Por Matheus Morais e Rhyan de Meira

A Unidos do Viradouro se despediu com muita força da Amaral Peixoto no último domingo. Com a presença da rainha Juliana Paes, o Furacão Vermelho e Branco foi regido com maestria pelo enredo da escola, mestre Ciça, em uma noite marcada também pela evolução perfeita da escola, com canto firme e animado e uma performance excelente de Wander Pires. A Vermelha e Branca de Niterói será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, no segundo dia de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Pra cima, Ciça”, em homenagem ao seu mestre de bateria, uma das grandes personalidades do Carnaval carioca, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.

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COMISSÃO DE FRENTE

Trazendo seus integrantes com uma coreografia com bastante samba no pé, Rodrigo Negri e Priscilla Mota, responsáveis pela comissão de frente da agremiação, montaram uma apresentação muito calcada nos movimentos bem tradicionais do samba e na figura dos passistas, com muitos gestos e partes da coreografia também voltados às mãos e às palmas, fazendo referência ao fato de Ciça ter iniciado sua trajetória como passista e chegado ao posto de mestre de bateria. A sincronia da coreografia junto ao canto dos bailarinos também empolgou bastante o público presente, que festejava a cada movimento realizado, explicitando a boa comunicação que essa abertura da escola teve com quem estava na Amaral Peixoto.

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Fotos: Matheus Morais e Rhyan de Meira/CARNAVALESCO

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho Nascimento e Rute Alves foram impecáveis na apresentação do último domingo. Em uma dança bem tradicional e de excelência, trouxeram muitos movimentos característicos da dança do casal na maior parte da exibição para a marcação da cabine do júri, demonstrando também muita sincronia e sintonia entre ambos. Julinho exibiu domínio nos riscados e no cortejo, com muita firmeza e segurança, enquanto Rute realizou giros muito precisos em uma dança com muito vigor, mas também suavidade, exibindo bem o pavilhão da escola durante todo o tempo.

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SAMBA E HARMONIA

Wander Pires comandou a ala musical da Viradouro com muito talento, marcando bem a emoção da escola que canta para seu mestre. Com grande desempenho, Wander manteve o samba firme durante todo o ensaio, e o carro de som também teve papel fundamental nesse resultado, demonstrando muita união entre seus componentes sob a liderança de Hugo Bruno. Já os componentes da Viradouro soltaram a voz com força ao cantar o samba, emocionando-se com os versos e mantendo boa harmonia e constância entre as alas, mesmo as mais afastadas do carro de som, como a ala das crianças, que veio logo após o primeiro casal. Destaque para versos como “Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você / Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender”, que remetem diretamente ao homenageado e foram entoados com força ao longo do ensaio.

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Ao CARNAVALESCO, Wander Pires avaliou os ensaios de rua da Viradouro e a expectativa para a Passarela do Samba.

“Os ensaios da Amaral Peixoto são o parâmetro principal e triunfal para que a gente consiga galgar um grande desfile e alcançar a nossa tão sonhada quarta estrela, o campeonato. Estou na maior expectativa de que vamos fazer dois grandes ensaios na Sapucaí e realizar um desfile espetacular, se Deus quiser”, declarou.

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EVOLUÇÃO

A Viradouro veio leve e animada, evoluindo com muita força. Os componentes da escola do Barreto estiveram soltos ao longo do treino, evidenciando alegria, emoção e canto, tudo na medida certa. A escola passou muito forte pelo chão da Amaral Peixoto, preenchendo bem o espaço da avenida e demonstrando, mais uma vez, grande força neste quesito.

Marcelinho Calil, diretor executivo da agremiação, conversou com o CARNAVALESCO sobre a temporada de ensaios na Amaral Peixoto e as expectativas para os próximos dois domingos na Sapucaí.

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“Foi espetacular. Tivemos grandes ensaios, fruto também de uma continuidade. Não é de hoje que a escola ensaia bem, mas este enredo, por estar tão próximo da gente, potencializa exponencialmente a emoção, a alegria e a vibração. Agora é fazer esses últimos ensaios na Sapucaí e desfilar como estamos acostumados. Tenho certeza de que estamos muito na briga por esse título. A temporada de ensaios da Amaral foi de altíssimo nível técnico, e o principal deste ano é a emoção, a felicidade, a vibração e a espontaneidade que esse enredo proporciona. Sobre a Sapucaí, tentamos separar as coisas, mas não dá. O ensaio técnico é um momento de objetivos técnicos, mas também de conexão popular com o Ciça, que já vem sendo homenageado nesses ensaios. Isso tudo é mágico. Agora é transformar esse valor agregado imenso em potência de desfile”, disse.

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OUTROS DESTAQUES

A “Furacão Vermelho e Branco” veio brincando sob o comando do homenageado. Mestre Ciça realizou diversas bossas, se divertiu com a bateria e comandou plenamente os ritmistas da agremiação, contando com a presença de Juliana Paes, rainha de bateria da escola, que recebeu muito carinho do público ao passar pela avenida.

Ciça também conversou com o CARNAVALESCO sobre a reta final de ensaios, destacando a chuva neste último encontro e a expectativa para os ensaios técnicos.

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“A avaliação foi ótima. Trabalhamos o tempo todo na quadra. Hoje a chuva atrapalhou um pouco, choveu muito no Rio de Janeiro, mas, pra mim, foi tudo bom. A avaliação é positiva. O que vem pela frente também vai ser bom. Vamos apertar o bolo para melhorar ainda mais a bateria. O ensaio é importante, mesmo com chuva. Temos que estar preparados para desfilar nessas condições, então já é um grande teste. A expectativa para a Sapucaí é grande. Ali levo 100% da bateria. É no campo de jogo que a gente ensina e ajusta de verdade”, comentou.

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