do Samba.
“O carnaval é afro, carnaval é do povo preto, carnaval é da macumba. Quanto mais a gente puder exaltar esses temas na avenida, porque a Marquês de Sapucaí é uma escola audiovisual, a gente aprende assistindo, ao ouvir, isso é muito importante, a gente consegue quebrar muitos preconceitos”, afirmou Bruno.










