Por Will Ferreira, Ana Carla Dias e Letícia Sansão

A Estrela do Terceiro Milênio pisou pela primeira vez no Anhembi, em virtude do ciclo do Carnaval 2026, no último domingo. Quinta escola a desfilar no sábado de Carnaval, em noite de Grupo Especial na folia paulistana, a agremiação defende o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”, assinado pelo carnavalesco Murilo Lobo. Encerrando a passagem com 59 minutos no Sambódromo, a Coruja mostrou força no conjunto de quesitos. Sempre presente em todos os grandes eventos que envolvem escolas de samba, o CARNAVALESCO conta como foi o primeiro ensaio técnico da Estrela do Terceiro Milênio no Anhembi, no ciclo do Carnaval 2026.
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COMISSÃO DE FRENTE
Bicampeã do Estrela do Carnaval (prêmio organizado e concedido pelo CARNAVALESCO) nos anos de 2023 e 2025, a comissão de frente da Estrela do Terceiro Milênio, coreografada desde 2023 por Régis Santos, novamente chamou atenção. Para representar a vida de Paulo César Pinheiro, diversos personagens foram vistos: crianças, adultos, roupas coloridas e indumentárias com cromia mais fechada.

Os grandes momentos, entretanto, aconteciam quando dinâmicas mais extremas surgiam. Em dado momento, por exemplo, apareciam dois capoeiristas que saíam do grande elemento alegórico, atividade muito presente no cancioneiro do homenageado. Em outro instante, uma porta-bandeira era notada, além de sambista, Paulo César Pinheiro também compôs sambas-enredo.
O segmento, mais uma vez, deixou todos curiosos para saber o que será apresentado no desfile, e, graças às premiações obtidas pela escola no quesito, identificar se a qualidade do trabalho novamente será de excelência também estará em pauta.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Quem começa a acompanhar o carnaval neste momento duvida que Arthur Santos e Waleska Gomes dancem juntos “apenas” desde 2024. Em mais uma ótima apresentação, o que mais chamou atenção foi a extrema sincronia entre os movimentos do mestre-sala e da porta-bandeira, entendendo, com sinais quase imperceptíveis (e com memória, é claro), o próximo movimento a ser feito, bem como o estado de espírito do parceiro.

A coreografia, por sinal, também merece destaque: se ambos não se furtaram a girar no Sambódromo, Arthur e Waleska também capricharam na escolha de movimentos que vão além da dança a ser julgada pelo jurado, algo bastante desafiador ao homenagear um dos grandes compositores da história do Brasil, identificado com uma série de gêneros distintos.
HARMONIA
Desde quando começou a se tornar habitué dos grupos que desfilam no Anhembi, a Estrela do Terceiro Milênio é dona não apenas de uma comunidade que canta alto, como também de pessoas que saem do Extremo Sul de São Paulo e chegam à Zona Norte bastante receptivas às outras coirmãs, querendo desfrutar e falar de Carnaval. No Sambódromo, no último domingo, a força do Grajaú, novamente, se fez presente: com canto em elevado volume, a Coruja não dormiu, mais do que isso, acordou e sacudiu quem estava nas arquibancadas.
Há, por sinal, um conjunto de alas que merece ser destacado: quem estava entre os espaços destinados ao terceiro e ao quarto carros alegóricos teve um canto ainda mais forte que o dos demais desfilantes. Se o quesito não é motivo de preocupação imediata (e há anos é assim), é interessante notar como tal discrepância no canto será trabalhada pela escola. Quando o patamar é de excelência, a régua também sobe, seja na avaliação da imprensa, seja internamente.

“Cada ano traz um enredo diferente, mas este é especialmente marcante, porque, além de intérprete, também sou compositor, o que cria uma identificação ainda maior ao cantar uma obra em homenagem a Paulo César Pinheiro, um dos poetas mais incríveis da nossa música. A expectativa está centrada na responsabilidade de contar a história de um grande artista. O samba dialoga diretamente com a identidade da nossa escola, que é de comunidade, de pé no chão, de povo bravo, e também com a força cultural da Zona Sul, marcada por movimentos como o Pagode da 27. Trazer um poeta de grandes sambas e obras para uma comunidade que tem tudo a ver com isso nos deixa muito felizes e reforça o quanto esse enredo combina com o Grajaú”, comentou o intérprete Darlan Alves.

EVOLUÇÃO
O forte canto da escola também ajuda no quesito em questão. Como o staff da escola simplesmente não precisa pedir para que os componentes cantem, cada um deles, naturalmente, fica mais atento à organização do espaço entre si. Por sinal, é importante pontuar que, em relação às outras coirmãs, os harmonias da Estrela do Terceiro Milênio, ao menos no último domingo, estavam bastante leves.

Com diversas pessoas observando cada passo dos desfilantes, como é possível imaginar, não foram identificados itens passíveis de despontuações no quesito neste ensaio técnico.
SAMBA
Desde quando o samba-enredo da Estrela do Terceiro Milênio para 2026 foi escolhido, a obra é bastante elogiada não apenas pela comunidade ou por torcedores da Coruja: a canção ganhou os ouvidos de quem acompanha o carnaval paulistano, não importa onde esteja.

Tal canção, é óbvio, é música para os ouvidos de quem quer que seja. Some-se a isso a força do canto da Milênio e tem-se mais um quesito no qual nada pode ser despontuado. Vale destacar, também, a ótima noite de Grazzi Brasil e Darlan Alves, mais focados em executar o samba do que em tentar empolgar a comunidade, por mais que isso não seja necessário no Grajaú. Falando em sustentação, a “Pegada da Coruja”, bateria comandada pelo mestre Vitor Velloso, mais do que estar em ótima sintonia com a dupla de intérpretes, inovou: um naipe de berimbau foi criado dentro da bateria exclusivamente para o desfile.

“Foi um ensaio de energia maravilhosa, especialmente na ala musical, com a bateria e as alas passando e cantando muito. O Grajaú mostrou mais uma vez ser um chão bonito, onde todo mundo canta junto, com garra e alegria, refletindo a força de uma escola que vem de longe, do fundão, mas cresce unida. A homenagem aos compositores traduz o que embala a vida e o Carnaval, e o nosso samba, dolente e cheio de garra, vem sendo cada vez mais assimilado. A expectativa está muito alta, porque a Milênio vem fazendo um trabalho bonito, crescendo a cada ano. Este já é meu quinto carnaval na escola, e sinto que ela evolui a cada temporada; apesar de jovem, segue em plena ascensão, o que me deixa ansiosa e confiante de que será um desfile muito lindo”, disse a intérprete Grazzi Brasil.
OUTROS DESTAQUES
A noite foi ainda mais especial para a comunidade e para a nova rainha da “Pegada da Coruja”, justamente por ser a primeira vez em que ela chegou ao Anhembi. Sávia David fez questão de interagir com o público e convidar a todos para exaltar os ritmistas. Ao lado dela, na corte da bateria, as princesas Geovanna Pyetra e Marcella Cavalcanti completaram o time com graciosidade e simpatia.

“Mesmo com as dificuldades logísticas de uma escola distante como o Grajaú, estamos realizando um trabalho intenso e coletivo, com ensaios frequentes e muito empenho de todos os setores. O primeiro ensaio geral foi bastante positivo, ainda com ajustes a fazer, mas dentro de um contexto muito forte. A bateria trabalha para entregar um grande resultado junto com a escola inteira, que ensaia muito e é constantemente cobrada pela direção. A expectativa é clara: podem esperar uma Estrela do Terceiro Milênio muito dedicada, organizada e preparada para apresentar um excelente carnaval”, explicou o mestre Vitor Velloso.











